Arquivo de maio de 2012

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TORCEDOR X TV: UMA LUTA INGLÓRIA

Ontem era nítida a cara de surpresa de alguns quando souberam que o jogo da seleção seria trasnmitido às 21h (21h07, para ser mais prosaico).
Mas como? A Globo não alega que era inviável, patati-patatá?
Sim, mas os direitos de transmissão do jogo de ontem pertenciam à ESPN.
Então, ela determinou o horário. A Globo foi obrigada a adiantar a novela e o Jornal Nacional. E ninguém morreu por causa disso.
Ou seja, impossibilidade técnica, ou “imposições de patrocinadores” ou “cláusulas contratuais”, tudo isso é balela.
Basta querer.
Mas quando voltamos para a realidade do Brasileirão, por exemplo, a coisa muda.
Há, no meio da própria mídia, quem os defenda. Compreeensível, essa turma apóia sempre uns aos outros.
Mas existem – graças a Deus! – vozes discordantes.
Os que discordam argumentam que a transmissão dos jogos em horários mais racionais – 21h ou 21h15, por exemplo – abrangeriam um público maior.
Mais crianças, por exemplo, poderiam assistir aos jogos.
Isso seria ótimo, pois já estaria formando um geração de torcedores.
Hoje, muita gente que acorda cedo abre mão de assistir os jogos de 22h, que acabam às 23h45. Inviável para quem precisa levantar às 05h, por exemplo.
De fato, existem decisões da tv que parecem ter sido tomadas por gente desinformada, embora insistam em afirmar o contrário.
É óbvio, que os jogos às 22h afastam o torcedor dos estádios.
Se considerar as teorias da conspiração que circulam por aí, dando conta de que esse é a real intenção da tv, que deseja ardentemente que todos corram para o pay-per-view, fica o impasse.
Se o horário das 22h para jogos na tv também perde em audiência – ou pode ser aumentada – sou forçado a crer que tem gente que se julga mais inteligente do que realmente é.
Ou que suas decisões deixam transparecer.
Outro absurdo é o horário dos jogos de domingo. Desde que o mundo é mundo, jogos de futebol aos domingos iniciavam-se às 17h.
Aqui no Rio, virou bordão: “Maracanã, 17 horas”.
Hoje tem jogo às 16h, já tivemos jogo às 15h e no Engenhão começam às… 18h30.
No antigo horário, antigamente ia-se ao Maracanã e por volta das 20h, 20h30 o sujeito estava em casa.
Hoje, com muita sorte, por volta das 22h.
Como eu acho que o pessoal que organiza a grade e outros detalhes odeia futebol e tudo que o cerca, não vejo grandes possibilidade de mudança.
E assim caminha a humanidade.

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FLAMENGO VIROU CEMITÉRIO DE TREINADORES

Luxemburgo foi recebido na Gávea com honras de Chefe de Estado.
Saudado como vitorioso, com histórico de grandes – e inegáveis – conquistas, embora seu desempenho recente deixe a desejar.
Não importava, pois tudo indicava que o céu era o limite com Luxa e Ronaldinho.
Mas nada como o tempo, esse implacável.
E Luxa se foi, desgastado pelos maus resultados e por ter claramente “perdido o comando”.
Aliás, esse termo é meio enigmático no meio do futebol. O que seria “perder o comando”?
O técnico manda o lateral segurar na marcação e sujeito se manda para o ataque? Ou manda o time arriscar chutes de longe e os caras se limitam a tocar de lado?
Acredito que seja algo bem mais abrangente do que isso.
Tem a ver com desrespeito, displicência, “fritura” promovida pelos dirigentes e por aí vai.
Sim, porque é o que está ocorrendo agora com Joel Santana.
Quando Luxemburgo se foi, repatriaram Joel.
“É o cara certo, foi boleiro e sabe falar a linguagem do jogador”, avalizaram uns.
“É um sujeito boa praça e sabe lidar com jogadores boêmios”, vibraram outros.
De fato, boa praça o Joel Santana é. Carioca criado no subúrbio de Olaria, contemporâneo na zaga do Vasco de outras figuras típicas da época, como Renê, o falecido Moisés e Alfinete.
Mas Joel não é bobo. Ou pelo menos não é tão bobo como alguns acham que ele é.
Nos últimos dias ele tem se mostrado arredio, e até as tradicionais brincadeiras sumiram. Mau sinal…
Joel, como toda pessoa experiente e vivida, já percebeu  que, no Flamengo de hoje, não adianta dar murro em ponta de faca.
O ninho de cobras no qual se transformou o Flamengo é um ambiente insalubre.
Sua saída é uma questão de tempo.
O que alguns se perguntam é: saindo Joel, qual será o próximo a ser fritado?
Parte da torcida se angustia com a possibilidade, cada vez mais real, de passarem o Brasileirão sofrendo.
Algo que a torcida do Flamengo definitivamente não merece.

