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A BONITA FESTA DOS CAMPEÕES

No Rio e em São Paulo, os dois maiores campeonatos, a situação já estava muito bem encaminhada.
Apesar das imprevisibilidades do futebol – está aí o desfecho dramático do jogo Manchester City e Queen´s Park Rangers – só os fanáticos torcedores de Botafogo e Guarani sonhavam com algum virada na situação.
Fluminense e Santos sagraram-se campeões com méritos incontestáveis.
Para quem ainda tenta macular a conquista do Flu, lembro que eles ganharam os três troféus em disputa (Taça Guanabara, Taça Rio e Campeonato Carioca).
Do Santos há pouco para se falar, sómente bater palmas.
Tirando esses, eu destaco aqueles campeonatos nos quais ainda havia o prazer da disputa, pois nada havia sido decidido, estava tudo em aberto.
Na maiorira absoluta dos campeonatos, o time com melhor campanha decidia em casa e com a vantagem de “dois resultados iguais”.
Na verdade, com a vantagem de poder jogar pelo empate nos dois jogos (tomada ao pé da letra, duas derrotas também dariam o título ao time com melhor campanha).
A exceção foi no Rio Grande do Sul, pois caso se repetisse o placar do primeiro jogo (1×1), a decisão seria nos penaltis.
E no Beira-Rio lotada houve um jogão.
Diante de Aos 26″, o Caxias abriu o placar com Michel e ainda perderia umas três chances de ampliar.
No segundo tempo o Internacional melhorou e veio disposto a decidir.
Aos 6″, Nei perderia um penalti a favor do Internacional.
O goleiro do Caxias, Paulo Sérgio, estava numa tarde iluminada e segurou o bombardeio colorado até que, aos 21″, Sandro Silva empatou.
Aos 26″, foi a vez do artilheiro Leandro Damião marcar o dele, garantindo o bi-campeonato para o Internacional.
Nos demais campeonatos, graças ao regulamento, um dos times entrou com a vantagem do empate.
Foi assim no mineiro, aonde o Atlético-MG acabaria vencendo o América-MG por 3×0, após o empate por 1×1 no primeiro jogo.
A situação repetiu-se no goiano, onde o Goiás empatou os dois jogos (2×2 e 1×1) diante do Atlético-GO.
No paranaense, o Coritiba levou a taça nos penaltis diante do Atlético-PR, após o empate no tempo normal por 0×0.
Na Bahia, o empate eletrizante entre Vitória e Bahia por 3×3 deu o título ao time tricolor baiano, após 11 anos sem título estadual.
E em Recife, no dia do aniversário de 107 anos do Sport, com toda a festa preparada, o Santa Cruz jogou água no chopp e levou o título, chegando ao bi-campeonato.
Cerca de 31.998 pagantes – e certamente mais 32 mil presentes – assistiram a um jogão.
Nervoso,  tenso e pegado como deve ser toda decisão, com cinco gols para o povão vibrar.
Branquinho abriu o placar para o Santa aos 12″ da etapa inicial e a massa ainda comemorava quando Moacir empatou, aos 13″. 
Dênis Marques pôs o Santa novamente na frente, aos  39″.
Precisando do empate para sagrar-se campeão, o Sport veio cuspindo fogo no segundo tempo, mas aos 29″, Luciano Henrique marcou o terceiro gol do Santa Cruz.
Alguns torcedores do Sport já se retiravam quando Edcarlos marcou o segundo gol do Sport, aos 35″.
A partir daí, tensão total. A torcida do Santa não se arriscava a gritar “é campeão”, num agonia que só terminou quando o árbitro Sandro Meira Ricci encerrou o jogo.
A ironia dos campeonatos ficou a cargo de Santa Catarina, aonde o Figueirense venceu os dois turnos, mas obrigado pelo regulamento, teve que disputar dois jogos.
A vantagem de poder deicir em casa foi para o vinaagre após a derrota de 3×0 para o Avaí no primeiro jogo.
Ontem, nova derrota, dessa vez por 2×1 e o título foi para o rival.
Coisas do futebol brasileiro e seus cartolas criativos.
A todos os campeões, um forte abraço!

