Gustavo Coelho

DAN WHELDON

Reprodução/Site Oficial F-Indy

O esporte a motor prega essa peça de vez em quando. Ninguém espera que uma corrida termine em tragédia, mas o automobilismo é uma atividade perigosa e todos sabem disso. Mesmo assim, quando as coisas dão errado… é duro de aceitar.

Dan Wheldon, 33 anos, duas vezes campeão das 500 Milhas de Indianapolis – incluindo a incrível vitória conquistada na edição deste ano. Ele não correu a temporada inteira da Fórmula Indy e disputava como “convidado especial” a grande decisão no oval de Las Vegas. Se vencesse, dividiria o prêmio de 5 milhões de dólares com um torcedor sorteado nas arquibancadas. Wheldon largou em último e vinha se recuperando. Mas na volta 11 encontrou seu destino. Um acidente múltiplo. Vários envolvidos.

Wheldon se deu pior.

O inglês deixa mulher e dois filhos pequenos. Morre aos 33 anos, num momento em que se preparava para voltar a competir “full time” no ano que vem – seria pela equipe Andretti, pela qual foi campeão da Indy em 2005. Nesse momento, não há muito mais a dizer. Mas vale lembrar as palavras do neozelandês Bruce McLaren, o fundador da equipe McLaren, outro grande piloto que perdeu a vida nas pistas com a mesma idade de 33. Disse McLaren certa vez: “A vida não é medida pelos anos que são vividos, e sim pelos objetivos que são alcançados”.

Wheldon, certamente, teve uma grande vida nesse sentido.

As imagens do acidente são chocantes e não serão repercutidas aqui. Melhor ficar com a bela e homenagem que pilotos e mecânicos da Indy fizeram logo depois que a morte de Wheldon foi confirmada oficialmente. Um ato de muita humanidade. Um tributo que o inglês merecia receber.

Gustavo Coelho

A DUAS SEMANAS DO TÍTULO MUNDIAL

Paul Gilham/Getty Images

Paul Gilham/Getty Images

Diriam os matemáticos que Sebastian Vettel tem 99,99% de chance de ser campeão mundial de 2011. Se não for isso, não fica muito longe. O título é mera questão de formalidade, e a mais recente vitória no Grande Prêmio de Cingapura apenas contribuiu para que a distância para o segundo colocado ao fim do ano seja maior ainda. A disputa para ser o vice-campeão ainda está bem indefinida, mas isso pouco importa na verdade. Apenas Jenson Button pode, na teoria, roubar o título de Vettel. Mas essa possibilidade é tão ínfima que não dá nem para considerá-la seriamente. Nas cinco corridas que restam, Vettel precisa apenas de um décimo lugar – um mísero pontinho – para oficializar o bicampeonato. A festa já tem data marcada: 9 de outubro, daqui a duas semanas, no Grande Prêmio do Japão. Os torcedores japoneses, que tanto sofreram com os efeitos do terremoto do início do ano, ao menos terão o consolo de verem a coroação de Vettel em seu território. Como nos velhos tempos, o circuito de Suzuka será o palco do último episódio mais uma vez.

E tudo indica que será com mais um triunfo de Vettel. Na pausa das férias de verão, os rivais falharam em cortar a distância para a Red Bull. Pelo contrário: os touros vermelhos se distanciaram mais ainda. E como a hegemonia de Vettel sobre Mark Webber não se alterou, o resultado é que o alemão emplacou mais uma sequência de vitórias tranquilas e esmagadoras. O triunfo em Cingapura foi ao melhor estilo Vettel: dominante, de ponta a ponta, sem que em nenhum momento sua liderança fosse ameaçada. O único que chegou perto foi Jenson Button, mas o inglês jamais teve uma chance real de vitória. Mesmo estando em brilhante fase, Button não ameaçou Vettel e conquistou apenas um honroso segundo lugar. Não dá para superar o (bi) campeão da Red Bull. Vettel ganhou com sobras e deu a impressão de nem forçado tanto assim. Um baile. Um baile na noite de Cingapura. Um baile na briga pelo campeonato. O Vettel de 2011 será lembrado como um dos campeões mais incontestáveis da história da Fórmula 1.

Hoch-Zwei.net/Divulgação McLaren

Hoch-Zwei.net/Divulgação McLaren

A noite de Cingapura teve outros destaques também. Como o já citado Button, que se impõe de maneira surpreendente sobre Lewis Hamilton nessa altura do campeonato. Impressionante como os dois pilotos da McLaren vivem momentos opostos. De um lado, Button – elogiado e celebrado pelo estilo limpo, preciso e eficiente de pilotagem. Em Cingapura, mais uma exibição excelente do campeão de 2009, que deixou Alonso e Webber para trás logo no início da prova e teria vencido com facilidade se um certo Vettel não estivesse à frente.

Do outro lado, Hamilton. Um piloto acuado. E que não reage bem quando está muito pressionado. É injusto rotular Hamilton apenas como um piloto afobado ou agressivo demais. Ele é desse jeito. Se não fosse assim, Hamilton não seria Hamilton – e não teria conquistado tantas vitórias através de sua postura combativa e lutadora. Mas o número de erros em sequência preocupa. Em Cingapura, Hamilton bateu em Massa numa manobra típica de quem pilota kart pela primeira vez e não sabe calcular a distância para o adversário da frente. Um erro simples, básico. E que comprometeu a corrida dos dois. Hamilton, como é de seu estilo, não desistiu e ainda salvou um razoável quinto lugar, com diversas ultrapassagens no caminho. Mas não dá para esconder mais que talvez essa seja a pior fase de sua carreira na Fórmula 1.

