Arthur Santana

A PRIMEIRA MEMÓRIA E A HISTÓRIA DO AMANHÃ

Minha primeira lembrança futebolística foi a de estar sentado no chão da sala do meu tio vendo a final de 94 entre Brasil e Itália. Não recordo detalhe nenhum da partida, apenas de falar “estou torcendo para ir para os pênaltis” e ouvir um “fica quieto” por causa disso. Não estava torcendo contra, tinha apenas quatro anos e as penalidades me pareciam tão interessantes. Afinal, em qual momento a história se torna inesquecível?

Anos passaram e essa memória mais me parece uma lenda. Não consigo dizer que tenho certeza que isso aconteceu ou se era apenas um sonho. Prefiro não saber. Em algum ponto de nossas vidas nós escolhemos torcer ou não torcer para este ou outro time (até os que não ligam para futebol). Algum dia e em algum lugar uma criança ganhou uma camisa do Flamengo. Ela ainda não entende o que as pessoas tanto falam à sua volta. Atraída pelas cores e pelo desejo do tato, ela agarra a camisa. Talvez ela tenha feito a sua escolha, talvez não. Um, dois, três, dias, semanas, meses ou anos. Chegou o dia em que o bebê cresceu, seguiu o pai rubro-negro e aprendeu a palavra Zico.

Nunca havia presenciado uma partida de futebol, mas conhece o nome. Não importa se é flamenguista, tricolor, corintiano, cruzeirense, botafoguense, vascaíno, etc. Quando o nome é o que se ouve primeiro, o que se vê só eterniza o ídolo. A criança se pergunta por que ele é tão emblemático? Certa vez ela senta na arquibancada e tudo faz sentido. Ele fez aquilo que nenhum desses consegue fazer. Uma sensação que não se esquece.

Naquele dia em que Taffarel fez história, um ídolo nasceu para mim. Não conhecia nenhum outro goleiro, mas afirmava com todas as letras que ele era o melhor do mundo. O tempo passa, as pessoas mudam de opinião, reformulam idéias, mas não se esquecem daquele sentimento.

Ano que vem nascerá um bebê em uma maternidade no Porto. Ele crescerá em um quarto azul e branco. Brincará no cercadinho com seu brinquedo favorito, um dragão de pelúcia. Um dia ele ouvirá histórias sobre Hulk, Falcão, Helton e Cia. Noutro dia ele irá ao estádio e tudo se encaixará perfeitamente, nesse dia a história construída por este time será tarimbada com o selo de inesquecível.

Para alguns, a luz que aponta para o futuro brilha um azul estelar com um paraíso branco de glória esperando para ser preenchido. Para outros, a batalha é mais sangrenta e o vermelho pintado no chão é um caminho honroso recheado de obstáculos formidáveis. Para outros, o luz verde é o sinal do eletrocardiograma instalado na parede branca do hospital. Para esses, o som de aplausos e gritos e cânticos são silenciados pela monotonia do bip, com uma bola de borracha quicando em um quarto vazio.

Arthur Santana

OLHO NO RELÓGIO

Que o jogo está acabando e o árbitro vai apitar. Reta final de campeonato, que já terminou para Porto e Benfica, mas ainda está muito vivo tanto para o Braga (3º) quanto para o Beira-Mar (10º). Nada mal para a melhor média de gols por partida das últimas cinco temporadas, com 2,44.

Para essa média temos que agradecer ao Porto, merecido campeão e responsável por muitas goleadas, inclusive um 5 a 0 no rival Benfica, segundo colocado. Na última rodada, porém, aplausos para o Rio Ave, que marcou seis gols só no segundo tempo, na vitória sobre o Paços Ferreira. E ao Vitória de Setúbal, que venceu o Leiria por 4 a 1.

O Braga também merece destaque por superar o rival Vitória de Guimarães por 3 a 1 e permanecer na terceira posição. O Sporting tem seu crédito pelo bom primeiro tempo contra a Académica (2 a 0 para os leões) e pelas ótimas atuações de Matías Fernandez e Rui Patrício. Briga boa pela última vaga no pódio e para pular uma fase na Liga Europa da próxima temporada.