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QUEM JOGA, JOGA…

Ainda regressando para casa, após mais um dia de trabalho, encontro meu amigo Leonardo, tricolor dos bons.
Ele foi direto ao assunto: “Santos já está vencendo o Bolívar por 1×0″. Mas como, se o jogo mal tinha começado?
Cheguei em casa e na tela o placar já mostrava um impiedoso 5×0.
Chamei Gustavo, que com seus 6 anos se alegrava com as proezas de Neymar. Um show à parte.
Nessa horas imediatamente me lembro da turma de “cronistas esportivos” acima de qualquer suspeita – será? – que defendiam sua ida para o exterior.
Aliás, alguns ainda defendem, sabe-se lá com quais segundas out terceiras intenções. Mas deixa essa gente traíra de lado.
O que importa é que Neymar, hoje, faz toda a diferença.
O placar de 8×0 foi pouco, pois à certa altura os santistas, com compaixão, tiraram o pé do acelerador.
Classificado, o Santos encara o Veléz Sarsfield (ARG).

E mais dois jogos interessantes ainda iriam rolar.
Um no Engenhão e outro no Morumbi.
O do Morumbi, entre São Paulo e Ponte Preta, pela Copa do Brasil, tinha uma estranha torcida contra de 90% da mídia, unida pela queda de Leão.
Eu confesso que essas idiossincrasias da mídia eu nunca vou entender.
E a Ponte Preta abriu o placar, com um golaço de Somália.
No entanto, Casemiro, Lucas e Luis Fabiano fizeram gols, reverteram o placar e classificaram o tricolor paulista.
Eu estava torcendo pela vitória do São Paulo não só por ser simpático ao Emerson Leão, mas por considerar que a Copa do Brasil precisa de times desse calibre na disputa.
Agora encaram o Goiás, num bom duelo.

E no Engenhão, o tricolor carioca começou levando um susto, quando Leandro Damião acertou um bom chute de fora da área e abriu o placar.
Menos mal que no minuto seguinte, numa jogada ensaida, Thiago Neves cobra falta para a área, Leandro Euzébio e Fred sobem sem marcação e empatam o jogo.
No lance do gol ficou clara a deficiência do Internacional: um miolo de zaga envelhecido, que nunca foi uma potência máxima, agora agravado pela idade.
O Internacional conseguia anular Deco mas pecava no ataque, onde Damião e Oscar, dois finalizadores, se ressentiam de alguém para municiá-los.
Aos 45″, em novoa jogada ensaiada, outra bola levantada na área e desa vez foi Fred que – sem surpresas – ganhou na cabeça de Índio.
O 2×1 no placar era perigoso, pois bastaria o empate ao Inter para levar a vaga.
O segundo tempo foi tenso.
O time colorado padecendo de poder de conclusão, esbarrando nas limitações do ataque e o Fluminense, sem Deco e Fred, substituídos, se segurava.
A torcida tricolor, cabreira, só deixou para começar a cantar “Benção João de Deus” depois dos 43″ do segundo tempo.
Vaga conquistada, o time terá uma parada dura pela frente: Boca Juniors.
É torcer para Riquelme ter uma dor de barriga e não jogar, pois pelo que ele aprontou na quarta-feira, ele resolveu jogar agora na reta final.

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A NOITE DOS DESASTRES

A noite de ontem prometia muito para algumas grandes torcidas.
No Rio, apenas 6.632 botafoguenses pagaram ingresso no Engenhão, claramente um reflexo do desânimo provocado pela chinelada sofrida no domingo.
Mas o jogo marcava a possibilidade de  continuar na disputa da Copa do Brasil, um título de valor.
E o time chegaria a abrir o placar, com 21 minutos de jogo, através de Elkeson.
Mas uma sucessão de desastres culminaria com a expulsão de Lucas – sim, ele mesmo, que havia sido expulso no domingo – ao evitar com a mão um gol do Vitória.
Penalti cobrado, Jefferson defendeu, dando aos botafoguenses uma pálida esperança.
O segundo tempo seria melancólico para os botafoguenses.
Apatia, desinteresse e um certo comodismo marcaram a atuação da equipe, que sofreu um gol aos 11″ e outro aos 23″, fora as oportunidades perdidas pelo time do Vitória.
A defesa, por exemplo, falhou de forma infantil no segundo gol.
A torcida, sem piedade, chamou o time de “sem vergonha” e criticou duramente o técnico Oswaldo de Oliveira.
Se ontem ainda apareceram 6 mil torcedores no Engenhão, tudo indica que domingo uns 10 ou 15 apareçam para assistir ao segundo jogo da final do Carioca.
Tá feia a coisa.

