Nos últimos anos, as críticas ao campeonato espanhol têm aparecido na mídia esportiva de vários países, especialmente na Inglaterra e na Itália. É evidente que o campeonato está dominado por dois super-times, que normalmente abusam do resto e que nos últimos anos aumentaram sua vantagem, dado que recebem mais dinheiro dos direitos de televisão e que exploram melhor suas já muito fortes marcas na Espanha e no mundo.

Mas o fato é que o campeonato espanhol permanece competitivo, não apenas quando os dois grandes enfrentam times médios ou menores (vejam as dificuldades do Barcelona este ano jogando longe do Camp Nou), senão também quando a classe média joga na Europa. Peguemos o exemplo deste ano na Europa League: o Athletic acabou de eliminar o todo-poderoso Manchester United depois de vencer ambos jogos com folga, o Valencia derrotou o segundo time da Holanda também com tranquilidade, e o Atlético, numa fase apenas razoável, se classificou para a seguinte fase eliminando tradicional o Besiktas turco.

O fato é que os dois grandes espanhóis não apenas são super-times na Espanha. Barcelona e Real Madrid seriam candidatos firmes ao título em qualquer outro país, e é normal que vençam a maioria de suas partidas no campeonato espanhol. Mas isso não deve ocultar que o resto de times espanhóis mostra que é bem capaz de competir sempre que jogam em Europa, como foi o caso com o Sevilla na década passada, o Atlético e este impressionante Athletic de Bielsa nas temporadas mais recentes, ou o próprio Valencia, que joga com frequência e bons resultados na Europa há mais de uma década.

Com esta fase finalizada, a Espanha conseguiu que cinco times se classifiquem para as quartas de final das competições europeias, sendo os dois grandes na Champions e mais três na Europa League. Nenhum outro campeonato europeu pode falar a mesma coisa. Já está na hora de parar de falar mal do campeonato espanhol, e de entender que os dois grandes seriam muito fortes em qualquer campeonato. É evidente que a questão dos direitos de TV deve ser resolvida, e que isto facilitaria que esses times médios conseguissem competir melhor com os grandes na Espanha. Mas se isso acontecer, não quero nem imaginar quantas equipes espanholas trunfariam na Europa…

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As zebras não param no campeonato espanhol. Desta vez o Barcelona perdeu mais uma vez fora de casa, permitindo que o Real Madrid aumente sua vantagem e fique mais perto do título. Vamos com os destaques:

1) O Barcelona escorrega de novo longe do Camp Nou. A fraca temporada do time de Pep Guardiola como visitante continuou em Pamplona, onde os azulgranas foram derrotados por Osasuna. Depois de muitos jogos em poucos dias (o Barcelona acabou de se classificar para as semifinais da Copa del Rey), Guardiola decidiu dar minutos aos mais jovens, mas o frio e Osasuna fizeram com que a vitória virasse missão impossível. Em um excelente jogo do atacante Lekic, que marcou dois gols, e do volante Raúl García, que esteve espetacular o jogo inteiro, o Barcelona teve muitas dificuldades para impor seu jogo. Está claro que alguns jogadores, como Pique ou Daniel Alves, estão longe de sua melhor forma, e isto tem custado caro ao Barcelona no torneio da consistência. Hoje, o Barcelona venceu com tranquilidade em Leverkusen no seu jogo de Champions. Um pouco de calma para Pep Guardiola, que deixou fora da partida a Xavi (machucado) e Piqué (decisão técnica).

2) O Real Madrid não erra e abre 10 pontos de vantagem. Os merengues recebiam o Levante, time revelação no começo da temporada, mas que agora está passando por uma fase complicada. Os levantinistas marcaram primeiro e jogaram uma ótima partida, mas ficaram com 10 jogadores depois de um pênalti bobo ainda no primeiro tempo, e sofreram uma implacável atuação do CR7, que fez três gols fantásticos. Dado que o Real Madrid até agora apenas perdeu 8 pontos no campeonato, parece complicado que o Barcelona consiga vencer este título. Os madridistas teriam que errar muito nas próximas rodadas, e isso parece pouco provável. A estas alturas de campeonato, a maior virada da história foi do Valencia sobre o Real Madrid em 2004, quando os chés estavam 8 pontos atrás dos merengues. Muito difícil para o Barça…

3) Jonas brilha com o Valencia. A boa temporada do atacante brasileiro na Espanha foi reforçada com mais dois gols este domingo, neste caso contra o Sporting que tristemente tem virado saco de pancadas. Os valencianistas mantém a terceira posição com muito conforto, o que garante uma vaga para a Champions League da temporada que vem. Apesar dos contínuos questionamentos, o técnico Unai Emery consegue tirar muito do elenco atual, mas sabemos que os torcedores de Valencia não são fáceis de satisfazer… E não percam: o Sporting acabou de contratar o ex-selecionador espanhol Javier Clemente, técnico muito controverso que dará o que falar nesta segunda metade da temporada.

4) Mais uma zebra: o Zaragoza vence em Cornella. Com apenas 12 pontos em 20 jogos, o time aragonês era, além de o lanterna do campeonato espanhol, o pior time dos sete principais campeonatos europeus esta temporada. Jogava fora de casa contra o Espanyol, que ocupa a quinta colocação e que vem jogando impressionantemente bem desde novembro. O jogo foi divertido, mas o Espanyol mostrou que o time, muito competente, é porém muito inexperiente também. Os mandantes perderam várias chances claríssimas no primeiro tempo, levaram um gol de bola parada na metade do segundo e não conseguiram superar os nervos de ir atrás no marcador. O Zaragoza recebe um pouco de oxigênio para seguir lutando, mas ainda está muito longe da salvação.

5) Ninguém faz gol no Atleti, mas os rojiblancos perdem muitos… O time de Simeone poderia ter feito cinco gols contra o Racing em Santander. Uma chance após outra, o goleiro Toño ou as traves evitaram o gol, frustrando o torcedor colchonero, que viu como o time perdia uma excelente oportunidade de chegar perto das vagas que dão acesso às competições europeias. Levante, Athletic e Espanyol foram derrotados nesta rodada, mas o Atleti não conseguiu somar três pontos que realmente mereceu pelo jogo mostrado. O colombiano Falcao, muito ativo, perdeu um gol tão feito que dois colegas meus já estavam comemorando quando viram que o atacante tinha errado a um metro do gol. Se Simeone acertar com o ataque, o Atleti dará muito trabalho, já que há seis jogos que ninguém faz gol na equipe do Manzanares.

6) O Athletic paga a ressaca da Copa del Rey. Os leones se classificaram para a final, que jogarão de novo contra o Barcelona, mas a festa de comemoração foi das boas e isso ficou claro na partida contra o Betis em Sevilla. O primeiro tempo foi competido, mas no segundo o Athletic perdeu a energia, ficou metido no próprio campo tentando segurar um pontinho, e terminou levando o gol da derrota no último minuto do jogo. Os bilbaínos podem se orgulhecer da temporada que o time de Bielsa está fazendo, mas ainda dá a impressão de que este elenco pode fazer mais. Se tiverem oportunidade, não percam de vista o garoto De Marcos, um jogador de muito talento ofensivo que finalmente achou seu lugar com Bielsa depois de um começo de temporada conturbado.