Mas a graça mesmo será a briga pelo 5º lugar. Quem está em vantagem é o Guimarães (6º na liga), pois já está na final da Taça de Portugal e, se superar Porto ou Benfica na final, garantirá uma vaga na Liga Europa. Caso perca, a vaga restante vai para o quinto colocado do campeonato nacional. Atualmente, quem ocupa esta posição é o Nacional, com 35 pontos. O Beira-Mar, em décimo e com 32 pontos, também pode se incluir na briga.

Campeonato Português acabando, Taça da Liga com final marcada, Taça de Portugal aguardando o segundo finalista e Liga Europa só começando. Sim, o blogueiro acredita firmemente e torce bastante por uma final portuguesa, preferência por um Porto e Benfica pela rivalidade e por terem dois grandes times, mas sem negar o Braga que, pela história recente, faria um final espetacular. Certamente seria um marco histórico tanto para os minhotos como já o é para os portugueses, que garantiram três vagas na Liga dos Campeões em 2012/2013. O tempo está acabando, mas os acréscimos devem ser de tirar o fôlego.

Arthur Santana

AO PORTO!

Ao mais que merecido título! À campanha incontestável! Ao exímio trabalho tático mostrado durante todo o campeonato em todos os jogos! À eficiência do camisa 1 ao roupeiro! À competência de um treinador com um futuro brilhante! A história para uma equipe inesquecível! Uma reverência para aqueles que fizeram por merecer.

Ps: Para falar de atitudes vergonhosas, eu recomendo o blog do Vitor Sergio, que falou tudo o que precisa ser dito sobre o que fez o Benfica.

Arthur Santana

“FINAL”

Quem me dera fosse uma final! Quem me dera o campeonato estivesse sendo disputado até o último segundo de jogo! Aquela emoção que de tirar o fôlego, que te deixa sem saber o que está por vir! Mas estou satisfeito. Sim, o campeonato já está decidido, não importa quem vença neste domingo, o Porto é o campeão. Não verei a disputa ponto a ponto na última rodada que tanto sou fã, porém testemunharei o título de um grande time (sobre isso falarei mais tarde).

Agora é hora de falar em Benfica e Porto deste domingo. Os encarnados estão em ótima fase e, em minha opinião, devem sair vencedores do confronto, mas clássico é clássico e vice-versa e blá blá blá. Dois objetivos têm os benfiquistas neste jogo: um é romper a invencibilidade do rival e não deixá-lo ser campeão em sua própria casa (mesmo não sendo possível matematicamente) o outro é ganhar moral para enfrentá-lo no jogo de volta da semifinal da Taça de Portugal e ir para a decisão contra o Vitória de Guimarães.

A partida está toda envolvida neste clima de decisão. O ônibus do Porto viajou escoltado pela polícia durante todo o percurso até Lisboa. Os adeptos portistas não poderão entrar com faixas e bandeiras do clube no Estádio da Luz o que, segundo nota oficial do Benfica, também é feito com seus torcedores no Dragão. Pressão para lá e para cá, o jogo, como sempre, promete ser muito bom.

errata: o blogueiro pede desculpas por não saber matemática, o Porto será campeão caso vença na Luz.

Arthur Santana

DUAS DECISÕES E UM JOGO

O jogo – Portugal e Chile tem tudo para ser um amistoso bem divertido. Duas seleções ofensivas, com um futebol solto e rápido. Acredito que o time luso sairá vencedor pelo placar de 3 a 1. Mais importante que o resultado será observar as novas peças na esquadra portuguesa.

São três jogadores que merecem atenção especial. O primeiro é André Santos, jovem meia do Sporting, que tem feito uma ótima temporada e vai estrear pela seleção principal (já jogou em divisões de base). Tem bom passe e é muito dinâmico na marcação. Não é craque, mas cumpre as funções determinadas.