Outro desastre de proporções consideráveis foi a derrota do Cruzeiro, em plena Arena do Jacaré.
Assim como o alvinegro carioca, o time mineiro, fora da disputa da decisão do campeonato mineiro, tinha na Copa do Brasil um excelente motivo para lutar.
Ledo engano.
Mas o poderoso zagueiro Alex Silva – aquele que veio do Flamengo – falhou e Guerrón abriu o placar.
Para quem precisava vencer – havia perdido o jogo de ida por 1×0 – a situação complicava.
Depois foi a vez de Roger simular um penalti, reclamar com o juiz e ser expulso.
A reação da torcida no twitter deixou claro que a paciência com o encrenqueiro companheiro da Debora Secco acabou.
Pintou um alento de esperança quando Wellington Paulista empatou, de penalti.
Mas quanto todos pensavam que o Cruzeiro viria para o segundo tempo disposto a tudo, foi o Atlético-PR quem marcou o segundo gol, com Liguera.
E ainda perderiam várias chances de ampliar.
Fim de jogo, vaias, reclamações e o técnico Mancini entregou o cargo.
Sei não, mas tá na hora do Cruzeiro se arrumar para o Brasileirão.

Na Libertadores, nenhum desastre, exceto o sofrimento desnecessário da torcida vascaína, que teve de sofrer até a disputa de penaltis.
Contra a fraca equipe do Lanús, fez o primeiro gol com Nilton, mas no segundo tempo recuou, sofreu um gol em lance com falta não marcada no zagueiro Renato Silva.
Depois, aos 32″, o goleiro Fernando Prass falhou, rebatendo uma bola para dentro da área para Gutiérrez, livre – Rodolfo falhou – empatar.
Nos penaltis, todos os cobradores do Vasco cobraram muito bem, enquanto Romero acertou o travessão.
Vitória sofrida, mas classificação garantida.
Já o Corinthians fez o que tinha que ser feito, embora tenha permanecido boa parte do jogo com o perigossísimo placar de 1×0.
Mas o destaque da rodada foi a atuação de Riquelme, na vitória do Boca Juniors sobre o União Espanhola (CHI).
O placar de 3×2 foi contruído graças a belíssima atuação dele.
Primeiro, um passe primoroso numa cobrança de falta, depois aproveitou a bisonha rebatida do zagueiro e apenas rolou para o segundo gol.
E o terceiro foi uma pintura, quando partiu em diagonal da direita para a esquerda, deixando uma fila de zagueiros no chão.
Apesar do declínio do Boca Juniors, ele prova que ainda é decisivo e pode fazer a diferença na fase decisiva.

Após o gol do Lanús (ARG) , na semana passada,  os “matemáticos do apocalipse” começaram suas contas funestas: basta ao time argentino uma vitória simples que a vaga é deles.
E acoisa adquiriu tal forma no twitter que, a certa altura, alguém lembrou: “Gente, o Vasco venceu por 2×1!”.
Creio que o Vasco passa de fase, pois, para começar, o Lanús é a quinta ou sexta força do futebol argentino.
Os feras lá são o Boca Juniors, o River Plate, Independiente e o Vélez Sarsfield. O resto é equivalente ao Guarani, América-MG, Bonsucesso, etc.
Para os caras, seria um feito digno de feriado municipal.
Mas basta ao Vasco se impor, de preferência fazendo um gol logo de cara.

O Corinthians tem tarefa mais fácil, pois o Emelec (EQU) deveria ter feito ao menos um gol em casa. Não fez e agora vem jogar aqui apostandono milagre supremo de acertar um contra-ataque.
Mas cabe ao Corinthians se acalmar, deixar a ansiedade de lado e marcar seu gol.
A torcida também tem que ficar de cabeça fria, consciente de que pressão absurda não ajuda em nada.
Mesmo com o nervosismo, acredito que os temores corintianos são infundados.

O Santos deve atropelar o Bolívar (BOL) na Vila Belmiro, com direito a golaço de Neymar.Na atual fase do garoto, só conseguem pará-lo de escopeta.
Para complicar a vida dos bolivianos, a pancadaria que eles promoveram lá certamente terá forra aqui.
É o tipo de jogo difícil até sair o primeiro gol e abrir a porteira.