7) O Rayo, terceiro time de Madrid. No duelo contra o Getafe, os rayistas venceram com clareza mas com uma mãozinha do juiz também, ultrapassando os getafenses na classificação. O brasileiro Diego Costa, que estava esquecido no banco do Atlético, já mostrou que deve ser uma das melhores contratações da janela de inverno europeu, e com seu segundo gol e uma boa apresentação ajudou ao time de Vallecas a vencer e ficar na parte tranquila da tabela. O Getafe, que estava em uma sequência boa, não deve se preocupar por enquanto. Ambos os times estão fazendo uma temporada bem razoável.

8) O Villarreal acorda. E derrotando o Mallorca em uma excelente partida de Borja Valero, mostra que não tinham esquecido de jogar bola. Um time com tanto talento não pode ficar todo esse tempo na zona de rebaixamento, e parece que o novo técnico José Molina já fez bom progresso e recuperou a vontade de jogar dos amarillos. Os boatos sobre a venda de Nilmar continuam, e se a transação acontecer isso quer dizer que o Villarreal está muito mal financeiramente, dado que não poderiam contratar ninguém para substituir o rápido atacante brasileiro.

9) Pellegrini ganha tempo. O dia depois de o técnico chileno cumprir 50 anos, os jogadores deram um excelente presente para don Manuel, vencendo uma partida com clareza pela primeira vez em quase dois meses. Mais um gol importante do atacante argentino Seba Fernández, que finalmente está mostrando serviço, foi chave no jogo, e o Málaga finalmente se divertiu e curtiu um jogo em La Rosaleda. Agora devemos esperar para ver se os malaguistas atingem a consistência necessária para jogar em Europa na temporada próxima.

10) Míchel volta sem sorte. O ex-jogador do Real Madrid e ex-treinador do Getafe, que acabou de chegar a Sevilla, começou com pé esquerdo esta nova fase como treinador da equipe sevillista. Depois dos resultados ruins desta primeira metade da temporada, o clima está tenso entre os torcedores e o time, e já no primeiro treino Míchel teve que expulsar dois jogadores titulares (o volante chileno Medel e zagueiro Spahic) da sessão por brigarem. Punidos, eles não jogaram este domingo contra a Real Sociedad, o que não ajudou. Depois da derrota em San Sebastián, o Sevilla ficou ainda mais longe da parte nobre da tabela, enquanto a Real Sociedad, que mantém uma performance surpreendente desde o começo da temporada (nunca se sabe quando vai ganhar de cinco ou quando vai levar seis) está já em boa situação para levar a vida com mais calma.

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EdAlvarez

O BARCELONA TROPEÇA EM VILLARREAL

A primeira rodada do segundo turno do campeonato espanhol trouxe várias zebras e bastantes novidades. Vamos com os destaques:

1) O Barcelona tropeça em Villarreal. E já são sete pontos de vantagem para o Real Madrid, que apesar de não conseguir superar o rival nos confrontos diretos, está aproveitando a má temporada do Barcelona fora de casa. Com o empate em Villarreal, já são seis neste campeonato, e uma derrota, uns números fracos para uma equipe tão bem entrosada. A primeira parte dos azulgranas no sábado foi péssima, do pior que lembro desde que Guardiola dirige o Barcelona. Evidentemente as lesões de Iniesta, Villa, Alexis, etc estão tendo um forte impacto na qualidade do jogo, e nem sempre Messi consegue resolver as partidas sozinho. O cansaço acumulado depois de tantos jogos, especialmente contra o Real Madrid, que fisicamente é muito forte, está aparecendo nestas partidas que teoricamente deveriam ser mais tranquilas para os catalães, e nas quais a falta de energia está ficando mais aparente.

2) O Real Madrid não falha em casa. Mais uma vitória, neste caso contra o lanterna Zaragoza com aplausos para Cristiano Ronaldo, que havia sido vaiado no final do ano pela torcida madridista, e que viu seu esforço dos últimos jogos recompensado pelo público. Finalmente CR7 jogou bem contra o Barcelona e mostrou uma enorme capacidade de sacrifício nas partidas contra Mallorca e Zaragoza, fazendo gols em todos os jogos. Estas relações de amor-ódio são normais no Bernabeu, que já vaiou quase todos seus grandes ídolos em momentos específicos das suas carreiras. CR7 passou por um momento difícil, e como o Real Madrid, agora recupera o ânimo depois da derrota na Copa del Rey, aumentando a vantagem sobre o Barcelona e se reconciliando com a arquibancada do Bernabéu. Vale a pena mencionar a Mesut Ozil, que também voltou a sua melhor forma e jogou muita bola no último mês. Quando ele está inspirado, o Real Madrid é uma equipe diferente.

3) O Valencia escorrega. Parecia ter a partida ganha contra o fraco Racing, mas um gol no finalzinho deu o empate aos santanderinos. O jogo foi muito mais duro do que se esperava, com vários lesionados e brigas sem parar durante os 90 minutos. Aduriz, o atacante valencianista que estava contando pouco com a confiança do treinador Unai Emery, marcou dois gols saindo do banco, mas mesmo assim e com a recuperação do argentino Piatti, que finalmente está jogando bola, o Valencia não conseguiu vencer, e segue sem aproveitar as dificuldades do Barcelona longe do Camp Nou. Ambos times vão competir por uma vaga na final da Copa del Rey nas próximas semanas, em jogos que devem muito interessantes.

4) Levante, em queda livre. Já estava claro que o desempenho dos levantinos na primeira metade da temporada seria muito difícil de se repetir na segunda. Um elenco curto e de idade (média de 31 anos) tinha que pagar o preço ao longo da temporada. As lesões apareceram, e com elas o time caiu de produção. Foram eliminados da Copa del Rey pelos vizinhos Valencia, e já acumulam três derrotas e um empate nos últimos quatro jogos. Desta vez perderam do Getafe em casa e sem muita chance, dado que perdiam por 2-0 até o último minuto do jogo, quando marcaram um penalty. A contratação de Oscar Serrano, mais um ‘idoso’ que vem do Racing depois de sérios problemas no joelho, não parece que seja a solução para esta temporada, que começou muito bem, mas será muito longa para o Levante.

5) Pellegrini se livra de problemas. Estava em situação complicada depois de nove jogos sem vencer, mas o Málaga e seu técnico chileno ganharam tempo com a sofrida vitória sobre o Sevilla. Algumas das estrelas do Málaga, que passaram quase dois meses sumidas, apareceram para derrotar o Sevilla e deixar os sevillistas, que ficam na metade inferior da tabela, bem preocupados. Mesmo assim, as expectativas sobre a campanha do Málaga estão longe de serem cumpridas, com tanta despesa em jogadores e contratações que, pelo menos no papel, pareciam excelentes. Jogadores como Cazorla, Isco, Joaquin ou o quase sempre machucado Júlio Baptista devem render muito mais do que uma morna sétima posição.

