dez 23rd, 2010
A TERRA DOS 10
De pincelada em pincelada, o pintor transforma uma tela branca em um quadro. De marretada em marretada, o escultor transforma uma pedra em um escultura. De cena em cena, o cineasta transforma frames em filmes. Com domínios, passes e lançamentos perfeitos, a função do camisa 10 é transformar bolas quadradas e bico para a frente, em chances de gol para os atacantes. O trabalho dos meias é tão artístico quanto o de qualquer outro artista, que tranforma um material bruto em arte final.
E de camisa 10, os argentinos entendem. Lá, são os chamados “enganches”. Na tradução literal, seriam os ganchos. Ganchos que ligam o ataque ao “resto”. Sim, só eles teriam essa capacidade. O jogo todo concentrado nos pés de um jogador. Talvez pela abundância do esquema 4-3-1-2, que depende muito do ‘número 1′, a Argentina ainda fabrique muitos jogadores inteligentes e com capacidade para ser o homem da criação no meio de campo.
Já dizia Muricy, o 3-5-2 está acabando com os camisas 10 na base dos clubes brasileiros. E nós, começamos a ver nos nossos vizinhos a solução desse problema. Primeiro Conca, depois D’Alessandro, no final desse ano, Montillo, e, agora, o Flamengo contrata Darío Bottinelli. Isso sem contar que Mauro Formica e Damián Díaz têm sido constantemente especulados em vários clubes brasileiros. Todos eles sonham ser um pouco do que foi o eterno camisa 10 do futebol argentino, Diego Maradona, ‘El D10S’. Assim, resolvi fazer uma apresentação dos principais ‘enganches’ que podem servir de opção ao clubes braisleiros.
David Ramírez (Godoy Cruz) – Grande nome do Apertura 2010, pode repetir na Libertadores 2011, o feito de Montillo no ano passado. De acordo com Riqueleme (um dos mitos da posição), é o melhor jogador em solo argentino na atualidade. Sua performance neste segundo semestre já foi até motivo de post neste blog. Ramírez é um jogador de muita visão de jogo. Seus passes nas costas da defesa desconcerta as zagas adversárias. Além disso, é muito perigoso nos chutes de fora da área. Inexplicavelmente, não foi especulado no Brasil. O único clube que manifestou interesse em ‘El Mago’ foi o Colo-Colo, que já conta com um camisa 10 espetacular, o colombiano Macnelly Torres. Talvez, seus quase 30 anos estejam afugentando o interesse de outros clubes. Se for isso, pura tolice. Seria o camisa 10 que eu escolheria para comandar meu time em 2011.
Mauro Formica (Newell’s Old Boys) – O Kaká da Argentina. Dono de uma arrancada mortal. É menos pensador que Ramírez, mas também costuma fazer estragos com seus passes em diagonal. Fez uma excelente dupla com Sperdutti nesse Apertura, os dois combinaram bastante seus estilos de jogo. Guardadas suas devidas proporções, lembrou o Kaká na época de Milan, que puxava contra-ataques e era praticamente imparável. Por ter apenas 22 anos, já foi pretendido por vários clubes europeus e, inclusive, brasileiros. O Newell’s já estipulou o preço de US$ 5 milhões. Por menos disso, ‘El Gato’ não sai de Rosário.
Sebastián Gazzini (All Boys) – O grande nome do surpreendete All Boys. Grazzini teve uma passagem apagada pelo Racing e chegou desacreditado ao Albo. Porém, fez uma excelente temporada. O camisa 10 típico. Recebe a bola quadrada e distribui redonda. Costuma fazer belos gols. Jogador raro hoje em dia: técnico, habilidoso e inteligente. Para não dizer que é o jogador perfeito, é meio lento, coisa que os brasileiros não gostam muito. Está perto de completar 30 anos e, exatamente por isso, seria uma contratação barata para qualquer equipe brasileira. Só iria depender da vontade do jogador, que já rejeitou propostas do exterior para seguir no All Boys, onde virou ídolo em seis meses.
Damián Díaz (Colón) – Chegou ao Saballero após boas apresentações na Libertadores, contra o Flamengo, quando ainda defendia a Universidad Católica, do Chile. Amargou a reserva no começo do Apertura, mas depois voltou a mostrar seu bom futebol. É jogador mais de drible e penetração. O baixinho de 24 anos pertence ao Boca Juniors e está emprestado à equipe de Santa Fé.
Patrício Rodríguez (Independiente) – É tratado como joia no Rojo. Sinceramente, ainda não vi todo o potencial do ‘Patito’. Não vi nenhum jogo que ele tenha atuado realmente bem, mas pela Argentina, fala-se dele como uma das maiores esperanças para o futuro. Tem o estilo brasileiro, habilidoso e cheio de graça. Vai tomar muita porrada no futebol argentino e, se quiser continuar com esse estilo de jogo, precisa aprender a jogar em pé. Com 18 anos, sua contratação, hoje, é quase impossível para os clubes brasileiros, pela esperança que o Independiente deposita nele.
