João Paulo Tozo

ACABOU A SUPERAÇÃO. COMEÇOU A OBRIGAÇÃO

O time do Palmeiras é fraco tecnicamente e vive até aqui na temporada da força de vontade de muitos, da inspiração de pouquissimos e do bom trabalho tático de Gilson Kleina.

Em que momento da história foi dito algo diferente disso? Aqui nos canais FFC pelo menos, nunca.

Assim sendo, voltemos todos à realidade atual. Em outras oportunidades eu já havia dito que esse time do Palmeiras não é de Libertadores. O Palmeiras sim é muito de Libertadores. E isso pode ter gerado algum tipo de expectativa descabida em ralação ao futuro do time na competição.

Em princípio o Palmeiras era o patinho feio e sequer se classificaria na fase de grupos. Se classificou e como primeiro em sua chave.

Depois iria enfrentar o time responsável por acabar com a invencibilidade corintiana, temido pelo gramado sintético e pela longa viagem. Viajou, jogou no sintético, esteve melhor na partida e saiu com um empate sem gols. Em uma análise superficial, ótimo resultado. Friamente pensando, nem tanto.

Dentro de suas latentes limitações técnicas – e após todas as superações, inclusive o peso de uma obrigação adquirida – não era de todo absurdo imaginar que o time iria partir pra cima do Tijuana para fazer valer o seu mando, suas tradições. Das limitações do time completo ao remendado time com trocentos desfalques que entrou em campo, bastava ao Tijuana postar-se berm taticamente e aguardar um contra-ataque – que nem precisou acontecer, mas enfim.

O início promissor, com pressão, marcação na saída de bola adversária, bola na trave, de nada valeu quando o inconstante Bruno levou um frango homérico.

Alguém se lembra aí desse time revertendo placares? Nem dá pra imaginar dado a ineficiência ofensiva. Pois bem, dali em diante só a vitória interessava. O medo se abateu, o choque de realidade tornou-se cada vez mais visível na medida em que Vinicius conseguia suas jogadas pelas pontas, mas as opções de jogada era com Kleber (sic), um Wesley afoito e nada mais.

O Palmeiras foi derrotado nisso. Ao cair a ficha de que estava em um lugar que não era pra ele. Não é para esse time do Palmeiras.

Os mais de 35 trilhões de palmeirenses nas arquibancadas golearam, são campeões, sim. Merecem um time melhor, merecem o clube recolocado em seu caminho de glórias pelas quais sua existência lhe confere direito. Fizeram o que deles sempre se espera – apoio irrestrito. O torcedor consciente sabe bem a hora de cornetar, de apontar mazelas. Definitivamente essa hora não é a do jogo.

Vida que segue agora dentro da realidade alviverde. Série B é mais que obrigação. Paulo Nobre e seus asseclas tem por obrigação de discurso e de moral, criar engenharias para reforçar dignamente esse time para a série B e também para a Copa do Brasil, aproveitando a enorme marca que tem em mãos, a chance única que lhes foi dada para resgatar a dignidade de uma nação, hoje sim a verdadeira nação sofrida do planeta bola.

Se até aqui esse era o Palmeiras da superação, de agora em diante é o Palmeiras da obrigação. Voltou ao seu terreno, retornou a sua realidade. Que Paulo Nobre entenda essa brutal diferença.

João Paulo Tozo

DOS LAÇOS RENOVADOS. DO RESPEITO RECONQUISTADO

Relacionamento humano é algo que beira a insanidade. Ama-se a qualquer custo, na mesma medida em que se deixa de amar por alguma razão que muitas vezes não se sabe explicar.

Clube de futebol não se deixa de amar. Diferente dos laços humanos, o laço institucional se dá por alguma razão que foge a compreensão mais racional.

Como em toda história de amor, acontecem os rompimentos, as crises, mas nunca se desiste.

Há três semanas eram emboscadas, eram ovadas e copadas. Hoje é um laço e uma comunhão como há tempos não se via. Há tempos não se vivia.

Há três meses era a queda. Três meses depois é um gigante que se reergue. Ressurge de um casamento que vinha em crise, o mais pungente sentimento expressado em gritos e cantorias.

Refletido em campo na ilimitada doação de uma equipe limitada. Não tão limitada quanto vinha sendo decantada. Mas que vive mais de transpiração do que de inspiração.