6) Bielsa e o Athletic finalmente se encontram. Demorou metade da temporada para que os jogadores bilbainos entendessem o que seu treinador queria deles, mas agora parece que o Athletic está a toda potência. Já se classificou para as semifinais da Copa del Rey, nas quais tem apenas o teoricamente fácil Mirandés (que já eliminou três equipes de Primera) no caminho para a final. E depois da vitória do sábado em Vallecas, com três gols do artilheiro Fernando Llorente, a equipe vasca está a só dois pontos da vaga de Champions League que ocupa o Levante. Dado que a equipe é jovem, o final de temporada pode ser muito melhor do que o começo, com maior entrosamento. Será um rival complicado para o finalista da Copa…

7) Prêmio à equipe mais surpreendente: Real Sociedad. Umas semanas atrás e quando parecia que estavam jogando bem, o Mallorca (que não tem atacantes) fez seis gols neles. Tiveram uma fase péssima e de repente marcam cinco gols contra o Sporting, dois nos primeiros três minutos e mais dois nos últimos três. Griezmann, o controverso ala francês, parece ter voltado ao seu melhor nível, enquanto o exigente público de San Sebastián reduziu sua pressão sobre o técnico francês, Philippe Mountanier. Os problemas ficam do lado do Sporting, em posição de rebaixamento e com um elenco jovem que cada vez sente mais a tensão da Primera División.

8) Grande zebra do Granada. Três derrotas consecutivas custaram o emprego ao excelente treinador Fabriciano González, que tinha levado o Granada da 2ª División B (que é a terceira) até a Primera em apenas duas temporadas. Os granadinos contrataram o Abel Resino, goleiro lendário do Atlético de Madrid que até agora teve passagens curtas por vários clubes na sua carreira como treinador. O primeiro jogo do Granada com Abel no banco foi excelente, tanto que os granadinos venceram com facilidade um rival teoricamente mais forte fora de casa. O Betis, que tinha jogado muito bem no Camp Nou e também no derby sevillano, foi surpreendido pela força e agressividade do Granada, que foi muito superior no gramado. Veremos se conseguem manter essa força toda.

9) E que temporada do Espanyol! Neste caso venceu com a ajuda do goleiro do Mallorca, o israelense Aouate, que deu um gol de presente para os periquitos, e do juiz, que devia ter marcado pênalti contra eles perto do fim do jogo. Em qualquer caso, é impressionante o que o treinador argentino Mauricio Pochettino está fazendo com a ‘outra’ equipe de Barcelona, sem atacantes (os três melhores estão machucados) e com muitos jovens inexperientes no elenco. Hoje, os españolistas anunciaram a contratação do artilheiro Kalu Uche, que jogou muitos anos no campeonato espanhol e que estava no Neuchatel suíço. Será uma boa ajuda para a segunda metade do campeonato, para ver se conseguem se manter em posições que dão acesso às competições europeias. Será difícil, com Málaga, Athletic e Atlético chegando perto.

10) E falando do Atlético, o ‘efeito Simeone’ é uma realidade e tanto. Mais uma vitória fora de casa, neste caso no complicado estádio Reyno de Navarra frente ao Osasuna. Não foi uma vitória tão impressionante como o 4-0 em San Sebastián, mas em qualquer caso os rojiblancos seguem com a sequência excelente de resultados desde que Simeone chegou ao clube, e chegam pertinho das vagas para a Europa League, que tão longe pareciam um mês e meio atrás.

Além dos jogos da Copa del Rey na metade desta semana (Valencia vs Barcelona e Athletic vs Mirandés), La Liga terá nova rodada no final de semana que vem, com partidas interessantes entre Atlético e Valencia, Athletic e Espanyol, e Sevilla e Villarreal. Fiquem ligados!

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EdAlvarez

MOURINHO E A IDENTIDADE DO REAL MADRID

Depois de mais de 30 anos assistindo futebol espanhol, e portanto derbies entre Real Madrid e Barcelona, nesta quarta-feira aconteceu um fato sem precedentes: pela primeira vez parei de ver o jogo antes do final. Tradicionalmente, não interessa se eu assistir no estádio ou em casa, sempre fico até o fim do jogo, mesmo nas derrotas mais duras do Real Madrid. Como torcedor, me parece fundamental apoiar o time nos momentos bons e ruins, especialmente contra o máximo rival do Real Madrid.

Neste caso, com o ainda empatado placar de 1-1 e enquanto os barcelonistas reclamavam ao juiz por mais uma ação irresponsável de Pepe, levantei do sofá, desliguei a TV e sai de casa. O motivo da minha fuga não foi o comportamento do brasileiro naturalizado português, mesmo ele sendo insólito e triste mais uma vez. Simplesmente fiquei cansado de assistir o mesmo filme de novo: os onze jogadores do Real Madrid na própria metade do campo, Xavi Hernández distribuindo o jogo com total comodidade a apenas 10 metros da área do Real Madrid, os Madridistas perdendo a bola em menos de 5 segundos, o talento de nossos jogadores desperdiçado por uma tática de time pequeno e acanhado… Já vimos tudo isto muitas vezes nos últimos anos, e também sabemos como acaba: o Barcelona mantém a posse de bola com calma, Xavi encontra uma situação de vantagem, alguém (Iniesta, Alves, Cesc, Messi, etc) dá um excelente último passe e Casillas termina pegando a bola de dentro do seu gol com gesto irritado.

Quem me segue no twitter sabe que desde que Puyol empatou com aquela cabeçada ao começo do segundo tempo, eu já estava esperando o pior. Até o próprio Vitor Sérgio Rodrigues, com quem troquei tweets durante o jogo, se surpreendeu com minha atitude de derrotado quando o jogo ainda estava empatado. Mas o desenlace não podia ser diferente: quando um time joga com convicção e confiança no seu estilo, e outro apenas se defende e torce pelo erro do contrário, a grandíssima maioria das vezes o primeiro terminará vencendo o jogo.

Sei que alguns dirão que Mourinho já derrotou o Barcelona com esta tática, quando treinava o Inter de Milão. Eu devo lembrar que 1) Aquele Barcelona era menos time do que este, que tem mais opções ofensivas e está mais amadurecido e 2) que mesmo naquele jogo de volta em Milão Júlio César evitou dois gols feitos que, de ter entrado apenas um, teria dado a classificação ao Barcelona. Não dá para depender da sorte ou do erro do contrário a este nível de competição, e menos contra uma equipe tão bem aparelhada.

É provável que o fato de o Inter ter vencido naquela partida seja o motivo de que José Mourinho insista até hoje com essa tática. Afinal, funcionou uma vez, né? O problema é que desde aquela ocasião, não funcionou mais. A vitória na Copa del Rey aconteceu com uma abordagem tática mais agressiva, com o time pressionando o Barcelona no campo deles (pelo menos nos primeiros 45 minutos), e com opções ofensivas melhor estruturadas.

Quando, como aconteceu nesta quarta-feira, é Pepe quem se encontra várias vezes na situação de dar o último passe a Benzema ou CR7, algo está completamente errado. Quando Lass Diarra e Casillas são os jogadores mais destacados do time, algo está completamente errado. Quando os atacantes vivem dando piques de 40 metros para defender os laterais da equipe contrária, algo está completamente errado. Quando três jogadores que praticamente não jogaram este ano (Altintop, Carvalho e Coentrão) são titulares em uma partida tão importante, algo está completamente errado. Quando Xabi Alonso vive correndo atrás do adversário e não distribuindo o jogo, algo está completamente errado. E, finalmente, quando está claro que a derrota vai chegar desde o minuto 2 do segundo tempo com o placar empatado, algo está muito errado mesmo.

