Arquivo de fevereiro de 2011

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ADRIANO IMPERADOR: VALE A PENA VER DE NOVO?

Não ria, mas parece que Adriano Imperador qualquer hora dessas vai aparecer de novo no futebol brasileiro.
Depois da novela envolvendo seu regresso para o Roma, quando ele adiou por três vezes o embarque, a paciência dos italianos parece ter chegado ao fim.
Durante sua permanência de duas semanas no Rio, o Imperador mostrou que continua em forma. E que forma!
Foi parado numa blitz da Lei Seca, se recusou a fazer o teste do bafômetro e perdeu a carteira.
Era figurinha carimbada em churrascarias e atividades correlatas.
Apareceu em várias fotos bem à vontade, de bermudão, ou bebendo um chopp, com aquela corrente de ouro no pescoço.
Enfim, esse povo que sabe viver!!
Mas infelizmente existe algo chamado trabalho ou compromisso com o clube, como queiram.
A irritação com a demora no regresso somou-se a ausência de Adriano na vistoria média marcada para ele no CT do Roma para exames que monitorariam a quantas anda a lesão no seu ombro direito.
Aí os italianos soltaram fogo pelas ventas.
O diretor de operações Gian Montali soltou os cachorros e chegou a ameaçar com rescisão de contrato.
“Fizemos muito por este jogador e, por isso, seremos duros. Lutaremos pelos interesses da Roma. O contrato prevê cláusulas bem precisas, que poderiam conduzir até a uma rescisão”.
Uma coisa eu concordo com o nobre Gian: o Roma fez muito por Adriano.
Para quem esteve preso dentro de alguma mina de carvão nos últimos meses, lembro que Adriano estava se complicando todo aqui no Brasil, inclusive tinha virado frequentador das páginas policias dos jornais de escândalo.
O Roma surgiu como um pai coruja em busca do filho mimado – e encrenqueiro.
Malas prontas, o Imperador se foi, renegando a Pátria Amada, o Mais Querido, a Vila Cruzeiro e sei lá o quê.
Mas, em seis meses de Itália, só jogu oito partidas pelo Roma e não marcou um mísero gol.
Apesar do empresário de Adriano, o ex-goleiro Gilmar Rinaldi viver repetindo que “não existe problema algum”, acho que dessa vez o caldo entornou.
Mas pior do que as estrepulias de Adriano é ver flamenguistas alegres com a possibilidade dele retornar à Gávea.
Já pensou? Adriano Imperador, Ronaldinho Gaúcho e – como andam falando por aí – Vágner Love no segundo semestre?
Só o BOPE para segurar…

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NO RIO, HÁ ESPAÇO PARA ZEBRA?

Quis o destino que Flamengo e Boavista decidissem a Taça Guanabara.
Ao longo dessa semana, aqui e ali, ouço um ou outro torcedor me dizendo que o Boavista pode aprontar, que decisão é decisão, etc, etc.
De fato, o futebol é o único esporte coletivo – ou um dos poucos – em que um time tecnicamente inferior pode suplantar outro superior. Exemplos não faltam, basta procurar.
O próprio Flamengo proporcionou um dos maiores vexames de sua história – na minha opinião, o maior – ao ser derrotado na final da Copa do Brasil de 2004, pelo Santo André por 2×0, em pleno Maracanã lotado.
E não era um time de mulambos, muito pelo contrário.
Para ter uma idéia, o goleiro era Julio Cesar, hoje na Inter de Milão e Felipe, hoje no Vasco, estava em campo. Claro, naquela ocasião prevaleceu a soberba e era evidente que poucos no Fla estavam acompanhando o desempenho do Santo André.
Acredito que hoje a situação seja diferente.
Uma comparação entre os finalistas mostra a diferença.
O Flamengo…, bem o Flamengo é o Flamengo, conforme definição genial de Ronaldinho Gaúcho.
Sómente o salário de Thiago Neves é superior a toda folha de pagamento do time de Saquarema.
A diferença é termos de valores tambem é nítida, embora não seja abissal como alguns querem fazer crer.
Eu parto do príncípio que, em se tratando de futebol profissional, qualquer um ali domina o básico do futebol. Claro, existem os extra-série e o Flamengo os tem: Ronaldinho Gaúcho,  Thiago Neves e Leo Moura.
Tirando esses, pra mim o resto é tudo japonês.
O Boavista, até pelo discurso dos jogadores, deixa claro que vai entrar bsucando se segurar para levar o jogo para o empate e consequente decisão nos penaltis.
Penalti é loteria, bradam alguns. Só concordo com isso quando os dois times são altamente técnicos.
Nesse contexto, todos os cinco primeiro acertarão.
Depois, alternadamente, todos irão acertar suas cobranças, até que, vencidos pelo cansaço, alguém irá errar. Só assim eu concordo com essa tese.
O problema é que hoje, nessa época que os jogadores não treinam fundamentos desde a época de infantil, poucos sabem cobrar penalti de forma eficiente.
Cabe ao Flamengo não deixar o jogo se complicar.
A responsabilidade é toda dele, o Boavista entrou de penetra na festa.
Partir prá dentro e tentar resolver logo. Se cair na armadilha de achar que decidirá na hora que quiser, poderá se complicar, pois o Boavista tem bons jogadores no ataque e vai que…
Com placar adverso, os minutos parecem correr mais rápido.
Em situação normal de temperatura, pressão e umidade, deve dar Mengão.
Mas a lembrança daquela fatídica decisão de Copa do Brasil ainda arrepia alguns.