Ercole Colombo/Divulgação Ferrari

Ercole Colombo/Divulgação Ferrari

Os outros foram só… os outros. Webber chegou ao pódio carregado pela qualidade de seu carro. Alonso deve ter se frustrado com o quarto lugar, apesar de toda a sua luta para ir além disso. Entre os que pontuaram, vale destaque para o escocês Paul di Resta – na zona de pontuação pela terceira vez nas últimas quatro corridas, e agora com uma excelente sexta posição – e também para o mexicano Sergio Pérez, cuja disputa com Felipe Massa pela nona posição foi simbólica. Pérez perdeu e ficou apenas em décimo, um resultado abaixo do que merecia. Mas a briga dele com Massa é pelo segundo cockpit da Ferrari em 2013.

O brasileiro está garantido para o ano que vem, mas Pérez será sua principal sombra daqui para a frente. O jovem mexicano já empolgou a Ferrari num teste realizado na semana retrasada. Em 2013, terá dois anos completos de experiência na Fórmula 1 e uma bagagem bem acumulada para assumir um lugar em equipe grande. Ele ainda perde a disputa interna da Sauber para Kamui Kobayashi, mas já começou a virar o jogo nas últimas corridas. Para Massa, o sinal amarelo já está aceso. E momentos de puro azar como o choque com Hamilton em Cingapura – justamente numa prova em que Massa dava a impressão de acompanhar o ritmo de Fernando Alonso – não vão ajudar em nada.

Glenn Dunbar/LAT Photographic

Glenn Dunbar/LAT Photographic

Só para registrar: Bruno Senna fez uma corrida bastante decente e terminou em 15º, embora tenha perdido o bico num toque ainda no início da prova. Mesmo com o contratempo, ainda terminou à frente de Vitaly Petrov e superou o russo com espantosa facilidade. Evidente que Bruno ainda comete erros, mas o ritmo dele já se mostra bem melhor do que o de Petrov – e a Renault sabe disso. Diminuir a cota de erros é algo muito mais fácil de consertar do que falta de velocidade. Senna está se saindo bem em sua experiência na Renault até agora. Se Robert Kubica não voltar, a vaga do sobrinho de Ayrton em 2012 está bastante encaminhada. Mesmo com um eventual retorno do polonês, as chances de Bruno permanecer na Renault são bem razoáveis. E prova disso foi a veemência com a qual a equipe negou nessa semana que o contrato de Petrov já tenha sido renovado para o ano que vem – o que significa dizer que o russo não tem garantia nenhuma de permanecer como titular.

Na Williams, Rubens Barrichello sofreu para acompanhar o novato Pastor Maldonado. Foi mais rápido no treino e depois batido na corrida. Rubinho luta muito, jamais desiste e não perde o entusiasmo. Mas sua temporada de 2011 não tem sido muito inspirada. O mercado de pilotos para 2012 está definido em várias equipes – Red Bull, McLaren, Ferrari, Mercedes, Sauber e Lotus vão manter seus pilotos, enquanto a Toro Rosso deve seguir o mesmo caminho. Na Force India, a única possibilidade é uma troca simples do titular Adrian Sutil pelo reserva Nico Hulkenberg. A Renault já tem pilotos sob contrato demais na disputa por vagas e a dupla Virgin-Hispania é simplesmente nada interessante. Assim, sobra apenas o cockpit de Barrichello na Williams. Maldonado vai ficar, mas Rubinho tem o futuro bem nebuloso. Uma fila de candidatos espera por uma chance. E, com os rumores sobre um possível retorno de Kimi Raikkonen à Fórmula 1, a pressão sobre Barrichello aumenta a cada fim de semana.

Notícia mais legal da semana: o francês Jean Alesi vai voltar ao automobilismo para disputar no ano que vem… as 500 Milhas de Indianapolis! Sim, é isso mesmo. Ninguém espera que Alesi se destaque muito na corrida, mas que será interessante acompanhar seu desempenho… isso será.

E se Kimi Raikkonen voltar… será o Kimi arrebatador de 2005 ou o preguiçoso de 2009? Seja como for, que ninguém ouse duvidar do finlandês. Não esqueçam que ele já foi capaz disto aqui:

De 17º para primeiro, com uma ultrapassagem belíssima na última volta. Uma das grandes atuações individuais na F-1 da década passada – comparável apenas à magnífica vitória de Vettel na chuva de Monza, em 2007. Se Raikkonen recuperar a velha chama daquele Grande Prêmio do Japão de 2005, será uma atração e tanto no próximo ano…

Gustavo Coelho

MUDANÇAS NO FORMATO DO BLOG

Escrever um Blog de Fórmula 1 é algo que eu faço desde meados de 2007 e eu conheço bem o trabalho e o esforço que isso demanda. Durante este período todo, mudei algumas vezes o estilo das minhas postagens e a maneira como escrevia, sempre tentando aproveitar ao máximo o tempo disponível para fazer o Blog da melhor forma possível. Há poucas semanas, fui conduzido a um novo cargo no Esporte Interativo e a minha presença por aqui ficou ainda mais rara do que antes. Eu até começava a escrever posts novos, mas não conseguia chegar ao fim e depois não tinha tempo e – confesso – paciência de retomar. Pela primeira vez, não consegui concluir um post de Análise de Grande Prêmio (fiquei devendo as avaliações do GP da Itália…) e nem colocar minhas apostas no Palpitão (terminou o treino classificatório em Cingapura e eu nem tinha pensado em quem deveria apostar).