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CARIOCAS: UNS ESQUENTANDO E OUTROS PARADOS

Salvo engano, o início do Brasileirão antecipa o que deverá ser a trajetória dos cariocas.
Aparentemente em melhor situação, teríamos o Vasco e Botafogo, seguido por um Fluminense ainda ressabiado e um Flamengo com seríssimas questões a resolver.
Assim, no sábado a rodada abriu com Vasco e Flamengo tendo resultados distintos.
O Vasco, ainda desfalcado e tentando se recuperar de uma vaga na semi-final da Libertadores perdida nos detalhes, encarou a Portuguesa, no Canindé.
Fosse a Portuguesa aquele time que encantou na conquista do título série B, talvez a situação fosse diferente.
Mas não é, visto que o elenco foi depenado.
E, apesar do técnico da Portuguesa pensar diferente, o Vasco tem mais time.
Essa diferença apareceu na jogada de Fagner, que cruzou para a meia-bicicleta – sim, meia-bicicleta – de Alecsandro. Golaço!
A vitória pôs o time na liderança provisória do Brasileirão até o início da rodada de domingo.
Após o recesso, encara o Náutico, em casa, e deve chegar aos nove pontos, brigando pela liderança.
Um excelente começo de Brasileirão.
Já o Flamengo tinha outros desafios. Estreava Ibson, surpreendentemente alçado à condição de “salvador da pátria”, embora o próprio jogador sábiamente negue o rótulo.
Boa rolando, o time chegaria a estar vencendo por 3×1.
No entanto, a mesma torcida que aplaudiu Ronaldinho quando ele marcou, de penalti, o vaiou em sua saída de campo.
O Internacional reagiu e chegou ao empate: 3×3.
Um péssimo resultado, que trouxe de novo os questionamentos e dúvidas quanto ao real poderio da equipe.
O time agora parte para um amistoso contra a seleção do Piauí, faturando 1 milhão de reais.
No retorno, dia 6, joga contra a Ponte Preta, lá no Moisés Lucarelli.
Típico jogo maroto.
Ontem o primeiro confronto da rodada envolvendo um time carioca indicava problemas.
O time do Botafogo ainda se arrumava em campo quando o Coritiba abriu o placar, com Lincoln.
Logo depois, o mesmo Lincoln quase apronta uma jogada antológica, ao bater de letra, com a bola quase encobrindo Renan.
Defendendo uma invencibilidade de 28 jogos em casa, o Coxa foi surpreendido com o gol de empate, com Lucas.
O Botafogo então virou o jogo.
Mas o time da casa chegaria ao empate e quando tudo indicava um empate, eis que o Botafogo chegou ao gol da vitória, numa bela jogada de seu ataque, com Lucas aparecendo livre para marcar.
Uma boa vitória, na casa do adversário, num território nocivo para visitantes.
Com a vitória, o time chega à liderança, com 6 pontos, mas superando os adversários no saldo de gols.
Após o recesso, encara o Cruzeiro, no Engenhão, num confronto na medida para chegar aos 9 pontos.
E fechando a rodada dos cariocas, o Fluminense empatou com o Figueirense.
É inegável que a eliminação traumática na Libertadores abalou e muito, o elenco tricolor.
A bem da verdade, Abel Braga não ajuda quando fica choramingando pelos cantos.
É levantar a cabeça e encerrar o assunto, olhando para o alto.
Sem Deco e Fred, ainda contundidos, o time aposta nos valores jovens.
O empate por 2×2, com a quantidade de desfalques, não foi um mau resultado.
Com 4 pontos, o time está em 6º lugar e enfrentará o Santos, lá na Vila Belmiro, na volta do Brasileirão.
Com apenas 2 pontos conquistados, o alvinegro praiano vai querer se levantar em cima do tricolor.
É torcer para que Deco e Fred estejam de volta.
Nesse caso, promessa de bom jogo.

