Depois de uma longa ausência, estou de volta! E em clima de UFC Rio!
Eu e Luiz Prota fizemos um podcast pra lá de especial sobre a segunda edição carioca do maior evento de MMA do mundo. E você pode conferir no player abaixo:
O UFC 140 será disputado neste sábado e está cercado de expectativas. Afinal, das cinco lutas do card principal, três são de arrepiar. E todas elas envolvem brasileiros!
Na luta principal, o brasileiro Lyoto Machida terá uma missão dificílima pela frente. Visando recuperar o cinturão dos meio-pesados, que já foi seu, o “Dragão” encara o agora campeão e quase imbatível Jon Jones.
Entrevistei o brasileiro recentemente e ele se mostrou bastante confiante. Lyoto falou de sua preparação, que contou com vários nomes conhecidos do cenário brasileiro, como Glover Teixeira, e internacional, como Muhammad “King Mo” Lawal, ex-campeão dos meio-pesados do Strikeforce. Dá só uma olhada:
Por outro lado, temos um Jon Jones também muito preparado. Mas, mesmo diante de um lutador como Lyoto, “Bones” fez poucos ajustes em seus treinamentos:
Em primeiro lugar: Jon Jones é o favorito. Vive momento espetacular, tem um alcance extraordinário, um wrestling fenomenal e é um lutador extremamente rápido e criativo. Quando menos se espera, Jon Jones aparece com um coelho da cartola.
Mas ele terá pela frente um desafio como nenhum outro em sua carreira. Lyoto Machida se expõe muito pouco e, com sua velocidade, é muito difícil de ser acertado. Além disso, se trata de um dos lutadores mais completos do UFC. Troca bem, se defende bem, derruba bem, defende excepcionalmente as quedas, tem um jiu-jitsu muito bom, embora pouco testado. E, ao contrário de Ryan Bader, Rampage Jackson e Maurício “Shogun”, Lyoto sabe contra-atacar. E, na luta contra Rampage, Jon Jones mostrou clara frustração ao não conseguir acabar a luta rapidamente. E Lyoto não costuma perdoar afobações como algumas cometidas por “Bones” no seu último embate.
Sendo assim, apesar do favoritismo de Jon Jones, Lyoto tem lá a sua chance. E nós, brasileiros, lembramos muito bem de como o cinturão cai bem nele.
Além de Lyoto Machida, também teremos os irmãos Nogueira em ação. Rodrigo Minotauro encara Frank Mir, enquanto Rogério Minotouro pega Tito Ortiz. Duas pedreiras que precisam ser vencidas.
Minotauro tem pela frente uma revanche. No UFC 91, Frank Mir nocauteou de forma contundente o brasileiro, roubando-lhe o cinturão interino dos pesos pesados. Depois, foi revelado que Minotauro estava com problemas físico e, por isso, lutou bem aquém de suas condições. Desde então, Minotauro chegou até a ter sua aposentadoria cogitada. Mas um nocaute espetacular sobre Brendan Schaub, no UFC 134, no Rio de Janeiro, espantou de vez esses rumores. Agora, “Big Nog” tem a grande chance de um tira-teima. Mas não será nada fácil. Assim como Minotauro, Mir também é muito bom no chão. E tem evoluído muito na trocação. Ainda assim, o boxe de Minotauro é melhor. Fisicamente, o brasileiro cresceu muito. E o otimismo é grande para essa luta.
Para superar Frank Mir, Minotauro precisará estar pronto para absorver alguns golpes pesados. Se ele conseguir mostrar essa capacidade, como tantas vezes fez no PRIDE, tem o favoritismo. A inatividade de Frank Mir também pode pesar.
Mais chances ainda tem Rogério Minotouro. Seu adversário, Tito Ortiz, certamente já estaria aposentado se não tivesse “achado” uma guilhotina para finalizar Ryan Bader. Depois, Tito voltou à rotina recente de derrotas, ao cair diante de Rashad Evans, mostrando mais uma vez que não é mais aquele lutador duríssimo que sustentou por muito tempo o cinturão dos meio-pesados do UFC. Mas Minotouro também não pode dar muita sopa para o azar. Após uma vitória sobre Jason Brilz que foi contestado por alguns, embora eu ache que “Lil’ Nog” ainda tenha vencido, vieram derrotas para Ryan Bader e Phil Davis, ambas por decisão unânime. Outro revés colocaria sua carreira no UFC em risco, já que Dana White não tem hesitado muito na hora de demitir.
