Renato Senna

CRIATIVIDADE ZERO

Uma estreia fraquíssima do Boca Juniors na Libertadores. Como eu já havia analisado, um time que corre poucos riscos, mas sem muita criatividade. Time extremamente dependente das jogadas pelas laterais. Aliás, dependente não, refém.

Na primeira partida contra o Zamora, os xeneizes mal remataram ao gol. Somente duas jogadas de perigo. E as duas do estreante Santiago Silva. O primeiro erro começou na entrada do ‘Tanque’ no lugar de Mouche. A dupla de ataque formada pelo uruguaio ao lado de Cvitanich deixou o time sem movimentação na frente.

Riquelme, ainda sem ritmo, esteve longe de ser aquele jogador brilhante e decisivo. E não teve apoio. Erviti esteve apagadíssimo pela esquerda. Pela direita, Rivero também quase não apareceu. Sem laterais ofensivos, acabaram-se as opções de jogada. E tome bola alçada na área!

O que mais me preocupou no Boca Juniors de hoje foi a falta de opções de ataque, a ausência de variação de jogadas ofensivas. Lembrou o Botafogo de Joel e Loco Abreu. Não vi uma tentativa de entrar na área com a bola dominada, em tabelas. Só bola alta.

Mesmo assim, um aviso ao Flu. É só ver o estrago que as bolas alçadas fizeram ao tricolor nos jogos contra Arsenal e Vasco.

Renato Senna

POUCO A SE PREOCUPAR, MUITO A MELHORAR

O Fluminense tem pouco a se preocupar com o Boca Juniors na Libertadres. Mais precisamente com os contra-ataques xeneizes. Um time sem muita criatividade, poucas opções ofensiva e dependente de lampejos de bons meias, porém, muito apagados.

O ponto forte do Boca é sua defesa, sempre bem postada e bem protegida. Como se pode ver nos Superclássicos de verão. Um time que corre poucos riscos e tem no contra-ataque sua arma mortal. Chama o adversário para seu campo e usa as jogadas pelas pontas e a bola aérea como principal forma de chegar ao gol.

Já o River, deve sobrar na volta da Nacional B. Mas, para poder voltar à sua grandeza na Primeira Divisão, ainda precisa de muito mais. Um time limitado, refém das bolas alçadas na área. Acho até que estou sendo exigente demais. Hoje, não há um time que encante na Argentina. Os últimos foram o Vélez do trio Martínez-Morález-Silva e o Godoy Cruz de David Ramírez.

Os dois gols de Blandi em Chaco e o gol de Mouche e Mendoza mostram a dificuldade da defesa Milionária nas bolas cruzadas na área. E sempre nas costas do lateral esquerdo Juan manuel Díaz.

O Boca Juniors pode ir longe na Libertadores na força de sua camisa e na solidez da sua defesa. O River vai subir com folgas porque seu elenco é infinitamente melhor que os outros da B. Mas ambos ainda precisam melhorar muito.

Renato Senna

OS GUERREIROS DE AVELLANEDA E A BATALHA DE LA BOCA

Não chegou a ser uma nova ‘Batalha dos Aflitos’. Nem valia muita coisa também. Mas, talvez, o que valesse naquela noite de domingo fosse mais importante que três pontos, uma vaga na Libertadores ou um título. Valia a honra. Honra de não ser o coadjuvante na partida que poderia dar o título ao rival. Com nove homens em campo, o Racing foi valente. Guerreiro igual seu treinador era em campo. Destemperado como o mesmo Simeone.

O Boca Juniors entrava em campo com a possibilidade de abrir 12 pontos para o segundo colocado e, assim, garantir um jogo extra, no mínimo. Isso faltando quatro rodadas para terminar o Apertura-11. Mas sabia que, do outro lado, havia outro gigante, disposto a estragar a festa preparada numa Bombonera, como nos velhos tempos, lotada.

Chávez, Mouche, Blandi, Erviti. Nenhum deles foi páreo para um homem que, tinha como sua maior arma, duas luvas. Saja fez o possível e o impossível. Diante dos olhos de Gabriel Batistuta e Martín Del Potro, evitou o quase-título-muito-antecipado xeneize.

Após as expulsões infantis de Pelletieri e Teo Gutiérrez, lá na frente Hauche era o Soldado solitário em busca da máxima glória. Não conseguiu o gol que o consagraria em um duelo épico, mas saiu de campo com a certeza de que lutou o máximo que pode.