Muitos defenderão o Jose Mourinho, que com a exceção dos jogos contra o Barcelona tem armado um time que joga alegre, ofensivo, marca muitos gols e lidera o campeonato com cinco pontos de vantagem sobre o arqui-rival. O mérito do português é inquestionável. Os Madridistas estão fazendo uma temporada muito consistente, e são ‘apenas’ os confrontos diretos contra o Barça os que estão manchando o desempenho da equipe.

Mas vocês entenderão também que esse ‘apenas’ não é aceitável. Em primeiro lugar, qualquer torcedor de time grande aspira ao mundo perfeito: ganhar Liga, Copa, competições internacionais e, obviamente, derrotar seus maiores rivais no caminho se possível. Essa é a felicidade completa. Quando as derrotas contra os rivais se acumulam desta forma, os troféus são mais um consolo do que uma alegria. E segundo, estas derrotas não estão acontecendo de uma forma fácil de aceitar, com jogos ‘pegados’, igualados, sofridos nos que qualquer um pode vencer. O Barcelona mostra hoje uma sensação de superioridade tão grande que nem começando com o placar em contra nos últimos dois jogos os catalães pareciam preocupados no gramado. Sabiam que a virada era questão de tempo.

O mais surpreendente de tudo, especialmente no campeonato de Liga, é que o Barcelona está jogando muito aquém do seu nível fora de casa. Até agora, o time de Guardiola apenas ganhou dois jogos (pelo curto placar de 1-0 contra Sporting e Granada, e com dificuldades), empatou quatro (contra Espanyol, Real Sociedad, Athletic e Valencia) e perdeu do Getafe. Evidentemente a motivação do time contra estes rivais é menor, mas não é estranho que os catalães sofram para vencer em quase todos os estádios com exceção do Bernabéu? Na rodada anterior, o Betis jogou valentemente no Camp Nou, ousou atacar o Barça, empatou uma partida que perdia 2-0 e só foi derrotado depois de ficar com 10 jogadores.

Sendo como é uma equipe extraordinária, há formas de derrotar este Barcelona, como sempre houve formas de derrotar os melhores times de cada época. O que ficou claro é que a conservadora fórmula de Mourinho não funciona, e que esta fórmula não apenas garante a derrota, senão que também acaba com a identidade do Real Madrid, que nunca foi time de se defender em seu próprio estádio ou ficar dependendo dos acertos ou erros do rival.

Parece que Mourinho não entendeu bem a cultura do clube, e que ele pensa que ganhar de qualquer forma vale. Bom, não só não vale (o estilo sempre foi fundamental para o torcedor Madridista) senão que já não estamos nem ganhando…

EdAlvarez

O BARCELONA, REI DO MUNDO

Algumas notas sobre a final do Mundial de clubes jogada hoje de manhã:

1) O Barcelona está em outro patamar na Espanha, na Europa e no mundo. É lógico que os azulgranas perdem partidas e não vencem todos os títulos, até porque são humanos e nem sempre conseguem jogar ao seu máximo nível. Mas o estilo de jogo, inimitável por outras equipes, e a incrível motivação do elenco completo, mérito do treinador Josep Guardiola, fazem com que o Barcelona seja hoje o melhor time do mundo e claramente um dos melhores da história.

2) O Santos não deve se sentir humilhado pela derrota, porém o desempenho da equipe deixou muito a desejar. Depois de tanto tempo preparando o jogo, mais pareceu que o Santos não tivesse visto o Barcelona jogar nunca. Já repeti muitas vezes neste espaço que a forma de jogar contra o Barcelona, e também contra Espanha, deve estar baseada numa abordagem muito física, pressionando muito em cima dos jogadores de meio campo do Barcelona e, por que não, fazendo faltas para dificultar a circulação da bola que o Barcelona faz tão bem. Por isso o Real Madrid perdeu o derby da semana passada depois de 35 minutos de jogo. Cansou e ai o Barcelona começou tocar a bola a vontade. Porém, o Santos não deu um segundo de dificuldade ou pressão física ao Barcelona, ficou atrás esperando e deixou que os azulgrana construíssem o jogo desde a própria zaga. A jogada do segundo gol chegou depois de quase dois minutos e meio do Barcelona tocando, se mexendo, procurando espaços e finalmente achando uma brecha na zaga do Santos, como quase sempre pelo lado do Leo e Durval. Assim é derrota na certa. Os centro-campistas do Barcelona, muito talentosos, são fisicamente fracos, e sofrem com o castigo. As poucas partidas que eles perderam nestas últimas temporadas foram contra times duros, físicos e intimidadores. O Santos não fez nada para desgastar os barcelonistas, e a responsabilidade é toda do Muricy. A escalação do mal humorado treinador também não ajudou, com muita preocupação pela zaga e pouca pelo meio campo, onde o Barcelona jogou com todo o espaço do mundo.

3) É muito cedo para julgar os principais jogadores do Santos. Sei que nesta fase de twitter, internet e notícias 24*7 as pessoas gostam de fazer ícones e derrubar ídolos num jogo só, mas lembremos que Neymar, Ganso e o resto ainda estão no começo de suas carreiras e tem muito para aprender e crescer. Para ter sucesso de forma contínua a este nível no futebol atual, as equipes devem ter uma grande maturidade (jogar muitas partidas na máxima pressão para aprender, como tem acontecido com Messi e o Barcelona) e uma estrutura constante e estável de equipe (a equipe do Santos está num nível muitíssimo inferior ao Barcelona, e assim é difícil brilhar; da mesma forma, Messi joga muito no Barcelona e quase nada na Argentina). O Santos chegou a esta final devendo nas duas questões, portanto, mesmo com uma tática mais acertada do que a do Muricy hoje, era muito difícil que ganhasse.

4) Guardiola impressiona mais cada temporada. Parece que todo ano ele inventa um novo desafio para a equipe, que responde sem hesitar. Este ano ele decidiu jogar com uma zaga de três e Daniel Alves como ponta direita. Está dando um resultado incrível. Isto se une ao fato de ele não jogar com um centro-avante, mudança que ele implantou depois da saída do Ibrahimovic duas temporadas atrás, e que também funcionou perfeitamente e segue funcionando até hoje. Quando Fábregas chegou em agosto, muitos perguntavam se ele jogaria, dado que Xavi, Iniesta, Thiago, Alexis, Villa, Pedro, etc. pareciam muitos jogadores para poucas posições. Hoje, Guardiola colocou Thiago, Xavi, Iniesta e Fábregas como titulares, e jogaram fantasticamente bem. As lesões sempre vão dar espaço ao banco em temporadas tão longas, e estava claro que um jogador como Cesc se integraria rápido ao time. Hoje, o Barcelona de Guardiola possui um repertório tático impressionante, difícil de ser igualado por outros times do mesmo nível.