Mas, desta vez, parece que Minotouro deve usar uma estratégia diferente. Ao invés da cautela adotada contra Phil Davis, o baiano promete atacar Ortiz, para não deixar o adversário impor seu jogo, de derrubar e “amarrar” a luta na grade.
E parece que Minotouro está na ponta dos cascos para essa luta. Rafael Feijão, que participou da equipe dos Nogueira na preparação para o UFC 140, é testemunha do preparo de Rogério.
Na minha opinião, Minotouro é amplo favorito e, se não der brechas para Tito, tem grande chance de nocautear.
Outras duas lutas agitam o card principal do UFC 140.
A mais equilibrada delas colocar frente-a-frente o canadense Claude Patrick e o norte-americano Brian Ebersole. De um lado, Patrick, com um muay thai cada vez mais afiado e sua sede por pescoços: até agora são 14 vitórias em 15 lutas, nove vitórias por finalização, seis com guilhotina. Do outro, Ebersole, um lutador experiente, que demorou para estourar, mas que, agora, vem com nova triunfos consecutivos. Ebersole, que, com muito exagero, é chamado de “The White Anderson Silva” por alguns, é wrestler de origem, mas é bastante criativo na trocação. Em uma luta muito parelha, Ebersole leva ligeira vantagem, não só pela experiência, mas também por ter um jogo mais completo. Mas é melhor tomar cuidado com o pescoço, pois a guilhotina de Patrick é letal.
Fechando o card principal, temos mais um lutador da casa. Mark Hominick encara o coreano Chan-Sung Jung, o “Zumbi Coreano”. Hominick é “carne de pescoço” e já provou isso contra José Aldo. Sua raça o torna muito difícil de se derrubar. E, apesar de ter sido dominado nesse aspecto contra o brasileiro, Hominick tem um jogo excelente na trocação, por sua origem no kickboxing. Já Jung, especialista em pé, mas com um jiu-jitsu de bom nível, ainda está devendo desde que foi contratado pela Zuffa. Apesar disso, ele vem de vitória sobre Leonard Garcia, por finalização. Mesmo assim, o favorito é Hominick, em uma luta que promete ser muito movimentada.
Tá chegando a hora! E Minotouro convoca você para a torcida pelo Brasil!
E você, em quem aposta? Deixe seu comentário!
Contra Jon Jones (E), Lyoto Machida (D) busca retomar cinturão dos meio-pesados do UFC.
É, galera! Neste sábado tem UFC 140! E tem brasileiro disputando cinturão! Lyoto Machida tenta recuperar o título dos meio-pesados, encarando o atual campeão, o fenômeno Jon Jones. Além disso, Rodrigo Minotauro tem a revanche contra Frank Mir e Rogério Minotouro faz uma luta de vida ou morte contra o ex-campeão Tito Ortiz.
E todas essas feras estarão presentes, ao lado de Dana White, na entrevista coletiva antes do evento, que começa às 16h. E, claro, você pode conferir toda a coletiva aqui no blog.
O cara é campeão mundial, mas nada mudou na atitude dele. Na entrevista coletiva que concedeu nesta segunda-feira, em São Paulo, Júnior Cigano continua sendo sorridente, atencioso e humilde, como era quando o conheci pessoalmente, às vésperas do UFC Rio.