Considerei seriamente a possibilidade de encerrar este Blog, mas percebi que essa não era a melhor opção. De qualquer forma, mudanças são necessárias. Como agora o meu tempo para cuidar do Blog é muito mais escasso, fica difícil que eu me comprometa com postagens mais regulares. Vou estabelecer uma nova rotina, que vai funcionar da seguinte maneira: posts mais longos, sem periodicidade definida, que vão juntar vários temas relevantes da Fórmula 1 e do esporte a motor em geral de uma tacada só. Com a nova rotina, estou aposentando por hora as seções Análise do Grande Prêmio e Palpitão do Grande Prêmio, as únicas que ainda restavam por aqui. Não tenho garantia de que conseguiria mantê-las, então prefiro não fazer promessas que talvez não fosse possível cumprir.

Não tenho como saber quando terei muito tempo livre para o Blog, então vou aproveitar as folgas que aparecerem para adiantar o trabalho ao máximo. O novo modelo estreia amanhã, sem falha, já com uma resenha do GP de Cingapura e mais comentários sobre outros assuntos marcantes da semana. Vou fazer o máximo para que a coluna não seja apenas semanal, tendo uma versão aos domingos e outra publicada na quarta ou na quinta-feira. Vai depender de como eu vou me acostumar ao novo sistema, mas acho que é possível. Aos meus leitores, mais novos ou mais antigos, peço mais uma vez desculpas pelo sumiço dos últimos dias e pela falta de informação sobre isso. O Blog andava meio abandonado e eu precisava fazer mudanças mais bruscas. Agora, espero que ele pare de andar só em primeira e segunda marcha para alcançar uma velocidade um pouco maior!

Gustavo Coelho

ENTREGUEM LOGO A TAÇA AO (BI) CAMPEÃO!

Em Monza, a oitava vitória da temporada... (Foto: Paul Gilham/Getty Images)

Em Monza, a oitava vitória da temporada... (Foto: Paul Gilham/Getty Images)

O domínio de Sebastian Vettel fica cada vez mais parecido com a hegemonia que Michael Schumacher estabeleceu em certo período da década passada. Não importa quantas vitórias consiga em sequência. A vibração de Vettel – assim como era a de Schumacher – é sempre a mesma. A motivação continua o tempo inteiro lá no alto. Vettel comemora cada triunfo como se fosse o primeiro, mostrando um desejo inabalável de vencer e vencer sempre. É assim que se faz um campeão. E o líder da equipe Red Bull agora está muito perto mesmo de garantir seu segundo título, que já pode até ser conquistado daqui a duas semanas em Cingapura. Seja como for, não há rigorosamente ninguém que duvide que isso é apenas questão de tempo. Sebastian Vettel é o campeão da temporada 2011 da Fórmula 1. Falta só receber a taça em casa.

Em Monza, Vettel teve um desempenho magistral. Foi um daqueles dias em que ele pareceu estar disputando uma corrida particular lá na frente, enquanto os rivais brigavam por um segundo lugar que representava a “vitória” em outra categoria. Vettel perdeu a liderança apenas por alguns instantes, graças à exuberante largada de Fernando Alonso. Mas toda a genialidade do espanhol – e toda a torcida dos torcedores da Ferrari – não foi suficiente para que ele se mantivesse muito tempo à frente de Vettel. O alemão retomou o controle com uma ultrapassagem segura e confiante apenas uma volta depois. A partir daí, foi apenas um passeio até a bandeira quadriculada.

É impressionante como Vettel, mesmo já sendo tão bom, evoluiu tanto de um ano para cá. Em 2010, o alemão era rotulado como irregular e propenso a erros. Quanta diferença. O Vettel de 2011 é praticamente infalível. Seu único deslize até aqui foi ter perdido a vitória para Button na última volta do GP do Canadá, mas mesmo essa derrota não teve um peso tão grande assim. Com o triunfo em Monza, o alemão abriu 112 pontos de vantagem no campeonato. Pode agora fazer todas as bobagens que quiser e ainda assim será o campeão. Mas isso não vai acontecer. A tendência é que Vettel continue ganhando. E ganhando. E ganhando, sem parar. Do mesmo jeito que um outro alemão fazia até alguns anos atrás. Os adversários de Vettel rezam para que 2011 termine logo. As corridas que faltam na temporada vão servir apenas para adicionar mais alguns troféus à já expressiva coleção do líder do campeonato.

Schumacher foi um dos destaques do dia: um grande quinto lugar (Foto: Divulgação Mercedes)

Schumacher foi um dos destaques do dia: um grande quinto lugar (Foto: Divulgação Mercedes)

Monza poderia ter sido uma corrida muito chata, mas de Vettel para trás o que não faltou foi emoção. O segundo lugar ficou com o renovado Jenson Button, que parece mesmo viver o melhor momento em termos de pilotagem de sua carreira na Fórmula 1. Button largou mal e perdeu várias posições na primeira volta, mas teve tranquilidade para fazer mais uma bela recuperação, coroada com ultrapassagens de autoridade sobre Alonso, Schumacher e Hamilton. Mesmo tendo perdido a briga com Button, Alonso mostrou aos “tiffosi” que faz a diferença no carro da Ferrari. Uma largada esplêndida, uma condução sem erros e um terceiro lugar que foi até pouco diante da grande performance do espanhol. No fim, Alonso teve sangue frio para segurar os ataques de Hamilton e obteve seu quinto pódio nas últimas seis corridas, uma prova de sua evolução na segunda metade do campeonato.

