Arquivo de janeiro de 2012

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NO FUTEBOL, QUERER NÃO É PODER

Antes de começar, a expectativa no campeonato do Rio era a seguinte: Vasco, Fluminense e Flamengo se engalfinhariam nas batalhas sangrentas das Libertadores e o Botafogo se daria bem.
Com o novo técnico, Osvaldo Oliveira, objeto de desejo há algum tempo, o recém-contratado Andrezinho, os redivivos Maicosuel e Elkeson e Jobson, o “agora vai!”, houve quem se iludisse.
Mas o jogo de ontem foi um balde de água geladíssima no mais ferrenho botafoguense.
O empate amargo sem gols contra o Nova Iguaçú, expôs de forma cruel as limitações gritantes do elenco.
De fato, o gramado de Moça Bonita, imenso e mal cuidado, não ajuda, mas o time precisa jogar.
Maicosuel deve estar com algum problema físico muito sério. Em determinado momento, dominou a bola, deu uma volta em torno de si mesmo, olhou para Elkeson, a cerca de 3 metros de distância e tocou… nos pés de um jogador do Nova Iguaçú.
Repetiria tal “bisonhice” ao longo da partida, até que a torcida começou a vaiá-lo.
Elkenson é outro que vem devendo faz tempo.
O velho recurso de cruzamentos para Loco Abreu persiste.
Para se ter uma idéia, o alvinegro cruzou 33 bolas na área, sendo 24 para Loco Abreu e apenas 1 foi alcançada pelos atacante.
Para complicar a vida do Botafogo, no próximo domingo, terá pela frente o Flamengo.
Um clássico que pode adquirir ares dramáticos, dependendo dos resultados do meio da semana.
Principalmente em caso de um resultado desastroso do Flamengo frente ao Potosí.
Disperso, relapso, aparentando desinteresse, jogando numa lentidão absurda, o time deve ter irritado o técnico Osvaldo de Oliveira.
Esse, com seus discursos motivacionais e seu linguajar empolado – pedante talvez seja o mais correto – pode estar induzindo alguns jogadores a pensar que “querer é poder”.
Só que no futebol isso definitivamente não funciona.

E no estado de Pernambuco, aonde estão os mais apaixonados e legítimos torcedores do futebol brasileiro, ocorreu um jogaço.
Sport e Náutico brindaram a torcida com uma partida disputada, com sete gols.
Como sempre, a torcida chegou junto e 24.717 torcedores fizeram um belo espetáculo.
Sem violência, sem mortes, como convêm aos que realmente gostam de futebol.
Parabéns pernambucanos!

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O FLAMENGO SE PREPAROU PARA QUÊ?