Humildade que o faz reconhecer aqueles que foram fundamentais para o seu crescimento como lutador. Se tem alguém que sabe valorizar as pessoas que o cercam, Cigano é esse cara. Perguntem só a ele qual foi a importância de seu treinador de boxe, Luiz Dórea, na conquista:
Dórea, por sua vez, não deixou por menos e mostrou o quanto está orgulhoso do seu pupilo, cujo título coroou o seu trabalho:
Luiz Dórea certamente exerceu um papel importantíssimo na reta final da preparação de Cigano, principalmente após a ruptura no menisco do joelho esquerdo sofrida em um treino de jiu-jitsu. Cigano contou um pouco do seu drama e falou sobre sua recuperação e falou sobre a possibilidade de ser submetido a uma cirurgia:
Ainda não se sabe quando Cigano vai voltar ao octagon, mas ele já disse que não vai ter pressa. Além disso, o catarinense analisou os dois candidatos a enfrentá-lo. Brock Lesnar e Alistair Overeem se enfrentam no UFC 141, no dia 30 de dezembro. E Cigano não quis saber de escolher adversário:
Agora, Cigano tem um novo desafio: se acostumar com a rotina de campeão do mundo. Se o assédio dos fãs já era grande, imagine só agora. O peso-pesado se diz preparado para isso:
Não sabe quando Cigano estará de volta. Mas o mais assustador é que nosso campeão acredita que pode estar ainda melhor:
Lesnar, Overeem ou qualquer um que queira encarar o brazuca que se preparem. Pelo visto, o céu é o limite! Desse jeito, esse cinturão não tem data para sair do Brasil.
O evento foi sábado à noite, mas o post sobre a luta principal só saiu 36 horas depois por duas razões: o blogueiro fez aniversário no domingo e ainda estava se refazendo do que viu no octagon de San Jose.
Sem sombra de dúvida, Maurício “Shogun” Rua e Dan Henderson protagonizaram uma das maiores lutas de todos os tempos.
O destino quis que esse duelo não fosse realizado no PRIDE, onde ambos brilharam, mas sim no UFC. E com um ingrediente especial. O vencedor praticamente asseguraria uma chance de disputar o cinturão dos meio-pesados. Dá só uma conferida nos melhores momentos:
No primeiro round, Henderson começou a todo vapor, mandando Shogun para o chão, depois de uma guilhotina que não encaixou, e castigando o brasileiro. Shogun se levantou, buscou o ataque, mas foi mandado de volta para o chão, com um uppercut certeiro. Com menos de dois minutos, Shogun já tinha um sangramento abundante. Mas não seria isso que derrubaria o curitibano, que ainda foi para cima e conseguiu seu próprio knockdown, mas não foi efetivo o suficiente para reverter a vantagem de Henderson.
No segundo round, o ritmo diminuiu bastante. Com um minuto e meio de ação, Henderson foi para cima e conseguiu encaixar uma boa sequência de golpes. A partir daí, a luta voltou a ficar amarrada, praticamente o resto do round no clinche. Assim, vantagem para Hendo, que abriu dois pontos de vantagem no placar.
O terceiro round começou no mesmo ritmo, lento. Mas uma direitaça de Hendo mudou o quadro da luta. Shogun foi para o chão e o norte-americano começou a castigá-lo duramente, aumentando ainda mais o sangramento do brasileiro. O árbitro até poderia ter encerrado a luta, mas provavelmente sabia que não estava lidando com qualquer lutador. Bravamente, Shogun resistiu e ainda saiu da situação desfavorável, quase conseguindo uma chave de calcanhar. A finalização não saiu, mas serviu para mostrar a Henderson que Shogun ainda estava vivo na luta.
O quarto round foi a grande prova disso. Henderson mostrava cansaço e, assim, passou a buscar as pernas de Shogun, visando administrar a vantagem conquistada no primeiro round. Mas, com pouco mais de um minuto para o fim, o brasileiro acertou um upper sensacional. Henderson sentiu e, a partir daí, a luta foi de Shogun. O brasileiro foi para cima, conseguiu a montada e pegou as costas de Henderson. Se Shogun não conseguiu finalizar, mostrou que isso poderia acontecer nos últimos cinco minutos de luta.
E, no quinto e útlimo round, o Shogun que estamos acostumados a ver finalmente apareceu. Socos, joelhadas, montadas. Simplesmente um monólogo. Digno de um 10 a 8 para o brasileiro.
Mas, infelizmente, todos os árbitros deram apenas 10 a 9. Assim, Dan Henderson venceu por decisão unânime, com 48 a 47 a seu favor na pontuação.