E no Engenhão, amanhã, um jogo no qual um brasileiro irá sobrar.
Fluminense e Internacional farão um jogão.
Discordo dos tricolores que estão enxergando um jogo tranquilo, por conta do empate no Beira-Rio.
O Internacional é um time que sabe se portar nesse tipo de confronto.
O Flu tem experiências tristes desse tipo de decisão.
E ambas são equipes que não sabem jogar atrás. Essa idéia de fazer um gol e recuar não serve.
Promete ser um bom jogo, imperdível.

Ao que tudo indica, nas quartas-de-final, será a vez de Vasco e Corinthians se embolarem para ver quem sairá.
Outra promessa de jogões.

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AQUECIMENTO PARA O BRASILEIRÃO

Sendo o futebol o esporte das multidões, meu comentário dará prioridade aos confrontos com maiores públicos, independente da “importância” da praça.

Assim, começo pelo jogo com maior público de todo o Brasil: Santa Cruz x Sport, disputado no Arrudão em Recife, capital do futebol brasileiro.
Nada menos que 44.082 pagantes assisitiram ao primeiro duelo entre os dois finalistas.
Mesmo jogando com a massa a seu favor, com o Estádio do Arruda lotado, o Santa Cruz não conseguiu vencer seu rival.
O empate acabou sendo um bom resultado para o rubro-negro, pois basta um empate, na Ilha do Retiro, basta para sagra-se campeão.
Com excelente atuação do goleiro Tiago Cardoso, do Santa Cruz, o 0×0 não saiu do placar.
No próximo domingo, às 16h, o Santa Cruz vai precisar de uma vitória sobre o Sport, na Ilha do Retiro, para soltar o grito de bicampeão, novamente sobre os rivais.
O Sport tem a vantagem do empate pois na fase de classificação do Estadual, o time rubro-negro somou seis pontos a mais do que os tricolores.

O segundo confronto em público pagante ocorreu no Morumbi, onde 40.146 pagantes assistiram a mais um passeio de Neymar.
A vitória por 3×0 demorou a ser construída.
O primeiro gol aconteceu aos 42″ do primeiro tempo, com Ganso.
Mas no segundo tempo, Neymar fez a diferença – mais uma vez.
Aos 20″ e aos 45″, ele foi rápido e objetivo, fiel ao estilo que vem aprimorando.
Decisivo, sem firulas nem presepadas, faz o que tem que ser feito.
Soma-se a isso a postura cada vez mais equilibrada, apesar da idade, respeitando os adversários com nobreza de caráter.
Fico pensando aonde andam aqueles recalcados que o rotulavam como “fogo de palha” e “cai-cai”.
Pobres despeitados.
Ah! O Santos já pode se considerar campeão.

Na Bahia tivemos o terceiro jogo decisivo com maior público: 31.263 pessoas foram ao Barradão e saíram frustradas com o 0×0 entre Bahia e Vitória.
Neto Baiano, do Vitória e Souza, do Bahia, prometiam fazer um duelo empolgante, mas ficaram só na promessa.
Um jogo tenso e nervoso, com a expulsão do técnico Falcão, expulso por reclamação.
No próximo domingo, em Pituaçu, a decisão continua.

O terceiro jogo por volume de torcedores ocorreu no Engenhão, com 23.000 pagantes.
Fluminense e Botafogo se enfrentaram num jogo com ligeiro favoritismo para o dono da casa, principalmente pelo esfrega dado no Vasco no domingo passado.
E o Fogão parecia bem na foto.
Abriu o placar com Renato, aos 8″ do primeiro tempo. Mas aí o time recuou, estranhamente.
O empate viria aos 43″, numa bela bicicleta de Fred.
O segundo tempo ainda estava meio morno, quando Lucas foi expulso, aos 10″.
Aos 12″, Deco deixou Sóbis livre para virar o jogo. O Botafogo ainda tentava se achar em campo quando saiu o terceiro gol, novamente de Sóbis, aos 20″.
Perdido e apalermado no gramado, o Botafogo parecia aqueles lutadores de boxe meio cambalenate, só esperando pelo direto no queixo.
E ele veio aos 38″, num passe curto de Fred para Marcos Júnior, que socou 4×1.
Fim de jogo, as desculpas esfarrapadas de sempre e uma – quase – certeza: Fluminense campeão.