Realmente, o ano de 2012 não está começando muito bem para o Fla.
A crise entre Luxemburgo e Ronaldinho, atrasos de salário, que culminaram com a saída do zagueiro Alex Silva e insatisfação de Deivid, a perda de Thiago Neves para o rival Fluminense e outras que ainda não são do conhecimento público.
E até as coisas aparentemente planejadas com esmero dão errado.
Relembrando, o Fla foi bem antes para a Bolívia, para se preparar de forma meticulosa para o primeiro confronto da Libertadores.
A logística mostrou-se apurada.
O clube chegou a  alugar 15 veículos para deslocar o elenco para o primeiro treino em Potosi.
Cuidado com a hospedagem, alimentação, etc.
Mas ontem, quando a bola rolou, faltou o principal: jogar bola.
Para equipes não ambientadas à altitude, esses jogos são sempre complicados.
Mas um time afinado e com um ou outro talento conseguem se superar.
Quem acompanhou o jogo percebeu desde o início que a saída de Thiago Neves – ainda que ele não viesse apresentando uma performance notável – fará falta.
O time local começou atacando mas também ficou claro que não é nenhum Barcelona sul-americano, muito pelo contrário.
Atacavam, chutavam de longe e chegaram a ameaçar, sobretudo em bobeiras, como a de Renato Silva, que cabeçeouo uma bola para trás e armou um ataque perigoso.
Até que, aos 29″, Léo Moura encarnou “aquele” lateral de outras épocas, envergou o lateralzinho fraco e rolou para Luiz Antonio abrir o placar.
Os fogos ainda ecoavam no meu bairro quando o Potosí empatou, numa cabeçada do zagueiro Centurion, que subiu sem marcação.
O gol deixou claro a fragilidade da zaga rubro-negra, algo já observado no ano passado.
E o jogo ficou nesse rema-rema até o intervalo.
Ronaldinho jogava um futbeol burocrático e Deivid fazia o possível no ataque, mas depende de alguém que faça a bola chegar a ele.
No segundo tempo, como esperado, o time do Flamengo sentiu ainda mais o desgaste e o Potosí, limitadíssimo, arriscava em chutes de longe.
Nesses momentos, Felipe provava porque é um dos melhores goleiros do Brasil.
Fez pelo menos umas duas defesas difíceis e deve aguardar ansioso a estréia do zagueiro Marcos Gonzalez, ex- Universidad de Chile.
A defesa com Welinton e David é seguramente uma das piores do futebol carioca e fica atrás de duplas de zaga de muitos times pequenos.
Aos 11″, Brittes aproveita falha bisonha de David e marca o segundo gol para o time boliviano.
O técnico Luxemburgo ainda tentou reverter, promovendo a entrada de Bottinelli e Negueba, mas foi um tiro na água.
Menos mal que uma vitória simples na próxima quarta-feira garante a vaga.
Mas jogando essa bolinha que jogou ontem, o Flamengo não passa da primeira fase.
E fica a pergunta, se era para fazer isso, o time poderia ter embarcado para a Bolívia na véspera do jogo.

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EM VEZ DE TÉCNICOS, INVENTARAM UM ABAJUR

Em sua edição do último sábado,  o jornal Lance! estampou uma charge genial.
Nela, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, aparece caracterizado como ventríloquo e tem sentado em seu colo ninguém menos do que Ronaldo, como um boneco.
A figura é cruel com o ídolo Ronaldo Fenômeno, que tantas alegrias trouxe ao povo, enquanto jogador genial.
Mas é reveladora e expressa a impressão geral.
Desde o primeiro momento, assim que aceitou o convite, Ronaldo sempre deixou clara sua notória dificuldade em lidar com o aspecto técnico do cargo.
Ao invés disso – acredito que orientado nesse sentido – assumiu uma postura de “boa praça”, o cara que “traria a seleção para o povo” e outras bobagens do gênero.
Não seria o engravatado, o “executivo arrogante”, nada disso.
Por exemplo, na semana passada, fotos reproduzidas na mídia apresentavam Ronaldo, Jérôme Valcke (FIFA) e Aldo Rebelo (Ministro do Esporte) abraçados.
Enquanto o secretário da FIFA e o ministro apresentavam-se impecáveis, de terno e gravata, Ronaldo exibiu-se de terno, sem gravata, em tom demasiadamente informal.
Bem de acordo com a imagem do cara “não técnico”, mas como o “boa-praça que resolve”.
Mas que ninguém se deixe enganar: um evento como esse exige alto preparo, conhecimento técnico de alto nível, capacidade para discutir contratos, etc.
Sujeitos “boa-praça”, “amigos do Rei”, etc. são dispensáveis.
Ao inventá-lo num cargo que exige um preparo que ele definitivamente não tem, Ricardo Teixeira, ardiloso como sempre, pode ter arrumado um excelente bode expiatório.
No mundo empresarial, quando se põe alguém despreparado em cargo técnico, geralmente por indicações meio capengas, a turma do chão de fábrica logo o rotula como um “abajur”, mero objeto decorativo.
E, sintomáticamente, o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke tem demonstrado a interlocutores seu espanto com a falta de embassamento técnico tanto de Ronaldo como de Aldo Rebelo.
Pior ainda, segundo ele, é que ambos parecem não se entender.
Mas é na mão desses dois “abajures” que estão as decisões chave da Copa.
E vida que segue…

