5 de abril de 2012
(FALTA DE) EDUCAÇÃO
Não vou falar do resultado da desastrosa partida do Flamengo contra o Emelec. O assunto já está batido e rebatido. Mas comentemos as consequências do jogo, no Equador. Depois do terrível desdobramento em seu grupo na Libertadores, o time rubro negro já esperava um sentimento, no mínimo, de revolta por parte da torcida. Temendo uma recepção hostil, a delegação driblou os integrantes de facções (mal) organizadas e saiu pelo terminal de embarque do aeroporto do Rio.
É claro que não defendo qualquer tipo de vandalismo ou cobrança mal educada por parte de vândalos que se auto-denominam torcedores apaixonados. Sou o primeiro a criticar desde a corneta desnecessária ao mais puro ato de violência. Mas o torcedor também tem direito de cobrar de seu time empenho e dedicação. Afinal, não são poucos os que se esforçam, por exemplo, para pagar um ingresso caro, se locomover até o estádio e ter a sensação de ter rasgado seu dinheiro com uma atuação medíocre de um time que tem Ronaldinho Gaúcho em seu elenco. É lógico que a atitude de qualquer integrante de facção ao ver Ronaldinho Gaúcho desembarcar seria de total desprezo, com medidas mal calculadas, podendo, inclusive beirar a agressão. Mas porque o Flamengo não escolheu um jogador com espírito de líder e com a “cara do Flamengo” para conversar com os jogadores? Tudo bem a delegação driblar a torcida, mas acho no mínimo uma amostra de respeito, por exemplo Leonardo Moura, alguém que já tem história no clube, que é fã do Flamengo, sair pela porta da frente e conversar com a torcida, esta, logicamente, de maneira educada.
Estive na Itália no início do ano e tive a oportunidade de assistir a uma partida do Genoa contra o Chievo Verona. O time da cidade de Genova tem uma torcida apaixonada, que comparece ao estádio, mas que amarga posições no meio da tabela nas recentes temporadas. É lógico que não quero comparar o Flamengo com o Genoa ou time algum. Cada time é um time. Pois bem, o Genoa perdeu por 1 a 0 para o Chievo, com uma atuação péssima. Ao final do jogo, os torcedores começaram a vaiar e a gritar “vão trabalhar!”, de maneira revoltada com o esquadrão. A reação do time do Genoa? Foi de encontro à torcida para ouvir os torcedores. O jogador mais experiente do time, identificado com a torcida, foi mais perto e grudou na grade, para ouvir de perto as reclamações e prometeu empenho e dedicação. O resultado da torcida foi imediato. Todos aplaudiram o time e gritaram incentivando os 11 últimos a deixar o campo, que saíram tristes com a derrota, mas sabendo que havia uma torcida que gritava por eles. Aqui no Brasil? Se o time perde, os astros saem logo de cena, já pensando em qual show de pagode ou churrascaria irão depois dali.
Falta ao futebol brasileiro, principalmente ao carioca (e digo tanto torcida quanto time), educação. Um time não sai pela porta da frente pois tem medo de receber pauladas, literalmente, na porta do aeroporto. O torcedor não aplaude o jogador, porque sabe que ele está se lixando para tudo aquilo ali, desde que o salário entre em sua conta. É lógico, estou generalizando. Mas seria pedir demais, a um torcedor, que apoiasse o time em um momento difícil? Ou a um jogador ou dirigente, que reconhecessem a péssima gestão e o mal desempenho dentro dos gramados e soubessem ouvir? Lamentos de um torcedor que sonha com a utopia…

Enfim, cai o mito. Não aquele preferido, contado de geração para geração com entusiasmo. Mas aquele que marcou uma fase na CBF. Nela, duas Copas do Mundo (1994 e 2002), três Copas das Confederações (1997, 2005 e 2009) e cinco Copas Américas (1989, 1997, 1999, 2004 e 2007), a criação da Copa do Brasil (1989) e a mudança do sistema do Campeonato Brasileiro para a disputa de pontos corridos. O grande revés de tais trunfos em todos esses anos foram os escândalos de corrupção mais do que escancarados e a politicagem (até mesmo) barata envolvendo muitos episódios, sejam eles com relação ao mundo da bola ou aos paraísos fiscais comprados com dinheiro sujo.





Final de jogo lá em Santa Catarina. Os jogadores do Corinthians já comemoravam e só esperavam o apito final no Engenhão para gritar, de vez, “é campeão”. Era só mais uma questão de três minutos. Qual nada. Bernardo, aqui, mostrou que não é bem assim. Em ótima jogada pela direita, Alecsandro cruzou na medida para o garoto, que tentou uma, duas vezes, para marcar o gol da vitória sobre o Fluminense. Respeitem o Vasco, pois ainda há 90 minutos para o discurso mudar. Semana que vem, é guerra no Engenho de Dentro (literalmente)! Crianças e ajuizados, fiquem em casa.
Início de jogo calmo, sem afobação, estudando os movimentos do adversário. Depois disso, o que se viu foi um jogo corrido, com a ‘La U’ mostrando que é um time muito abusado, mas deixando espaços cruciais na defesa. O Vasco, que também vinha com velocidade ao ataque, encontrava, com Bernardo, Juninho e Felipe (principalmente), muitos buracos na defesa chilena.