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O TORCEDOR, UM SER IRRACIONAL

Em São Januário, um minuto após Regueiro aproveitar a falha – mais uma – de Fágner e marcar o gol do Lanús, subiu a placa indicando a substituição de Felipe por Fellipe Bastos.
Àquela altura, o Vasco dominava o jogo de forma incontestável, mas já se percebia a queda de ritmo de Felipe, algo natural.
Substituído, Felipe saiu gesticulando e falando palavrões, descendo imediatamente as escadas para os vestiários.
Não é a primeira vez que adota essa postura, já foi criticado por isso e insiste nesse tipo de comportamento.
Talvez inflamada pela atitude infantil do jogador, parte da torcida – mais específicamente um certa “organizada” – puxou o côro de “burro” para o técnico Cristovão.
A mesma “organizada” também elegeu Fágner como o vilão da noite e a cada toque seu na bola as vaias ecoavam pelo estádio.
Nítidamente o elenco sentiu.
Se a situação causou desconforto para o torcedor que assistia em casa, imagine para o jogador que está dentro de campo, alvo da pressão.
O Lanús percebeu, começou a ameaçar um pouco, mas as limitações da equipe fizeram com que não passasse de um mísero gol.
Foi muito pior para o Vasco, que dominava amplamente e, ao que tudo indicava, faria mais um ou dois gols, práticamente fechando o caixão da equipe argentina.
O placar ficou nos 2×1, com um gol de oportunismo de Alecsandro e um golaço de Diego Souza, chapelando Braghieri e detonando o goleiro Marchesin.
Poderia ser mais? Poderia. Mas a parte da torcida fez a sua parte irracional do espetáculo, prejudicando o time.
Menos mal que na saída de campo, o elenco deu a chamada “tapa com luva de pelica” na torcida: os jogadores reunidos aguardaram a chegada do comandante, Cristovão e todos saíram rumo ao vestiário. Uma das cenas mais bonitas que vi ultimamente.
O que aquilo provou? Que o elenco está unido, fechado com o técnico e vaiá-lo não ajuda em nada, apenas solidifica ainda mais a união.
Cristovão já provou que tem potencial, tanto que acredito que, caso Ricardo Gomes retorne, alçará vôos mais altos no comando de algum grande time brasileiro.
Mas a postura de parte da torcida vascaína já é conhecida há muito tempo.
São os mesmos que durante muito tempo fizeram com que os jogadores preferissem jogar fora de São Januário.
São aqueles que, no dia do rebaixamento do Vasco para a série B, protagonizaram cenas patéticas e deprimentes, como as vaias à Pedrinho e a constrangedora tentativa de suicídio.
Sinceramente, sou vascaíno, mas tenho vergonha de ver essa turma vestindo a camisa do Vasco.
Aliás, eles vestem a camisa da organizada, não a do Vasco.
No fundo, tenho minhas dúvidas se esses caras são torcedores do Vasco ou da “organizada”.
Ao técnico Cristovão, minha solidariedade e meu abraço.
Ah! Antes que me esqueça: o Vasco, apesar do que os “matemáticos da catástrofe” apostam, joga pelo empate na Argentina e deve passar de fase.

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O VASCO DIANTE DE SEUS FANTASMAS

