A edição de um certo jornal esportivo dessa terça-feira trouxe uma matéria que, em outras épocas, despertaria interesse.
A chamada de capa, intitulada “Decisão 6 estrelas” se propõe a analisar os seis times teóricamente candidatos ao título brasileiro.
Na matéria própriamente dita, seguem-se análises supostamente cobertas de razão, com doutos em esporte proclamando suas verdades.
E proclamam em alto e bom som pérolas como “Aposto no time A” ou “Com certeza, a equipe Y”.
Para ser justo, dos dez ouvidos, apenas dois se eximiram de apontar de forma definitiva um candidato. Sintomáticamente, um é um ex-jogador de futebol, alguém que sabe que não existem verdade definitivas dentro das quatro linhas.
Mas o que prejudica a análise dos honoráveis comentaristas esportivos é que a crônica esportiva brasileira vem pagando mico atrás de mico esse ano.
Talvez o maior e mais vergonhoso até o momento seja a mal fadada campanha contra Dunga, técnico da seleção.
Achincalhado de forma visceral, criticado até pelas roupas que usava, pelo corte de cabelo, modo de falar, etc, redimiu-se em grande estilo, classificando a equipe do Brasil nas eliminatórias de forma incontestável, além de faturar a Copa das Confederações trucidando os adversários.
Restou aos nobres colegas comentaristas um mea culp vergonhoso e vexatório, com direito a cenas de constrangimento explícito.
Na mesma linha de “pagamento de mico” vale a pena citar o caso Pet.
Quando o Fla anunciou sua contratação, numa transação prá lá de enrolada, todos os cronistas, sem exceção rotularam-no como “ex-jogador em atividade”, mulambo, enganador, etc.
Agora que o “ex-jogador em atividade” apresenta-se como o destaque do campeonato, candidato inclusive a Bola de Ouro, é um tal de pedido de desculpas…
Assim, não sei se existe muito leitor interessado a saber a opinião desses oráculos.
Pelo menos eu não estou…
A cidade de Duque de Caxias, teve esse ano feitos históricos em sua trajetória futebolística.
Pela primeira vez em sua história, recebeu jogos da primeira divisão do futebol carioca.
O Tigres, no seu acolhedor estádio, vizinho ao moderno CT e o Duque de Caxias, comandando seus jogos no Marrentão, proporcionaram ao povo caxiense a oportunidade de prestigiar jogos em sua vizinhança.
Infelizmente, o fato de que ambos os campos estejam situados em Xerém, longe do centro da cidade acabou impactando muito na presença do público.
Algusn jogos de rodadas do Campeonato Carioca, marcados para as noites de quarta ou quinta-feira, após às 20h, não motivavam nem os seus mais fanáticos torcedores.
Mas apesar disso tudo, foi uma conquista.
Na semana passada, novamente a cidade alcançaria outro feito inédito.
Pela primeira vez, uma partida do campeonato brasileiro de futebol, patrocinado pela CBF, se desenrolou na cidade.
No dia 20 de outubro, em Xerém, mais exatamente no campo do Tigres, se enfrentaram Duque de Caxias e São Caetano, com vitória do time local por 2×1.
A vitória, além de coroar o feito histórico, ajudou a tirar o time do Duque de Caxias do risco de rebaixamento.
Assim, ao que tudo indica, no próximo ano, na pior das hipóteses, a cidade continuará a contar com um representante na série B do Brasileirão.
Resta apenas que os dirigentes tenham visão para batalhar um estádio decente, que motive os torcedores.
Se precisarem de um exemplo, cito o recém-reformado estádio em Araraguara, com capacidade para 20 mil torcedores, considerado um dos mais modernos do país.
Detalhe: Araraquara não tem 1/3 do potencial econômico de Duque de Caxias.
Questão de visão.
Semana passada, o excelente Flavio Gomes comentava em seu blog sobre a eterna papagaiada que a Globo promove, a cada GP do Brasil, jogando sobre as costas de Rubinho Barichello uma pressão absurda, como se o cara tivesse a obrigação de ganhar a corrida.
Evidente que tal pressão seria apenas ridícula, se não contasse com o apoio do “zé povim”, aquela parcela com dois neurônios que não é muito chegada a pensar e tem seu modo de agir, falar, vestir, comer ditado pela TV.
Assim, quando Rubinho não ganha – afinal existem vários outros corredores perseguindo a vitória – a própria Globo começa aquela campanha mesquinha de sempre.
Essa abertura é para comentar sobre outra papagaiada, dessa vez no campo do futebol.