O Racing já não almeja mais a Libertadores. O título é quase uma utopia. O Boca já está com uma mão e três dedos na taça. Mas, nessa noite de domingo, nove guerreiros fizeram aquilo que qualquer torcida mais dá valor: honraram as cores que trajam.

Renato Senna

GERAÇÕES DE OURO NÃO ENFERRUJAM

Na química, o ouro é considerado um metal nobre porque ele não oxida, ou como se diz vulgarmente, porque ele não enferruja. Assim como as gerações de ouro. Sorte de Riquelme, Schiavi e Clemente Rodríguez.O primeiro estava na conquista do Mundial de 2000, o segundo no título de 2003 e o terceiro em ambas ocasiões.

Sorte deles que eles não têm um presidente de conselho fiscal dizendo que o Boca tem que se libertar da geração mundial. Assim, podem brilhar como vêm fazendo no Apertura-11. O Boca Juniors é líder como há muito tempo não se via. E muito se deve a esses três jogadores, que têm sido leões durante essa nova fase xeneize.

O mais curioso é que nenhum dos três apresentava um bom futebol fazia algum tempo. Schiavi, chegou a ser destaque no Newell’s no final do ano passado, mas caiu de produção com o resto da equipe. Chegou ao Boca Juniors para encerrar sua carreia e, curiosamente, acertou a defesa azul e amarela. Clemente Rodríguez, depois do título da Libertadores com o Estudiantes, voltou ao Boca Juniors, mas não conseguiu ser nem sobra do lateral forte na defesa e no apoio como no início da década passada. Chegou a falhar bisonhamente algumas vezes na temporada passada. E, hoje, o lateral é o destaque xeneize, autor do gol da vitória sobre o Estudiantes na última quinta-feira. Já Riquelme, que tem convivido com o drama das lesões, ganhou sequência. Falcioni percebeu que o 10 já não tem mais o vigor físico de 11 anos atrás e, quando necessário, o poupa. Genialidade é o que não falta a Román.

E é nessa volta ao passado que o Boca Juniors tenta conquistar o título e voltar à Libertadores. Com o clube, Clemente Rodríguez, Schiavi e Riquelme tentam voltar a seus tempos de glória na maior competição da América do Sul. Tentam mostrar que herois de um título jamais devem ser esquecidos.

Renato Senna

OS FAMOSOS QUEM?

Com o rebaixamento de quatro times e o acesso de quatro equipes da B Nacional, algumas das equipes que subiram são meio desconhecidas. Então, segue um breve raio-x dos quatro times que ascenderam para a elite do futebol argentino ensta temporada:

CLUB ATLÉTICO BELGRANO

Oriundo da cidade de Córdoba, e fundado em 1905, O Club Atlético Blegrano manda seus jogos no estádio Júlio César Villagra, mais conhecido como Gigante de Alberdi, que tem capacidade para 22 mil espectadores. Seu maior rival é o Talleres, também de Córdoba, que está na Terceira Divisão do Campeonato Argentino.

Sua última participação foi na temporada 2006/2007. Após subir na Promoción naquela temporada, ficou em 19º no geral e voltou à Nacional B.

Chegou à primeira divisão nesta temporada após rebaixar o River Plate na Promoción. No duelo histórico contra os Millonários, ‘Los Piratas’ venceram em casa por 2 a 0 e, no derradeiro jogo, um empate em 1 a 1 no Monumental de Núñez garantiu o primeiro descenso da história do River.

Nunca venceu um grande torneio promovido pela AFA. SUas maiores conquistas são a Liga Cordobesa (cameponato provinciano) e o Torneio Regional da AFA.

ATLÉTICO RAFAELA

Localizado na cidade de Rafaela, na província de Santa Fé, foi fundado em 1907. O Atlético Rafaela manda seus jogos no estádio Nuevo Monumental, com capacidade para 16 mil torcedores.

Sua última (e única) participação na Primeira Divisão foi na temporada 2003/2004. De lá para cá, ficou no quase por duas vezes, antes de finalmente subir. Em 2009, bateu na trave e quicou em cima da linha. Enfrentava o Gimnasia La Plata pela Promoción e foi para o vestiário vencendo por 3 a 0. Necessitava apenas de uma simples vitória. Mas a partida não ficou conhecida como o ‘Milagre de La Plata’ à toa. Com dois gols de cabeça do baixinho Franco Niell nos acréscimos, o Lobo empatou a partida e permaneceu na primeirona local, deixando os ‘Cremas’ mais duas temporadas na B Nacional.