Para “jogar prá galera”, o um jornal esportivo, em sua edição carioca socou na capa as fotos de Wellington Nem e Diego Souza com a chamada: “Não mereciam”.
Sou do Rio de Janeiro, vascaíno e vou pelo caminho contrário.
Ainda que não merecessem, não fizeram por onde chegar ao êxito.
Aliás, se tem algo que me irrita é ler gente supostamente do meio do futebol falando em “injustiça” nos resultados.
Uma ocasião, após uma dessas derrotas bobas do Vasco, o repórter chegou em cima do Edmundo e veio com essa cantilena de “resultado injusto”.
Ele, curto e grosso: “No futebol não existe justiça ou injustiça. Existe competência e incompetência”.
Mas esse discurso é compreensível.
Tirando uma meia-dúzia, basta olhar para a cara da turma e percebe-se que foram criados com a avó, num desses condomínios de classe média alta, jogando futebol no carpete, com tênis Adidas ou Nike novinhos. Não pode se esperar outra avaliação daqueles que o máximo de competição futebolística que disputaram foi o torneio do Dia dos Pais, lá no primeiro grau.
Vida que segue.
Isso posto, sejamos claros: o Fluminense fez o primeiro gol diante do Boca num presente dos deuses, quando o chute de Carleto desviou na barreira, enganou o goleiro Orion.
Isso logo aos 17″ do primeiro tempo.
E aí o jogo ficou assim: o Fluminense jogando melhor diante do um Boca estranhamente passivo.
Riquelme não estava numa de suas melhores noites, Santiago Silva reclamava como uma dona-de-casa, Cvitanich parecia um turista perdido no Engenhão e a defesa batia cabeça.
Mas percebia-se que o time argentino não se desesperava nem partia para o ataque como um bando de loucos.
A derrota por 1×0 leva ao jogo para os penaltis e tudo indicava que estavam tranquilos quanto a isso.
Aos 14″ do segundo tempo, uma grande chance para Rafael Moura, que ficou cara a cara com Orion, mas não bateu de primeira, tentou limpar a jogada e acabou se enrolando.
Apesar do aparente domínio, o Fluminense não conseguia matar o jogo.
Abel Braga pôs dois garotos no jogo: Wellington Nem e Marcos Júnior.
Até que aos 45″ aconteceu.
Apagado por todo o jogo, Riquelme conseguiu dominar uma bola mesmo pressionado pelo zagueiro e, lá da ponta esquerda, meteu uma de três dedos na direita, justamente no vazio aonde deveria estar Carleto.
Rivero dominou e partiu, perseguido por um Tiago Neves à meia-bomba.
Dentro da área, quase sem ângulo, soltou o morteiro emcima de Cavaglieri, que ainda tocou na bola.
Ela resvalou, bateu numa trave, voltou para ele que, ao tentar desviar, a deixou livre para Santiago Silva calar o Engenhão.
Choro e ranger de dentes marcaram o fim de jogo, enquanto o frio time argentino comemorava.
Para o Fluminense, mais uma vez cai por terra o mito de que é necessário um timaço para avançar na Libertadores.
Logo depois, as atenções se voltaram para o jogo entre Corinthians e Vasco.
Tenso, nervoso.
Diante de um Corinthians meio nervoso, um Vasco maduro e equilibrado.
De ambos os lados, jogadores que demonstravam grande entrega.
A cada tentativa de arremate, alguém sempre à postos para dar uma travada ou bloquear o chute.
Como sairia gol desse jeito? As chances eram raríssimas.
Num contexto assim, é imperdoável a falha de Diego Souza, que aos 17″ do segundo tempo, pegou um rebote, avançou livre e bateu para fora na saída do goleiro Cássio, que ainda tocou na bola.
Bateu rasteiro, quando o ideal seria por cobertura ou tentar driblá-lo para forçar o penalti.
Na sequência, Nilton cabeçeou no travessão.
No twitter, um vascaíno decretou: “Perdemos a bola do jogo”.
A profecia se cumpriria aos 42″, quando Paulinho subiu no segundo andar e cabeçeou livre, vencendo Fernando Prass.
O Corinthians avança através de um futebol sem estrelas, mas organizadíssimo, compacto e persistente.
Vasco e Fluminense agora se voltam para o Brasileirão, buscando obter dentro de campo nova oportunidade na Libertadores de 2013.
E que se esforçem para ser mais competentes, esquecendo esse mi-mi-mi de injustiça. Saco…