Após a luta, ambos os lutadores estavam esgotados e tiveram que ir diretamente para o hospital, sem poder participar da entrevista coletiva realizada após o evento. O próprio Dana White disse que essa luta não seria a mais adequada para ser exibida na TV aberta norte-americana, pois muitos fãs ficariam chocados ao ver os atletas lutando em condições extremas. Marcas de uma guerra que vai ficar para sempre marcada na memória dos fãs de MMA.
Maurício Shogun e Dan Henderson se encontraram após a luta, no hospital.
Agora, vamos as considerações:
- Henderson, com 41 anos, um dedo da mão lesionado e debilitado por uma virose que o atingiu a uma semana da luta, mostrou que ainda tem muita lenha para queimar;
- Shogun precisa treinar no exterior. No Brasil, sua preparação não vem rendendo tantos resultados. Por outro lado, ele estava voando na luta contra Forrest Griffin;
- Dependendo das condições físicas do vencedor de Lyoto Machida X Jon Jones, a saída mais lógica seria uma revanche;
- Preparação física à parte, Shogun tem um queixo impressionante. Como aguenta pancada!
- Para superar Jon Jones, qualquer um dos dois terá que fazer ajustes consideráveis na maneira de lutar.
- Ao fim da luta, Dana White deu ao dois um cheque no valor de 70 mil dólares, como prêmio de luta da noite. Pelo que vimos no sábado, deveria ter sido criado o prêmio de luta do ano. Seria muito mais justo com os dois guerreiros e com as demais lutas fadadas à mortalidade.
Lembro dessa frase na transmissão original do UFC, quando o “Cachorro Louco” aplicou o que era o seu último nocaute no UFC até este sábado, sobre Keith Jardine.
E essa frase resume perfeitamente o que vimos no co-main event do UFC 139. O guerreiro está de volta!
O adversário era o perigosíssimo striker Cung Le. Uma derrota faria com que Dana White aposentasse Wanderlei Silva, pelo menos do UFC.
E, nesse clima de “matar ou morrer”, Wand treinou duro por mais de dois meses, sob orientação do mestre Rafael Cordeiro.
E foi nesse mesmo clima que o brasileiro começou a luta de forma bastante cautelosa, como se tentasse encontrar uma forma de conter os chutes do adversário.
Chutes esses que não foram poucos. E muito menos deixaram de ser bonitos. Cung Le mais uma vez justificou o apelido de “The Human Highlight Reel”.
Um soco rodado do vienamita no primeiro round fez parecer que o fim estava iminente. Mas Le estava lidando não apenas com um mero lutador. Ele estava diante de uma lenda. E foi assim que Wanderlei começou a se encontrar na luta. Ainda no primeiro round, um direto de direita abriu um corte no rosto de Cung Le, que, a partir daquele momento, deve ter percebido a encrenca na qual estava metido.
Cung Le é naturalizado norte-americano e vive em San Jose. A luta era em San Jose. E a torcida estava ao lado de Wanderlei Silva. Ninguém queria ver o fim de uma das carreiras mais vitoriosas do MMA. Todos queriam que o show continuasse.
Mas Le não desistia. É impressionante a facilidade que ele tem para chutar, de todas as formas. Chutes altos, baixos, rodados, com a direita, com a esquerda. Poucos lutadores de MMA na história chutaram assim.
Só que Wanderlei foi achando o caminho das pedras. A medida que absorvia um ou outro golpe desferido pelo adversário, o curitibano também começa a fazer uma melhor leitura do jogo. Assim, começaram a surgir os contragolpes.
E uma bela direita foi a corneta soada para o show de Wanderlei. O show que tantas vezes vimos no PRIDE. O show que todos queriam continuar vendo. Marretadas, joelhadas e todas as formas de castigo possíveis no MMA. O árbitro não teve escolha, a não ser parar a luta. Foi até meio precipitado, mas talvez ele tenha ficado preocupado com o que seria de Cung Le se o massacre continuasse.
Uma vez que Wanderlei Silva começa o massacre, só o árbitro interrompe.
Vitória de Wanderlei Silva. Vitória de um guerreiro cuja preocupação, vencendo ou perdendo, é dar o melhor show possível para o público. Vitória de um Wanderlei que nunca deixou de treinar e se dedicar àquilo que mais ama. Vitória de um Wanderlei que trouxe muitos fãs para o MMA e foi fundamental na construção do fenômeno que esse esporte é hoje.