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ESTADUAIS SÃO O “CACHORRO MORTO” DA VEZ

Em todo o Brasil, tiveram início ontem os campeonatos estaduais.
Os de maior relevância, claro, são os do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Não é meu objetivo analisar o desempenho dos times na primeira rodada, sobretudo porque nada pode ser avaliado, de forma séria, por apenas um jogo.
Mas entra ano e sai ano, observo a enfadonha repetição da mesma ladainha: os estaduais estão falidos, estão inchados, não tem lugar no “futebol negócio”, patati-patatá.
Não vou chegar ao ponto de enxergar algum tipo de teoria da conspiração, mas que alguns pontos são interessantes, lá isso são.
A maioria absoluta das críticas, parte daquela turma neófita, comentaristas que surgiram há pouco no cenário, alguns com toda pinta de que jamais foram a algum jogo do estadual – aliás, eu me pergunto se alguns desses gostam de futebol.
Se esquecem de que a sobrevivência dos grandes, queiram ou não, gostem ou não, passa pela sobrevivência dos pequenos.
O atual quadro de disparidade absurda começou quando começaram a privilegiar os clubes grandes em detrimento dos pequenos.
Os estádios pequenos começaram a ser deixados de lado e, salvo em exceções como a desse ano no Rio, são solenemente ignorados.
A mídia esportiva é sempre pródiga em criticar, mas nunca – repetindo, nunca – a vi apresentar esboço de soluções.
Afinal, é mais fácil criticar, pois não exige grande esforço mental.
Deve ser por isso que nunca presenciei alguém da área jornalística esportiva migrar para uma carreira de sucesso como gestor esportivo.
E assim, seguem batendo em “cachorro morto”.
Eu apóio os estaduais, apesar de toda maré contrária.
E vou mais além: no dia em que acabarem definitivamente com os estaduais, estarão fortalecendo de forma irreversível o nefasto modelo “futebol business”, que promete ser o túmulo de nosso futebol.

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APENAS BOAS LEMBRANÇAS

Leio que nessa edição do campenato estadual do Rio – campeonato carioca seria se fôsse disputado sómente por times da cidade do Rio de Janeiro – teremos a volta de estádios tradicionais, como Conselheiro Galvão (Madureira), Moça Bonita (Bangu) e Godofredo Cruz (Campos).
Para quem não é do Rio, os dois primeiros ficam em bairros da cidade do Rio e o terceiro fica em Campos, no litoral norte do estado.
Para a turma mais recente, falar sobre esses estádios e o que eles representaram para o futebol do estado é como falar de ossadas de dinossauros.
A partir da década de 90, quando a mudernidade começou a dar as cartas, esses estádios começaram a ser vistos como estorvos, que apenas atrapalhavam o business.
Afinal, num futebol que já se antevia como uma fonte de recursos, estádios de clubes pequenos, localizados em bairros, com toda a improvisação que os cercava estavam fora do contexto.
Fora com eles! Acreditem jovens, por incrível que pareça, o campeonato estadual do Rio já teve jogos no campo do Rua Bariri (Olaria), no estádio do São Cristovão, no estádio Ítalo Del Cima, em Campo Grande – que se orgulhava de possuir um campo maior do que o Maracanã – , no campo do Bonsucesso e vários outros.
Vários desses jogos em estádios pequenos entraram para a história, com histórias de superação heróicas e resultados que derrubaram favoritos.
A pressão da torcida era quase insuportável e chegava aos limites do razoável.
Um jogo no estádio da Cabofriense, em que tinha gente pendurada até em marquises, sempre era citado como exemplo da inviabilidade de manter jogos nesses estádios.
Para piorar, a queda de qualidade dos elencos dos chamados “grandes” tornava cada vez mais arriscado sair da segurança do Maracanã para ir enfrentar as feras lá em seus alçapões.
Assim,  juntou-se a fome com a vontade de comer e os simpáticos estádios dos pequenos foram sendo relegados ao esquecimento.
Viraram palco de jogos da segunda e terceira divisão, campeonatos de sub-20, sub-18 e vai por aí.
A derrocada dos campos dos clubes pequenos coincide com o surgimento da “cultura do Maracanã”, formando toda uma geração que só curte futebol se for nesse estádio.
É essa geração que tem a chance de conhecer esses simpáticos estádios,  que exalam o amor pelo futebol talvez em sua forma mais pura: sem glamour, mas com dedicação total.
Você, no Rio, não perca a chance!