Tivesse esse Palmeiras ao menos um diferente em meio aos tantos vigorosos e o brilhantismo da entrega poderia se dar também mediante da técnica.

Mas não se pode mais duvidar deste Palmeiras. Que se não era este um time de Libertadores, defende as cores de um clube que é muito de Libertadores.

Se não eram, hoje são. Tornaram-se, conquistaram o direito, conquistaram o respeito. Reconquistaram a confiança e a esperança que inglórios de um passado recente quase atiraram no esgoto.

E o Palmeiras segue sua vida na Libertadores. Renovado por sua linha e atacante de raça. Fortalecido e abraçado pela torcida que canta, vibra e ama este eterno e colossal Alviverde Imponente.

João Paulo Tozo

PALMEIRENSES 2×0 TIGRE

Há exatamente uma semana o Palmeiras sofria seu maior revés no ano, ameaçava voltar às trevas de suas crises eternas e entrava novamente em rota de colisão com a torcida.

Sete dias transcorridos e um enorme abraço coletivo aqueceu e empurrou o time. E da fragilidade técnica – que em certos momentos nem pareceu ser assim tão acentuada – foi extraído um ingrediente vital para arrancadas heróicas e necessárias: Raça.

Certamente não foi no número que se pode atingir de apaixonados, mas foi na vibração que a torcida alviverde reconduziu seu time ao caminho correto da empolgação por ser Palmeiras. E aqui não cabem análises frias sobre a tática adotada ou a falta de técnica refinada. Cabe a avaliação e a conclusão de que ontem tivemos Palmeiras em campo e nas arquibancadas do Pacaembu ou do “Porcoembu”, como alguns gostam de apelidar o estádio municipal.

Sinergia como há tempos não se via. Empolgação, aplicação tática e momentos de boa técnica como se sabe que é possível extrair dessa equipe. Ainda que dela não se possa cobrar muita coisa além disso.

O casamento está reatado. Este é o resultado deste Torcida e time do Palmeiras 2X0 Tigre da Argentina. E o Verdão vivo na Libertadores.

—————————————————

A convocação do atacante Leandro para o melancólico amistoso da seleção de amarelo contra a fraquíssima Bolívia é algo a se comemorar em princípio, mas em longo prazo vai virar dor de cabeça.

Leandro, palmeirense confesso, tem seus direitos ligados ao Grêmio e atua no alviverde por empréstimo até o fim do ano. Em situações como está pede-se a prudência para que as partes estipulem um valor de compra a ser exercido pelo clube detentor do empréstimo ao seu final, caso haja interesse. Leandro é hoje o melhor atacante do time, artilheiro na temporada e já chegou à seleção da CBF.

Por alguma razão ou a mais completa falta dela, a direção do Palmeiras não se atentou que não há valor algum estipulado e ao final do empréstimo o Grêmio poderá pedir quanto achar que deve pelo jogador.

Não precisamos pensar muito no que irá acontecer em dezembro, sobretudo se Leandro mantiver o grande momento.

João Paulo Tozo

PALMEIRAS: DAS DATAS E HISTÓRIAS, DIGNAS E INDIGNAS

A quarta-feira, 27 de março de 2013 será mais uma daquelas datas para o palmeirense não esquecer jamais.

Bem como aquele 19 de dezembro de 1920, quando ainda chamado de Palestra Itália, o Verdão conquistou o seu primeiro paulistão derrotando o Paulistano e entrou em campo com a seguinte escalação: Primo; Oscar e Bianco Spartaco Gambini; Valle, Picagli e Bertolini; Martinelli, Federici, Heitor Marcelino Domingues, Ministro e Matheus Forte.

Sem poder contar com Valdívia, Henrique, Souza, Vilson e Kleber, Gilson Kleina ganhou ainda um desfalque de última hora, quando o zagueiro Mauricio Ramos sentiu-se mal antes da partida e foi substituído pela aposta Marcos Vinicius, recém promovido da base e que fez às pressas a sua estréia entre os titulares.

