Quem é fã de futebol, pensa e consome a modalidade de todas as maneiras: antes, durante e depois dos jogos, no estádio ou em casa; através de qualquer notícia na imprensa; em sites de estatística; cantando o hino do clube, debaixo do chuveiro; sonhando com uma vitória de seu time, na cama; e também colocando o futebol à mesa, seja para curtir uma refeição ao lado do radinho, sintonizado nos programas esportivos, seja – e é aí que queremos chegar – para uma animada partida de futebol de botão.

Também conhecido (tecnicamente) como futebol de mesa, a modalidade não só atrai, como conserva adeptos ao longo das gerações, e, além de uma atividade federada, tornou-se um grande hobby para muitos admiradores e colecionadores do mundo da gorduchinha.

Quem bate um papo conosco sobre estes e outros assuntos é o psicólogo palmeirense Alessandro Sellmann Di Caprio, que, da cidade de Cruzeiro, no Vale do Paraíba (interior de São Paulo), comanda o interessantíssimo blog Tribuna do Botão, um local em que alimenta, divide e multiplica sua paixão botoneira – uma extensão do seu amor pelo futebol, que o leva a simpatizar com muitos clubes, como Sporting Lisboa, Borussia Dortmund, Newcastle United, Paris Sanit-Germain e Atlético de Madrid.

Profundo conhecedor da modalidade, e muitro ligado à questão lúdica de “brincar de jogar botão”, Alessandro nos conta, entre outras coisas, que: destina boa parte do blog à divulgação de equipes não tão tradicionais no cenário brasileiro e internacional, e diz que os clubes deveriam explorar o botão como um produto.

Vamos nessa:

O blog Tribuna do Botão: para dividir e multiplicar a paixão botonista, e divulgar equipes não tão tradicionais (Foto: reprodução)

ESQUADRÃO INTERATIVO – Fã e praticante do Futebol de Botão desde quando?
ALESSANDRO SELLMANN – Comecei a “jogar botão” em 1978, mais ou menos quando despertei para o futebol, um pouco antes da Copa do Mundo daquele ano, na Argentina.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Qual foi o seu primeiro time de botão?
ALESSANDRO SELLMANN – Presente de uma tia-avó já falecida: um time do Vasco da Gama, do tipo “Gulliver-Carinhas” (eram botões fabricados pela empresa que possuíam as imagens dos jogadores, por isso eram e são conhecidos assim). Eles vinham em uma caixinha amarela com os dizeres: “Grandes Times do Futebol Brasileiro”, “Futebol de Botão. Cristal Acrílico” e o escudo do time pregado no lado de fora da caixa.
Naquela época, do final dos anos 1970 e até começo dos 1980, os botões eram a maior “febre”! Tenho esse time do Vasco até hoje, e considero uma das minhas preciosidades – muito mais pelo que ele representa, como lembrança marcante de uma época, do que o valor comercial.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Quantas equipes completas de futebol de botão você possui?
ALESSANDRO SELLMANN – Parece loucura, ou até brincadeira, mas fiz uma contagem recentemente e cheguei a 1.200 equipes, sendo a maioria produzida por mim mesmo, de diversas maneiras.

ESQUADRÃO INTERATIVO – De toda a sua coleção, quais equipes você considera “raridades”?
ALESSANDRO SELLMANN – Como já mencionei, a minha coleção não é pautada em questões comerciais, por isso não sei se considero possuir tantas raridades assim. O time do Vasco da Gama, de que falei antes, considero a minha maior preciosidade, muito mais pelo que representou e representa como marcador de uma determinada época. Tenho alguns outros “Gullivers-Carinhas”, como: Bahia, Corinthians, Coritiba, Internacional, Vitória etc; alguns botões da Estrela, que também eram famosos na época; Botões Bolagol que, nas décadas de 1960 e 70 representavam a maior série de times e seleções já produzidas etc.

Colecionar times de botão: hobby caro?
ALESSANDRO SELLMANN – Depende muito. Você pode ter uma vasta coleção gastando pouco, comprando botões na Rua 25 de Março (em São Paulo) ou produzindo seus próprios times. Pode-se até encomendar os chamados “botões oficiais”, que respeitam medidas determinadas e são feitos em oficinas por profissionais especializados – e certamente custarão mais.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Aqui estamos à vontade para falar de marcas: quais, segundo você, são as melhores e piores fabricantes?
ALESSANDRO SELLMANN – Hoje são poucos os fabricantes de brinquedos que ainda produzem botões, mas não posso deixar de citar novamente a Gulliver: esta marca fez e faz parte da minha trajetória no botonismo! Ela ainda produz os seus botões, mas o Futebol de Botão – ou melhor: o “Futebol de Mesa”, como é chamado pelos praticantes mais sérios (particularmente não gosto muito do termo) – possui hoje alguns fabricantes. Por exemplo: Edu Botões, VS Botonismo, Parruda Decorações etc. Posso lembrar também de um grande amigo, o Vitor Sanches, que produz os botões do tipo Brianezi. Todos que citei são excelentes fabricantes e amantes do Futebol de Botão.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Já brinquei muito de futebol de botão na minha infância, e me lembro de ter tido equipes com peças de vários tamanhos, e mesas de medidas diferentes. Quais as medidas que caracterizam um conjunto de botão e uma mesa correta?
ALESSANDRO SELLMANN – As medidas mais usadas pela chamada Regra Paulista, ou “12 Toques”, a que eu pratico, usa mesas de 1,85 x 1,20m e o tamanho padrão dos botões é de 54mm de diâmetro para os atacantes e 60mm para os zagueiros. Não sei se praticantes de outras regras usam medidas diferentes.