5) Acaba a controvérsia sobre o campeonato espanhol (espero). Está claro que na Espanha, Barcelona está muitos degraus acima dos concorrentes, e o Real Madrid atrás. Ambos têm muita vantagem sobre o resto, mas isso não quer dizer que os restantes times do campeonato sejam fracos. O fato é que o Barcelona é hoje um supertime, como tem demonstrado vencendo os rivais mais complicados na Champions League e duas Copas do Mundo de Clubes nos últimos três anos. Não há time que consiga competir com ele de forma freqüente no mundo, mas isso não deve falar mal do campeonato espanhol. E lembrem, este ano este mesmo Barcelona perdeu do Getafe e não conseguiu fazer nem um gol…

Um ponto adicional: entendo que nestes Mundiais aconteceram algumas zebras nesta década, que poderiam dar esperanças aos santistas antes do jogo. Lembremos da vitória do São Paulo contra o Liverpool, num jogo que poderia ter terminado 4-1 a favor dos ingleses, ou do Internacional do Gabiru frente ao mesmo Barcelona. Mas essas surpresas, que fazem o futebol fascinante, devem ser cada vez menos freqüente: os times europeus, que dão mais valor a este título do que em décadas anteriores, se preparam melhor e levaram as últimas cinco edições do torneio. E só para lembrar, aquele Barcelona de Frank Rijkaard era um time muito, mas muito menos dominante que este de Guardiola.

Apenas falta felicitar o Barcelona, que mereceu o título, e esperar que o torcedor impaciente dê tempo a Neymar e companhia, que ainda podem trazer muitas alegrias ao torcedor santista e brasileiro.

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EdAlvarez

GUARDIOLA E O BARCELONA AINDA SÃO SUPERIORES

Muitos de nós acreditávamos que, depois de várias temporadas de domínio total do Barcelona nos confrontos diretos contra o Real Madrid no campeonato de Liga, finalmente o time madridista tinha a chance de derrotar o rival catalão. Estávamos equivocados.

Mesmo saindo na frente com um gol apenas depois de 25 segundos de jogo, o Real Madrid não soube vencer do Barcelona, e o que é pior para os merengues, deu uma imagem de time sem moral, sem força mental quando joga contra os barcelonistas.

E isso que como mencionava, o time de Madrid começou bem, com um gol rápido depois de um erro grave do goleiro Vitor Valdés, que deu a bola de presente para Di Maria. O francês Benzema marcou na jogada subseqüente, e o Barcelona ficou groggy durante os primeiros minutos do jogo. A pressão madridista, bem treinada, não deixava que o Barcelona entrasse na sua rotina de posse de bola e ataques longos e bem desenhados. O Real Madrid manteve a boa colocação no gramado, e até teve uma chance perfeita para fazer 2-0, numa excelente jogada de ataque que terminou com um passe adocicado de Benzema para Cristiano Ronaldo. O português chutou péssimo quando o mais fácil era fazer gol, num adiantamento do que viria no resto do jogo: Cristiano tomou todas as decisões erradas ontem, e pareceu superado pela importância da partida e especialmente pelos seus erros contínuos na seleção e execução das jogadas.

O Barcelona seguia sem se encontrar no gramado, mas ai é quando os craques fazem a diferença. Minutos depois de quase marcar numa jogada pessoal que Casillas defendeu de forma milagrosa, Messi tomou a bola na metade do campo, driblou dois e tocou para Alexis, que chutou forte e empatou o jogo para o Barcelona.

O Real Madrid ficou impactado pelo gol blaugrana, e as coisas ficaram ainda piores quando Guardiola fez um par de ajustes que mudariam a cara do jogo. Adiantou o Daniel Alves para que jogasse quase como ponta direita, colocou o Puyol na lateral direita e trouxe o Busquets, que estava como volante, para jogar como zagueiro. A saída de bola do Barcelona melhorou, Marcelo começou a ficar preocupado por Alves nas suas costas, e o Real Madrid apareceu perdido e sem reação.

No início da segunda metade a mudança de papéis já era evidente. Xavi e Iniesta tocavam a vontade, criavam espaços e encurralavam o Real Madrid, que já não pressionava mais no campo do Barcelona. Os onze madridistas esperavam na própria metade do campo, aguardando um contra-ataque e correndo atrás da bola enquanto o Barcelona procurava espaços para fazer o segundo. Mais parecia que o Barcelona estivesse jogando no Camp Nou. Finalmente, e com um pouco de sorte, a chance apareceu. Numa boa combinação do ataque catalão, a zaga madridista se livrou da bola de qualquer jeito e Xavi, que estava esperando na entrada da grande área, chutou sem deixar cair. A bola bateu no Marcelo e tirou completamente o Casillas da jogada.

O Real Madrid tentou voltar para o jogo, com a substituição do sumido Ozil por Kaká. O brasileiro entrou com vontade, mas o Real Madrid já estava perdendo a colocação, e em mais um ataque pelo lado direito, o Daniel Alves cruzou com muito espaço e muito tempo para caprichar, e o Cesc Fábregas, que não estava fazendo um grande jogo, ganhou as costas do português Coentrão e fez o terceiro gol.

O que estava fazendo o canhoto Coentrão como lateral direito eu não sei. Sei que Arbeloa não estava 100%, mas estava no banco. Também sei que Lass Diarra joga bem na lateral direita. Sei que Sergio Ramos sabe também jogar muito bem nessa demarcação. Também sei que Coentrão jogou nessa posição final de semana passado, mas o rival era o Sporting, não o Barcelona.

E acreditem, a jogada do terceiro gol não foi o pior momento de Coentrão no jogo. Pelo fato de estar posicionado no lateral contrário ao que ele acostuma, o português teve muitas dificuldades para se entender com Di Maria (dois canhotos jogando na direita), e nessa parte direita do time madridista começaram várias jogadas de perigo do Barcelona na primeira parte.

Mas isso não deve esconder um mal desempenho de vários jogadores madridistas, aos quais o jogo ‘les vino grande’ como se fala na Espanha. O jogo pareceu grande demais para Cristiano Ronaldo, que como comentado não fez nada bem, e ainda errou mais uma chance claríssima de cabeça que poderia ter empatado o jogo quando o Barcelona ainda liderava 2-1. Pepe mostra em cada jogo de alta pressão que pode ser expulso em qualquer momento, dado que não mede os carrinhos, as reclamações e as provocações ao adversário. Até Sergio Ramos, que estava fazendo uma temporada fantástica como zagueiro, apareceu nervoso, errou passes fáceis, perdeu bolas inocentes e deu uma impressão de baixo controle emocional.

Depois do terceiro gol, o jogo parecia decidido, apesar de que ainda faltavam 25 minutos. Nesse momento o Barcelona perdeu um pouco a disciplina, e o Real Madrid teve alguma chance de marcar, especialmente graças ao Kaká, Benzema e Higuaín, que combinaram bem em várias oportunidades. Mas o Barcelona também teve chances de fazer algum gol a mais em contra ataques que seguiam encontrado Daniel Alves e Iniesta com muito espaço.

Como comenta Vitor Sérgio Rodrigues no blog, foi uma vitória de Pep Guardiola. Além do plano tático que desestruturou a abordagem de Mourinho, Guardiola está também mostrando que é um excelente motivador, e com suas mudanças de titulares e de posicionamentos, fez com que seu elenco mantivesse o nível alto das últimas temporadas. Agora o problema fica do lado do Real Madrid e do José Mourinho, que tenta e tenta, mas não consegue achar a forma de resolver o quebra-cabeças azulgrana.