Só que em 20 de setembro de 1942, na mais emblemática passagem da história do futebol brasileiro, o ainda Palestra Itália corria sério risco de desaparecer. Com o Brasil declarando guerra contra os países do eixo, iniciou-se uma perseguição descabida contra todo tipo de colônia que estivesse ligada àqueles países. Se em campo o Palestra Italia caminhava para mais um título, fora dele a pressão pelo seu fechamento e repasse de seu patrimônio – legalmente conquistado – para terceiros e interesseiros de plantão era cada vez mais latente.

Para evitar este verdadeiro ultraje, mudou-se então o nome de Palestra Italia para Palestra de São Paulo, mas dias depois veio então a nomenclatura pela qual a entidade tornou-se um colosso mundial: Sociedade Esportiva Palmeiras.

A campanha irretocável do Palestra deu ao agora Palmeiras a oportunidade de conquistar o título justamente contra o São Paulo, o maior interessado no fechamento e arrendamento das posses do antigo Palestra. Na entrada do gramado os jogadores do alviverde carregavam junto a bandeira do Brasil. Em campo o Palmeiras não deu margem para qualquer azar e com um 3X1 ainda no 1º tempo, forçou o São Paulo a abandonar a partida antes de seu término.

Nascia ali naquele dia a expressão “Arrancada Heróica”, onde o Palestra Itália morria líder e o Palmeiras nascia campeão. Campeão como nasceu para ser, amparado por toda a sua estirpe e carga histórica.  E o time que marcou essa passagem foi: Oberdan, Junqueira e Begliomini; Zezé Procópio, Og Moreira e Del Nero; Cláudio, Waldemar Fiúme, Viladoniga, Lima e Echevarrieta

Só que então a culpa pelo vexame diante do Mirassol é do técnico Gilson Kleina, apontam os teóricos do apocalipse alviverde.

Com o material humano que ele não tem em mãos, poderia ter feito o que? Talvez ter entrado com Ronny já desde o início para armar o time? Vá lá. Mas falamos do RONNY, não do Julinho Botelho

Era o 10 de janeiro de 1960, Palmeiras X Santos entraram em campo para a partida decisiva do Super Campeonato Paulista de 1959. Único time capaz de parar o Peixe do Rei Pelé, o Palmeiras fez por onde. Em uma partida épica, Pelé abriu o placar aos 14 minutos de jogo. Mas com gols do grande Julinho Botelho, aos 43 minutos, e de Romeiro, aos 3 da segunda etapa, o Verdão conquistou o título. E em campo estavam: Valdir de Moraes; Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho Botelho, Américo Murolo, Romeiro e Nardo.

Numa fogueira sem precedentes, Marcos Vinicius sentiu a pressão e em seu 1º toque na bola marcou gol contra.

Dá para culpar o garoto? Não é nem justo.

Desguarnecido em sua retaguarda, o Palmeiras virou presa fácil para os contra-ataques do Mirassol. Veja bem – do MIRASSOL.

10 minutos depois o placar já mostrava 3X0 para os donos da casa. Então Kleina mandou o meia Ronny na vaga de Charles. A melhora foi significativa, tanto que…

Em 1974 o Palmeiras chegava a mais uma final de Paulistão. A missão, além de conquistar a taça, era prorrogar por mais uma temporada a agonia do arquirrival Corinthians, que já chegava ao 20º ano de fila.

Em uma partida carregada de tensão, Ronaldo foi o responsável por colocar a maior parte do Morumbi lotado em mais algumas temporadas de limbo. Gol isolado, comemoração alviverde que foi a campo com: Leão; Jair Gonçalves, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Zeca; Dudu, Ademir da Guia; Edu, Leivinha, Ronaldo, Nei.

… em poucos minutos o placar mostrava 3X2 e o Palmeiras melhor em campo.

Entretanto, na seqüência, Leomir acertou uma falta na gaveta de Fernando Prass. Indefensável. Como indefensável é imaginar que qualquer coisa que eu diga aqui possa livrar a pele de qualquer um em uma derrota contra um time que estava a somente dois pontos da zona de degola e que enfrentava, ainda que combalido e rebaixado nacionalmente, o maior campeão do século XX.

Um campeão que sofria o seu pior momento na história, com 17 anos de fila sem títulos, até aquela tarde fria em temperatura, mas tão quente em emoções. Tão cheia da mais pura carga de uma paixão irreprimível de seu torcedor, mas resguardada pelos anos sendo coadjuvante de tudo. No 12 de junho de 1993 dos dias dos namorados mais doce da vida de qualquer palmeirense. Mesmo daqueles que, como eu, ainda não tinha uma.