Ao final da noite, no mínimo uma dessas duas torcidas estará lamentando a saída de seu time da Libertadores.
O Fluminense inicia a noite de tensão às 19h30, enfrentando o Boca Juniors no Engenhão.
Sem Deco e Fred, o tricolor vira um time comum. Aliás, bem comum.
Para quem lamenta a ausência de Diguinho, esclareço que não o acho essa brastemp toda não.
É um jogador comum desde a época do Botafogo. 
A bem da verdade, o placar de 1×0 que o time trouxe da Argentina ficou até barato.
Menos mal que o Boca não é mais aquela máquina de anos anteriores, mas é bom lembrar que, jogando fora de casa nessa Libertadores, o time teve um empate e três vitórias.
O pior desse tipo de confronto contra um time como o Boca é o fato deles entrarem em campo sabendo qual o placar que lhes é favorável.
A vitória por 1×0 em casa dá aos argentinos a vantagem de, em caso de empate sem gols, levarem a vaga.
Evidente que jogarão entrincheirados, explorando os contra-ataques, torcendo para Riquelme conseguir encaixar uma bola “daquelas” para Mouche ou Santiago Silva.
Se fizerem um gol, o Flu precisará fazer três.
O melhor dos mundos para o time da casa seria um gol ali antes dos quinze minutos, torcer para o time argentino ficar atordoado e socar logo o segundo.
Meio difícil, mas vai que…
E o outro jogão ocorre no Pacaembu.
Discordo dos que enxergam o Corinthians como grande favorito. Minha visão é outra.
É nessas horas que a neura da busca pela conquista da Libertadores acaba tendo efeito prejudicial.
O empate sem gols no Rio foi um placar perigoso para ambos, mas com 0,0001% de vantagem para o time cruzmaltino.
O Corinthians sabe que, mesmo marcando um gol no Pacaembu, a tensão continuará até o apito final.
Afinal, uma bola vadia, um cruzamento, um passe bem encaixado por Felipe ou Juninho e sai o gol do Vasco.
O empate por 1×1 classifica o time do Rio e, caso isso ocorra, Tite e cia. terão que mostrar um sangue frio elogiável.
Acredito que essa obsessão doentia pelo título afeta a torcida de forma ruim.
Tempo passando e o placar permanecendo, a tensão aumentará.
O Vasco sabe disso e talvez entre com a intenção de levar o jogo para os penaltis, apostando no desequilíbrio emocional do corintianos.
Nesse caso, se perder a vaga nos penaltis após 90 minutos sem gols, o Corinthians conseguirá o feito de sair da Libertadores tendo a defesa menos vazada na história do torneio.
Cruel? Pode ser, mas o nome disso é futebol.
Vamos ao jogo e que vençam os melhores, sem interferência dos juízes.

