Jorge Iggor

ELES CONTINUAM TORRANDO A PACIÊNCIA

Esperei alguns dias para escrever sobre os Estaduais. Não valeria a pena gastar linhas antes deles começarem tentando esquentar competições sem o mínimo valor. Escerever após uma rodada apenas também poderia parecer má vontade, já que certamente o post não iria tecer elogio algum. Então, com duas, três ou mais rodadas disputadas em alguns estados, já deu para reunir alguns elementos.

O principal ponto a ser abordado: o desinteresse. E é um desinetersse geral. A começar pelos jogadores, obrigados a atuar em gramados ridículos (Moça Bonita, Ninho da Garça, Valdeir José de Oliveira e por aí vai) e contra adversários, muitas vezes, de nível baixíssimo. É claro que o atleta é pago para dar o seu melhor em campo, mas não dá para cobrar pegada e motivação em partidas que não fazem o menor sentido.

O desinteresse do público também não é novidade. Tirando os clássicos, que tiveram bons públicos, os confrontos de grandes contra pequenos receberam, em sua esmagadora maioria, públicos insignificantes. Até mesmo a audiência da TV sofre com tamanha falta de apelo.

E aí cabem as perguntas, repetitivas é verdade: ainda vale a pena perder quatro meses do apertadíssimo calendário do futebol brasileiro com um modelo de competição ultrapassado e pouquíssimo rentável? Vale a pena realizar uma pré-temporada apertada, que não prepara ninguém e que deixa ainda mais expostos os treinadores? Vale à pena sustentar clubes pequenos que dependem de esmolas e empresários para montar equipes que se desfazem completamente no meio do ano?

Enquanto não criam coragem para colocar o dedo na ferida, vamos vivendo de aparência ao melhor estilo Vampeta: eles fingem que o Estadual é bom e o torcedor finge que acredita.

Jorge Iggor

ÉTICA PASSANDO LONGE

“Ética e futebol não combinam faz tempo”. Ô frase nojenta! Não deveríamos nos acostumar aos valores invertidos e achar que o futebol é um mundo à parte, com suas próprias leis. Jogadores e dirigentes são seres humanos e clubes dependem de saúde financeira como qualquer empresa. Então, por qual razão os conceitos que aplicamos em nossa vida profissional deveriam ser ignorados por quem faz parte do mundo da bola?

Começando pelo caso Kléber. O mesmo Flamengo, que assediou o jogador prometendo mundos e fundos e depois emitiu uma nota oficial garantindo ter desistido do negócio, teria voltado a fazer uma proposta exatamente no dia do jogo com o Palmeiras, sabendo que, para contar com o atacante, ele não poderia mais entrar em campo com a camisa alviverde. Kléber, que causou uma enorme crise interna ao abandonar a concentração e disparar publicamente contra os dirigentes de seu próprio clube, tentou se fazer de inocente o tempo inteiro. Disse que buscou “resolver” sua situação com o vice de futebol, Roberto Frizzo, e não obteve sucesso. Ora, mas que situação? Um aumento, talvez? E tal desconforto surgiu somente depois do interesse dos cariocas? Que coincidência, não? Antes, era a lesão que não o deixava jogar. E se for verdadeira a história de que ele teria pedido para não entrar em campo nesta noite? A dor apareceu de novo?

Agora, surge o caso Martinuccio. Ainda durante a Libertadores, o meia do Peñarol despertou o interesse de Luiz Felipe Scolari e foi procurado pelo Palmeiras. Com contrato com o clube uruguaio até dois de agosto, assinou um pré-contrato com o time brasileiro. Mas, no meio do caminho, surgiu o interesse do Fluminense. E o que aconteceu? Martinuccio “esqueceu-se” do compromisso firmado com o time paulista, fez exames médicos nas Laranjeiras e já teria até mesmo assinado com o Tricolor do Rio. O Palmeiras tenta se defender com uma multa de R$ 50 milhões prevista no pré-contrato. Aliás, se palavra servisse para alguma coisa no futebol, tal cláusula sequer existiria.

Na minha maneira de ver as relações comerciais (diferente da visão de muita gente), Flamengo, Fluminense, Kléber e Martinuccio erram enormemente do ponto de vista ético. Não respeitam limites, prazos, acordos firmados e ignoram os atuais empregadores. Um verdadeiro “cada um por si”. Lisura zero.