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EdAlvarez

O REAL MADRID CHEGA AO DERBY COM VANTAGEM

Bom, estamos quase lá. Depois de muito esperar, o mês de dezembro chegou e com ele o primeiro derby deste campeonato e a final do Campeonato Mundial de Clubes. Um mês duro para o Barcelona, que coloca na mesa o enorme prestígio acumulado desde que Pep Guardiola tomou as rédeas do time catalão. Vamos com os destaques da rodada deste passado final de semana:

1) O Barcelona relaxa pensando no derby e em Japão. Os catalães jogaram duas partidas no Camp Nou na semana passada, uma delas adiantada pela viagem a Tóquio. Duas vitórias, nove gols feitos, nenhum recebido. E devemos mencionar que os barcelonistas jogaram contra dois times de pouco nome, mas de bom desempenho neste campeonato, como são o Levante (que segue em vaga que daria acesso à Champions League do ano que vem) e o Rayo Vallecano (que já deu várias surpresas fora do próprio estádio). O time parece estar recuperando a boa forma, mas lembremos que neste campeonato não teve problema algum jogando em casa, senão fora. A máquina de fazer gols no Camp Nou (39 feitos, nenhum recebido), vira um time médio longe de Barcelona (8 gols a favor e 7 contra, e já com três empates e uma derrota). Os desafios do mês de dezembro acontecerão longe da Cidade dos Condes, como se conhece a Barcelona na Espanha, portanto serão testes de máxima dificuldade para o time de Guardiola. Como pontos de preocupação adicionais, teremos a baixa forma de David Villa, que nem jogou no dia do aniversário dele (domingo passado) e a temporada fraca do Piqué, que por lesões e namoradas estreladas parece pouco focado no jogo. Guardiola tem recursos suficientes no banco para resolver ambas partidas (derby e Mundial de clubes), mas está claro que o time, mesmo jogando muito, não está na forma de temporadas anteriores.

2) O Real Madrid segue imparável. Chega ao derby com mais uma vitória fora de casa, neste caso contra o Sporting de Gijon, com Di Maria e Cristiano Ronado jogando de forma excelente, com uma zaga muito bem organizada e com o elenco inteiro num estado físico impressionante. Desde que o Guardiola chegou ao Barcelona e começou uma sequencia incrível de vitórias sobre o Real Madrid, nunca se viu o time madridista tão bem preparado para enfrentar o Barcelona. Porém, como no Barcelona, nem tudo é perfeito. O jogador mais criativo dos merengues, o alemão Ozil, não está na sua melhor forma, e é uma peça fundamental no desenvolvimento do jogo ofensivo do time de Mourinho. Madridistas e barcelonistas jogarão uma partida de Champions League na metade da semana, mas sem muita importância, dado que ambos estão classificados para a fase de mata-mata como primeiros de grupo.

3) O Valencia não perde o ritmo. O líder da segunda liga (aquela sem Barcelona e Real Madrid) continua vencendo suas partidas, embora neste caso os ches tiveram bastantes dificuldades contra o Espanyol. O treinador Unai Emery reservou alguns jogadores para o jogo de hoje contra o Chelsea, definitivo se os valencianistas querem passar de fase na Champions League. Mesmo assim, teve que ser Roberto Soldado, o melhor artilheiro espanhol em 2011, quem decidiu o jogo para o Valencia saindo do banco a falta de 5 minutos para o final.

4) O Sevilla aburre, mas vence. Já falamos da torcida sevillista, que ficou mal acostumada durante anos de excelente futebol e times feitos com pouco dinheiro que jogavam muito bem e até ganhavam títulos. Agora que o elenco está longe de jogar um futebol divertido, os sevillistas ficam bravos com o time, mas o treinador Marcelino já está na quinta colocação e com uma zaga bem mais sólida do que era no ano passado. Os sevillistas passaram por cima do Getafe, que depois de derrotar o Barcelona no final de semana retrasado, tirou umas férias e jogou muito pouco.

5) O Villarreal segue em queda livre. Falando em times que já jogaram melhor, o Villarreal está bem pior do que o Sevilla. Os amarillos conseguiram perder do lanterna Racing, um time sem treinador (Hector Cúper pediu demissão na sexta-feira), sem presidente (Ali Syed está desaparecido) e quase quase sem elenco. É chocante ver o Villarreal jogando tão pouco, apesar de ter vendido o Cazorla e das lesões de Rossi e Nilmar. O time amarillo ainda tem talento para voltar para a parte nobre da tabela, mas precisará mudar muito. O emprego do técnico Garrido está em perigo. Enquanto isso, o Racing se deu um domingo feliz e comemorou os 285 jogos de Pedro Munitis com o clube, recorde histórico no time de Santander.

6) A Real Sociedad salva o seu técnico mais uma vez. Depois daquele gol incrível de Iñigo Martínez desde meio campo no último minuto do jogo no final de semana passado, a Real Sociedad venceu de novo no finalzinho da partida do domingo, neste caso de virada contra o Málaga. Com 2-1 para o Málaga, o colombiano Rondón perdeu um gol incrível que teria matado o jogo, e ai o time de San Sebastián virou o jogo com gols do mexicano Vela (uma bicicleta espetacular) e Ifran, este último já no desconto. Impressionante de novo a reação realista, e o técnico francês Mountanier dorme um pouco mais tranquilo depois de duas vitórias consecutivas. O Málaga mostra que ainda não sabe como gerenciar um resultado positivo, e jogou no lixo uma excelente primeira hora de partida. Alguns pontos para que o chileno Pellegrini trabalhe duro.

7) O Granada não é tão fraco. Sobre tudo quando o comparamos com o Zaragoza, que está em uma das suas piores campanhas na Primera División. Os granadinos conquistaram mais três pontos com um gol de Ighalo, e aos poucos vão somando e saindo da zona de rebaixamento. Mesmo assim, precisam melhorar na frente do gol: até agora fizeram seis tantos em 13 jogos, algo que normalmente lhes deixaria na posição de lanterna. Atenção ao português Martins, que está jogando muito no Granada e já é seguido por várias equipes maiores. O Zaragoza precisa reagir e contratar no mercado de inverno, porque caso contrário terão problemas no final da temporada.

8) O Atleti acorda para vida? Talvez seja cedo para falar nesses termos, mas depois do comportamento corajoso no derby madrileño, o Atlético fez mais um jogo razoável contra o Rayo e ganhou confiança para seu técnico Manzano. O colombiano Falcao, que tinha começado bem a temporada, marcou de novo depois de 10 rodadas sem chegar perto do gol contrário. O Rayo entra em posições complicadas depois de três derrotas consecutivas, mas o time joga bem e não deveria ter problemas no final de temporada.

9) Pepe Mel mantém o emprego… depois de perder de novo! Parecia que uma nova derrota faria com que o treinador do Betis tivesse que fazer as malas, mas o presidente bético deu mais um voto de confiança, especialmente pelo bom jogo do time no segundo tempo da partida contra Osasuna, que infelizmente terminaram perdendo com um golaço espetacular do iraniano Nekounam no desconto. É o segundo jogo consecutivo que os béticos perdem no desconto, e realmente mereceriam algum ponto a mais, mas o fato é que Mel apenas ganhou um dos últimos 30 disputados, e que precisa mostrar resultados no próximo jogo. O próprio treinador de Osasuna, Mendilíbar, reconheceu que tinham levado um baile do Betis e que venceram com muita fortuna, mas isso deve ser pouco consolo para os seguidores verdiblancos. Na próxima rodada, o Betis recebe o temível Valencia, um excelente visitante, portanto o futuro parece bem escuro para Mel e o Betis.