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É POUCO, MAIS O INTER LARGOU NA FRENTE

Claro e evidente, foi apenas a primeira rodada e muita, mas muita água mesmo, vai passar por baixo da ponte.
Mas analisando o desempenho de apenas um jogo, o Internacional saiu na frente.
Venceu um bom time – Coritiba – em casa, com dois belos gols, com destaque para o segundo, numa troca de passes de treino, finalizada por Dagoberto.
O elenco sofreu a baixa de Tinga, bom volante.
Mas conta com a excelente fase de Damião. Desanima um pouco ouvir do técnico Dorival Júnior, que já espera a saída do atacante para o exterior.
Segundo as palavras do técnico: “Dificilmente teremos condições de segurá-lo. É a realidade.”
Uma bate-papo com o presidente do Santos poderia ajudá-los mas acho que não há interesse.
Na verdade, caso realmente Leandro Damião se vá, o Inter viraria um time bem comum, sem grandes diferenciais.
E os outros favoritos?
Alguns jogaram com times reservas, graças a concorrência da Libertadores.
Fluminense, Corinthians, Vasco e Santos estão nesse grupo.
Aliás, como no ano que vem teremos os clubes da Liberta também na Copa do Brasil, é possível imaginar o estrago que isso fará no início do Brasileirão.
Para mim, os próprios clubes irão pedir para reverter isso mais à frente, mas deixa quieto.
Tirando os quatro da Liberta, o São Paulo perdeu para o Botafogo, num resultado que gerou surpresas.
Pelo resultado em si, pela atuação de Herrera e pelo “não” do atacante ao Fantástico. No mínimo, inusitado.
O tricolor paulista vive um momento de briga interna, com a diretoria se engalfinhando com o técnico Leão.
Agora Felipão virou objeto de desejo do pessoal do Morumbi, mas com o time na reta final da Copa do Brasil…
Já Felipão e o Palmeiras parecem que vão proporcionar mais um ano de sofrimento à torcida.
O time gastou os tubos com Valdívia, Kléber e Felipão. Dinheiro jogado fora.
Dos demais favoritos, ninguém ainda empolgou.
O Grêmio, com time titular, perdeu para o mistão do Vasco.
O Botafogo é imprevisível.
O Cruzeiro empatou com o Atlético-GO em casa.
O Flamengo, após 27 dias de férias, quase perdeu para o Sport.
Vamos ver na segunda rodada…

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SOBRE RONALDINHOS E HERRERAS