Surgida há a alguns anos, a mania de consultar matemáticos nas rodadas finais do Brasileirão sempre me soou como uma criação daquela turma de “óculos fundo de garrafa”, branquelos que nunca jogaram bola que queriam, de alguma forma, serem ouvidos pela turma de chuteiras.
Tipo: “vejam, descobri que meus números tem influência naquele chute de trivela que entra na gaveta”.
Mas a TV descobriu e logo foi seguida por alguns jornais modernosos, que agora se dão ao luxo de estamparem meia página com… estatísicas e opiniões de… matemáticos.
Acreditem, é sério.
Outro dia assisti, perplexo, quando um programa dedicou vários minutos para um desses CDF discorrer sobre as chances do Palmeiras “práticamente com a mão na taça”, conforme seus números mostravam.
Hoje a própria torcida do Palmeiras já não anda muito confiante.
Mas o pior não é darem espaço para essas marmotas.
Pior é ter gente que perde tempo dando ouvidos, e o pior: achando que aquilo ali é verdade incontestável.
Nada contra a matemática e estatísticas, mas o X do problema é que estão usando de forma distorcida.
Não é necessário ser um gênio para entender que, quando são anunciadas as estatísticas – ou “possibilidades matemáticas”, como eles estão escrevendo agora – ao fim de cada rodada, elas só valem enquanto a próxima rodada não começa.
Uma vez iniciados os jogos da rodada seguinte, podem pegar as “possibilidades matemáticas” e jogar todas no lixo.
O irônico é que a novas “possibilidades matemáticas”, reveladas ao fim da rodada ora iniciada, podem ser radicalmente diferente das anteriores, o que prova que matemática é ótimo, mas não entra em campo para jogar.
Mas vai explicar isso para aquele desdentado que está gritando lá no bar…
Bem, a paulistada já dava como certa a vitória do Palmeiras diante do Flamengo ontem.
Um ou outro ainda estava meio cabreiro devido a surra que o Verdão havia levado do Náutico mas afinal, Vagner Love ia jogar, Diego Souza estava de volta e tudo prometia um grande vitória comemorada com muita macarronada.
Ledo engano.
Sob a regência de Pet, o Flamengo nem tomou conhecimento do Palmeiras, fez o que quis, jogando como se estivesse no Maracanã.
O primeiro gol de Pet, aos 23″, driblou até o narrador da TV Globo, que ficou insistindo que a bola havia desviado no zagueiro, até ser alertado por Júnior – que conhece, claro – de que o gringo havia batido no contra-pé, estilo futsal.
Coisa de quem sabe muito, não aconselhado para a turma que foi criada jogando futebol na sala, pois periga chutar o calcanhar do pé de apoio.
Com 1×0 no placar, o Flamengo continuou mandando no jogo, amarrando o ataque do Palmeiras com um nó cego.
No segundo tempo a situação não melhorou para os verdes-azuis e aos 16″, nova proeza do gringo, que na cobrança do escanteio meteu uma curva sinistra na bola, que passou entre as pernas de Wendel, enganando Marcos.
Com 2×0, foi só tocar a bola, apesar do susto no penalti inventado pelo juizão, corrigido quando Vagner Love isolou a bola lá nas piscinas.
Agora com 48 pontos, o Fla está a 1 ponto do G4.
Claro que não está garantido, mas pelas lambanças que a turma do pelotão de frente anda fazendo, não é nenhum absurdo imaginar o Mais Querido chegando junto e, quem sabe, brigando pelo título.
A seleção sub-20 do Brasil bem que merecia melhor sorte, mas a perda do título nos penaltis revelou que faltou maturidade na hora H.
Durante o jogo, a equipe brasileira foi bem melhor, conseguiu armar várais jogadas de perigo, mas que acabavam invariavelmente em algum chute torto ou no último passe errado.
Aliás, era nítido que alguns jogadores queriam se consagrar como “o autor do gol do título” e aí, tome chute de longa distância totalmente descalibrado.
Sobre o time de Gana… bem, o time de Gana é aquela velha história.
Basta olhar para os sujeitos que dá para perceber que tem algo errado.
Saca aqueles estivadores do cais do porto, criados a angu? Pois é, esse é o calibre das crianças.
No segundo tempo, por muito pouco um deles quase quebrou o tornozelo do Rafael Toloi, num lance que merecia prisão.
Assim, a derrota nos penaltis, amarga, comprova que faltou ao Brasil superiodade para resolver no tempo normal.