10) Esta semana, Champions apenas para o Valencia.  Real Madrid, Barcelona e Villarreal jogam, mas com certeza sem colocar muito interesse nos jogos, dado que o destino dos três já está decidido. Quem precisa de um resultado é o Valencia, que tem um enorme desafio contra o Chelsea em Londres. Vamos torcer pelos chés e por um resultado que os leve para a próxima fase. Estão fazendo uma excelente temporada e eles merecem.

Lembrem, no próximo sábado o super-mega derby planetário no Santiago Bernabéu a partir das 19h horário brasileiro de verão!

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ESPANHA PEGA GRUPO DIFÍCIL NA EURO 2012

Nesta sexta-feira foram definidos em Kiev os quatro grupos da fase final da Eurocopa 2012, a ser disputada em Polônia e Ucrânia em Junho e Julho do ano que vem. O sorteio poderia ter sido melhor para a seleção espanhola, que terá que mostrar seu melhor futebol contra três seleções no mínimo complicadas para passar à próxima fase.

Espanha jogará suas três partidas na mesma cidade, Gdansk (Polônia). O primeiro rival será a Itália, uma equipe em processo de renovação mas que já ganhou quatro Copas do Mundo e que sempre foi um rival dificílimo para Espanha. De fato, a seleção espanhola derrotou a Itália na Eurocopa de 2008 nos pênaltis, depois de 88 anos sem ter conseguido vencê-la num jogo oficial. Recentemente, ambas seleções jogaram um amistoso em que a Itália venceu por 1-0, embora como já comentamos neste blog o desempenho da seleção espanhola nos amistosos depois da Copa de 2010 tem sido muito abaixo do esperado.

Depois do primeiro jogo, que é sempre complicado e mais ainda contra a uma potência tradicional como a Itália, virá a Croácia, um desses times imprevisíveis que são capazes de perder um jogo contra um rival fraco e depois surpreender um favorito. Os croatas derrotaram a normalmente complicada Turquia com muita facilidade na repescagem, depois de ficar segundos no grupo, e sempre têm três o quatro jogadores com excelente talento e que podem mudar um jogo em poucos minutos. Além disso, a zaga parece bem mais competente do habitual, portanto mais um jogo complicado para a seleção espanhola.

Finalmente, o destino reservou a Irlanda como último rival do grupo. Os irlandeses, normalmente muito dedicados no gramado mas pouco talentosos, construíram um time mais do que decente para esta Eurocopa, para a que também se classificaram no playoff de repescagem depois de ficar segundos do seu grupo. O grande nome da seleção irlandesa é hoje o treinador, a lenda italiana Giovanni Trapattoni (ou Trap, como é conhecido no mundo do futebol), que apesar de sua avançada idade (73 anos) continua a mostrar que sabe montar um time consistente.

Assumindo que a Espanha passa de fase, deveria jogar contra o primeiro ou o segundo do grupo da Inglaterra e a França, seleções com muito nome, mas que hoje estão um nível abaixo do que tradicionalmente foram. Lembremos que a França já eliminou a Espanha na Copa de 2006, imediatamente antes de eliminar o Brasil, e que a Inglaterra também deixou a Espanha fora da Eurocopa de 2000, num jogo decidido nos pênaltis, além de ter vencido no amistoso que ambas as equipes disputaram um mês atrás em Wembley sob a direção do Fábio Capello.

Evidentemente, se a Espanha jogar no seu nível, deveria passar da primeira fase. Porém, a equipe e especialmente o treinador ainda tem algumas dúvidas, especialmente na posição de centroavante, e precisarão do máximo foco se não quiserem ser surpresos por um grupo um pouco mais difícil do esperado.

Olhando para o resto de grupos, chama a atenção a coincidência de Alemanha, Holanda, Portugal e Dinamarca brigando por duas vagas. Especialmente os alemães e os holandeses são duas das seleções mais em forma no mundo atualmente, e deverão lutar com Portugal para passar de fase. Já comentamos o grupo da Inglaterra e a França, que com a Ucrânia e a Suécia tem uma dificuldade menor, e resta o quarto grupo, o mais fácil, com seleções menores como Polônia, Grécia (que desde aquela surpreendente vitória em Portugal 2004 não tem jogado nada), e Rúsia e a República Tcheca (ambas bem longe do que já representaram no futebol europeu).

Como sempre, continuaremos acompanhando La Furia de perto, e é bem provável que, como na Copa de 2010, eu passe algumas semanas na Polônia contando tudo o que acontecer para vocês. Fiquem ligados.

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O REAL MADRID ABRE SEIS PONTOS DE VANTAGEM

O final de semana mostrou o impacto que os jogos da Champions League na terça e quarta feira passadas tiveram nos principais times da Europa. Cansados ou relaxados, Manchester United e City, Arsenal e Bayern não conseguiram vencer nos seus jogos do final de semana, e o mesmo aconteceu com Barcelona e Villarreal na Espanha, enquanto o Valencia conseguia ganhar com dificuldades em Vallecas, e o Real Madrid, que jogou com o time B, derrotava mais uma vez o Atlético. E até teve gol da metade do campo! Vamos com os destaques:

1. O freguês Colchonero não deixa de ser freguês. Com a vitória de 4-1 no sábado, o Atlético já jogou 22 vezes consecutivas contra o Real Madrid sem vencer. Neste caso a derrota foi ainda mais dolorosa do normal, porque o Atlético começou de forma excelente a partida e encheu seu torcedores de esperança. Com um bom controle do jogo e o jovem Adrián jogando bem, o Real Madrid parecia lento e sem ideias. O Atlético marcou primeiro, mas quase imediatamente os Rojiblancos deixaram o Real tocar a bola com calma e Di Maria deixou o Benzema na cara do goleiro Courtois, que o derrubou e foi expulso. CR7 convirtiu o pênalti e o Atlético desabou completamente, sobre tudo depois do gol do Di Maria no começo do segundo tempo. O argentino fez uma partida incrível, se esquecemos a tendência que ele tem de exagerar faltas e fingir lesões. A partida teve muito carrinho duro e bastantes cartões, e de certa forma recuperou o ambiente dos dérbis entres estes dois clubes. Porém, terminou com o mesmo resultado que quase sempre…

2. O Barcelona escorrega em Getafe. Um dos piores times na Primera este ano – estava na 15a posição antes deste jogo – foi o primeiro a derrotar o Barça neste campeonato de liga. A enorme surpresa chegou com um gol do ex-colchonero Valera, que com uma cabeçada deu a vitória ao time de Madrid. O Barcelona teve chances, especialmente no final do jogo, quando Lionel Messi mandou uma bola na trave, mas mostrou um jogo plano e sem velocidade que está se convertendo em um costume quando os catalães jogam longe do Camp Nou. O Barcelona já empatou três vezes e perdeu outra jogando fora de casa nesta temporada, o que claramente é um desempenho fraco para o time de Pep Guardiola. O Real Madrid abre seis pontos de vantagem quando apenas faltam duas semanas para o superderby no Bernabeu… Andrés Iniesta e Cesc Fábregas, que estavam machucados, voltarão à equipe no próximo final de semana.