Como escreveu um amigo no twitter, a tarde de sábado estava horrível para quem não gosta de futebol.
Todos ligados no jogo entre Bayern e Chelsea, que começou modorrenta, ficou vibrante e teve um desfecho apoteótico.
Típico jogo de futebol, com hetóis virando vilões e retornando à condição de heróis (Drogba, para quem não entendeu).
Findo esse jogo, adrenalina ainda em alta, discussões para adiar a ida ao shopping ou ao cinema, pois a tv exibiria Sport x Flamengo.
Havia, sim, uma justificada expectativa.
Após 27 dias de descanso forçado, imaginava-se que Joel teria conseguido dar uma “cara” ao time.
Bola rolando,  logo ficou claro que não haveriam surpresas.
O time da casa parecia ainda lamber as pancadas da perda do título estadual para o Santa Cruz.
A ausência de Marcelinho Paraíba, ponto forte do ataque pernambucano, fazia diferença.
Pelo lado do Fla, um Ronaldinho dispersivo, diria até desinsteressado.
No segundo tempo, aos 12″, marquinhos Gabriel acertou belo chute no ângulo do goleiro Paulo Victor, abrindo o placar.
À essa altura, o rubro-negro que deixou de ir ao cinema estava achando que fizera uma péssima escolha.
Estava mais fácil sair o segundo gol do Sport do que o Flamengo empatar.
Mas a sorte do Flamengo é contar com Vagner Love.
Aos 28″, o redivivo Kleberson fez um passe primoroso para Vágner Love. Com a frieza de matador, ele tocou com categoria na saída do goleiro.
O empate era, de fato, o placar mais adequado ao que as equipes produziam em campo.
Ainda houve tempo para o execrado Wellinton quase fazer um gol contra, ao rebater com o joelho e mandar a bola no travessão.
Ao término do jogo, o técnico Joel Santana veio  com as desculpas esfarrapadas de sempre, com a diferença de aparentar impaciência e irritação com o desempenho de Ronaldinho.
Com apenas 1 ponto na tabela, o Flamengo terá um osso duro no próximo sábado, pois encara o Internacional, no Engenhão.
Cabe a pergunta: até onde vai a paciência com R10, sem dúivda, o jogador com a pior relação custo-benefício do mercado?
E no domingo, Botofogo e São Paulo fizeram um jogo meio atípico.
O São Paulo, numa crise entre treinador e diretoria e o Botafogo, ainda sentindo as dores da traumática eliminação do Carioca.
E o time paulista abre o placar, aos 11″, com Jadson.
Mas a entrada do argentino Herrera, no lugar do instável Loco Abreu, faria toda diferença.
Ele empatou o jogo aos 4″ do segundo tempo e Luis Fabiano faria o segundo gol tricolor aos 15″.
Mas Herrera marcaria novamente, empatando o jogo.
Vítor Junior aumentaria e novamente Herrera, aos 32″, sacramentaria o placar de 4×2.
Ao final do jogo, já tinha gente caindo no mesmo erro de semanas atrás e proclamando qu eo Botafogo é um “forte candidato ao título”. Menos, menos…
A bem da verdade, é prematuro afirmar qualquer favoritismo nessas primeiras rodadas.
E o melhor da noite ficaria com a cena de Herrera recusando escolher música para o Fantástico, após ter feito três gols no jogo.
Ante o desconserto do repórter, ele foi curto e grosso: “Música nenhuma”.
O assunto bombou no twitter e o amigo Flávio Gomes observou ”que a Globo quer fazer do futebol brasileiro um bufê infantil. Musiquinha, furão, João Bobo, bolinha…”.
Ontem eles viram que nem todo mundo tá a fim.

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O RISCO DEDÉ, NEYMAR, FRED E DECO