Gio Moreno (Racing) - Um jogador diferenciado. Do estilo de Paulo Henrique Ganso e Zidane. Tem uma habilidade absurda no pé esquerdo e uma elegância no estilo de jogo que o diferenciam de qualquer um em campo. In loco, você fica ainda mais maravilhado com o que ele faz. Só precisa consertar um pouco o jeito displicente, que nós brasileiros, conhecemos bastante em nossos craques. Quase impossível algum clube brasileiro contratar esse colombiano de 24 anos, que, muito em breve, estará brilhando em solo europeu.
Garotada do River Plate – Erik Lamela, Roberto Pereyra, Mauro Díaz e Manuel Lanzini. Sem esquecer, é claro, da maior promessa dos Millonários nos últimos anos, Diego Buonanotte. Tirando este último, todos os outros garotos têm menos de 20 anos e foram muito mal aproveitados por Cappa. Foram transformados em volantes pelo treinador. Com a chegada de JJ López, Lamela virou enganche e se destacou. Tanto é que já desperta o interesse dos europeus. Roberto Pereyra virou o titular da ala esquerda. Maurito Díaz, depois de jogar fora de posição, voltou a ser enganche do time de Reservas do River. E Lanzini, o mais jovem de todos, começou a temporada como grande promessa, mas ainda não emplacou. Todos, porém, têm muito potencial e começaram jogando como camisa 10. E, claro, Diego Buonanotte, heroi do último título millonário, que sofreu um acidente no final de 2009 e ainda não voltou a ser aquele jogador que fazia a diferença. Lamela e Buonanotte seriam os alvos mais irrealistas para clubes brasileiros. Os outros três, grandes apostas.
Diego de Souza (Defensor Sporting) – Deixei por último porque não é argentino, nem atua no futebol argentino. Mas me impressionou em seus jogos do Campeonato Uruguaio. Um jogador de uma lucidez rara na terra dos semifinalistas do último mundial. Poucos jogadores têm a capacidade que ele tem de controlar o meio campo. Organiza bem o jogo e protege muito bem a bola. Resta saber se não é apenas um oásis na várzea que se transformou o Campeonato Uruguaio.
Ainda têm muitos outros jogadores que poderiam entrar aqui, mas, no momento, esse são os que merecem destaque. E nunca devemos nos esquecer do gênio Juan Román Riquelme, que dispensa apresentações. Quem você levaria para o seu time?


Impressiona DEMAIS o vídeo do Moreno do Racing. O cara parece antever a jogada, ter um domínio de bola impressionante e saber jogar muito bem com o corpo….
Mais do que a tendência do futebol argentino de revelar bons enganhces (ou trequartistas, se fosse jogado calcio ao invés de fútbol), o que me impressiona mesmo é a tradição do River Plate de revelar camisas “10″. Só nas últimas duas décadas: Ariel Ortega, Marcelo Gallardo, Pablo Aimar, Darío Conca, Andrés D’Alessandro, Diego Buonanotte… isso só citando os famosos e sem falar do maior de todos esses, Enzo “El Príncipe” Francescoli, que não foi revelado pelo River mas brilhou mesmo no CARP. Que tradição!!
Um dos seus melhores (se não o melhor) posts, Renato! Parabéns pela riqueza dos detalhes!
PS: O Formica ou o Giovanni Moreno cairiam muuuito bem no Botafogo!
Grande abraço,
Caio
parabéns pelo post…
eu queria o giovani moreno comandando o meio campo do São Paulo FC…
esse cara joga de maisssssss…
outro jogador do Racing Club que admiro é o patricio toranzo… muito bom jogador…
Hélio
Belém – Pará
Ótimos meias ,enganches maravilhosos principalmente o Moreno e o Ramirez!Mas pra min vc esqueceu um muito bom senao o melhor do argentino q é o Maximiliano Moralez!!!!
OBS;NAO TEM COMO VC COLOCAR A SMULTAS DOS CARAS?
ABRAÇO!!!!!!!!!!!!
juka, eu acompanho esse Maxi Moralez, desde o tempo do sub-20 e mesmo na época do Racing, e o acho muito, “cai-cai” e não o acho tão cerebral, com relação a função de meia-armador, o acho mais meia atacante, fazendo a função de carregador de bola, jogadores argentinos que estão fora, e eu gosto, e comparo a estes comentados no bolg, é o Brarientos NO CATANIA e o Cória NO VILLAREAL.
Olho no Lamela! Feliz Navidad Senna!
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Estes caras não jogam,eles humilham.QUE HABILIDADE
Cara, pode por fazer um post sobre o Bottinelli? Sou flamenguista e gostaria da opnião de um especialista sobre o novo camisa 18 (que chega com pompa de bom meio-campista) da gávea.
Amigo,
Bottinelli pouco jogou na Argentina. Ultimamente, esteve pelo México e pelo Chile, onde se destacou. Me disseram que ele é um meia rápido e que sabe pegar muito bem na bola. É jogador de partidas e partidas: faz jogos sensacionais e outros completamente apagados. Isso é tudo que sei do Bottinelli.
Abraços