3. Valencia, a um ponto do Barcelona. O terceiro do campeonato manteve a excelente forma fora de casa, vencendo em Vallecas. O brasileiro Jonas continua mostrando que é a maior barganha das últimas temporadas, e depois de um jogaço no meio da semana contra o Genk, fez o primeiro gol do Valencia em Vallecas, desequilibrando um jogo que estava bastante travado. O Rayo lutou até o final e teve chances de empatar o jogo, mas o Valencia segurou os vallecanos e fica bem pertinho do Barcelona, embora o foco imediato dos valencianistas seja se classificar para a próxima fase da Champions League, o que não é fácil…

4. O Levante volta a respirar. Depois de três derrotas seguidas, o que os levantinistas necessitavam era um jogo fácil em casa. Chegou o Sporting, o Levante fez quatro e a calma voltou a Valencia. O canhoto Barkero segue jogando muita bola, e o atacante Kone mantém um ótimo aproveitamento na cara do gol. Os problemas do Levante devem chegar na segunda metade da temporada, quando o cansaço e as lesões apareçam, e o curto elenco sofra para manter o bom desempenho. Porém, nos próximos dois meses a equipe pode seguir lá em cima sonhando com os grandes.

5. Mais uma surpresa: o Athletic quebra a sequência de sucessos. Depois de onze jogos sem perder e os bilbainos decidiram acabar com a boa fase precisamente contra o Granada, penúltimo na tabela, que fez uma excelente partida em San Mamés e mostrou que talvez não sejam tão fracos quanto pareciam. Lembrem que os granadinos têm um jogo a menos depois da suspensão da partida do final de semana passado, que venciam frente ao Mallorca. O Athletic jogou nervoso, agitado e sem paciência, enquanto o Granada entendeu o que devia fazer e executou o plano com perfeição. Bielsa, agora com respeito da maioria dos bilbainos, deve recuperar rápido o time, que estava crescendo muito, especialmente Iker Muniain, que estava mostrando uma enorme maturidade, mas que fez uma partida muito fraca.

6. Dois treinadores evitam a degola, e um gol da metade do campo decide um jogo. Pepe Mel (Betis) e Philippe Mountanier (Real Sociedad) jogavam com suas respectivas equipes para tentar se livrar da demissão. Ambas as equipes começaram bem o campeonato, mas entraram em seqüências horrorosas e caíram muito na tabela. A primeira metade do jogo foi tediosa, mas na segunda a Real Sociedad fez dois gols rapidamente com o que parecia que Mel, treinador do Betis, perderia o emprego. O treinador madrilenho decidiu arriscar, ficou com apenas três atrás e seu time empatou a falta de cinco minutos do fim do jogo. Após algumas chances de vencer para o Betis, o zagueiro da Real Sociedad Iñigo Martinez chutou desde sua própria metade do campo no último minuto do jogo, dando a vitória para sua equipe. E lembrem que é o segundo gol desde mais de 50 metros que Martínez faz nesta temporada. Assim, o treinador da Real driblou a demissão, e a reação do Betis na segunda parte deu uma última oportunidade para Mel, que estará no banco contra Osasuna, no que pode ser seu último jogo como treinador do Betis…

7. O Málaga cresce com Isco. O jovem ex-jogador do Valencia agora no Málaga havia impressionado no verão com a seleção espanhola sub-21. Agora parece que pegou o ritmo em La Liga, e com dois gols em jogos consecutivos levou o Málaga a três pontos de uma vaga na Champions League, apesar de que a equipe de Pellegrini segue sem jogar como se esperava deles. Nesta segunda-feira, os malaguistas derrotaram o ex-time de Pellegrini, o Villarreal, por 2-1. Os amarillos acabam de ser eliminados da Champions League, o que deve até ser bom para eles, que estão fazendo uma temporada péssima em La Liga e precisam de foco e de descanso para melhorar em seu desempenho.

8. Negredo acorda o Sevilla e afunda o Zaragoza. O atacante espanhol marcou na visita do Sevilla a La Romareda, decidindo uma partida tediosa e com pouco futebol, com a exceção dos primeiros 25 minutos do Sevilla, que foram razoáveis. Negredo marcou um pênalti que ele mesmo tinha sofrido, e como no caso do Málaga, mantém o Sevilla nas posições boas da tabela com escasso jogo e poucos gols… O Zaragoza cheira a Segunda División, com poucas ideias ofensivas e ainda menos sorte, que as vezes faz falta.

9. Em outra partida entre candidatos ao rebaixamento, o Mallorca vence. O treinador Joaquín Caparrós conquistou sua primeira vitória com o Mallorca derrotando ao fraquíssimo Racing de Santander, que está com muita pinta de terminar a temporada na Segunda División. É bem provável que depois desta rodada o argentino Hector Cúper perca o emprego como treinador do Racing, embora o clube de Santander está tão bagunçado do ponto de vista administrativo que não se sabe quem deveria demitir tomar essa decisão.

10. Osasuna surpreende o Espanyol em Barcelona. Os rojillos apertaram desde o começo do jogo, fazendo com que os periquitos, normalmente muito competitivos em casa, ficassem desnorteados e errassem mais passes do normal. Mesmo com a derrota, prestem atenção ao eslovaco do Espanyol Weiss, que é um jogador desses que valem o preço do ingresso. Um detalhe: o jovem jogador de Osasuna Satrústegui bateu um recorde negativo sendo expulso nos seus dois primeiros jogos na Primera División.

Teremos mais uma rodada de liga antes do dérbi do dia 10 de dezembro. Tudo pronto para o jogo mais esperado do campeonato espanhol!

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NEYMAR, NOVO GAROTO PROPAGANDA DO SANTANDER

Depois de intensas negociações, finalmente a peça que faltava no quebracabeças apareceu. O Banco Santander e Neymar assinarão hoje às 13 horas em São Paulo um acordo de patrocínio por três anos, exatamente o período de tempo que o jogador do Santos deve, pelo menos em princípio, ficar no Brasil.

Como vocês já sabem, o jogador decidiu adiar sua viagem a Europa, e pediu que o Santos fizesse uma proposta financeiramente competitiva com as que estava recebendo da Espanha, depois de uma longa briga entre Real Madrid e Barcelona por conquistar os serviços do jogador. Para poder viabilizar esta proposta, o Santos assinou alguns acordos de patrocínio com empresas de vários setores, mas ainda faltava um parceiro no setor financeiro.

Pelas notícias que foram publicadas nas últimas semanas, o Banco do Brasil parecia estar na frente para fechar o acordo com o jogador, mas finalmente foi o Santander quem levou a melhor na negociação. Isto mostra a enorme importância do país para a instituição financeira espanhola, que vem investindo no Brasil de forma pesada há dez anos. Um dos pontos mais legais do contrato é que parte da compensação econômica do Santander a Neymar será investida em projetos sociais, por decisão do próprio jogador.

Se vocês tiverem interesse, vocês podem assistir à assinatura do acordo ao vivo na fan page do Santander Brasil no facebook a partir das 13h, clicando aqui.

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