Como assim? Risco Dedé, Neymar, Fred e Deco?
Calma, caro leitor, eu explico.
Refiro-me ao risco altíssimo que ausência desses jogadores faz – e no caso de Neymar, faria – em caso de ausência.
Um amigo vascaíno comentava comigo, com certa razão, que no jogo de quarta-feira, diante do Corinthians, além da segurança que a presença dele impõe, ao menos uma daquelas cabeçadas que Renato Silva errou, ele muito provavelmente acertaria ao menos uma.
O fato de ser um dos melhores zagueiros do mundo atualmente, a segurança nas arrancadas, a habilidade incomum para um zagueiro, o espírito de liderança, tudo isso faz enorme diferença com Dedé em campo.
Sem ele, o Vasco promete emoções fortíssimas à torcida.
Sua ausência põe em risco o sonho da conquista da Libertadores.
No Fluminense, quem assistiu ao jogo de ontem viu claramente o peso da ausência de Deco e Fred.
Por mais que Abel invente Wagner e Rafael Moura, ambnos estão à anos-luz dos titulares.
Deco é o jogador cerebral típico, da mesma estirpe de Felipe e Juninho (Vasco).
Como joga mais avançado, seus passes frequentemente deixam um atacante na cara do gol, dependendo apenas de mais um toque. Genial.
E Fred é o centroavante que todo time quer ter.
Apesar de suas preocupantes ausências por contusão, é o cara de área, para o qual não existe bola perdida, exímio chutador. O cara.
Certamente, com eles em campo ontem, o Boca teria dois elementos para se preocupar e como Riquelme estava meio apagado, Deco o engoliria.
E ao menos um gol Fred faria naquela defesa decadente do Boca.
Aliás, o Boca, com todo respeito, é uma sombra daquele timaço de anos atrás.
Sobrevive graças a um gênio chamado Riquelme. E só.
E por último, mas não menos importante, Neymar.
Apesar de no confronto de ontem ter deixado a desejar, Neymar é indicustivelmente o grande nome do futebol brasileiro hoje.
Suas arrancadas e seu repertório inesgotável de dribles fazem a alegria da torcida.
Mas o Santos demonstra claramente a “neymardependência”, algo pra lá de preocupante.
Ganso nunca foi o cara de resolver sózinho e a dupla Allan Kardec / Borges é irregular.
Sem Neymar, o Santos vira um time comum. Bom time, mas comum.
Me arrisco a dizer que, sem Neymar, o Santos deixa de ser o franco favorito à conquista da Libertadores.
Ou seja, os três times, Vasco, Fluminense e santos tem seus pontos fracos na dependência dos  grandes nomes do elenco.

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NO RIO, A CHUVA ATRAPALHOU

O bom atacante Emerson derrapou feio no final do jogo, ao declarar que “na semana que vem, jogaremos num gramado bem melhor do que esse. Bem cuidado… blá, blá…”.
Para conhecimento dele, não existe, entre os campos do Rio, gramado tão bem cuidado quando o de São Januário.
Fato é que, apesar da chuva incessante, não se formaram poças d’água no campo.
Noves fora isso, a chuva atrapalhou – e muito – o jogo.
Passada a tímida pressão inicial do Vasco, o Corinthians se organizou e passou a ter o domínio “territorial”.
Com Fagner pendurado com cartão amarelo e Emerson caindo pelo seu lado, parecia que era por ali o mapa da mina.
Mas sem um homem de área, ficava complicado para o Timão.
O Vasco então equilibrou o jogo, embora a impressão geral – via twitter – era de que o jogo estava muito, muito feio.
O segundo tempo mudou isso.
Tentando chegar a um gol que poderia fazer enorme diferença, o Corinthians avançou o time, expondo a defesa aos contra-ataques puxados por Eder Luis.
Mas o campo pesado dificultava as arrancadas e os dribles.
Pelo Vasco, Diego Sousa em péssima noite, arruinava os ataques, enquanto o esforçado Alecsandro saía da área, deixando o time cruzmaltino sem referência no ataque.
Fernando Prass fez uma defesa importantíssima numa cabeçada à queima-roupa de Luis Henrique, aos 15″ da etapa final.
O goleiro Cássio, incensado pela mídia, mostrou apavorante inabilidade nas saídas do gol.
Comprovando o que os “twitteiros” previam, a arbitragem se complicaria aos 26″, ao anular um gol legítimo de Alecsandro.
No lance, o atacante Emerson dava clara condição ao atacante vascaíno.
E isso nem o tira-teima maroto da tv consegue negar.
Cristovão pôs Felipe e Carlos Alberto para correr, acelerando o jogo.
O Timão se segurou e o placar ficou no 0×0.
Para os paulistas, ficou a vantagem de decidir a vaga jogando em casa, com torcida a favor.
Para o Vasco, um gol no Pacaembu complicaria demais a vida do Timão.
Ou seja, jogo ainda mais tenso.