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EI TORCEDOR, ME DÁ UM DINHEIRO AÍ…

O ano começou com uma notícia que soou meio como pegadinha para alguns.
De fato, para os incautos, a divulgação de que o Corinthians, em parceria com um grupo de empresários, iniciaria crowdfunding para repatriar o volante Cristian, teve todo jeito de “1º de abril” fora de época.
A idéia é simples: ganhar a adesão dos corinthianos e levantar através de doações os 16 milhões de reais que o Fenerbahçe (Turquia) exige para liberar o atleta.
A princípio, os torcedores poderão fazer doações mínimas de R$100. Bradesco e Cielo entrariam como parceiros no bolo doido. 
Mas existem equívocos sérios no processo em andamento e que podem comprometer – se é que já não comprometeram – a chamada “melhor das intenções”.
De forma simplista, crowdfunding pode ser definido como um movimento bem organizado e bem estruturado que valoriza a participação democrática dos indivíduos, que através de seu apoio – inclusive financeiro – tornam realidade iniciativas que não teriam estrutura de apoio pelos meios “normais”.
Ou seja, é algo mais voltado para engajamento, compromisso, vontade de provocar mudanças.
A criação de um fundo pra levantar recursos para empresários pagarem uma multa recisório e contratar Christian – ou qualquer outro jogador – é diferente.
O nome correto é outro, mas vamos educadamente rotular como “proposta indecente”.
O torcedor que “investir” seu suado dinheirinho não terá interação alguma no processo.
Talvez – veja bem: talvez – tenha acesso às informações auditadas do total arrecadado e de seu destino.
Interessante que nunca surgiu dentro dos clubes algum iluminado com um projeto de crowdsource que possibilitasse a participação dos torcedores nas decisões.
Mas para “investir”, aparece.
Concordo com o pessoal do crowdoque.typepad.com, que sugere: Torcedor pegue este dinheiro e invista em projetos sociais que utilizam o esporte para educar e trazer dignidade.
Imagina investir 16 milhões de reais em um projeto bacana? Acho que o impacto seria muito maior não?
Sinceramente, sempre que vejo essas idéias “geniais” como essa, lembro daquela piada infame sobre vaquinha, lembra?
Sempre tinha um para falar: “você entra com o rabo!”.
Olho vivo, torcedor corintiano, pois a idéia é mais ou menos por aí.