Hamilton, aliás, teve em Monza uma das corridas mais frustrantes de sua carreira. Ele começou mal e perdeu posições para Alonso e Schumacher na primeira curva, mas o pior estava por vir. Com um carro sem muita velocidade de reta, Hamilton passou quase 30 voltas preso atrás de Schumacher, uma eternidade numa era de asa móvel e “KERS”. A irritação do inglês deve ter aumentado mais ainda quando o companheiro Button chegou e aproveitou um erro de Schumacher para superar o alemão em apenas uma volta. Para deixar o heptacampeão para trás, Button demorou somente meia reta. Hamilton teve de trabalhar muito mais. Quando finalmente conseguiu ganhar a posição, Lewis pisou forte para tentar salvar um lugarzinho no pódio, mas nessa altura já era tarde demais. O quarto lugar ficou bem abaixo do que ele esperava para essa corrida.

Bruno Senna marcou seus primeiros pontos com um 9º lugar (Foto: S.TeeLAT Photographic)

Bruno Senna marcou seus primeiros pontos com um 9º lugar (Foto: S.TeeLAT Photographic)

A grande atuação de Schumacher foi recompensada com um merecido quinto lugar. O alemão foi duro ao defender a posição diante de Hamilton, mas jamais mostrou deslealdade. Com os pontos somados em Monza, o heptacampeão chegou a 52 no campeonato e está apenas quatro atrás do companheiro Nico Rosberg. Nessa altura, já não seria mais surpresa se Schumacher terminasse a temporada como o piloto da Mercedes mais bem colocado na tabela. Por sua vez, Felipe Massa não tem muito mais o que esperar de 2011. Na Itália, o resultado de costume: sexto lugar. O brasileiro foi prejudicado por um toque com Mark Webber no início da prova, que causou uma rodada para Massa e o abandono do australiano. Mesmo se não tivesse passado por isso, porém, Massa dificilmente teria ido além de quinto lugar.

Na sequência, Jaime Alguersuari fez mais uma excelente corrida de recuperação para pular de 17º no grid para sétimo, o melhor resultado dele e da Toro Rosso em 2011. Paul di Resta somou mais uns pontinhos em oitavo e Bruno Senna finalizou na zona de pontuação pela primeira vez na carreira. O sobrinho do tricampeão Ayrton deixou uma impressão bem positiva de novo. Atrapalhado pelo acidente na largada – quando, por inexperiência, acabou desviando para o lado errado e perdeu várias posições – Bruno trocou de estratégia rápido e foi para os boxes tirar os pneus duros. Voltou lá atrás, mas manteve sempre um ritmo forte e veio ganhando posições. Bruno fez ultrapassagens agressivas sobre Sutil, Maldonado e Kobayashi antes de superar Buemi com a mais bonita das manobras a poucas voltas do fim. Nono lugar foi um resultado do estilo “bem bom”. E na disputa particular com Petrov, já está tudo empatado.

Dentre os demais, não há muito o que discutir. Destaque negativo – aliás, muito negativo – para a barbeiragem de Vitantonio Liuzzi na primeira volta. O italiano, num momento de desligamento mental, perdeu a freada e fez um autêntico “strike” que tirou da prova os inocentes Rosberg e Petrov. Foi um fim de semana realmente negativo para Liuzzi. Correndo em casa, acabou superado pelo novato Daniel Ricciardo nos treinos e fez bobagem na corrida. Não poderia ter sido muito pior. Numa corrida recheada de abandonos, impressiona que nem assim a Williams tenha conseguido marcar pontinhos. Maldonado chegou a andar em sexto, mas foi perdendo terreno e amargou o 11º posto. Já Rubens Barrichello perdeu o bico no acidente de Liuzzi e fez o possível para concluir em 12º. Sua tentativa frenética de voltar à corrida após a batida talvez tenha sido uma maneira de mostrar à equipe o quanto ele continua motivado. Mas sua situação na Williams parece cada vez menos confortável.

A próxima parada da Fórmula 1 é Cingapura, em duas semanas. Será o palco da consagração absoluta de Vettel em 2011? Talvez. De qualquer maneira, não vai demorar muito para que o alemão levante seu segundo troféu de campeão…

Logo abaixo, a classificação do GP da Itália:

Em breve, o Blog retorna com a seção Análise do Grande Prêmio, repercutindo das atuações de pilotos e equipes no GP da Itália. Até mais!