Sem dúvida, o MMA também sai vitorioso com a vitória – e permanência – de um de seus maiores nomes em todos os tempos.
O UFC 139 tem, sem sombra de dúvidas, um dos melhores cards de 2011. E todos esses duelos tem muita coisa em jogo.
A começar pela principal luta da noite. De um lado, o brasileiro Maurício “Shogun” Rua, ex-campeão dos meio-pesados do UFC e campeão do GP de 2006 do PRIDE. Do outro, Dan “Hendo” Henderson, que foi campeão do GP do UFC 17, dono de dois cinturões do PRIDE ao mesmo tempo e também é ex-campeão dos meio-pesados do Strikeforce.
Provavelmente, o vencedor deve se tornar o primeiro da fila na caça ao cinturão, sendo, desta forma, o próximo a encarar o vencedor do duelo entre Jon Jones e Lyoto Machida, que será realizado em dezembro, no UFC 140.
A luta entre Shogun e Hendo deve ser repleta de alternativas. Em pé, Shogun é mais completo. Chuta melhor, é mais agressivo. Mas é preciso que ele tenha cuidado e dose essa agressividade, pois a mão direita de Henderson é uma das mais devastadoras do MMA. Quem não lembra do que ele fez com Michael Bisping, no UFC 100?
Henderson tem a vantagem no wrestling. O norte-americano é muito bom nas quedas e, principalmente, no trabalho de “amassar” o adversário contra a grade. Seu ground-and-pound não chega a ser tão brutal quanto o de Shogun, mas é bastante efetivo.
Além disso, Hendo tem a capacidade de anular o jogo de diferentes tipos de oponentes. Estamos falando de um lutador super experiente, que já ultrapassou a barreira dos 40 anos. Sendo assim, Shogun terá que entrar com um plano de luta muito bem elaborado e definido, como fez contra Lyoto Machida. Esperar o momento certo para atacar, como foi feito contra Forrest Griffin, também é obrigatório.
Falamos da capacidade de derrubar de Dan Henderson, mas não se pode esquecer do subestimado talento de Shogun no jiu-jitsu. Como encerra a maioria de suas lutas com nocautes, o curitibano acaba não tendo a chance de mostrar seu talento no chão. Mas, se deixarem um braço, pescoço ou perna de bobeira, Shogun não vai hesitar em aproveitar.
No geral, a luta é bastante equilibrada. Se a estratégia de Shogun for bem elaborada, ele é favorito. Se o brasileiro for precipitado, dá boas chances a Henderson. O certo mesmo é que essa luta tem pouquíssimas chances de não ser espetacular. Veja esse vídeo com a prévia do main event:
Já o co-main event da noite deve ser uma guerra em pé. Wanderlei Silva e Cung Le são dois strikes gabaritadíssimos. Com seis derrotas nas últimas oito lutas, Wanderlei, ex-campeão do PRIDE, precisa da vitória para se manter no UFC. Cung Le, ex-campeão dos pesos médios do Strikeforce, estreia no maior evento de MMA do mundo e uma vitória sobre um adversário de peso seria ótima como cartão de visitas.
No clima de “matar ou morrer”, Wanderlei treinou duro nos últimos dois meses, sob o comando do mestre Rafael Cordeiro. O brasileiro está preparado em todos os aspectos. Tentar surpreender Cung Le, ao colocar para baixo e usar o jiu-jitsu, poderia ser uma boa saída. Mas isso não é do feitio de Wand. Ele gosta mesmo é de “ir para a porrada” e dar espetáculo, como já fez em inúmeras ocasiões em que foi derrotado e, mesmo assim, saiu aplaudido.
Já Cung Le, mix de ator e lutador de MMA, é um adversário perigosíssimo. Ainda “cru” em alguns aspectos do jogo, como o wrestling e o jiu-jitsu, o vietnamita aposta tudo no seu jogo em pé. O cara é campeão no Sanshou, uma arte marcial chinesa, nunca foi vencido no kickboxing e é faixa preta de taekwondo. É só reparar que todas as suas sete vitórias no MMA (perdeu apenas uma vez) vieram por nocaute. Seus chutes são espetaculares, dignos de cinema, e lhe renderam o apelido de “The Human Highlight Reel”, em alusão a sua capacidade de dar golpes que entram para os melhores momentos dos eventos.