Site da Federação Paulista de Futebol de Mesa (Foto: www.futmesa.com.br)

ESQUADRÃO INTERATIVO – Existe alguma federação ou associação que regula a prática do futebol de botão?
ALESSANDRO SELLMANN – Várias! Posso citar a “Federação Paulista de Futebol de Mesa”, hoje presidida pelo Sr. José Farah, um grande colecionador e incentivador do botonismo.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Você já participou de campeonatos de futebol de botão? Teve sucesso?
ALESSANDRO SELLMANN – Sim, sou um dos fundadores da LCFM – Liga Cruzeirense de Futebol de Mesa, que faz parte da Liga LitoVale, a qual possui um calendário extenso de competições durante o ano. Hoje, estou um pouco afastado das competições oficiais. Particularmente, penso que estão levando as competições a sério demais, profissionalizando-se muito, esquecendo das questões lúdicas de se “jogar botão” basicamente como brincadeira.
Quanto ao sucesso, posso dizer que venci e perdi muitos jogos, mas confesso que nunca ganhei nenhum título significativo.

Time do Flamengo piauiense: criação de Alessandro (Foto: reprodução)

ESQUADRÃO INTERATIVO – Há quanto tempo existe o seu blog, Tribuna do Botão?
ALESSANDRO SELLMANN – Desde março de 2010 – ou seja, oito meses.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Como estão os números do seu blog – exibições de páginas, visitantes únicos etc?
ALESSANDRO SELLMANN – Não tenho como responder pois o blog sequer utiliza um contador de visitas; mas, pelo que percebo pelos comentários, parece que está conseguindo agradar os freqüentadores.

ESQUADRÃO INTERATIVO – O blog utiliza algum outro tipo de canal – Twitter, Facebook, Digg, Delicious, Flickr etc?
ALESSANDRO SELLMANN – Não.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Dá para traçar um perfil do seu leitor?
ALESSANDRO SELLMANN – Basicamente, são amantes do “futebol de botão” e do futebol em geral, que, de alguma forma, tiveram suas vidas marcadas de alguma maneira pelos times postados lá.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Não pude deixar de notar que muitos dos jogos disponíveis são de equipes “alternativas”, tanto nacional quanto internacionalmente, e também de torneios específicos, como o Robertão 1967. Por que esta opção?
ALESSANDRO SELLMANN – A idéia principal do “Tribuna do Botão” é dar espaço às equipes não tão tradicionais do futebol. Nada impede que as grandes equipes do futebol brasileiro apareçam, como já aconteceu.
O Robertão 67 foi o precursor do nosso Campeonato Brasileiro. Queria compartilhar com outras pessoas os times e escalações que criei para minha coleção.
Quanto aos times “alternativos”, iniciei recentemente uma série de “Campeões Estaduais”. O Brasil não possui apenas Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais etc: daí o espaço para times menos conhecidos. Também há espaço para curiosidades com equipes internacionais como, por exemplo, o Magdeburg (ex-Alemanha Oriental) de 1973-74, que foi campeão da Recopa Europeia [UEFA Supercup].

ESQUADRÃO INTERATIVO – E é você mesmo quem produz estas peças?
ALESSANDRO SELLMANN – Atualmente sim, mas compro de outros fabricantes também.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Os leitores também podem colaborar enviando equipes?
ALESSANDRO SELLMANN – Claro, desde que respeitando alguns critérios.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Você acha que o futebol de botão é uma atividade mais destinada a saudosistas ou pode conquistar novos adeptos?
ALESSANDRO SELLMANN – Tenho certeza que, ultimamente, o “futebol de botão” vem conquistando novos adeptos. Participando de campeonatos, percebo que cada vez mais jovens estão praticando.

ESQUADRÃO INTERATIVO – Atualmente, os clubes se deram conta da importância de suas marcas e começaram a lançar e licenciar produtos exclusivos. Você acha que jogos de botões oficiais seriam um bons produtos neste contexto?
ALESSANDRO SELLMANN – Sem dúvida! Parece que só aqui, no Brasil, isto não é muito explorado. O futebol de botão deveria fazer parte, sim.

É pênalti (Foto: acontecebrasilia.wordpress.com)

ESQUADRÃO INTERATIVO – Deixe um recado para os nossos leitores:
ALESSANDRO SELLMANN – Brincadeira não é só para as crianças!

5 Comentários

  1. Geckos disse:

    Websites you should visit…

    [...]below you’ll find the link to some sites that we think you should visit[...]……

  2. Money Making Guide…

    If you need a great to see good money making guide and want to learn how to earn money on internet then visit my site….

  3. Sources……

    [...]these are sites of interest that we have a link to[...]……

  4. Great article…

    I want reading tһroυgh anԁ I conceive tһis website gоt ѕоme really utilitarian stuff оn it! ….

  5. {Jυst|Juѕt|Jυѕt} read {tһis|thiѕ|tһіs|tһiѕ|thіs|tһіѕ} ……

    I genuinely vаluе уоυг piece оf work, Great post….

Comentar

Favor informar na mensagem seu estado e cidade.

* todos os campos são obrigatórios