O adversário era novamente o maior rival. Mas com o aporte financeiro de uma multinacional, o time montado pelo Palmeiras expressou na diferença de gols o abismo que os separavam naquele momento da história.

Naqueles imemoriais 4X0 com gols de Zinho, Evair, Edilson e novamente Evair, no pênalti mais longo e comemorado desde que o mundo é mundo.  Aquele Palmeiras que nunca sai das retinas do alviverde: Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão, Roberto Carlos, César Sampaio, Daniel, Edílson Zinho, Edmundo, Evair.

Não se pode tirar a culpa pelo vexame das costas de ninguém. Mas realocá-la com todo o peso do mundo nas costas de Kleina é de uma covardia sem parâmetros. Uma covardia que, em vias de fato, passou a gerir o dia a dia do clube nos últimos anos. Covardia administrativa, covardia técnica, covardia tática. Covardia em voltar a ser o alviverde imponente. Covardia em ser Palmeiras. O que sabemos, não é fácil para ninguém. Mas quem já foi, deve sempre ser.

Como foram aqueles campeões brasileiros de 1993, que após vitórias por 1X0 e 3X0 contra o Vitória (BA), fizeram o Verdão campeão brasileiro 20 anos depois: Sérgio; Cláudio, CléberAntônio CarlosRoberto CarlosCésar SampaioMazinhoEdílsonZinhoEdmundoEvair.

Como os também campeões brasileiros de 1994. Bicampeões, melhor dizendo. Contra o mesmo Corinthians que penou nas mãos do grande rival por tanto tempo. Nos 3X1 do primeiro jogo e no 1X1 que garantiu um título que veio sob a batuta de:  Velloso; Cláudio, Antônio CarlosCléberRoberto CarlosCésar SampaioFlávio ConceiçãoMazinhoEdmundoEvairRivaldo.

Não cabe a Gilson Kleina armar um esquadrão quando se tem um elenco pobre, sofrível, incompatível com o clube e as competições que irá enfrentar. Ainda assim ele armou um time que enfrentou de igual para igual o campeão da Libertadores e foi superior ao São Paulo e ao Santos.

É ele quem coloca a bola pra dentro do gol? Não, não é. Mas é em sua distribuição tática de peças de segunda linha que a bola chega em condições de balançar a rede adversária.

Ele que não conta, como contou Luxemburgo em 1996, com um time estelar. Quando no que se considera a maior campanha de um time desde a profissionalização do esporte Rei, o Palmeiras sagrou-se campeão Paulista com o famoso ataque dos 102 gols. Time que contava com: Velloso, Cafú, Sandro Blum, Cleber e Júnior; Amaral, Flávio Conceição, Djalminha e Rivaldo; Muller e Luizão.

Agora vão demitir o treinador e vão trazer quem? Mano Menezes? Dorival Junior? Pep Guardiola?

Nem Guardiola transforma esse amontoado de jogadores recém chegados, alguns com potencial, outros indignos de vestir a camisa alviverde, em algo parecido com um time do dia para noite.

Com Fernando Prass; Welder (Ayrton), Maurício Ramos, André Luiz e Juninho; Charles (Ronny), Márcio Araújo, Léo Gago (João Denoni) e Wesley; Leandro e Caio, nem Guardiola dá jeito.

A não ser que ofereçam a ele um time como aquele que em 16 de junho de 1999 deu ao clube a sua conquista mais sonhada. Que deu a Felipão, quando este ainda era um grande treinador, a oportunidade de virar uma das páginas mais bonitas dessa história tão recheada delas.

Na sofrida vitória por 2X1 contra o Deportivo Cali, que conduziu a decisão para as penalidades máximas. Na máxima condução de um ídolo a santo. Na máxima expressão de uma conquista que sua existência lhe confere direito. Nas mãos de São Marcos e nos pés de: Arce (Evair), Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Rogério, Alex (Euller) e Zinho; Paulo Nunes e Oséas.

No último grande suspiro de um Palmeiras que era muito Palmeiras.

Tivemos outras brisas de Palmeiras, mas nada que sustentasse a convicção trazida em seu hino. Nenhum time de verde que saiba bem a dureza do prélio. Nenhum que tenha transformado a lealdade em padrão.