Hoje à noite, na continuidade das oitavas da Libertadores, teremos Vasco e Lanús (ARG).
No twitter alguns cronistas reclamavam da baixa venda de ingressos para o jogo.
Afinal, alegam eles, é um jogo de Libertadores e o clube cruz-maltino precisa do apoio de sua torcida para vencer o time argentino, credenciando-se a uma vaga nas quartas de final.
Mas o torcedor é bicho cabreiro.
Apoiou e compareceu em peso no domingo passado no Engenhão e saiu de lá com a cabeça cheia de interrogações.
Pela segunda vez, o time chegava como favorito à uma final de turno e saía derrotado.
Pior, saía derrotado de forma inapelável, sem que houvesse margem para reclamações – claro, para os sensatos.
Reclamações quando à ajuda da bandeirinha no primeiro gol devem ser classificadas como folclore, só isso.
No entanto, a facilidade singela com que o Botafogo abriu o placar, com Loco Abreu partindo desde o meio de campo, sem ser acompanhado, assustou.
Idem, o segundo gol, numa jogada de bola alta, que foi treinada um milhão de vezes durante a semana nos treinos em São Januário.
E o terceiro gol, patético, com a bola encobrindo o lateral Fágner, sendo dominada por Maicosuel, para fuzilar Prass e práticamente liquidar o jogo, diante do abatimento de Renato Silva e seus companheiros.
A torcida, atônita, desde domingo se pergunta como o time caiu tanto de produção, de um domingo ao outro.
A ausência de Dedé apavora e já há quem tema pelo pior, caso seja vendido.
Mas calma, gente. Futebol, como diria aquele senhor de Três Corações, é uma caixinha de surpresas, entende?
É sempre bom lembrar que o Lanús se classificou com duas derrotas na sacola.
Deverá vir retrancado, partindo sómente no contra-ataque.
É o chamado jogo do tudo-ou-nada.
Um gol no início pode forçar o time argentino a sair para tentar o empate e abrir a porteira.
Para o Vasco, o pior dos mundos seria sofrer um gol em casa e ter que lidar com a fúria da torcida.
O resumo de tudo: será um jogo tenso, que tanto pode conduzir o Vasco ao céu como ao inferno ardente.
Aguardemos.

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PRAGMÁTICOS X ROMÂNTICOS NO FUTEBOL

Esperei abaixar um pouco a poeira que envolve as eliminações de Barcelona e Real Madri – principalmente a do Barça – para tocar no tema.
O feito do Chelsea tornou-se ainda mais notável pois derrubou um “fato consumado”.
Para os especialistas de futebol, o Barcelona arrasaria o time inglês, pois jogaria em casa, com o apoio da torcida, etc.
Marcou dois gols, mas o golaço de Ramires trouxe nuvens negras ao jogo, culminando com o gol de Fernando Torres, no apagar das luzes.
Findo o jogo, a gritaria foi geral.
Confesso que nunca havia visto manifestações tão simpáticas a um time. Diria até tendenciosas.
Li manchetes que estampavam, sem pudor: “Sem o Barça não tem graça”, “Vitória do mau futebol” e outras presepadas.
O comentarista Washington Rodrigues, da Super Rádio Tupi, costuma chamar essa turma de “românticos de Cuba”.
São eternos orfãos da seleção brasileira de 1982, que jogou bonito, encantou… e perdeu.
Entraram para a história como um timaço, virtuosos da bola e derrotados.
Claro, quem acompanhou sabe o espetáculo que era o futebol brasileiro. Mas perdeu, faz parte do jogo.
Desmerecer a conquista do adversário é mesquinho e tacanho.
Essa semana li um comentário de um leitor – Marcos Elias Claudio de Araujo – na coluna do Renato Maurício Prado que encerra o assunto.
Ele conseguiu sintetizar o que eu acho.
Afirma ele revelar-se incomodado com “a visão romântica que predomina”.
Afinal, continua ele, “enquanto prevalecer a regra 10, que diz que “a equipe que tenha marcado o maior número de gols durante uma partida, será a vencedora”, não vejo como querer florear o esporte com análises sobre a sua beleza, ou até mesmo transformar o esporte em arte. O fato é que o futebol é esporte, antes de ser arte, e como tal não pode se valer de análises subjetivas quanto à sua beleza para definir um vencedor”. Mais claro, impossível.
Esse embate do romantismo contra o pragmatismo é eterno, mas cabe lembrar que o mundo real, esse nosso do dia-a-dia, é pragmático.
Lutar contra isso costuma ser frustrante.
No futebol, além de frustrante, pode colocar o sujeito numa situação de viver num mundo paralelo, mais bonito, mas sem uma taça de campeão para admirar.