O segundo que merece destaque é o também meia Rubén Micael, do Porto. É um pouco mais ofensivo que André Santos e pode quebrar um galho na lateral direita se necessário. O outro portista convocado e que merece atenção é Varela, que joga normalmente de ponta-direita e já marcou 8 gols no campeonato português.

Candidato Bruno de Carvalho - Crédito A Bola

A primeira decisão – Talvez a que chame mais a atenção da mídia portuguesa. As eleições no Sporting serão realizadas neste sábado. Cinco candidatos aparecem na disputa. São eles: Godinho Lopes, Bruno de Carvalho, Dias Ferreira, Pedro Baltazar e Abrantes Mendes. A disputa deve se resumir a Godinho Lopes x Bruno de Carvalho.

Bruno de Carvalho promete Bruno César, do Corinthians, e Vágner Love, do CSKA Moscou. Tenho um pé atrás com essa candidatura. São bons nomes para o elenco, seriam titulares sem a menor dúvida, mas preocupa a existência do tal “fundo de investimento” defendido pelo candidato e ancorado por milionários russos. [atualização: Bruno César já acertou com o Benfica]

Já Godinho Lopes conta com um nome forte na sua chapa. Carlos Freitas deve comandar o futebol do Sporting ao lado de Luís Duque, caso Godinho seja eleito. Freitas foi campeão em 99/00 e 00/01, além de levar o time por quatro vezes consecutivas a Liga dos Campeões e a uma final da Taça da Uefa. É a lista que aparenta ter mais os pés no chão, combina bons nomes para reforçar o elenco (Garay, Alex Silva, Alberto Rodriguez, Hugo Almeida e Bobô) e com o bom técnico Domingos Paciência, do Braga, para assumir a equipe.

Candidato Godinho Lopes

A segunda decisão – Domingo, em Coimbra, realizar-se-á a segunda-mão da semifinal da Taça de Portugal entre Académica e Vitória de Guimarães. A primeira partida foi vencida pelo mandante pelo placar de 1 a 0 que deixa completamente em aberto a  vaga para a final. É impossível fazer uma previsão. A expectativa de público é boa para apoiar a Briosa e a mística em torno do jogo (mostrada em posts anteriores) empolga os adeptos e jogadores. Um ótimo time, o Vitória de Guimarães, contra uma equipe corajosa, a Académica. Palpite num jogo desse só se for decidido na moeda…

Arthur Santana

PRÉVIAS EUROPEIAS

BENFICA X PSG

Há quatro anos deu Benfica. A situação era a mesma, oitavas-de-final da Liga Europa, com a diferença de que o primeiro jogo foi disputado em Paris, com vitória do time da casa por 2 a 1. A curiosidade fica por conta da lesão do zagueiro Luisão, na partida de ida, que resultou na estreia de David Luiz pelos encarnados que venceram por 3 a 1, na Luz, e seguiram adiante.

Se, naquela vez, o Benfica não era o favorito, nesta edição da Liga Europa a situação é diferente. Nos últimos três meses, o time de Lisboa venceu 18 jogos e perdeu apenas um, exatamente no domingo passado, para o Braga. Já o time francês, de janeiro até o momento, venceu oito, empatou três e perdeu quatro partidas. O Benfica ainda terá o “reforço” das ausências de Makelele e Giuly no PSG.

Escalações prováveis:

Benfica: Roberto; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, Fábio Coentrão, Javi García, Salvio, Carlos Martins e Nico Gaitán, Saviola e Cardozo.

PSG: Edel; Ceará, Sakho, Armand e Tiéné; Maurice, Chantôme, Bodmer e Nenê, Luyindula e Bahebeck.

Palpite: Benfica 2×0 PSG

BRAGA X LIVERPOOL

Depois da vitória por 2 a 0 sobre o Arsenal na última rodada da fase de grupos da Liga dos Campões, a claque do Braga tem total condição de acreditar que tudo é possível, ainda mais com a vitória recente sobre o Benfica. Mas calma lá, por mais que o Liverpool não faça uma temporada exuberante, ainda é o favorito e com sobras.