Jorge Iggor

ANDRÉ CHEGOU, MAS ATLETICANOS NÃO SOLTARAM FOGOS

Qualquer torcedor do Galo sabe da necessidade urgente de reforços. Os resultados obtidos no Campeonato Brasileiro até agora mostraram que o elenco atual não é capaz de mudar a situação. O clube se esforçou e brigou com o Flamengo até o fim para contratar o atacante André. Porém, os atleticanos parecem ter recebido a notícia sem muita empolgação.

Recentemente, o Atlético teve Diego Tardelli e Obina, que rapidamente consquistaram a confiança dos torcedores. André claramente não está no mesmo nível dos dois. Vem de uma passagem muito mal sucedida pela Europa (apagado na Ucrânia e na França). Além disso, muitos ainda acreditam que o bom futebol apresentado no primeiro semestre de 2010 pelo Santos foi fruto apenas do encaixe com Neymar, Ganso e Robinho.

Pesa a favor de André o fato de já ter trabalhado com Dorival Júnior. Mas, por outro lado, existe a pressão por boas atuações num curto prazo. A cobrança dos alvinegros será forte e imediata. Uma ótima oportunidade para o garoto de 20 anos mostrar que a bola que jogou há um ano não foi “por acaso”.

Jorge Iggor

TRABALHO DE MANO MENEZES: HORA DE AVALIAR

Resultado não é o único fator que deve pesar na avaliação do trabalho de um técnico de seleção brasileira. Dunga obteve conquistas importantes num período de quatro anos e acabou falhando no projeto principal: a Copa do Mundo. Mano Menezes está prestes a completar um ano à frente da seleção e acabou precocemente eliminado da primeira competição oficial que disputou. Pedir sua cabeça por isso é exagero, mas o momento é de avaliação.

Nesses quase dez meses, Mano teve acertos importantes: tentou implantar uma mesma filosofia tática em todas as seleções, desde a base. Ampliou o leque de convocações, voltando seu olhar também para os jogadores que atuam no Brasil. Frequentou estádios, coisa que os treinadores anteriores pouco fizeram (Dunga uma vez ou duas e olhe lá). Manteve um tratamento minimamente respeitoso com os jornalistas (que também pegaram muito leve com ele no início). E o mais importante: não teve medo de encarar as consequências de uma renovação, onde os resultados às vezes demoram para aparecer.

Mas também houve pontos negativos: traçou todo um plano de jogo pensando em um único jogador (Ganso) e não encontrou um “plano B” no período em que o garoto do Santos esteve machucado.  Não soube tirar proveito das convocações de Renato Augusto e Thiago Neves, por exemplo, que poderiam fazer uma função parecida. Chegou à Copa América sem confiança no time que ele mesmo montou, mudando consideravelmente a equipe após um empate na estreia. Seu esquema, o 4-2-3-1, não funcionou sem uma referência na área. Aliás, Fred, por merecimento, não deveria ser convocado. Os volantes titulares não ofereceram o apoio necessário à defesa e tampouco contribuíram com a armação de jogadas (Hernanes, por exemplo, faria bem as duas funções). Durante a competição, não foi feliz em algumas substituições. E, somando-se a tudo isso, os resultados ruins, que devem entrar nessa conta.

Na minha maneira de ver, o trabalho é apenas regular. Não vejo uma necessidade urgente de mudar o comando da seleção agora, mas também acho que é o momento de acender uma luz amarela. É hora de rever alguns conceitos (táticos, principalmente). O momento de corrigir eventuais falhas é este. E de testar alternativas também.

Pra fechar: também é hora de rever alguns nomes. Seja por encerramento de ciclo, por pouco comprometimento ou até mesmo por falta de condições técnicas. Não é caça às bruxas, mas uma filtragem cairia bem no momento.

Jorge Iggor

NEYMAR, GANSO…E O RESTO?

Como explicar a ridícula campanha do Santos até agora na Libertadores? Quem ouve que o time de Neymar, Ganso e Elano ainda não venceu na competição após três partidas fica sem entender. Mas é fácil. Olhando para o restante do time vamos descobrindo as respostas:

Rafael – Não é goleiro para o Santos. Pouco confiável e com sérias deficiências. Diretoria teve todo tempo do mundo para investir num goleiro de ponta e errou redondamente ao contratar o Aranha, que recebe para ficar na reserva.