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COPA ABORÍGENES DA AMÉRICA

Neymar saiu do sério ontem, esbravejando contra a verdadeira “malhação de Judas” que o fraco time do Bolívar promoveu contra ele.
O rodízio na pancadaria, tolerado pelo anão de jardim travestido de juiz poderia ter rendido alguma contusão grave para o jogador.
Mas existe coisa pior.
Uma cena que sempre me envergonhou, como sul-americano, é a barreira de escudos feita por policiais a cada cobrança de escanteio nesses alçapões chamados de estádios.
Na quarta-feira, Neymar foi atingido sabe-se lá por qual objeto, quando foi cobrar um escanteio.
Em La Paz, Medellin, Guayaquil, Lima, Buenos Aires e outras cidades, a rotina é a mesma.
Estádios localizados em bairros “barra-pesada”, torcedores que levam à campo seus recalques – provocados por fatores econômicos, familiares, sociais, etc. – e dirigentes omissos formam o tenebroso mosaico que – anotem – certo ou tarde resultará em grave incidente.
Nesse emaranhado de absurdos, quem é novato certamente estranha a diferença de títulos a favor dos clubes argentinos.
É fácil entender: durante muito tempo, os times brasileiros não tinham o menor interesse em disputar a Libertadores.
Arbitragens tendenciosas, violência absurda dentro e fora de campo, falta de condições mínimas de trabalho, tudo isso provocou o desprezo dos grandes clubes brasileiros pelo torneio.
Pergunte a um veterano sobre um jogo do Flamengo que o técnico mandou a campo o zagueiro Figueiredo – um tanque Panzer – exclusivamente para dar uma porrada nos cornos de um zagueiro argentino.
Pois é, a coisa era assim.
Ainda que não tenhamos regredido a tal ponto, as leis da física ensinam que “a toda ação corresponde uma reação de igual força e intensidade em sentido contrário”.
No próximo jogo do Santos contra o Bolívar, a omissão e o silêncio dos dirigentes farão com que essa lei seja comprovada.
Pior para o futebol. Ou melhor, pior para quem quer jogar futebol.

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BARÇA, REAL MADRI E AS LIÇÕES DE SEMPRE

Ainda ressoava pelo estádio do Camp Nou o apito final do juiz Cuneyt Çakir, encerrando o jogo entre Barcelona e Chelsea e a porradaria começava.
De um lado, os fãs ensandecidos do Barcelona e de outro, os críticos ferrenhos do mesmo time.
Um jornal esportivo, que eu diria até respeitável, estampou a manchete “A arte derrotada” e desfiou uma série de lamentações pela derrota do “melhor time de todas as eras”.
Repórteres e cronistas com cara de choro se esforçaram para tentar um simulacro de imparcialidade ao analisar o jogo, sem sucesso.
A verdade, nua e crua, era a seguinte: o Chelsea, pragmático, chegara à final, ao marcar 3 gols e sofrer 2.  Simples assim, embora muita gente tenha falado em “retranca absurda” e por aí vai.
Males da polarização.
Ontem, foi a vez do Real Madri abrir 2×0 aos 14″ minutos do primeiro tempo.
Mas o gol de Robben, aos 27″ ainda do primeiro tempo levou o jogo para os penaltis e para o sofrimento atroz dos espanhóis.
Claro, o impacto e a repercussão são bem menores do que a hecatombe de terça-feira.
Destaco que, evidentemente, não tenho nenhum motivo para detestar o time do Barcelona, tampouco para idolatrá-los.
Mas, desde criança, sempre olhei com certa antipatia as “unanimidades”.
Já disse Nelson Rodrigues que “toda unanimidade é burra”, referindo-se, claro, à péssima mania da sociedade de eleger suas unanimidades sem submetê-las ao crivo do bom-senso.
No caso específico do Barcelona, a simpatia exagerada de uns acabou tendo, como efeito colateral, a crítica virulenta de outros.
E, nesse contexto, paixão é um problema.
Já li jornalista esportivo que eu julgava centrado rotulando os discordantes de “ignorantes, invejosos e pobres”.
Por outro lado, tenho lido verdadeiras estultices sobre o time do Barcelona.
Gente escrevendo que “são um bando de enganadores”, “só sabem tocar para os lados”, “enfeitam qualquer jogadas sem necessidade”, etc.
Besteiras a granel fruto da necessidade de ter um contraponto à idolatria infantil do outro lado.
É uma pena, pois nessas discussões acabam esquecendo de dar o devido valor aos feitos de Chelsea e Bayern, os dois finalistas da Liga dos Campeões.
Ambos os times provaram que não existem times invencíveis – algo óbvio – e que determinação, boa estratégia e valores individuais podem fazer a diferença.
Que sirva de lição para o nosso bravo Muricy e para o time do Santos, que me parece ter entrado em campo naquela final do Mundial de Clubes apavorado diante dos espanhóis.
O Chelsea entrou para jogar, sem medo e determinado.
Levou a vaga para a final.
O resto é briguinha de adolescentes que devem ter foto do Messi como fundo de tela do notebook na redação.

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