Rafael Cordeiro diz que tem o antídoto para que Wanderlei anule o jogo de Cung Le. Não se pode duvidar de alguém com tanto gabarito quanto o mestre. Mas a chave da luta está na maneira como Wand irá se comportar. Se ele for o lutador consciente que tirou Michael Bisping para nada, é o favorito, pela sua experiência e por ser mais completo. Agora, se Wand quiser porrada, a luta vira loteria. Qualquer golpe bem encaixado acaba com o embate. E eu duvido muito que passe do primeiro round. Dá só uma olhada nesse vídeo que mostra a preparação de Wand:
Outra grande luta envolve dois atletas que já ostentaram o cinturão do WEC. Urijah Faber, ex-campeão dos penas, encara o ex-campeão da categoria galo Brian Bowles.
Depois de perder o cinturão dos penas para Mike Brown, no WEC 36, Faber tentou recuperá-lo duas vezes e perdeu em ambas as oportunidades, uma na revanche com o próprio Brown e outra para José Aldo. Assim, o “Garoto da Califórnia” resolveu buscar seu espaço na categoria galo. Com vitórias convincentes sobre Takeya Mizugaki e Eddie Wineland, Faber se credenciou para tentar tomar o cinturão de Dominick Cruz. Mas Cruz dominou o combate inteiro e se vingou de sua única derrota no MMA, vencendo por decisão unânime.
Por sua vez, Bowles tem exatamente em Dominick Cruz seu único algoz. E foi com essa derrota que ele perdeu o cinturão dos galos do WEC.
E é em busca da chance da revanche contra Cruz que essas duas feras se enfrentam pela primeira vez. A luta coloca frente-a-frente dois atletas com estilos bastante parecidos. Dois wrestlers que trocam razoavelmente bem, se movimentam bastante e têm um jiu-jitsu afiadíssimo, embora sejam faixas marrom. A maior experiência e a torcida a favor serão fatores favoráveis a Faber. Mas, honestamente, essa luta não tem favorito. Veja a prévia dessa batalha:
Outros dois confrontos fecham o card principal do UFC 139. Um deles tem o dinamrquês Martin Kampmann enfrentando o norte-americano Rick Story. Kampmann já foi um dos aspirantes a uma disputa de cinturão dos meio-médios. Mas, com derrotas para Jake Shields e Diego Sanchez, acabou ficando um pouco mais distante. Agora, ele tem a chance de se recuperar contra Story, que vinha de seis vitórias seguidas, batendo nomes como Thiago “Pitbull” Alves, Johny Hendricks e Dustin Hazelett, mas, em sua última luta, foi surpreendido por Charlie Brenneman.
Teoricamente, Kampmann é o favorito. Troca melhor, tem um jiu-jitsu mais apurado e tem mais experiência diante de adversários mais duros. Mas o momento dele não é dos melhores. E, se Story conseguiu usar seu wrestling, pode tornar o duelo bastante perigoso para o dinamarquês.
Fechando o card principal, temos uma luta interessante entre os meio-pesados Stephan Bonnar e Kyle Kingsbury. Bonnar ficou muito famoso pelas batalhas protagonizadas contra Forrest Griffin, principalmente a primeira, que valeu o título da primeira edição do “The Ultimate Fighter”. Seu estilo guerreiro, de buscar a trocação a todo momento, conquistou muitos fãs, mas não rendeu tantos resultados assim. Pelo tempo em que já está no UFC, Bonnar passou da hora de “estourar”. Mas suas lutas sempre oferecem entretenimento para o público. Por isso, se torna impossível dispensá-lo.
Por outro lado, Kingsbury é um lutador em ascensão e, com uma vitória sobre Bonnar, pode sonhar com voos mais altos.