Pará – Jogador limitadíssimo, sem a menor condição de vestir a camisa do Santos. Quando a coisa aperta é improvisado na esquerda, mostrando clara falta de planejamento na montagem do elenco.

Durval – Esqueceu seu futebol no Sport.

Adriano – Pouco acrescenta em campo. Esforçado na marcação, mas sem nenhuma qualidade no passe.

Rodrigo Possebon – Já faz tempo que chegou e ainda não foi 15% do que foi na Inglaterra. Decepção até agora!

Keirrison – Piada! Jogador perdido, resultado das péssimas orientações recebidas de pessoas que cuidam de sua carreira. Além disso, não demonstra vibração em campo. Clube faria ótima economia se o negociasse.

A tal diretoria “diferenciada” do Santos precisa fazer uma profunda reflexão sobre as medidas adotadas. Equívocos graves na política de contratações e trabalhos encerrados pela metade vem sendo a tônica de uma administração que parece não aprender com seus erros. É mais do que falta de competência. E falta de habilidade e até mesmo de humildade.

Jorge Iggor

MURICY NÃO SAIU COMO “MURICY”

Entre palavra e atitude existe uma significativa diferença. Nem sempre o discurso adotado se reflete integralmente nas decisões tomadas. É estranho quando alguém prega uma linha de conduta durante toda a vida e de uma hora para outra age de maneira contrária. Assusta, surpreende e decepciona.

Os reais motivos da saída de Muricy Ramalho do Fluminense ainda não foram totalmente revelados, tenham certeza! Até por isso, não vou entrar nesse mérito. O que me chama atenção agora é que estamos diante de uma clara mudança de atitude de alguém que chegou até mesmo a recusar um convite da seleção brasileira (de acordo com a versão oficial) por ter mais alguns meses de contrato com seu clube.

Ora, menos de um ano depois Muricy cai numa infeliz contradição e faz o que até pouco tempo considerava “um mal exemplo para seus filhos”: rasga o contrato, abandona o Fluminense no meio de uma Libertadores e sequer encara os microfones para comunicar sua decisão, se escondendo atrás de uma fria nota oficial. Um gesto de covardia que talvez se esperasse de outros treinadores, mas não dele.

Assim como não acreditei na tal mudança de temperamento com a vinda pro Rio de Janeiro (as grosserias com jornalistas continuaram), também não caio mais nessa de profissional “diferenciado”. Ouço o discurso e espero pelas atitudes. Afinal, o tempo é perfeito para expôr as fraquezas e mostrar as verdadeiras caras.

Jorge Iggor

LUIS FABIANO: SOLUÇÃO DENTRO E FORA DE CAMPO

É ano eleitoral no São Paulo e Juvenal Juvêncio, depois de manobrar o estatuto para tentar mais um mandato, sabe que precisa de contratações de impacto e bons resultados para alavancar sua candidatura. No início do ano trouxe Rivaldo. Do ponto de vista do marketing, uma negociação impactante. Porém, com pouco resultado dentro de campo até agora.

No acerto com Luis Fabiano, Juvenal resolveu dois problemas de uma vez: conseguiu trazer outro nome de peso, mas ainda em condições de ajudar o clube a conquistar títulos, e ofereceu à Carpegiani um atacante de nível de seleção brasileira. Tacada certeira.

É óbvio que Luis Fabiano chega para ser titular absoluto. A formação do ataque na vitória de ontem sobre o Ituano, com Dagoberto e Willian, já mostrava taticamente como seria esse time com sua chegada, contando ainda com o apoio dos laterais e a aproximação de Lucas. Um time veloz e que fica completo com um matador desse porte.

Enquanto isso, Rivaldo segue sem espaço e Fernandão acaba virando quarta opção, já que Fernandinho e Willian vem sendo aproveitados com frequência. Talvez até quinta opção, se colocarmos também o Henrique na lista.  E um jogador desse nível não fica encostado por muito tempo. O adeus parece estar encaminhado.