E a culpa é do Kleina?

João Paulo Tozo

GILSON KLEINA NÃO É O PROBLEMA

Por João Paulo Tozo

Muito tem sido dito entre as bocas que discutem a salutar arte do riscado futebolístico, que Gilson Kleina periga no cargo de treinador do Palmeiras. Uma possibilidade com a qual eu não compactuo, inclusive já trouxe a discussão por aqui em outras ocasiões.
Hoje li uma analise muito, muito boa do Filipe Rufino, do site Hinchada Tática. Nela ele expõe em números todas as defesas que faço por aqui ao trabalho de Kleina. Confira:
Se o Palmeiras tem tido domínio em todos os jogos, encarou de igual o Corinthians e foi melhor que SP e Santos, mas ainda assim não ganha, não tem como o problema ser do técnico. Muito pelo contrário. No que cabe a ele, o trabalho é ótimo. A distribuição das peças dá ao time uma condição de vencer jogos que a qualidade individual não deveria lhe conferir.

Quando falo que o Wesley tem jogado bem, não é à toa. Ele precisa ser a referencia técnica do time, sendo que não deveria ser a sua função. É o jogador mais acionado, logo está na vidraça. Erra muito mais passes que os outros, pois a bola fica muito mais em seus pés. Só que ele acerta muito também. No que tange as suas obrigações, tem sim jogado muita bola. Taticamente é ótimo e bastaria dar a ele uma companhia pouca coisa mais qualificada para que se aproveitasse os espaços que ele abre com sua flutuação.

O caminho tem que ser esse. A Libertadores é para o Palmeiras, mas não para esse Palmeiras. Na série B o time vai sobrar e em uma competição como a Copa do Brasil pode sim beliscar algo.

Demitir o Kleina hoje será uma besteira maior até do que contratar o Adriano.

Cheers,
João Paulo Tozo

UMA INCÓGNITA CHAMADA VALDÍVIA

Valdívia retornou ao Palmeiras faz mais de dois anos e desde então se vive a expectativa de “agora vai”. A verdade, porém, é a de que nunca foi.

Todo começo de ano o discurso é o do comprometimento, da ausência das lesões, do resguardo fora de campo. Todo fim de ano o torcedor olha para as promessas e vê que nada muda.

A paciência virou em certo momento indiferença. Mas aí ela passou a ficar perigosa quando começou a se tornar raiva. Valdívia é um jogador caríssimo e não reverteu absolutamente nada ao clube até agora. Exceto naquela janela de bons jogos durante a Copa do Brasil.

E então chegou 2013, com o time rebaixado, mas uma série de competições de primeiro nível para disputar. E sem Marcos Assunção e Barcos, a única referência técnica voltou a ser o chileno. Mas dá pra confiar?

Não dá, ainda. Mas que 2013 começou diferente de 2012 e 2011, começou.

De saída Valdívia se viu obrigado a enquadrar seu perfil com a nova mentalidade da direção alviverde, que emprega o profissionalismo dos setores do clube. Além disso, Valdívia voltou a viver a expectativa de ser convocado pela seleção de seu país. Ano que vem tem a Copa aqui no Brasil e ele sonha em disputá-la. E de algum modo, ainda que me pareça cedo para cravar, parece ter se dado conta de que tem sim uma dívida enorme com clube e torcida.

Fato é que ele tem sido elogiado pela direção e comissão técnica pela postura fora de campo. E dentro dele vai voltando a ganhar sua condição de titular. Bola para isso tem de sobra, sobretudo nesse time em formação.

Em quase três anos as notas relacionadas ao jogador foram pouco ou quase nada elogiosas. Mas só na última segunda-feira li três ou quatro artigos apontando situações positivas. Dentre os quais a sua convocação para a seleção do Chile, com elogios rasgados do técnico e do capitão do time.

Já é algo. Ainda que esse algo não seja suficiente para apagar todo esse tempo de “inatividade”. Valdívia paga ainda pela omissão nesse tempo todo, mas pode voltar a ser decisivo para o time de Gilson Kleina. Ao menos a confiança interna ele parece ter reconquistado. Com o torcedor o buraco ainda é bem mais embaixo.