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FLU: A CARRUAGEM VIROU ABÓBORA?

De campeão brasileiro, cantado em prosa e verso como o melhor time brasileiro, com o maestro argentino Conca à frente a “fogo de palha” e um bando de enganadores.
Entre as duas afirmações pouco mais de dois meses.
Notícias vindas das Laranjeiras contam que até mesmo Muricy já tem seu trabalho questionado.
“Só se dá bem em campeonatos de pontos corridos”, bradam pelas arquibancadas, ignorando a falta de lógica da afirmação.
A parte “sensível” da imprensa, que não suporta caras sérias e sisudas, já diagnosticou que o “semblante sério” de Muricy está causando mal-estar no clube.
Aí eu fico imaginando se essa turma tivesse convivido com Iustrich e João Saldanha. Sei lá, deixa quieto…
O Fluminense não é o único dos quatro grandes do Rio com problema no início de 2011.
O Vasco só agora começa a se acertar, o Botafogo bateu de frente com o River Plate e o Flamengo vence, mas não convence.
O X da questão é que ao Fluminense estavam reservadas as glórias supremas da Libertadores.
Com a ajuda marota da mídia, criou-se no imaginário do torcedor tricolor que o Fluminense disputaria a Libertadores só para cumprir tabela.
Os mais assíduos aqui na lista devem se lembrar que, mesmo quando tudo era riso e alegria, alertei que tanto Fluminense como Corinthians estavam devendo dentro de campo, se complicando sempre que encaravam times que tinham algo a disputar. Ou não foi assim?
Como a desgraça nunca vem só, as contusões de Emerson e Fred quebraram o ataque, que só agora parece ter encontrado em Rafael Moura um jogador com poder de fogo.
Não lamento as ausência de Deco e Beletti, pois se lamenta a ausência de quem pode fazer diferença.
Não é o caso de nenhum dos dois.
Agora, o resumo da ópera é o seguinte: dois jogos já disputados pela Libertadores, ambos em casa, com torcida – mínima – a favor.
Dois empates, sendo que o primeiro contou com o juiz amigo.
Dois pontos e a terceira posição na tabela.
Pode ganhar os jogos fora e se classificar? Poder, pode, mas embora futebol não tenha muita lógica, existe um mínimo de razoabilidade,
Emerson talvez volte no jogo de quarta-feira, lá no México, mas o problema é atrá da linha de meio campo.
Aliás, vamos combinar o seguinte: a defesa do Flu é fraca, ok?
Mariano, Gum, Leandro Euzébio, Carlinhos, André Luis, Digão e por aí vai, estão claramente descompassados com o meio campo e ataque.
Ressalto que, em termos de defesa os quatro grandes do Rio estão mal das pernas, mas isso é assunto para outro blog.
Voltando à vaca fria, ou o Flu se acerta, ou a temporada vai complicar logo, logo.