Brasil 0 (3)
Rafael; Douglas (Wellington Junior), Dalton, Rafael Toloi e Diogo; Souza, Renan (Maicon), Paulo Henrique Lima (Douglas Costa) e Giuliano; Alex Teixeira e Alan Kardec
Técnico: Rogério Lourenço
Gana 0 (4)
Agyei; Inkoom, Addo, Mensah e Addy; Rabiu (Addae), Agyemang-Badu, Ayew e Quansah (Agyemang); Osei (Kassenu) e Adiyiah
Técnico: Sellas Tetteh
Gols: Todos nos pênaltis: Alan Kardec, Giuliano, Douglas Costa (Basil); Ayew, Inkoom, Adiyiah e Agyemang-Badu (Gana)
Árbitro: Frank de Bleeckere (BEL)
Estádio: Internacional, no Cairo (EGI)
Para variar, ontem tivemos um bom jogo pela Copa Su-Americana.
No Serra Dourada, diante de 16.773 pagantes, o Esmeraldino enfrentou o Cerro Porteño, do Paraguai.
Devido a derrota sofrida no jogo de ida (2×0), o time do Goiás teria que, no mínimo, ganhar pelo mesmo placa para levar a decisão para os penaltis.
Jogo duro, lá e cá, até que aos 41″ do primeito tempo, Felipe aproveitou a indecisão da zaga, driblou o goleiro e abriu o placar.
Mas não estava fácil e ficou ainda mais difícil com a expulsão do volante Everton, minutos depois, para irritação do técnico Helio dos Anjos.
No segundo tempo, o jogo continuou disputado e aos 23″, Recalde empatou. O que poderia ser uma ducha de água fria não desanimou os goianos, que partiram pra dentro e desempataria com Felipe, aos 26″.
O terceiro gol do Goiás, com Leo Lima, aos 34″, incendiaria a torcida, que passou a incentivar o time, certa do qaurto gol e da classificação.
Mas ao partir para o ataque, o Goiás passou a ser expôr muito na defesa, obrigando o goleiro Harlei a salvar o time em algumas oportunidades.
Assim, o jogo chegou ao final sem que o Goiás conseguisse o gol redentor.
Como reconhecimento, o time foi intensamente aplaudido pela torcida, que valorizou o esforço dos jogadores.
Até que enfim, um bom jogo.
Ontem à noite o Internacional perdeu a oportunidade de brigar pelo bi-campeonato da Copa Sul-Americana.
Desajeitado, desorganizado, apático, sonolento.
Assim começou o jogo a equipe do Inter, sando espaços para a esforçada equipe do Universidad do Chile.
O gol de Montillo, aos 36″ do primeiro tempo, mostra a bobeira geral que assolou a equipe.
O sujeito subiu livre na área e só desviou do goleiro Lauro.
Tite ainda tentou erguer a equipe, com as entradas de Guinazu, Kléber e Taison, sem sucesso.
Para piorar, tem ficado evidente que alguns jogadores já encerraram o prazo de validade, como Bolívar.
Agora resta ao Colorado o Brasileiro, mas com a bolinha que vem jogando terá que se contentar, no máximo, com uma vaguinha na Libertadores 2010.
E lamba os beiços…
O site é sobre futebol, mas não podemos deixar passar a oportunidade de comentar assunto tão atual.
Amanhã, o COI anuncia a sede das Olimpíadas 2016.
A expectativa – e as presepadas – são grandes.
O Rio de janeiro, sabe-se lá por que, ostenta uma certeza da escolha que chega a impressionar.
As caras sorridentes de Cabral e Paes e do “papagaio de pirata”, Orlando Silva aparecem a todo momento na mídia.
Mas a história recente recomenda certo cuidado.
Em primeiro lugar, a escolha da sede não costuma obedecer a nenhuma lógica. Absolutamente nenhuma, para ser mais exato.
Critérios técnicos são solenemente ignorados.
A política – ou politicagem, se preferirem - é quem dita as regras.
Nesse cenário, força e poder financeiro costumam sobressair. Ponto para Estados Unidos e Japão.
Em segundo lugar, embora no cenário atual o Brasil conte com a simpatia mundial, é bom lembrar que o país recebe a Copa do Mundo dois anos antes.
Seriam dois eventos de magnitude e sempre fica a dúvida sobre a real capacidade do país em realizar ambos.
Em terceiro lugar, maior complicador, na opinião do blog é a ida do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama até Copenhague, para prestigiar o anúncio.
Sejamos francos, ele não está indo para lá perder a viagem.
Apesar de tudo, os Estados Unidos ainda detêm a hegemonia financeira mundial e imagino as ofertas e facilidades que Mr. Obama e cia. devem estar prometendo caso o país seja escolhido.
Mas, como eu mesmo já escrevi, a escolha não em lógica.
Então, vamos esperar…