Os ingleses têm mais time e mais história do que os bracarenses. Coincidentemente, ambas as equipes ocupam a sexta colocação em seus respectivos campeonatos nacionais e vem de grandes vitórias na última jornada (o Liverpool venceu o Manchester United por 3 a 1). Para o jogo, o Braga conta com a volta do zagueiro Paulão e agradece aos céus a ausência de Gerrard neste primeiro confronto.

Escalações prováveis:

Braga: Artur; Miguel Garcia, Rodriguez, Paulão e Sílvio, Leandro Salino, Márcio Mossoró e Hugo Viana, Alan, Paulo César e Lima.

Liverpool: Reina; Johnson, Carragher, Skrtel, Danny Wilson, Maxi Rodriguez, Lucas, Raul Meireles, Joe Cole, Kuyt e Andy Carroll.

Palpite otimista para o Braga: 1×1

CSKA MOSCOU X PORTO

CSKA Moscou x Porto pela Liga dos Campeões em 2004

CSKA Moscou x Porto pela Liga dos Campeões em 2004

Único dos três clubes portugueses a jogar a primeira partida das oitavas fora de casa, o Porto tem time para vencer o CSKA fora de casa, mas não se pode negar que será uma partida dificílima. O retrospecto é favorável aos portistas. Os Dragões venceram as duas partidas que fizeram em Moscou contra o CSKA. A primeira vitória veio em 2004, com um gol marcado por Benni McCarthy. A segunda veio em 2006, gols de Ricardo Quaresma e Lucho González.

O grande desfalque do Porto nessa partida de ida é o lateral-esquerdo Álvaro Pereira, mas o incômodo mesmo deverá ser o frio intenso e a adaptação à grama sintética. Vale lembrar que o time azul e branco ainda não perdeu fora de casa nessa Liga Europa. No CSKA Moscou, o meia chileno Mark González é dúvida para o jogo.

Escalações prováveis:

Porto: Helton; Sapunaru, Rolando, Otamend e Fucile; Fernando, Bellusch e João Moutinho; Hulk, Falcão e Varela.

CSKA Moscou: Akinfeev, V. Berezutski, Ignashevich, Nababkin, Shennikov, Aldonin, Mamaev, Dzagoev, Honda, Doumbia e Vagner Love.

Palpite: CSKA Moscou 1×1 Porto

Arthur Santana

O ÓBVIO EM TRÊS ATOS

Créditos: A Bola

É engraçado quando, às vezes, pensamos em alguma coisa que acreditamos ser óbvia e quando ela acontece ainda assim somos surpreendidos. O blogueiro amanheceu com o pensamento, uma ligeira inquietação na cabeça. “Acho que hoje será a redenção do Sporting”. Os fatos mostravam o contrário, lembrei de Nelson Rodrigues e sua relação ligeiramente irônica com eles, afinal nem sempre o melhor é o vencedor. Era só um palpite, só uma impressão e foi assim até o final.

Este que vos escreve viu o que esperava testemunhar, um time melhor técnico e taticamente, o Benfica, contra uma equipe em péssima fase, com um elenco carente, mas muito esforçado, o Sporting. Mas futebol não é só vontade e, mesmo que o desejo voraz desperte um sentimento de orgulho momentâneo, sem o sucesso do esforço, só restará a mágoa.

Favor não confundir, o blogueiro não sente pena do Sporting, não torce pelo Sporting e muito menos relega a magistral vitória do Benfica, apenas satisfaz-se com o prazer de ver uma peleja “batalhada” e honrosa para ambos. Era óbvio. As estatísticas mostravam que o Benfica seria o vencedor, e foi. Tendo em vista tal tendência à obviedade, os deuses do futebol, que não gostam de pragmatismos, trataram de bagunçar toda a história para deliciar os espectadores com um “circo em chamas”.

O primeiro ato começou com um sonho… Tal qual o blogueiro, os sportinguistas também acreditavam na vitória, ignoraram os fatos e marcharam esperançosos para a arena adversária (o blogueiro fez apenas uma caminhada para o café mais próximo)… E terminou com o primeiro gol do jogo. Postiga de cabeça, nuca, ombro ou de “falha do goleiro”, se preferir.