Gustavo Coelho

OLHA O VETTEL NA POLE DE NOVO…

Alemão conquistou sua décima pole no ano (Foto: Paul Gilham/Getty Images)

Alemão conquistou sua décima pole no ano (Foto: Paul Gilham/Getty Images)

Monza era para ser um dos circuitos mais desfavoráveis para a Red Bull. Era. Em 2011, isso não existe mais. Os touros vermelhos não têm mais pontos fracos – e muito menos Sebastian Vettel. A pole position no Grande Prêmio da Itália nem veio como uma surpresa tão grande assim. E Vettel, mesmo num circuito “complicado” para seu carro, impôs quase meio segundo de vantagem para o adversário mais próximo. Se aos domingos é muito difícil derrotar o alemão, aos sábados essa tarefa se torna quase impossível. Quando Mark Webber vai mal, então, o domínio de Vettel se torna massacrante. Ninguém chegou perto dele e a pole em Monza parece ser o prenúncio de mais um triunfo para o virtual campeão de 2011.

Embora tenha falhado em conquistar a pole, a McLaren teve seu treino classificatório mais forte da temporada. Lewis Hamilton larga em segundo, com Jenson Button uma posição atrás. A equipe inglesa tem grandes esperanças para a corrida desse domingo e, apesar de todo o favoritismo de Vettel, tem o direito de sonhar com a vitória. Seria um resultado para provar a recuperação de Hamilton ou a boa fase de Button. Seja como for, os dois sabem que não será nada tranquilo superar o piloto que larga à frente deles.

Fernando Alonso fez seu papel e alinha da quarta posição, resultado um pouco abaixo do que os torcedores da Ferrari esperavam. O vencedor do GP da Itália do ano passado não terá uma corrida fácil e vai ter de lutar muito só para chegar no pódio. Repetir o triunfo de 2010 parece algo improvável no momento. Assim como Alonso, Mark Webber também não conseguiu o resultado que queria. No caso do australiano, foi pior ainda. O quinto lugar, a seis décimos de Vettel, mostra que toda a luta de Webber não é suficiente para que ele se aproxime do companheiro. O mesmo pode ser dito de Felipe Massa, cujo solitário sexto lugar foi conquistado com boa distância para os pilotos que ficaram atrás, mas relativemente longe também dos outros cinco que se posicionam à frente no grid.

Bruno Senna larga em décimo lugar (Foto: Lorenzo Bellanca/LAT Photographic)

Bruno Senna larga em décimo lugar (Foto: Lorenzo Bellanca/LAT Photographic)

Renault e Mercedes travaram uma briga equilibrada para ser a quarta força do grid e Vitaly Petrov, dessa vez, foi a grande surpresa. Um belo sétimo lugar para o russo, que vinha sendo pressionado pela presença de Bruno Senna. O brasileiro também foi muito bem e se colocou em décimo, tendo poupado pneus no “Q3″ para a corrida. Bruno talvez arrisque uma estratégia de começar com pneus mais duros, caminho que já foi escolhido por Nico Rosberg (9º). Michael Schumacher (8º), na outra Mercedes, vai começar com pneus macios mesmo. Será interessante observar qual das duas estratégias vai dar mais certo na corrida. Para Senna, marcar pontos é o objetivo principal. Seu desempenho no treino classificatório mais uma vez agradou bastante. Agora é manter o mesmo ritmo na corrida – e tomar cuidado com a primeira chicane em Monza, onde os acidentes na largada são bem mais frequentes do que em qualquer outro circuito.

De 11º para baixo, o grid é praticamente formado só por companheiros de equipe lado a lado. Duas Force India, duas Williams (Rubinho em 13º, centésimos à frente de Maldonado), uma Sauber, uma Toro Rosso, uma Sauber, uma Toro Rosso, duas Lotus, duas Virgin e duas Hispania. Essa turma toda vai torcer por abandonos no grupo de ponta para conseguir ganhar posições. A divisão de forças em Monza, pelo visto, está bem definida. Apenas a Force India parece ter condições de lutar por pontos sem que haja muita reviravolta. As outras equipes devem fazer mera figuração.

Logo abaixo, os tempos do treino classificatório:

A largada para o GP da Itália acontece às 9h00 desse domingo, horário de Brasília.

Hoch-Zwei.Net/Divulgação McLaren

Hoch-Zwei.Net/Divulgação McLaren

Está difícil manter esse blog ultimamente… muita correria, pouco tempo livre e períodos longos de ausência. Peço desculpas a todos por mais um sumiço nas últimas semanas: nada como dois fins de semana seguidos cobrindo férias de colegas para comprometer os planos que eu tinha para este espaço. Apesar de tudo, o tradicional post com o Palpitão não poderia falhar. Vamos lá:

Vitória: Lewis Hamilton
Pole Position: Sebastian Vettel
Tempo da Pole: 1:22.850
Grid Aleatório (13º lugar): Sergio Perez
Melhor Volta: Fernando Alonso
Primeiro Abandono: Adrian Sutil
Zona de Pontuação:
1. Lewis Hamilton
2. Fernando Alonso
3. Sebastian Vettel
4. Jenson Button
5. Felipe Massa
6. Mark Webber
7. Michael Schumacher
8. Nico Rosberg
9. Paul di Resta
10. Bruno Senna

Minha “escalação” no Pole Position
- Lewis Hamilton
- Jenson Button
- Mark Webber
- Vitaly Petrov
- Sebastien Buemi
- Sergio Pérez
- Equipe: Red Bull

Itália é terra da Ferrari. Em Monza, mais ainda. Mas a McLaren andou muito bem nas últimas corridas e promete se adaptar bem ao rápido circuito de Monza. O palpite em Hamilton é de mera convicção. Nas outras duas vezes em que joguei minhas fichas no inglês – Canadá e Bélgica – ele acabou a corrida no muro. Vamos dar uma derradeira chance ao rapaz. Se não der certo dessa vez, deixo ele em paz até o fim da temporada…