João Paulo Tozo

PARECE QUE VAI CRIAR CASCA

Não que tenha sido um primor tático, mas na vitória de ontem contra o União Barbarense, o Palmeiras dominou as ações. Teve volume de jogo e as chances surgiram. Elas não foram é aproveitadas.

Disso se conclui que é a cada vez mais nítida evolução tática do time. Kleina achou um jeito de jogar e está investindo nisso. Povoa o meio campo e rotaciona, permitindo a todos serem o meia, desde que recomponham a defesa. A exceção deverá ser Valdívia, que ontem entrou no 2º tempo e jogou bem. A ele o treinador deverá dar a tranqüilidade para ser o meia efetivo, a diferença técnica. E ele pode ser, sim. Cabe ao próprio mostrar que é digno da referência.

Em um meio campo onde todo mundo arma e desarma, sobra espaço para as individualidades surgirem. Souza é uma grata surpresa e ontem foi visto quase emplacando um golaço de bicicleta, o que vai completamente na contramão daquele “Ferrugem” que apareceu no time em 2009.

Marcio Araujo tem sido agraciado com aplausos, o que não era fácil de imaginar até pouco tempo.

Quem preocupa é Wesley. Preocupa pela relação que tem se criado com a torcida, que o cobra pelo individualismo, por outras por erros de passe.

Fato é que pesa para Wesley a sua contratação a peso de ouro e ele tem sentido a responsabilidade de ser a referência técnica quando Valdívia não joga. Sua atuação contra o Corinthians deu mostra disso. Muito por sua postura em campo, participando de todos os lances, dando velocidade e força ao ataque, mas também por sua clara tentativa em querer resolver tudo sozinho, quando muitas vezes havia melhores opções para se tentar jogar.

Wesley não é um fora de série, mas é muito bom jogador. No Santos jogou muita bola ao lado de PH Ganso, que era a referência santista no meio campo. Não cabia a Wesley ser esse diferencial e então lhe sobrava espaço e menos visibilidade para explorar seu jogo.

No Palmeiras aconteceu a mesma coisa nas raras oportunidades em que pode atuar com Valdívia. Se o chileno voltar e enfim se firmar, fatalmente sobrará mais espaço para Wesley aparecer.

Ao time faz muita falta um homem de área. Vinicius jogou bem, mas perdeu inúmeras oportunidades. Uma delas em jogada primorosa de Valdívia, que o deixou sozinho para chutar em cima do goleiro.

Leandro estreou e logo marcou, mas não é ele o cara do gol. Pode ser Kleber, que ainda não fez sua estréia.

Até lá é o que Kleina pode fazer. Juntar um monte de gente com fome de bola, que tem muito a provar e disso tentar tirar um time. O que tem conseguido.

A próxima partida é pela Libertadores, contra um adversário bem superior. O Libertad do Paraguai estreou vencendo o Tigres por 2X0, fora de casa.

Teste duro, para um time que ainda tentar criar sua casca.

João Paulo Tozo

NA LIBERTADORES, A ESTRÉIA CHEIA DE TESÃO DO VERDÃO.

Na estréia do desacreditado Palmeiras na Libertadores, o nome da importante vitória alviverde foi: Gilson Kleina.
O treinador que não refugou ao aceitar o convite de sua vida para assumir um gigante combalido feito o Palmeiras, saindo de sua zona de conforto em Campinas, perdeu seu centroavante e principal jogador a poucos dias dessa estréia. Mais ainda. Recebeu uma série de peças das quais nem todas poderá utilizar. E, para piorar, perdeu sua válvula de escape pela direita, Maikon Leite, contundido durante a semana.
Dá pra imaginar cenário pior que esse para o cara iniciar uma competição desse tamanho?