O segundo ato foi um sinal de que nada é tão simples quanto parece. Pênalti para o Benfica e Cardozo desperdiça a chance de igualar o jogo. “O momento agora é todo do Sporting”, pensou este ingênuo blogueiro que já deveria conhecer a predisposição dos leões em

Créditos: A Bola

levar gols nos piores minutos. Dito e feito. Escanteio cobrado em seguida e gol do paraguaio, de cabeça e totalmente desmarcado. Fim do segundo ato e término da primeira etapa da partida.

O terceiro ato foi tanto uma fábula heróica quanto uma comédia trágica. O campo verde tornava-se encarnado a cada minuto que passava, mas do outro lado, o cambaleante Sporting batalhava por cada palmo de grama. Como um apostador incontrolado, os Leões jogaram sua última ficha em Matías Fernández, que perdeu o gol e abriu espaço para a cartada final de Javi García, o herói a marcar no minuto derradeiro.

A comédia mora no sorriso discreto do blogueiro ao ter seu palpite frustrado e no grito feliz do Benfica por ter alcançado a final da Taça da Liga. A tragédia jaz no ano “morto” do Sporting (a eles sobrou a mágoa) e no desapontamento de ver o óbvio acontecer.

Enquete rápida: Quem é melhor? O Porto da segunda metade de 2010 ou Benfica do 1º semestre de 2011? (esqueça tabela e número, só vale o que se vê em campo)

Arthur Santana

QUEM NÃO FAZ LEVA A VAGA

Todos já ouviram. Todos já falaram alguma vez e, em praticamente todas as oportunidades, a “profecia” se cumpriu. Mas então, vem um time azul e branco, de Portugal, e não é afetado. Pois é, o Porto não conhece o ditado “quem não faz leva”. E estava tudo desenhado…

Primeiro tempo nervoso, lá e cá. Os Dragões eram melhores, afinal são mais time que o Sevilla. Criavam mais porque atacavam mais e permaneciam com a posse de bola por mais tempo. O time espanhol carecia de meio-campo, Navas estava isolado na ponta direita, na primeira etapa, e Negredo nem sequer tocava na pelota.

Os destaques do Porto na primeira parte, na visão do blogueiro foram os destaques do jogo em geral. O primeiro foi Belluschi, que dominava o meio-de-campo e criou ao menos duas chances de gol. O segundo foi Hulk, que deixou o lateral Fernando Navarro deitado na grama algumas vezes. Hulk também faturou outra “medalha”, mas falemos disso depois.

Do lado do Sevilla, Navarro queria muito ser expulso e Alexis deveria ter sido quando segurou o atacante brasileiro do Porto em jogada no limite da grande área. No ataque, Perotti era o mais perigoso, mas resumiu-se a alguns cruzamentos para ninguém.

No segundo tempo, a equipe alvirrubra foi para cima, como era necessário, e abriu o placar com o gol de Luís Fabiano. Parecia que a coisa ia desandar. Gol sofrido e Álvaro Pereira expulso (até vinha fazendo uma boa partida), o Porto começou a ter, não só mais como as mais incrivelmente fáceis chances de gol e ainda contou com a exLuís Fabiano indo comemorar com a galerapulsão de Alexis para equilibrar os números.

O blogueiro não contou nos dedos, mas acredita que foram pelo menos seis chances claras e dessas, ao menos cinco foram desperdiçadas por Hulk que entraria para o livro dos recordes se perdesse mais gols. O brasileiro ganhava todas as jogadas, mas tomava todas as decisões erradas. Quando deveria chutar passava e vice-versa. Chance perdida cá e acolá o zumbido no ouvido veio: “uma hora leva o gol e vaca vai para o brejo”. Estava muito na cara que o Porto iria levar o segundo e tão miraculosamente quanto não marcar os inúmeros tentos a seu favor, terminou sem tomar outro. Classificação merecida, mas com o sufoco desnecessário.