Gustavo Coelho

O CAMPEONATO DOS OUTROS

No centro do pódio, só dá Vettel. Mas a briga ao redor dele está quente (Foto: Vladimir Rys/Getty Images)

No centro do pódio, só dá Vettel. Mas a briga ao redor dele está quente (Foto: V.Rys/Getty Images)

A disputa pelo título da Fórmula 1 em 2011 é uma das mais emocionantes de toda a história. Vários pilotos se revezam na liderança e a briga segue totalmente indefinida faltando ainda sete corridas para o encerramento da temporada. Não dá para fazer previsões. Quem está no topo num fim de semana, logo depois despenca na classificação. Três equipes têm chances de levar o troféu de campeão e nenhuma delas conseguiu se manter como a principal força do grid por muito tempo. O campeonato vai permanecer em aberto até a última parada, em Interlagos, e a tendência é que quatro pilotos cheguem com plenas chances de sair com o título.

Será que o autor do Blog enlouqueceu? Calma. Evidente que o parágrafo anterior não corresponde à realidade. Mas traz uma versão bem realista para o que poderia ser o campeonato de 2011 se o líder Sebastian Vettel estivesse fora da disputa. Sim, é isso mesmo. Lá na frente, Vettel está disparado e já pode se considerar bicampeão mundial, embora ainda faltem algumas semanas para que ele comemore oficialmente. A grande disputa, dessa vez, é para saber quem vai ser o vice. Ninguém vai levar esse prêmio muito a sério, mas é impressionante como a segunda posição do campeonato tem sido disputada e preenchida por vários nomes desde o início da temporada. Em primeiro, Vettel está em outro patamar. Mas logo atrás, quatro pilotos – Webber, Alonso, Button e Hamilton – travam uma disputa encarniçada para saber quem vai vencer o “campeonato dos outros”. Vale a pena analisar o gráfico abaixo para entender a evolução dessa briga:

Analisando as curvas dos quatro concorrentes, é fácil perceber que o mais regular de todos é Webber. A linha azul que marca a pontuação dele no gráfico é praticamente uma reta, com poucas oscilações. O australiano terminou todas as corridas do ano entre os cinco primeiros e, embora seja o único do quarteto que ainda não venceu em 2011, é quem acumula mais pontos. Logo atrás de Webber, Alonso aparece em terceiro lugar no campeonato após uma bela recuperação na segunda fase da temporada europeia. O espanhol começou o ano em marcha lenta e, com o abandono no Canadá, chegou a ficar distante de seus adversários mais próximos. Entretanto, a vitória na Inglaterra somada aos pódios em Valência, na Alemanha e na Hungria recolocaram seu nome na briga pela segunda posição do campeonato. Alonso já aparece à frente dos dois pilotos da McLaren, mesmo tendo tido um carro inferior na maior parte do campeonato.

Os pilotos da equipe inglesa vivem uma situação um tanto curiosa em 2011: quando um vai bem, o outro geralmente se dá muito mal. Button viveu sua melhor fase com os pódios na Espanha em Mônaco, que culminaram com sua magnífica vitória no Canadá. Ao mesmo tempo, Hamilton passava por um inferno astral de acidentes e polêmicas. Ele se levantou com um triunfo merecido na Alemanha, justamente quando Button mergulhava na má fase de dois abandonos seguidos por falhas mecânicas. Mas então Button se recuperou de novo: venceu na Hungria e brilhou na Bélgica, enquanto Hamilton – adivinhe – somou apenas dez pontos nessas duas corridas. Agora, os dois pilotos da McLaren estão praticamente empatados, embora Button leve uma ligeira vantagem no momento. Ambos perderam um pouco de contato com Webber na “disputa” pelo vice, mas estão a apenas 21 pontos do australiano – uma distância que pode ser cortada em apenas uma corrida.

Com o domínio de Vettel, o campeonato de 2011 logo ficou classificado como “chato” e “pouco equilibrado”. Pois bem: “chato” ele realmente está sendo, já que a definição do título vai sair muito antes do encerramento da temporada. Mas a questão do equilíbrio é mais complexa. Quem está desequilibrando em 2011 não é a Red Bull, e sim Vettel. Nas mãos de um piloto mais “normal” – como Webber – o carro da Red Bull continua sendo o melhor do grid, mas a distância para os adversários cai e o resultado é a disputa muito parelha pelo segundo posto do campeonato. Criticado por seus erros no ano passado, Vettel parece ter aprendido a lição e vem fazendo uma temporada quase perfeita em 2011. Mesmo quando errou – como no Canadá, por exemplo – o alemão ainda saiu com um bom resultado e jamais foi ameaçado na disputa pelo título. O resultado disso é o abismo que se criou na tabela de classificação entre ele e o resto, algo que pode ser bem percebido no gráfico abaixo:

Repare na distância de Vettel para Webber, seu adversário mais próximo. É nada menos do que quatro vezes maior do que a diferença do próprio Webber para Button, o quinto na tabela. A vantagem do alemão sobre o australiano é de 92 pontos – para se ter uma ideia, é praticamente a mesma lacuna (93 pontos) que separa Webber de Felipe Massa, o sexto na tabela.