Com o que podia contar, Kleina armou um time baseado na fibra e disposição de quem também precisa convencer, feito o seu Palmeiras.
Promoveu as estréias de Marcelo Oliveira, Vilson e Weldinho. Vilson atuou como 3º zagueiro e por oras fechava o meio como volante. Marcelo Oliveira jogou improvisado na lateral esquerda e foi bem. Mesmo Weldinho fez bom jogo, assumindo uma lateral direita onde o até então dono, Ayrton, sequer ficou no banco de reservas.
Sem ter um meia de armação e sem centroavante, Kleina recheou o meio campo com Márcio Araújo, Wesley, Souza e Patrick Vieira, além de Vilson vez ou outra. Vinicius virou a referência.
O treinador criou um giro entre Wesley, Souza e Patrick para que sempre um deles chegasse próximo de Vinicius. Teve posse de bola, mas faltou criação. O time oxigenou melhor quando a função coube a Souza.
O “ferrugem”, como Luxemburgo gostava de chamá-lo, deixou de ser aquele volante sedento por canelas e no Náutico teve uma acentuada evolução técnica, transformando-se em um segundo volante com aptidão ofensiva.
Se não conseguia criar oportunidades reais, ao menos teve o domínio do jogo.
O primeiro gol aconteceu em jogada de escanteio, direto na cabeça de quem é hoje a única referência técnica do time – Henrique, um zagueiro – e artilheiro. Foi o 4º gol do zagueiraço na temporada.
Não fosse o infantil pênalti de Marcelo Oliveira em Lobaton e a vitória poderia ter vindo com maior tranqüilidade. O bacana foi notar que Oliveira não se abateu e mais TARDE criou a jogada que culminou com o gol de Patrick Vieira. Um gol que contou também com um belo pivô de Caio, que havia entrado na vaga de Marcio Araujo. Mais um ponto para Kleina.
Gilson Kleina sabe que tem em mãos um material humano inferior aos de seus concorrentes. Sabe que conta hoje com um grupo que precisa, tanto quanto o próprio Palmeiras, mostrar seu valor.  Soube enxergar isso e disso tirar as principais virtudes do time na noite dessa quinta-feira: Fibra, garra e tesão!
Prova disso foi a jogada onde Vinicius, sempre cobrado por muitas vezes se omitir durante os jogos, deu um combate limpo no meio campo e arrancou em direção ao gol, arrematando e quase marcando belo gol.
Na estréia da Libertadores o Palmeiras teve mais do que raça e disposição. Teve tesão.
João Paulo Tozo

NO DERBI DE 2011 RESIDE UM FIO DE ESPERANÇA VERDE.

Houve um tempo, não muito distante, em que Palmeiras e Corinthians viviam fases distintas das que respiram hoje. Nada tão acentuadas quanto as diferenças que se aplicam hoje aos maiores rivais, mas ainda assim os papéis eram ligeiramente inversos.

Era o ano de 2011 e um Corinthians pressionado pela derrocada final do BR10, encarava um minúsculo Tolima, pela 1ª fase da Libertadores. Alguns jogadores do elenco eram cobrados, mas, sobretudo o técnico Tite. E a eliminação precoce diante do frágil e inexpressivo adversário parecia por um ponto final em mais uma passagem do treinador gaúcho por aquelas bandas.

Contra todas as evidências de então, o presidente Andres Sanchez sustentou o cargo de Tite, mesmo sabendo (ou exatamente por saber) que no domingo seguinte o Timão encararia um Palmeiras embalado pelo ótimo início de ano, com Kleber em boa fase.

Andres parecia mesmo confiar em Tite, mas naquele momento apostar em seu serviço era uma faca de dois legumes que mais eram verdadeiros pepinos. Ainda assim, mandá-lo embora antes do clássico iria demandar um trabalhão para buscar outro profissional, além do risco de encarar o arquirrival com treinador interino. Andres sustentou Tite naquela coisa do bumba-meu-boi. “Vai que dá certo?”

E deu.

Apesar de maior volume de jogo alviverde, após uma jornada memorável do goleiro Julio Cesar, Alessandro marcou o filho único da vitória que mudou toda a vida alvinegra de lá para cá. Tite ficou, o Corinthians encorpou e o resto da história todo mundo conhece bem.

E ao contrário do que o amigo possa imaginar, são essas as únicas semelhanças que podemos listar entre aquele clássico e o que teremos no próximo domingo.

Daquela vez, ainda que o início de ano fosse bom, o Palmeiras vinha de uma perda de Sulamericana inimaginável. Kleber e Felipão já não se bicavam, Valdívia já era o que ainda é, além do time não conquistar plenamente a confiança de torcida e crítica.

O Palmeiras não corre risco de ser eliminado da Libertadores essa semana, mas passa por fazer uma boa estréia contra o Sporting Cristal, do Peru, ganhar um pouco de algo que o elenco não tem desde julho passado – confiança.