Chegou à Primeira Divisão com o título da Segunda Divisão argentina. Uma campanha para ninguém colocar defeito. Em 38 jogos, foram 23 vitórias e 8 empates, masrcando 77 pontos, oito à frente do segundo colocado, o Unión de Santa Fé.

SAN MARTÍN DE SAN JUAN

Na província de San Juan, está localizado o clube mais santo do futebol argentino: o San Martín de San Juan, fundado em 1907. O Estádio Ingeniero Hilário Sánchez, que tem capacidade para 20 mil espectadores, é a casa do ‘Santo Sanjuaniano’. Seu maior rival é o Godoy Cruz, de Mendoza, pela proximidade entre as duas cidades.

O San Martín chega à Primeira Divisão argentina pela terceira vez em sua história. Sua última participação na elite do futebol portenho foi na temporada 07/08, quando foi eliminado uma temporada depois de ter conseguido o acesso.

A equipe de San Juan chega à Primeira Divisão após jogar a Promoción contra o Gimnasia de La Plata. A vitória em San Juan por 1 a 0 foi fundamental, pois os ‘Verdinegros’ só precisaram do empate por 1 a 1 para ascender à Primeirona.

CLUB ATLÉTICO UNIÓN DE SANTA FÉ

O Unión de Santa Fé fica localizado na província de Santa Fé. o ‘Tatengue’ manda seus jogos no Estádio 15 de abril, que tem capacidade para acolher 25 mil torcedores. Depois de muito tempo, a Série A argentina terá o prazer de rever o clássico santafesino, com Unión e Colón na Primeira Divisão.

Time com 32 temporadas na Primeira Divisão, o Unión de Santa Fé volta À elite, de onde estava sumido desde 2003. O ‘Tatengue’ tem tradição no futebol argentino e seu maior feito foi ter chegado a um vice-campeonato nacional em 79, perdendo a final para o River Plate.

O Unión chega a Série A após ser vice da Segunda Divisão na última tempoada. Garantiu o acesso direto com uma vitória por 1 a 0 sobre o Ferro Carril Oeste na última rodada, ficando em segundo lugar.

Renato Senna

O DIA EM QUE A ARGENTINA VOLTOU A SER ARGENTINA

Poderia ficar aqui o dia inteiro divagando sobre tática, sobre o esquema que fez o Messi se aproximar daquilo que ele joga no Barcelona, sobre a fragilidade da defesa, sobre o que deu certo e o que deu errado na Copa América e, principalmente, contra o Uruguai. Mas não vale a pena. A Copa América acabou. Não só pros brasileiros, pros argentinos ou pros chilenos. Acabou para quem gosta de futebol.

Será impossível termos um jogo como foi Argentina x Uruguai, por tudo o que envolveu a partida. Muita raça, um jogo cheio de oportunidades e, que fique claro, bem jogado, com um nível técnico acima do que foi apresentado na competição. Argentinos e uruguaios entraram em campo com algo a mais para provar, após campanhas fracas na primeira fase. E foi aí que a Argentina voltou a ser Argentina.

Os hermanos voltaram a jogar aquele futebol de ‘toco y me voy’. Messi e seus passes bochinescos, deixou Agüero e Higuaín na cara do gol algumas vezes. Mascherano incansável na proteção à zaga. E que qualidade tem o capitão com a bola nos pés! Trocaria 11 Ramires por um Mascherano no meu time. Gago mostrou um pouco daquele volante que chegou a ser rotulado como o ‘novo Fernando Redondo’ no Boca Juniors. Só Di María que esteve irreconhecível. E a defesa, mas aí, já é um caso à parte. A entrada de Pastore no lugar do camisa 7 foi animadora para quem sonha ver uma seleção argentina como nos velhos tempos.

Disposição não faltou. Oportunidades para vencer, também não. Assim como para perder. Mas o jogo esteve muito mais nas mãos dos argentinos do que dos uruguaios. Com um homem a mais, a albiceleste atacou. Mas parou nas mãos de Muslera. E até mesmo quando a bola passou pelo camisa 1 celeste, a trave ajudou os caras do outro lado do Rio da Prata. Mas foi bom ver o espírito aguerrido de volta. Talvez estivessem faltando à seleção argentina, a necessidade de provar algo, a pressão e um grande adversário. O Uruguai era um oponente à altura do desafio. E a albiceleste caiu, mas caiu de pé. Deve ter feito os argentinos se orgulharem de sua seleção. E deve ter feito os uruguaios se orgulharem ainda mais da Celeste Olímpica, que mais uma vez provou que renasceu.