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CLUBE DOS 13: UMA BRIGA ONDE TODOS PERDEM

Vamos ao calendário.
Hoje é 23 de fevereiro de 2011 e estamos a cerca de a pouco mais de três anos do início da Copa do Mundo 2014.
Ainda não temos nenhum estádio com mais de 50% das obras encaminhadas.
Pior, em alguns estados tem estádio que ainda nem começou a ser construído.
Mas nada que muita grana não resolva. Afinal, país rico é outra coisa.
O pior, para quem sabe ler nas entrelinhas, são as obras de infra-estrutura.
Pois uma coisa é construir os estádios, outra, também vital, é termos aeroportos, rodovias, complexos hoteleiros e aparato de segurança para as hordas de turistas e os próprios brasileiros que se movimentarão dentro do país.
Nesse ponto, a coisa está feia, aliás, feíssima.
Mas como dizem que sempre é possível piorar, estamos assistindo ao racha no Clube dos 13.
Tudo muito mal explicado, confuso, com todo jeito de picuinha barata.
Os dissidentes alegam que os termos da atual negociação de mídia não os agrada.
Ok, mas o que exatamente está errado? valores? Prazos? Termos do contrato?
Isso até agora ninguém veio a público revelar.
Ou pelo menos não de forma clara.
A carta aberta, assinada pelos presidentes dos quatro grandes do Rio, é enigmática.
Alegam “Não reconhecer como adequada a forma pela qual, até aqui, o Clube dos 13 conduziu, perante aos associados, o projeto para o novo contrato de transmissão”.
Assim, mostram-se dispostos “os mesmos a tratar, diretamente com as empresas interessadas, todos os aspectos comerciais referentes aos direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro.”
Há quem aposte que se trata de bravata dos clubes cariocas. Pode ser…
Em São Paulo, André Sanches – o Eurico Miranda com pintura metálica, freio ABS e faróis de xeon – rugiu que iria sair do Clube dos 13, se esquecendo que o Timão tem uma dívida alta com a entidade.
De fato, esse tipo de discussão, da forma como se apresenta, apenas expõe a falta de liderança no futebol brasileiro.
Cada dirigente de clube, de forma amadora e passional, sempre tenta conseguir vantagem para seu clube – ou maior visibilidade para si, no caso daqueles com ambições políticas.
O que o torcedor inteligente precisa entender é que um racha agora não é interessante para ninguém.
Engana-se quem achar que A, B ou C irá sair ganhando.
Globo, Record, CBF, clube dos 13, dos 14, dos 80, etc. todos seriam prejudicados.
Apenas para você pensar: se Fla e Timão, por exemplo, negociarem em separado, cria-se um problemaço, pois um jogo de futebol é uma disputa entre duas equipes.
Radicalizando, podemos ter um Brasileirão sem transmissão dos jogos dos dissidentes.
Alguém ganharia com isso? Imagine Flamengo e Corinthians, que dependem desesperadamente da exposição na mídia, fora da grade da TV.
Vamos ver no que vai dar.

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QUANDO A ESMOLA É MUITO GRANDE…

O surpreendente reconhecimento, por parte da CBF, da legitimidade do título de campeão brasileiro do Fla, em 1987, ocorre nada menos do que dois meses após o presidente da CBF ter declarado, em alto e bom som, que não poderia fazer nada a respeito, por existia uma decisão judicial sobre o caso.
Destaco que não quero perder meu tempo – nem o seu, leitor - abordando um dos assuntos mais ridículos que eu já vi.
O Flamengo foi campeão dentro de campo e isso basta – ou deveria bastar.
Mas a repentina mudança de posição da CBF, externada ontem, merece reflexão.
Afinal, como explicar o repentino surto de bondade da CBF?
Quem está atento aos fatos sabe que está em curso a negociação dos direitos de televisionamento do Brasileirão. Coisa de centenas de milhões, que garante audiência em qualquer dia da semana.
Pela primeira vez, todos terão igualdade de condições, sem privilégios e prerrogativas.
Pelo que se viu até agora, as investidas da Globo não estavam tendo muito sucesso.
Mas a decisão da CBF causou um racha no Clube dos 13, organização que está à frente da negociação.
São Paulo x Flamengo é apenas uma das “briguinhas” internas de um grupo que deveria estar unido. Briguinha que já vinha rolando a algum tempo e agora ganhou mais combustível com a declaração do Flamengo que “quer a Taça das Bolinhas”.
Outro personagem chave, Andre Sanches, do Corinthians, é a favor da Globo, por causa da “visibilidade”, maculando uma disputa que deveria ser pautada pelo profissionalismo.
Espero que o Clube dos 13 demonstre, ao menos uma vez, maturidade.
Num momento em que podem negociar valores condizentes com o produto que tem em mãos, não podem se perder em meio a picuinhas e guerra de vaidades.
Querem desdenhar o futebol brasileiro? Lembrem do famoso “quem desdenha…”
O que não pode ocorrer é mais uma vez venderem o Brasileirão a preço de banana, estilo “porteira fechada”.
Passou da hora do futebol brasileiro entrar na era moderna.