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OS XODÓS DA VEZ

Muito me tem impressionado dois fenômenos recentes da mídia: UFC e – pasmem! – futebol americano.
Antes que alguém me lembre que o foco do blog é futebol, esclareço que meu arrazoado tem a ver com o “nobre esporte bretão”.
Semana passada pude acompanhar o autêntico frenesi que tomou conta da turma endinheirada aqui do Rio, que exibiam como troféus os ingressos para o UFC.
Havia prometido a mim mesmo que não iria dar ressonância ao UFC – e prometo não fazê-lo novamente.
Não o considero como esporte. É pancadaria, pura e simples. Briga de rua com grife.
O discurso de Dana White, que pretende atropelar os demais esportes, afirmando em alto e bom som que “seremos o maior esporte do mundo”, expõe o tom beligerante, presunçoso e arrogante do líder do empreendimento.
Interessante que, ao ser indagado sobre a razão de tamanha convicção, ele insinua que já é o maior esporte dos EUA – ué, e o basquete? – e, consequentemente, logo serão o maior do mundo.
Outro fenômeno é o futebol americano.
Absolutamente do nada, a mídia “descobriu” o futebol americano e começaram, via mídias socias, o bombardeio.
Quem vive full time no Facebook e Twitter já descobriu que, nas últimas semanas, não passam 2 posts sem algum “comentarista esportivo especializado” comentar sobre o último jogo do futebol americano, citando jogadores, jogadas, placares, etc. Até manual para os iniciados são oferecidos.
O mais interessante são algumas situações artificialmente fomentadas, de forma que o assunto vire o factóide da vez. Uma aula de promoção, parabéns!
Mas até meu filho Gustavo, do alto de seus seis anos bem-vividos, já percebeu que nesse mato tem coelho. Aliás, coelho não, tem milhões de dólares.
Evidentemente, nada contra a promoção desses ou daquele esporte, transmitido pelo canal A ou B.
Para muitos, nosso futebol, pela sua desorganização e pela “decadência”, já deveria ser substituído por outros esportes, mais “organizados”.
Nesse sentido, a saudável concorrência de outras modalidades talvez fizesse a CBF e o clubes se mexerem. É, pode ser…
No entanto, existe um ditado antigo que recomenda cuidado para que o remédio não acabe matando o doente.
Os clubes do Brasil com elencos de futebol americano ainda são incipientes, de pouquíssima relevância, sómente para os fanáticos.
O UFC vai bem, obrigado, até que a primeira luta mande alguém para a UTI, com transmissão ao vivo e a cores.
E não é repetindo insistentemente que ambos são “os novos xodós do público” que isso virará realidade.
Mas como dizia Goebbels, “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Acho que é mais ou menos por aí.

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SOBRE CHAPÉUS, VAQUINHAS E OUTROS MICOS

Caros,

Para um observador atento, esse início de temporada vem oferecendo sinais interessantes.
E, ironia das ironias, talvez seja a tão criticada Rede Globo – eu sou um dos principais críticos – que está forçando mudanças no viciado “modus operandi” dos clubes. Como?
No ano passado, por ocasião da renovação dos contratos de direitos de transmissão, houve gritos de júbilo pelos valores alcançados.
Corinthians e Flamengo, os dois maiores favorecidos, poderiam enfim contar com valores dignos de sua grandeza.
O futuro parecia sorrir aos dois.
No entanto, o novo ano começa sombrio para ambos.
Reza a lenda urbana futebolística contemporânea que a Globo teria acabado com os famosos adiantamentos de verba. Assim, findo o milho, acabou a pipoca.
E o que restou?
O Flamengo outra vez iniciou aquelas chatíssimas novelas, seja da renovação/contratação de Thiago Neves, como a da caricata tentativa de repatriar Vagner Love.
Thiago Neves já se foi, contratado pelo Fluminense, num episódio repleto de erros e atitudes amadorísticas dos dirigentes rubronegros.
E Vagner Love… bem, alguém aí acha que os russos irão vendê-lo em 60 parcelas?
Como se não bastasse, a estrela maior do elenco, Ronaldinho Gaucho, já deu sinais claros que sua paciência com os atrasos de direitos de imagem já acabou.
O Corinthias não está em melhor situação.
Como 90% dos clubes brasileiros, está afogado em dívidas.
De clube que ia comprar Tevez, pagando à vista (?), agora propôe “vaquinha” para comprar Christian.
Para quem não sabe, o tal “crowndfunding” é o nome chique de “vaquinha”.
O torcedor, que não é otário, ou pelo menos não é tão otário quanto alguns gostariam que fosse, pulou fora.
Posso estar enganado, mas quem sabe estejamos assistindo ao início de uma fase de “choque de realidade” para os clubes?

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CADÊ O DINHEIRO?