Ainda há muito para se consertar na equipe. Mas já foi possível ver um futuro mais nítido. E não poderia deixar de comentar: justo o jogador que Batista não queria levar, perdeu o pênalti. Mais uma prova de que Nélson Rodrigues estava certo: “Toda unanimidade é burra”.

Renato Senna

¿QUE PASÓ?

Copa América disputada na Argentina, a seleção da casa ia abrir a competição jogando contra a fraca seleção boliviana. Todos imaginavam um massacre dos hermanos, empurrados pela festa da torcida. Mas não foi isso que aconteceu. Num jogo frio, tal qual o clima da cidade de La Plata, Argentina e Bolívia ficaram no 1 a 1, para decepção dos argentinos, que lotaram o Estádio Ciudad de La Plata, esperando um show de Lionel Messi.

O camisa 10, mais uma vez, ficou devendo uma grande atuação com a camisa albiceleste. Desta vez, atuou exatamente da mesma forma que no Barcelona, como falso 9. Não brilhou novamente. Mas sejamos justos, não tinha Xavi e Iniesta chegando para tabelar com ele, não tinha David Villa e Pedrito, para se movimentar, abrir espaços e receber suas enfiadas. E ainda tinha um esquema de jogo engessado e sem saída de bola.

Algumas pessoas disseram que faltou organização tática à Argentina. Penso diferente. Organização houve. Até demais. Faltou aquele jogador para fazer o contrário do que o técnico manda, aquele cara que desmonta sistema de marcação. A equipe albiceleste ficou previsível e fácil de marcar. A Bolívia colocava três, até quatro em cima do Messi. E os outros hermanos não conseguiram se aproveitar disso. Principalmente Tévez, que hoje esteve um pouco apagado e irreconhecível, e Lavezzi, que teve atuação deprimente (os dois cruzamentos por trás do gol comprovam isso).

No meio, como já havia falado nos amistosos contra EUA e Costa Rica, volantes que sabem jogar, não são, necessariamente, meias. Vai ser difícil encontrar outros Xavis e Iniestas mundo afora. De novo, faltou criatividade. A Argentina, interminável fábrica de camisas 10, sofre com a falta de um enganche nessa seleção. E enganches argentinos não faltam, só Batista que não quer ver: David Ramírez, Damián Díaz, Marcelo Cañete, Alejandro Martinuccio, Erik Lamela, Walter Montillo, Darío Bottinelli e Darío Conca são apenas alguns nomes que poderiam estar como opção, pelo menos, no banco de reservas. Já a zaga não foi muito exigida, mas falhou quando teve trabalho. Deixou Rojas finalizar sozinho no gol e só não levou o segundo porque Romero fez milagre cara a cara com Marcelo Moreno.

Agüero entrou muito bem no jogo, colocou fogo e criou as melhores chances da Argentina. Não à toa, fez o gol de empate dos hermanos. Creio que para a próxima partida, Sergio Batista terá muito o que consertar. Se, na saída do campo, Kun Agüero falou que pequenos problemas teriam que ser corrigidos, ele foi otimista. Muito há que se mudar, até porque, o próximo adversário é a Colombia, muito mais complicado.

Renato Senna

TE CUIDA, BOCA JUNIORS!

Brigar contra o rebaixamento não é privilégio exclusivo do River Plate. O torcedor do Boca Juniors que, hoje está zoando o rebaixado River Plate, ainda não tem noção do perigo que lhe reserva o dia de amanhã. Aliás, não apenas os xeneizes, mas Racing e San Lorenzo também precisam abrir os olhos para evitarem novas quedas. Os três gigantes começarão a temporada 2011/2012 bem perto da zona da Promoción.

Para sorte (ou azar) deles é que há três times que saem do zero: Belgrano, Atlético Rafaela e Unión Santa Fé. Porém, se os três fizerem uma campanha semelhante à do Olimpo, que fez 48 pontos em 38 rodadas, os três gigantes ficam ameaçados de cair.

Em situação dificílima está o Tigre. Com apenas 82 pontos somando as duas últimas temporadas, apenas um milagre salva o time de Victória. E o Gimnasia La Plata, que ainda disputa a Promo com o San Martín, se não cair agora, já entra praticamente rebaixado na próxima temporada.