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NO RIO, RETA FINAL SEM EMOÇÕES…

O Flamengo conquistou a vaga para a finalíssima da Taça Guanabara nos penaltis.
O Botafogo ficou pelo caminho, derrotado pelas péssimas cobranças.
Não gosto quando jogos decisivos acabam tendo que ser resolvidos nos penaltis.
Fico com a impressão de que faltou competência de ambas as partes.
No caso do jogo de ontem, o raciocínio é correto.
Um jogo morno, sem grandes chances de ambos os lados, com o Fla abrindo o placar numa jogada de bola parada. Poderia ter ampliado? Meio difícil, pelo que foi o jogo.
Aí o Botafogo empatou, com Loco Abreu.
Poderia ter virado? Com o que víamos em campo? Difícil…
Para não dizer que tudo foi perdido, Luxemburgo tirou Deivid – um expectador privilegiado do jogo – e lançou Negueba, que armou uma correria ali pela direita e deu uma animada no jogo.
Mas era pouco, muito pouco.
Ronaldinho Gaúcho, mais uma vez, foi medíocre.
Thiago Neves, dessa vez, ficou devendo.
E o Botafogo… bem, o Botafogo foi o de sempre: dependendo de algum lampejo de Loco Abreu.
Herrera ainda não recuperou sua forma.
Everton, que caminha para ser o mico do ano, nada fez.
Chegando aos penaltis, o único que bateu correto pelo lado do Fogão foi o zagueirão, que quase furou a rede.
A sequência de penaltis mal cobrados só serviu para dar moral para Felipe.
Agora resta a final, no próximo domingo, que não deve reservar grandes surpresas.
O Boavista deve entrar se segurando para tentar levar o jogo para o penaltis.
Pode conseguir? Talvez.
Mas tudo indica que deve dar a lógica: Flamengo.

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HECATOMBE NUCLEAR NO ENGENHÃO

Final de jogo no Engenhão, o placar exibia: Fluminense 2×2 Boavista.
O ar de velório entre a torcida tricolor antes da cobrança de penaltis era evidente, com todo jeito de mau pressentimento. Alguns consideram cobrança de penalti como uma loteria.
Sei lá, até faz algum sentido.
O Flu perdeu sua primeira cobrança, com Conca – logo o cara que levou o time nas costas no ano passado – e a última, com Rodriguinho.
Deu Boavista e com certeza a essa hora a festa está rolando na simpática cidade de Saquarema, na região dos Lagos.
Ao final do jogo, antes do início da cobrança dos penaltis, liguei para meu pai, que tem moradia lá, avisando a ele que poderia rolar festa à noite na cidade. Dito e feito.
E o jogo? O Fluminense abriu o placar com Marquinho, Tony empatou quatro minutos depois.
Antes de acabar o primeiro tempo, o Flu fez o segundo, com Fred, artilheiro da competição.
O Boavista tinha até um desempenho melhor nesse momento.
O time de Saquarema empataria o jogo aos 9″ do segundo tempo, com André Luis.
Para quem pensou que o Flu iria virar, se enganou.
O empate se arrastou até o final do jogo, ante a irritação da torcida.
Mas na realidade o time do Flu, a exemplo dos outros grandes do Rio, ainda está devendo.
E um jogo como esse acaba expondo as deficiências de início de temporada.
Conca fora de forma, a defesa ainda não se encontrou e Fred acabou sentindo.
O pior de tudo é que quarta-feira tem jogo diante do Nacional (URU) pela Libertadores.
Pelo que se viu nesse sábado, o time tricolor terá que melhorar muito, senão vejo nuvens negras logo no início do ano. Um tropeço na quarta-feira, irá provocar cobranças sobre jogadores que estão irregulares, como Mariano.
Essa derrota diante de um rival modesto, numa semi-final de Taça Guanabara, não era esperada e vai acompanhar o elenco pelo resto do ano.
Um péssimo negócio.