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A BONITA FESTA DOS CAMPEÕES

No Rio e em São Paulo, os dois maiores campeonatos, a situação já estava muito bem encaminhada.
Apesar das imprevisibilidades do futebol – está aí o desfecho dramático do jogo Manchester City e Queen´s Park Rangers – só os fanáticos torcedores de Botafogo e Guarani sonhavam com algum virada na situação.
Fluminense e Santos sagraram-se campeões com méritos incontestáveis.
Para quem ainda tenta macular a conquista do Flu, lembro que eles ganharam os três troféus em disputa (Taça Guanabara, Taça Rio e Campeonato Carioca).
Do Santos há pouco para se falar, sómente bater palmas.
Tirando esses, eu destaco aqueles campeonatos nos quais ainda havia o prazer da disputa, pois nada havia sido decidido, estava tudo em aberto.
Na maiorira absoluta dos campeonatos, o time com melhor campanha decidia em casa e com a vantagem de “dois resultados iguais”.
Na verdade, com a vantagem de poder jogar pelo empate nos dois jogos (tomada ao pé da letra, duas derrotas também dariam o título ao time com melhor campanha).
A exceção foi no Rio Grande do Sul, pois caso se repetisse o placar do primeiro jogo (1×1), a decisão seria nos penaltis.
E no Beira-Rio lotada houve um jogão.
Diante de Aos 26″, o Caxias abriu o placar com Michel e ainda perderia umas três chances de ampliar.
No segundo tempo o Internacional melhorou e veio disposto a decidir.
Aos 6″, Nei perderia um penalti a favor do Internacional.
O goleiro do Caxias, Paulo Sérgio, estava numa tarde iluminada e segurou o bombardeio colorado até que, aos 21″, Sandro Silva empatou.
Aos 26″, foi a vez do artilheiro Leandro Damião marcar o dele, garantindo o bi-campeonato para o Internacional.
Nos demais campeonatos, graças ao regulamento, um dos times entrou com a vantagem do empate.
Foi assim no mineiro, aonde o Atlético-MG acabaria vencendo o América-MG por 3×0, após o empate por 1×1 no primeiro jogo.
A situação repetiu-se no goiano, onde o Goiás empatou os dois jogos (2×2 e 1×1) diante do Atlético-GO.
No paranaense, o Coritiba levou a taça nos penaltis diante do Atlético-PR, após o empate no tempo normal por 0×0.
Na Bahia, o empate eletrizante entre Vitória e Bahia por 3×3 deu o título ao time tricolor baiano, após 11 anos sem título estadual.
E em Recife, no dia do aniversário de 107 anos do Sport, com toda a festa preparada, o Santa Cruz jogou água no chopp e levou o título, chegando ao bi-campeonato.
Cerca de 31.998 pagantes – e certamente mais 32 mil presentes – assistiram a um jogão.
Nervoso,  tenso e pegado como deve ser toda decisão, com cinco gols para o povão vibrar.
Branquinho abriu o placar para o Santa aos 12″ da etapa inicial e a massa ainda comemorava quando Moacir empatou, aos 13″. 
Dênis Marques pôs o Santa novamente na frente, aos  39″.
Precisando do empate para sagrar-se campeão, o Sport veio cuspindo fogo no segundo tempo, mas aos 29″, Luciano Henrique marcou o terceiro gol do Santa Cruz.
Alguns torcedores do Sport já se retiravam quando Edcarlos marcou o segundo gol do Sport, aos 35″.
A partir daí, tensão total. A torcida do Santa não se arriscava a gritar “é campeão”, num agonia que só terminou quando o árbitro Sandro Meira Ricci encerrou o jogo.
A ironia dos campeonatos ficou a cargo de Santa Catarina, aonde o Figueirense venceu os dois turnos, mas obrigado pelo regulamento, teve que disputar dois jogos.
A vantagem de poder deicir em casa foi para o vinaagre após a derrota de 3×0 para o Avaí no primeiro jogo.
Ontem, nova derrota, dessa vez por 2×1 e o título foi para o rival.
Coisas do futebol brasileiro e seus cartolas criativos.
A todos os campeões, um forte abraço!

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