Aliás, esse segundo gráfico serve para mostrar bem como Massa está desconectado da briga entre os pilotos das três principais equipes. Vettel se distanciou na frente, mas todos os outros apresentam mais ou menos o mesmo nível de competitividade. Massa é que não consegue acompanhar esse ritmo e caminha para um sexto lugar no campeonato ainda mais tímido e distante do que o do ano passado. Em 2010, o brasileiro até chegou a liderar o campeonato e somou cinco pódios. Na atual temporada, Massa não foi além do quinto lugar em nenhuma corrida e só completou duas provas à frente de Alonso. Para quem esperava que o brasileiro reduzisse a distância para o espanhol neste ano, aconteceu justamente o contrário: agora, a supremacia de Alonso é ainda maior.

Com o campeonato já definido, os adversários de Vettel já devem começar a se preocupar com a temporada de 2012. Webber, Alonso e Hamilton e Button só podem mesmo sonhar com o vice. O título de 2011 já está resolvido a favor de Vettel. E seus rivais que disputem um campeonato paralelo para saber quem vai ser o “campeão dos outros”.

Mark Thompson/Getty Images

Mark Thompson/Getty Images

ANÁLISE DOS PILOTOS

Sebastian Vettel administrou bem os problemas de pneu e ganhou até com certa folga. Nota 10

Mark Webber foi batido por Vettel de novo, mas fez sobre Alonso a ultrapassagem do ano. Nota 8

Lewis Hamilton exagerou na dose mais uma vez. Ao menos, admitiu o erro sem delongas. Nota 4

Jenson Button fez uma prova de recuperação brilhante de 13º no grid. Pódio merecido. Nota 9

Fernando Alonso parecia que poderia vencer, mas perdeu força com os pneus duros. Nota 7

Felipe Massa mostrou pouca combatividade e ainda teve má sorte de sofrer um furo. Nota 5

Nico Rosberg brilhou na largada, só que não conseguiu manter o ritmo forte do início. Nota 7

Michael Schumacher comemorou seus 20 anos de F-1 com uma recuperação excelente. Nota 9

Bruno Senna foi tímido na sexta, ótimo no sábado e afobado no domingo. Nota 5

Vitaly Petrov marcou dois pontinhos com uma atuação correta, e nada além disso. Nota 7

Rubens Barrichello foi superado por Maldonado e ainda se tocou com Kobayashi. Nota 3

Pastor Maldonado enfim, somou seu merecido 1º pontinho com uma corrida agressiva. Nota 8

Adrian Sutil não apareceu muito, mas foi um dos grandes destaque da corrida. Nota 8

Paul di Resta errou no sábado, errou no domingo e perdeu boa chance de pontuar. Nota 4

Kamui Kobayashi parecia próximo de um grande resultado, mas ficou para trás. Nota 5

Sergio Pérez desperdiçou uma ótima posição de grid com mais uma manobra exagerada. Nota 4

Sebastien Buemi abandonou cedo e também deixou escapar boa chance de resultado. Nota 5

Jaime Alguersuari foi vítima do erro de Bruno Senna e saiu com o coração despedaçado. Nota 7

Heikki Kovalainen se destacou no sábado, mas foi superado por Trulli na prova. Nota 6

Jarno Trulli fez uma das suas melhores corridas e chegou perto do grupo do meio. Nota 7

Vitantonio Liuzzi deixou Ricciardo para trás e cumpriu a prova sem comprometer. Nota 6

Daniel Ricciardo estava um pouco abaixo do nível de Ricciardo quando quebrou. Nota 5

Timo Glock foi batido por D’Ambrosio numa prova em que fez quatro pit stops. Nota 4

Jerome D’Ambrosio obteve um resultado bem razoável em casa, superando Glock. Nota 6

ANÁLISE DAS EQUIPES

Red Bull provou que recuperou o posto de melhor equipe do pelotão. Nota 10

McLaren poderia ter vencido, mas Button errou no sábado e Hamilton, no domingo. Nota 7

Ferrari sofreu de forma demasiada com os pneus e não segurou bom ritmo. Nota 6

Mercedes conquistou, com a ajuda inspirada dos pilotos, o melhor resultado do ano. Nota 8

Renault manteve o nível das corridas mais recentes e marcou poucos pontos. Nota 5

Williams voltou à zona de pontuação com um suado e esforçado Maldonado. Nota 6

Force India mostrou, com Sutil, todo seu potencial. Vai aprontar no GP da Itália. Nota 7

Sauber chegou a estar em quarto e quinto no início da prova, mas saiu zerada. Nota 4

Toro Rosso foi ótima no sábado, mas sua dupla foi eliminada por erros alheios. Nota 8

Lotus andou bem no sábado, mas os pilotos se atrapalharam na largada. Nota 6

Hispania voltou a ser a lanterna com distância e ainda quebrou com Ricciardo. Nota 3

Virgin esteve longe do grupo intermediário, mas ao menos superou a Hispania. Nota 4

ANÁLISE DA CORRIDA

O Grande Prêmio da Bélgica manteve o padrão do campeonato e foi uma corrida excitante. Destaque para a espetacular ultrapassagem de Webber sobre Alonso na Eau Rouge, provavelmente a melhor da temporada até aqui. Por todo o pelotão, a corrida foi recheada de brigas do início ao fim. E, para os que gostam de acidentes, ainda teve a pancada de Hamilton. Valeu a pena ter acompanhado a corrida de Spa, em que pese a péssima participação dos pilotos brasileiros. O GP da Bélgica merece uma nota 8.