Jorge Iggor

GRÊMIO DERRUBOU UM “GIGANTE INESPERADO”

Não é preciso dizer que a diferença de tamanho, camisa e torcida entre Grêmio e Caxias é colossal. Mas quem viu a decisão da Taça Piratini sem conhecer a história dos dois clubes talvez não tenha percebido. O Caxias entrou em campo com enorme personalidade, encurralando o Grêmio e envolvendo a defesa adversária. Não é todo time pequeno que encara o Grêmio numa decisão dentro do Olímpico com três atacantes. Postura corajosa e que resultou num 2 x 0 até então impensável no primeiro tempo. Impensável, mas justíssimo.

O Grêmio tinha o estádio quase lotado a seu favor. Não fossem os pedidos de calma de Renato Gaúcho, as vaias surgiriam e o nervosismo passaria para o campo. A pancada de Willian Magrão no último minuto do primeiro tempo mudou o rumo da decisão. Aliás, o mesmo Magrão que não vinha sendo aproveitado e estava prestes a deixar o clube.

No segundo tempo a coisa se inverteu completamente. O Grêmio mandou no jogo, empurrou o Caxias todo para trás e mereceu o empate, apesar dos generosos seis minutos de acréscimo. Nos pênaltis, o Caxias mostrou a mesma incompetência da semifinal com o São José. Só que desta vez o goleiro André Sangalli não pegou quatro pênaltis e o título ficou em Porto Alegre.

O Caxias não tem a mesma qualidade daquele Santo André que quase tirou o título paulista do Santos em 2011, mas mostrou potencial pra brigar no segundo turno. Porém, o pedido de demissão do técnico Lisca hoje pela manhã (alegando sofrer ameaças de torcedores) pode jogar um bom trabalho por água abaixo.

Jorge Iggor

A FARRA DOS PÊNALTIS

Entra ano sai ano e o vício da arbitragem brasileira continua. É incrível como se marca pênalti por aqui em disputas absolutamente normais entre zagueiros e atacantes. E também espanta o fato de alguns jogadores abdicarem do gol para cavar a penalidade.

Ontem, no Engenhão, o atacante Geovane Maranhão, do Duque de Caxias, perdeu na corrida com o lateral Lucas, do Botafogo. Após trombar e cair na área, conseguiu o que queria: o pênalti marcado por Marcelo de Lima Henrique. O pior foi a confissão do atleta no intervalo: “resolvi cair”.

Para piorar, o mesmo árbitro resolveu marcar outro pênalti absurdo no segundo tempo, desta vez para o Botafogo, numa bola que bateu acidentalmente no braço do zagueiro Lucão. A famosa “lei da compensação”.

Em Piracicaba, o lateral Cicinho (melhor em campo na vitória do Palmeiras) fez uma bela jogada pela direita e invadiu a área. Mas, ao invés de tentar seguir no lance, resolveu desabar no gramado ao sentir o braço do volante Jean Pablo, do Ituano. O que fez Paulo Cesar de Oliveira? Lógico, apontou a marca da cal.

Os mesmos que hoje cavam pênaltis como verdadeiros atores no futebol brasileiro, sofrem com as arbitragens internacionais em jogos de Libertadores ou quando se transferem para alguma equipe de fora do país. Enquanto não houver uma uniformização de critérios e uma mudança de comportamento por parte de treinadores e atletas, as fajutas interpretações teatrais vão continuar ganhando espaço e mudando resultados.

Jorge Iggor

OS DESAFIOS DE TIRONE

A eleição de Arnaldo Tirone, candidato da oposição, pode significar uma era de paz na política palmeirense. Claro que a oposição seguirá atuante, mas Tirone aparenta ter habilidade suficiente para comandar um clube tão dividido.

O grande problema é dentro de campo. O Palmeiras não dispõe de recursos suficientes para grandes investimentos e o elenco atual está longe de ser competitivo. A cobrança por resultados é enorme e o novo presidente precisará de uma boa equipe para tocar o departamento de futebol. Sem “Pescarmonas” ou outros cartolas incendiários. Profissionalismo é o caminho.

O trabalho inicial é o de arrumar a casa, colocar os salários em dia e tornar o ambiente novamente saudável. Também é importante a valorização das categorias de base, que há muito tempo não revelam bons jogadores. Dia após dia, Tirone terá a difícil missão de recuperar a autoestima do torcedor alviverde. E o caminho é longo…

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