Arthur Santana

VÁCUO

É a total ausência de matéria, no caso, de futebol. Serve para o blogueiro, que pede perdão pelo tempo ausente, serve para a partida que foi assistir neste domingo. Para a peleja entre Académica e Rio Ave faltou técnica, tática e quase faltou paciência para continuar sentado na arquibancada.

A começar pelo primeiro tempo, que abriga praticamente toda a revolta deste que vos escreve. Foi uma das coisas mais lamentavelmente ruins que o digitador aqui testemunhou em toda a sua vida futebolística. Foi pavoroso e, acreditem, não é exagero. Uma única chance de gol, uma única defesa em toda a primeira etapa. Um espetáculo de passes horríveis, dominadas vergonhosas, lançamentos inexplicáveis e uma dedicada apresentação do “futebol-foice”, cuja bola é o menos importante e o que vale é a canela do adversário.

De tão ruim, a partida não merecia terminar com o 1 a 0 no placar, seja para qual time for. Acho que a bola, por algum tipo de intervenção divina, foi para as redes no pênalti cobrado por Bruno Gama, atacante do Rio Ave. Talvez para servir de alento aos fiéis 30 torcedores da equipe alviverde que compareceram no Estádio Municipal de Coimbra.

A segunda etapa, contudo, mostrou melhoras em relação à anterior, que instaurou a nova moda em estádios: o ronco coletivo como forma de vaia. Foi movimentada e nada sonolenta. “Pelo menos isso”, pensou o blogueiro. Duas expulsões, carrinhos, voadoras, discussões, bola na trave, lance duvidoso, gols perdidos. A ruindade continuava, mas como não é possível exigir tanto de duas equipes que brigam pelo rebaixamento e por um ingresso que custou 2,40 euros, a emoção aliviou a irritação pelo nível da pelada.

Aliviou para os indiferentes ao resultado e para aqueles que torciam pelo Rio Ave, por outro lado apunhalou ainda mais o ferido orgulho da Briosa. Seus adeptos começam a temer pelo rebaixamento, fato que não acontece desde a temporada 1998/99. Vi nos olhos molhados da torcedora chorosa no fim da partida que o vácuo também existia ali, nela sobrava desespero, mas a esperança sumia cada vez mais. Vi o ódio do torcedor assustado com o futuro temerário da equipe, testemunhei a raiva cuspida em xingamentos contra o treinador, contra os árbitros e a complacência de que achar um culpado é melhor do que procurar explicações.

Arthur Santana

A TAÇA E O SONHO

A chance da revanche. Assim será encarada pelos benfiquistas a semifinal da Taça de Portugal. O Benfica deve enxergar também que essa talvez seja a única oportunidade de igualar o Porto em número de títulos nacionais nesta temporada, afinal o Dragão já conquistou a Supertaça, está eliminado da Taça da Liga e caminha para mais um campeonato português na galeria de troféus.

Caso vença o seu rival, o time de Jorge Jesus estará a um passo de conquistar a Taça de Portugal pela primeira vez desde a temporada 2003/2004. Bastante tempo para uma equipe grande como o Benfica. Já o Porto estará muito próximo do tricampeonato.

Na outra chave, um confronto não menos interessante. Vitória de Guimarães, que tem feito uma ótima temporada, encara a Académica, que nutre o desejo de relembrar glórias do passado. Não é para menos, afinal a Briosa foi campeã da primeira edição do torneio, em 1939. O time de Coimbra também possui três vice-campeonatos, contudo o último foi em 1969.

Vale ressaltar a fé e a volta da confiança da claque da Académica. Após a emocionante virada sobre o Vitória de Setúbal, um grupo de torcedores viajou direto para Lisboa e colocou uma faixa na Praça da Maratona, nas proximidades do Estádio Nacional do Jamor, com os dizeres: “We’ll be back”.

Não foi a primeira vez que esta expressão foi utilizada pela torcida da Briosa. A faixa surgiu nas rodadas finais do campeonato da primeira divisão de 1998/1999, ano em que foi rebaixada. O sonho naquela vez era retornar à elite e foi cumprido, agora o sonho é voltar ao patamar dos campeões portugueses.

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