Ambos os lutadores tem um bom nível na trocação. Bonnar é faixa preta de jiu-jitsu, enquanto Kingsbury tem um wrestling apuradíssimo. Bonnar vem de duas vitórias consecutivas, enquanto Kingsbury ganhou suas últimas quatro lutas, a mais recente contra o brasileiro Fábio Maldonado. Na minha opinião, Bonnar é o mais experiente, mas o favoritismo é de Kingsbury. E eu acho difícil que a luta chegue à decisão dos juízes.
No card preliminar do UFC 139, também temos confrontos interessantes. O principal deles envolve os meio-pesados Ryan Bader e Jason Brilz. Bader tinha 13 vitórias em 13 lutas e era cotado para disputar o cinturão. Mas duas guilhotinas, de Jon Jones e Tito Ortiz, fizeram com que Bader fosse de aspirante ao título a integrante de um card preliminar. Já Jason Brilz chegou ao UFC com uma carreira bastante sólida e teve sua grande luta contra Rogério “Minotouro” Nogueira, na qual venceu claramente no octagon, mas os árbitros conseguiram enxergar a vitória de Minotouro. Depois de quase um ano ausente, Brilz voltou em abril e foi nocauteado por Vladimir Matyushenko. Se Brilz quiser chegar ao topo da categoria, essa é a luta que ele precisa vencer. Mas o favorito é Bader. Ambos são bons wrestlers, mas Bader tem um boxe melhor e a mão pesadíssima.
E tem mais brasileiros em ação no evento. Gleison Tibau e Rafael dos Anjos se enfrentam de olho no topo da categoria. Ambos tem um jiu-jitsu apuradíssimo, mas Tibau é mais experiente, derruba melhor o adversário e leva vantagem no boxe. Rafael dos Anjos evoluiu bastante na trocação e pode dar trabalho. Os dois vem de quatro vitórias nas últimas cinco lutas, mas Rafael foi quem venceu o adversário mais duro, o australiano George Sotiropoulos, no UFC 132. Difícil prever um vencedor, mas vou apostar em Tibau.
Veja o card completo do evento:
Card preliminar:
- Shamar Bailey (EUA) X Danny Castillo (EUA)
- Matt Brown (EUA) X Seth Bacynski (EUA)
- Miguel Torres (EUA) X Nick Pace (EUA)
- Gleison Tibau (BRA) X Rafael dos Anjos (BRA)
- Tom Lawlor (EUA) X Chris Weidman (EUA)
- Michael McDonald (EUA) X Alex Soto (MEX)
- Ryan Bader (EUA) X Jason Brilz (EUA)
Card principal;
- Stephan Bonnar (EUA) X Kyle Kingsbury (EUA)
- Martin Kampmann (DIN) X Rick Story (EUA)
- Urijah Faber (EUA) X Brian Bowles (EUA)
- Wanderlei Silva (BRA) X Cung Le (EUA)
- Maurício “Shogun” Rua (BRA) X Dan Henderson (EUA)
E aí, quais são suas apostar para o UFC 139? Deixe seu comentário!
Shogun e Hendo: o destino não quis esse duelo no PRIDE, mas sim no UFC.
Como já está virando rotina, hoje tem mais um evento do UFC AO VIVO aqui no blog.
Depois da entrevista coletiva desta quinta-feira, nesta sexta, a partir das 22h, tem a pesagem do UFC 139. É a última vez que as feras que vão subir no octagon do HP Pavillion, em San Jose, na California, vão se encarar antes da hora da verdade.
Quer ver a pesagem ao vivo? É só clicar no player abaixo:
"Apaixonado por esportes em geral, Wagner Silva não demorou a descobrir o MMA e se encantar com o que não é apenas uma mistura de artes marciais, mas, também, de força, talento e imprevisibilidade, onde nem sempre é o mais forte ou o mais técnico é quem ganha. No MMA, um golpe bem encaixado é capaz de derrubar o mais temível dos lutadores e pode ser a fronteira entre o cinturão e o recomeço. E é neste espaço que Wagner pretende compartilhar com vocês um pouco do que ele já viu e muito do que ele ainda vai ver neste mundo da luta, que gira movido por homens que são mais do que lutadores, mas sim verdadeiros guerreiros. Sintam-se em casa!"