Se vencer o Sporting Cristal, ainda que seja o maior rival no domingo, a vitória não passa a ser algo tão substancial. Mas se perde e no domingo tropeça contra o que deve ser um time misto/quase reserva do Corinthians, pode destronar qualquer tentativa de encorpar um time ainda sem corpo algum. Isso sem contar a provável queda de Gilson Kleina, que já não é tão bem visto pelas alamedas esverdejantes de Palestra Itália.

Embora exista o outro lado, ainda que imaginá-lo seja possível tão somente por questões históricas, de camisa e rivalidade. Se esse novo time dá liga, vence a estréia na Libertadores e faz bom papel diante do atual campeão continental, por que não mirar naquele exemplo de 2011 e que teve o mesmo rival como protagonista de uma das maiores guinadas de um trabalho fadado ao limbo de que este escriba tem notícia?

Luan e Palmeiras aproximam-se do fim de um casamento que sempre esteve em crise.

Desde a sua chegada, em 2010, o jogador é contestado pela torcida. Ora por parte dela, ora por ela toda.

Verdade seja dita: Luan não é um primor. Sendo mais verdadeiro ainda: Luan carece de uma série de fundamentos básicos a um jogador que almeja atuar por uma grande equipe.

O problema nessa história toda é que o próprio Palmeiras não vem se enxergando como o grande que é, e tem dado chances únicas nas vidas de jogadores que nunca teriam tido a oportunidade de atuar por um gigante do futebol mundial.

Luan também não é o pior jogador do mundo. Ele é o jogador errado na hora errada do clube.

Mesmo tão contestado, o que explica o interesse de outros gigantes do nosso futebol pelo jogador?

O campeão brasileiro Fluminense tentou sua contratação. O ótimo Atlético MG também. Agora o Internacional parece bem próximo de conseguir o feito.

Hoje os três possuem times e elencos muito mais qualificados que o alviverde. Ainda assim querem Luan.

Só pode haver algo de muito errado nisso.

Ontem no Linha de Passe da ESPN, PVC lembrou de outros casos de jogadores super contestados no Palmeiras, mas que passaram a desenvolver bom futebol em outros clubes. Ele mencionou Cicinho e Armero, laterais direito e esquerdo, respectivamente.

Cicinho saiu para o Sevilla, onde hoje vem fazendo atuações elogiadas pela crítica local. Já Armero, titular absoluto da seleção colombiana que faz belo papel nas eliminatórias sulamericanas, passou de piada no Palmeiras para o melhor lateral esquerdo do campeonato italiano, atuando pelo Udinese, o que lhe rendeu proposta do Napoli, onde atua hoje.

Saindo dos exemplos citados por PVC, basta se lembrar de Pierre, que era unanimidade junto ao torcedor, mas caiu em desgraça com o técnico Felipão e virou moeda de troca com o aposentado em atividade Daniel Carvalho. No Galo, Pierre voltou a ser um dos maiores leões de chácara do futebol brasileiro. Justamente uma posição onde o atual Palmeiras não tem ninguém.

O clube tenta viver novos tempos. Paulo Nobre, recém eleito para o biênio 2013/14, tenta colocar o clube nos eixos. Sua gestão começou com ações de choque, como com o veto a contratação de Riquelme, além das contratações de José Carlos Brunoro e Omar Feitosa para gerirem o futebol.

O ano que começou há uma semana para o alviverde será de reconstrução. E a criação de um grupo forte é a tônica. Grupos fortes só são formados com tempo, com manutenção de peças. Uma vez tendo sido formado um, a qualidade individual pode aparecer.

Um Luan nunca pode ser a esperança de melhor futebol. Mas em uma equipe com bom futebol um Luan pode ditar ritmo e dar dinâmica.

Só que o momento de Luan no Palmeiras já passou. O melhor para ambos é mesmo a saída do jogador. Mas voltando a pensar como Palmeiras, não pode o alviverde aceitar uma troca qualquer como se cogita no mercado.

O Inter quer o Luan? Então que o Palmeiras tente Dátolo ou Botinelli em troca. Trazer o volante Josimar de 26 anos não adianta absolutamente nada.

Luan por Dátolo dá negócio. Luan por Josimar é qualquer troço.

Próximo »