
Treze entrou em campo com faixa com frase "Campina Grande tem time para torcer". E tem mesmo! Se chama Treze Futebol Clube.
Diferente do Campinense, que nunca passou da 1ª fase, e do Botafogo de João Pessoa, que tomou goleadas por cima de goleadas(10×0 e 7×0), na Copa do Brasil, quem honra as cores da Paraíba é o Treze. O resultado(1×1), ontem, diante do Botafogo(o original), pode não ter sido dos melhores, mas o Galo honrou o nome do estado e jogou sem medo do adversário, dominando-o em boa parte do jogo e criando mais chances de gol. Além disso, destaque para a torcida do Treze, que disse “não NEGO a Paraíba”, e se fez presente em ótimo número, mesmo a 120km de distância. O NEGO, por ironia do destino, é uma frase editada por um pessoense que, pelo jeito, não foi seguido pela maioria de seus conterrâneos, sem identidade e que foi valorizar o que é de outras terras.
A torcida do Treze chegou a protestar contra esse tipo ridículo e desprezível de “torcedor”. Veja aqui(Paraibaca, a PB não precisa de você) e aqui(Ah, Campina Grande).
Antes de mais nada, aviso que assisti ao jogo em duas oportunidades. Na primeira, ao vivo, na arquibancada do estádio Almeidão; na segunda, em casa, num tape do jogo.

Scout apresentado pelo canal ESPN não mente: o Treze foi um pouco melhor na partida. A derrota seria inadmissível!
Talvez o Treze não tenha nem jogado esta bola toda que a maioria da torcida está espalhando por aí, mas a carência do bom futebol tirou o senso crítico e o nível de exigência de muitos. Além de dominador, o Galo teve seus momentos de dominado. Mas não há como negar: foi o melhor jogo do time na temporada, e diante do adversário mais qualificado. Vai entender este Treze…
Os primeiros 18 minutos foram de domínio do Botafogo. Foram criadas algumas chances de gol, especialmente através de jogadas de linha de fundo, pela esquerda, mas que esbarraram na falta de pontaria dos cariocas. O Treze começou o jogo sem nervosismo, saindo bem do campo de defesa, mas quando chegava na hora da armação, errava muito na assistência final.
Porém, após isso, o Galo se valeu da inoperante marcação no meio-campo do Botafogo e começou a criar boas oportunidades, seja através dos passes de seus meias(Doda, que pouco errou na partida, deu viradas de jogo e encheu os olhos no quesito “raça” e Rone Dias, que aos poucos reencontra o entrosamento com Vavá e, em nível acelerado, volta a transparecer o craque de 2010) ou de cruzamentos do lateral Celso, que surpreendeu e fez boa partida(apesar de alguns erros defensivos). Márcio Carioca, uma verdadeira referência no ataque, participando de quase todas as situações ofensivas, mostrando presença de área, mas pecando na finalização(com o pé ou cabeça). Enquanto isso, o Botafogo errava muitos passes e, por isso, tinha dificuldade em chegar à meta trezeana.
No intervalo, a torcida do Treze saiu frustrada com o empate. Igualdade que, no fim do jogo, por intervenção dos detalhes do futebol, seria comemorada.
Na segunda etapa, semelhança com os primeiros minutos de jogo: até aproximadamente 20 minutos de jogo, o Botafogo tomou conta da partida. Oswaldo de Oliveira adiantou ainda mais a marcação do time carioca e forçou o Treze a sair no chutão. Aos 26, o que já era esperado aconteceu: o perigo das bolas paradas foi eminente. Desta vez, o Galo permitiu que a bola entrasse, através do argentino Herrera, que abriu o placar.
Aguerrido e em busca da alegria da torcida, o Treze não se deu por vencido e, mesmo visivelmente menos bem preparado fisicamente que o adversário, editou boas investidas para a meta de Jefferson. Nas melhores oportunidades criadas, Manu e Vavá desperdiçaram chances de ouro. Rone Dias cobrou falta no ângulo, mas o goleiro da seleção brasileira e do Botafogo foi buscar para encaixar.

Camisa 10 do Galo cobrou muito bem, mas parou no goleiro Jefferson.
Aos 47, quando poucos acreditavam e julgavam os deuses do futebol, pelo resultado totalmente injusto, eis que, em bate-rebate dentro da área carioca, Leo Rocha solta a bomba, a bola, que iria para fora, bate em Vavá e retorna para Léo, que chuta novamente, cruzado, para Manu só colocar o corpo para ela resvalar para o fundo das redes.
Infelizmente, a classificação ficou mais longe. Porém, é inegável que os guerreiros do Treze merecem todo o apoio pelo empenho demonstrado ontem e o heroísmo para empatar uma partida que para muitos estava perdida – aliás, esta tem sido uma premissa neste time do Treze, que fez gols no final contra Auto Esporte, Botafogo(a Xerox) e Sousa.
Méritos para Marcelo Vilar, que foi corajoso, alinhando o time no 4-2-2-2 e implantando uma mentalidade de marcação para os meias, que até então eram inertes para auxiliar os volantes. Mandou o time jogar como time grande, com a bola no chão, e como macho, e assim seus comandados acataram. Brilhou também a estrela do técnico nas substituições: assistência de Leo Rocha e gol de Manu.
Rumo a Tokyo!

Quem ama Campina Grande apoia os seus clubes locais. Minha cidade não precisa de paraibacas!!!