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NO RIO, SEM FAVORITOS

A fase semifinal da Taça Guanabara começa no sábado, quando Fluminense e Boavista se enfrentam.
No domingo, é a vez de Flamengo e Botafogo se engalfinharem.
Mas no Rio definitivamente não existe um favorito. Duvidam?

O Fluminense, campeão brasileiro, ainda não se acertou.
Na falta de coisa melhor para se discutir, agora surgiu uma dúvida sobre qual o goleiro que deve ser titular.
Interessante é observar como certos comentaristas “compram a barulho” de alguns jogadores.
Já li e ouvi gente afirmando que Diego Cavalieri não pode ser barrado, por “jogava na Europa”. Pois e´…
Mas jogando na Europa, do Sri Lanka ou do Nepal, falhar como ele falhou no segundo gol do Argentino Juniors é desanimador.
A defesa ainda pode melhorar e Conca ainda não engrenou o ritmo do Brasileirão do ano passado.
A bem da verdade, o primeiro teste razoável, que foi o jogo da Libertadores, o Flu ficou devendo.

O Boavista é o intruso da festa e deve ter a consciência de se portar como tal, sem fazer marola.
Só mesmo uma hecatombe nuclear faria o time de Saquarema pegar uma das vagas na final.

Já o Flamengo ainda está devendo, apesar do discurso repetido de 100% de aproveitamento no Estadual.
Os defensores, com exceção de Leo Moura, não transmitem segurança.
O miolo da zaga não deve permanecer o mesmo no Brasileirão e o lado esquerdo ainda vai mandar muito rubro-negro para o cardiologista.
Ronaldinho Gaucho e Thiago Neves ainda não se acharam, sendo que o primeiro ainda está devendo uma atuação que justifique a fortuna absurda que recebe.
A rigor, o Fla ainda não fez uma boa partida.
No maior desafio até agora, o jogo diante de um Vasco em baixíssimo astral, fizeram dois gols, se acomodaram e quase sofreram o empate.

O Botafogo tem a seu favor Joel Santana, uma raposa felpuda.
Dentro de campo é irregular.
A defesa é confusa, imprevisível, salvando-se apenas Antônio Carlos.
Na frente, o time sofre da dependência de Loco Abreu. Caso ele esteja num bom dia, ótimo. Se estiver numa daquelas crises de mal com o mundo, ferrou…
Herrera não atravessa boa fase, mas pode resolver jogar justo no dia do clássico.

Ou seja, com exceção do jogo de sábado, qualquer resultado no domingo é possível.
Talvez no domingo à noite algum dos grandes passe a justificar algum favoritismo.
Até o momento não há favorito algum.