Olha a tabela. E aí, Boca Juniors, vai continuar rindo do River Plate?

Renato Senna

O CORAÇÃO QUE SANGRA

A história se repete. O palco é outro. Aqui no Brasil, nos acostumamos a ver os grandes descendo da Série A para a Série B, pelo ralo do rebaixamento. Diretorias incompetentes, jogadores fracos e os resultados acabam se tornando inevitáveis. Nessa história toda, quem mais sofre é o torcedor.

Bem ou mal, os dirigentes saem com os milhões roubados do cofre do clube. Peso na consciência? O que é isso para eles? Os jogadores, que outrora ficavam com a carreira manchada por fazer parte de um grupo que rebaixou um grande, não estão nem aí. Sabem que, mais cedo ou mais tarde, algum outro time virá e fará uma proposta. E toda a campanha da queda cairá no esquecimento.

Enquanto isso, é o torcedor quem tem que arcar com as consequências do descenso. É o torcedor que chora copiosamente após a tragédia. É ele que vai, durante um ano (ou o tempo que for preciso), vai aguentar a dor de estar de fora da elite do futebol de seu país. Mas é, ao mesmo tempo, o torcedor que vai ter a missão de trazer seu time de volta à Primeira Divisão. Pois ele sabe, que os anos passam, com ele, passam os dirigentes, os jogadores e a única coisa que realmente fica é o apoio da torcida. O torcedor de verdade não pode, nunca, deixar o sentimento parar. Afinal, como já dizia o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, “o torcedor é um ser absolutamente fiel. Os homens mudam de marca, mudam de partido político, mudam de cônjuges, mudam até de sexo, mas não mudam de time nunca”.

E, por mais que o sofrimento da Série B dure apenas uma temporada, o a ferida do rebaixamento é algo não fecha nunca. Há quem diga que, hoje, vimos a história ser escrita com o rebaixamento do River Plate. Penso o contrário. Hoje vimos a história sendo apagada. Os 33 títulos nacionais, as duas Libertadores, o Mundial, de nada valem. O River está na Nacional B. Que Grêmio, Corinthians, Vasco e outros tantos que caíram e se reergueram nos braços da torcida sirvam de exemplo para o River Plate.

O ÚLTIMO CAPÍTULO

Por ironia do destino, o River caiu no mesmo dia em que venceu sua última Libertadores, 26 de junho. E que as coisas não se confundam. O rebaixamento dos Millonários foi consumado neste domingo, mas não foi o dia de hoje que fez o River cair. Não foi o pênalti perdido por Pavone que rebaixou o time. Nem a lambança de Ferrero e Juan Manuel Díaz. Nem a derrota em Córdoba. O que levou o River à Segundona foi o conjunto da obra. Tudo começou no Apertura de 2008, quando o clube ficou em último lugar pela primeira vez na história. De lá para cá, temporadas muito ruins levaram a equipe a brigar contra o rebaixamento neste ano.

É verdade também que, apesar da quinta colocação, o River não quis fugir da degola. Teve chance, inclusive, de brigar pelo título deste Clausura. Mas a irregularidade do time não deixou. Isso se deve muito às mudanças radicais que os dois últimos treinadores costumavam fazer de um jogo para outro. Os jogadores não tinham tranquilidade para fazer seu trabalho nem tempo para se adaptar ao esquema. Aliás, que esquema? Faltou padrão tático à equipe. O estilo de jogo mudava partida a partida. E, assim, o River foi ficando cada vez mais próximo do abismo.

Agora, o trabalho vai além das lamentações. Queda consumada, resta às autoridades competentes dentro do clube, montar um time capaz de recolocar o River no seu lugar. Resta aos dirigentes, também, o desafio de reorganizar os clubes, com as verbas reduzidas devido à queda. Mas o personagem principal dessa volta à elite deve ser à torcida. Afinal, como se costuma dizer, o maior patrimônio que um time pode ter é sua torcida.

Renato Senna

DIA DE GÊNIOS

Queria eu, ter nascido dia 24 de junho. Talvez eu tivesse a genialidade desses dois monstros com a bola nos pés. Palavras são desnecessárias para elogiar os dois. Parabéns, Leo Messi, por seus 24 anos. Parabéns, Juan Román Riquelme, por seus 33 anos. Mas quem ganha o presente somos nós, toda vez que esses dois camisa 10 entram em campo.

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