Na realidade futebolística de nossos clubes, administrados como quitandas, nada como um dia após o outro.
Ano passado, durante o arranca-rabo ocorrido nas negociações envolvendo os direitos televisivos, ouviu-se de tudo.
Promessas mirabolantes, do tipo “chegou a era de prosperidade” para os clubes brasileiros, foram ouvidas sem cerimônia.
Flamengo e Corinthians, que foram os clubes melhor aquinhoados na nova divisão, soltaram fogos a granel, comemorando a súbita riqueza.
No Flamengo, o Leonardo Ribeiro, presidente do Conselho, proclamou que o orçamento 2012 seria o maior da história.
As previsões mais otimistas afirmavam que o clube teria recursos para contratar quem quisesse, na Europa, na América do Sul, no Japão, em Marte, etc.
Pano rápido.
Começa o ano de 2012 e a situação é um pouco diferente.
Parece que a Globo mudou as regras, e agora não adiantarão mais parcelas dos direitos televisivos.
Isso seca a torneira para vários clubes, acostumados a antecipar direitos, uma prática nociva, pois compromete futuras gestões.
Assim, a contratação de Thiago Neves virou novela – chata, diga-se de passagem – e a tentativa de contratar Vagner Love virou piada.
No primeiro caso, os árabes se irritaram profundamente quando o Flamengo, após ter acordado uma forma de pagamento, propôs mudanças no prazo. Azedou…
No caso de Vagner Love, a proposta de parcelar o pagamento em 60 vezes foi classificado pelos russos como “inaceitável”.
Acredito até que a expressão que eles usaram foi outra, mas o tradutor foi polido e traduziu como “inaceitável”.
Nessa fase de pré-temporada, alguns jogadores tem usado a imprensa para manifestar insatisfação com atrasos no pagamento de luvas, direitos de imagem, etc.
Para quem declarou que havia chegado a era da abastança e fartura, a realidade está sendo cruel.

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A COPINHA É O PROGRAMÃO DAS FÉRIAS

Infelizmente,  ainda não tive oportunidade de passar o período das férias no interior paulista, um região que gosto muito.
Imagino que no mês de janeiro algumas cidades tenham um interessante atração: os jogos da Copa São Paulo de Futebol Júnior.
São José do Rio Preto, Lins, Ribeirão Preto, Batatais, Araraquara, Monte Azul Paulista, Leme, Sumaré, São Carlos, Campo Limpo Paulista, Louveira, São bernardo do Campo, Jaguariúna, Águas de Lindóia, Taubaté, São José dos Campos, Limeira, Porto Feliz, Osasco, Barueri, Taboão da Serra, São José dos Campos e a capital São Paulo sediarão a edição 2012 do evento, que começa amanhã.
Acompanho pela tv e acho muito bacana a participação do público, principalmente nas cidades interioranas.
A entrada franca, aliada a tradicional falta de opções de lazer e ao grande afluxo de visitantes na época de férias,  ajuda a encher os estádios.
Para os puristas e para os eternos insatisfeitos, “o nível é muito baixo” e “é apenas balcão de negócios para empresários”.
Na verdade, a coisa deu uma melhorada, pois basta lembrar que há alguns anos, os grandes times do Rio e SP haviam se retirado da competição,  pois o caráter mercantil do evento o desacreditara.
A FPF interveio e deu uma melhorada, embora os “clubes-Frankestein” – esquisitices montadas apenas para disputa do evento – ainda marquem presença.
Mas a presença de grandes clubes do Brasil animará algumas cidades, o que obriga a organização do evento a cobrar ingressos para algumas partidas.
Estarão em campo: Cruzeiro, América e Atlético (MG), Fluminense, Flamengo, Vasco e Botafogo (RJ), Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Portuguesa e Santos (SP), Grêmio e Internacional (RS), Coritiba, Atlético e Paraná (PR), Sport (PE), Vitória e Bahia (BA) e outras equipes tradicionais.
Não tenho ilusões de que será um desfile de craques sobretudo pela presença desses “clubes-garimpos”.
Conheço alguns e o método de trabalho assemelhasse a fábricas: investem na produção em escala industrial na esperando o surgimento de um ou dois craques que, negociados, justificariam o investimento. O restante dos garotos é dispensado sem maiores escrúpulos, com seus sonhos e ilusões limados sem pena.
Noves fora essas agruras, a “Copinha” é uma excelente atração.
Se você tem a sorte de morar numa dessas cidades ou se está lá, curtindo suas merecidas férias, prestigie!
Vá que daquie há alguns anos você possa dizer que viu um grande craque jogando na cidade aonde estava de férias?