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O CRUZEIRO ATROPELOU

Essas rodadas de meio de semana que embolam jogos da Copa do Brasil, estaduais e Libertadores são um desafio para quem gosta de futebol pela TV, como eu.
Mas ontem digo a vocês que não tinha dúvidas quanto ao que assistir.
Precisamente às 22h, fiquei fixo assistindo a Cruzeiro x Estudiantes (ARG). Um jogo com cara de deja-vú.
Cruzeiro e Estudiantes se enfrentaram no primeiro jogo de ambos naquela Libertadores que acabariam chegando à final.
O sentimento de vingança não era necessário.
Casa cheia, time alterado para essa partida, expectativa.
O Cruzeiro abriu o placar com menos de um minuto, num chute de Wallyson, que resvalou na zaga e encobriu o fraco goleiro Orión.
Porteira aberta, o time Celeste viu que o bicho não era tão feio quanto pensava – ou pelo menos, não era mais tão feio como no passado.
Com uma defesa fraca, que joga em linha, com Verón visivelmente em declínio – uma pena, diga-se de passagem – o Estudiantes está descendo a ladeira.
O segundo gol comprovou a fragilidade do time argentino.
Começou quando Montillo fez uma jogada belíssima na lateral, quando aplicou uma meia-lua desmoralizante no lateral argentino e virou a bola para Roger. Ele dominou, encarou a marcaço de Verón, deixou-o literalmente na saudade e bateu colocado no canto. Aos 17″ do primeiro tempo, 2×0 no placar.
O Estudiantes avançou o time e chegou a fazer uma pressão.
A torcida fcou meio apreensiva, pois o fantasma do time argentino ainda assombrava.
Mas o terceiro gol, aos 39″, marcado por Montillo, com direito a drible no goleiro e etc.
A torcida fazia a festa, pois o Estudiantes não dava mostras de ameaçar a grande vitória.
O segundo tempo foi mais para passar o tempo. O quarto gol saiu aos 14″, num morteiro de Montillo e ajuda do goleiro Orión.
Caixão fechado, ainda sairia mais um gol, de Wallyson, aos 37″.
Vitória maiúscula, definitiva, que lava a alma da torcida e enche de esperança para os próximos confrontos.
Dos times brasileiros, o Cruzeiro é quem larga melhor.
Que continue assim!!

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RONALDO, UM CRAQUE DA ERA MODERNA SE APOSENTA

O mundo assistiu ontem a anunciada aposentadoria de Ronaldo Fenômeno.
Combalido por problemas físicos, certamente consequência das graves lesões sofridas na carreira, Ronaldo se retira ainda com idade para brilhar bastante, tivesse ele condições físicas para tal.
Mas num esporte de altíssima performance, com pressões absurdas, sua decisão parece a mais sensata.
Eu acredito – apesar dos desmentidos de todas as partes – que a reação da torcida e de parte da mídia após a eliminação do Timão na Libertadores tiveram peso considerável na decisão.
Talvez não tenha sido o fator determinante, mas certamente Ronaldo pôs na balança tudo que ouviu e viu no day-after da derrota para o Tolima, chegando a conclusão que não valeria a pena continuar.
Na verdade, ele antecipou a retirada já datada para ocorrer no final do ano, ao término do contrato com o Corinthians.
Mas tenho lido e observado a repercussão do final de carreira de Ronaldo, ratificando uma vez mais a força avassaladora que a mídia exerce sobre a sociedade.
A ascensão de Ronaldo Fenômeno coincide, de certa forma, com a explosão da web e, num momento seguinte, com a expansão incontrolável das mídias sociais – aliás, nesse sentido, a carreira de Neymar servirá melhor como tese de estudos futuros.
Quero deixar claro que não questiono de forma alguma o talento excepcional de Ronaldo como jogador e sua capacidade formidável de superação.
Isso está fora de discussão e tolo é quem interpreta desse jeito.
No entanto, hoje já li declarações publicadas na web, proclamando Ronaldo Fenômeno como “o maior jogador de todos os tempos”.
Antes de questionar ou criticar o autor, cabe atentar para o momento atual da sociedade, no qual é possível tornar-se uma celebridade muitas vezes por obra do acaso.
Manter-se como celebridade, evidentemente, requer talento, o que Ronaldo tinha de sobra.
Para as novas gerações, que quando muito podem assistir a filmes em preto e branco de Pelé, existe farto material sobre Ronaldo, no momento repetido ad nauseam pelas emissoras.
Concluindo, li declarações de jornalistas e jogadores estrangeiros – sempre gosto de ler suas opiniões nessas situações – e me impressionou a reverência pelo jogador e sua brilhante carreira.
Todos, sem exceção, o reverenciaram.
E aí, nesses momentos, eu não consigo deixar de lembrar de uma parcela de torcedores brasileiros, geralmente gente nova, que mesmo vivendo no país do futebol, único país que teve, entre outros Pelé, Romário e Ronaldo Fenômeno, ainda fique babando pelo futebol jogado em países que, quando muito tem um único craque – e mesmo assim, craque lá para eles.
Aqui, eles sempre acham uma maneira de menosprezar o futebol local.
Afinal, bom é o futebol lá da Zoropa. Coitados…

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