ANÁLISE DO CAMPEONATO

Já acabou, né? Vettel é o campeão. A disputa pelo título, em 2011, não teve graça alguma. Nota 2

ANÁLISE DOS PALPITES

Vitória: Lewis Hamilton. A vitória foi de Sebastian Vettel
Pole Position: Sebastian Vettel. Palpite correto!
Tempo da Pole: 1:43.800. Com a pista úmida, a pole foi 1:48.298
Grid Aleatório (12º lugar): Kamui Kobayashi. Palpite correto!
Melhor Volta: Fernando Alonso. A melhor volta foi de Mark Webber
Primeiro Abandono: Timo Glock. O primeiro a abandonar foi Jaime Alguersuari
Zona de Pontuação:
1. Lewis Hamilton (Sebastian Vettel)
2. Fernando Alonso (Mark Webber)
3. Sebastian Vettel (Jenson Button)
4. Jenson Button (Fernando Alonso)
5. Mark Webber (Michael Schumacher)
6. Felipe Massa (Nico Rosberg)
7. Nico Rosberg (Adrian Sutil)
8. Paul di Resta (Felipe Massa)
9. Michael Schumacher (Vitaly Petrov)
10. Adrian Sutil (Pastor Maldonado)

Acho que eu não dou muita sorte para Lewis Hamilton. A última vez que apostei no inglês havia sido no Canadá, onde ele… bateu. Agora, na Bélgica, joguei minhas fichas de novo em Hamilton e ele… bateu. Ao longo de todo o fim de semana, aliás, minha bola de cristal esteve pouco calibrada – à exceção do acerto em cheio de Kobayashi como o 12º colocado no grid e da pole position de Vettel. Na corrida, não cravei nenhum dos dez primeiros. Enfim, foi bem mais ou menos. Não mereço mais do que uma nota 4.

DESEMPENHO NO POLE POSITION

- Jenson Button: 29 pontos
- Mark Webber: 24 pontos
- Vitaly Petrov: 7 pontos
- Sergio Pérez: 1 ponto
- Lewis Hamilton: 1 pontos
- Sebastien Buemi: 0 pontos
- Red Bull: 26 pontos
-
Total na corrida: 87 pontos (4.843º)
- Total no geral: 779 pontos (802º)

O abandonou de Hamilton prejudicou bastante a minha equipe, mas ainda assim marquei muitos pontos graças à recuperação de Button e ao pódio de Webber. Dois dos pilotos escalados para reforçar o elenco, Buemi e Pérez, também poderiam ter contribuído melhor. Foi uma corrida que deixou um pouco a desejar, embora no geral ainda esteja no top-1.000. Para a Itália, a tática é manter a mesma “escalação” e torcer por um bom desempenho dos pilotos da McLaren.

A Fórmula 1 retorna à pista no próximo dia 24 de julho, com o Grande Prêmio da Alemanha. Até mais!

Gustavo Coelho

VETTEL, DOMÍNIO INABALÁVEL

Mais uma vitória para a coleção do insuperável alemão da Red Bull (Foto: Lars Baron/Getty Images)

Mais uma vitória para a coleção do insuperável alemão da Red Bull (Foto: Lars Baron/Getty Images)

O domínio de Sebastian Vettel está cada vez mais parecido com o de Michael Schumacher no auge da supremacia do heptacampeão com a Ferrari. Mesmo quando as condições são adversas, Vettel encontra uma maneira de superar as dificuldades e vencer mais uma vez. A vitória dele no GP da Bélgica foi certamente uma das mais complicadas entre as que conquistou na atual temporada. Com menos de cinco voltas, Vettel já sofria com sérios problemas de bolhas nos pneus e precisou antecipar sua primeira parada. A estratégia da Red Bull, porém, se revelou certeira e o alemão logo retomou o controle da corrida. Lewis Hamilton, Fernando Alonso e até Nico Rosberg chegaram a ter o gostinho de ficar na liderança, mas Vettel jamais esteve muito longe e, depois que recuperou a primeira posição, não foi mais incomodado.

A vitória de Vettel – e a dobradinha da Red Bull, com Mark Webber em segundo – confirmaram a recuperação da escuderia austríaca, que havia caído de rendimento nas corridas anteriores. As férias de agosto fizeram muito bem para a equipe. Mesmo num circuito onde nunca havia vencido antes, a Red Bull dominou as ações e conquistou mais um triunfo. Para McLaren e Ferrari, o que resta mesmo é aproveitar as “sobras” para acumular uma ou outra vitória até o fim do ano. Com o campeonato já praticamente definido, a tendência é que todas as equipes concentrem esforços no desenvolvimento do carro de 2012, deixando de lado seus equipamentos atuais. Isso significa que a ordem das forças no grid não deve mais se alterar muito até o fim da temporada. A Red Bull voltou a ter o carro mais forte e deve enfileirar uma série de novos triunfos. À exceção da próxima corrida (em Monza, onde a potência do motor vale muito e a eficiência aerodinâmica não é tão importante assim), a equipe austríaca é a grande favorita a vencer em todos os outros circuitos que restam no calendário.

Desde o início da prova, Vettel já dispara na ponta (Foto: Vladimir Rys/Getty Images)

Desde o início da prova, Vettel já dispara na ponta (Foto: Vladimir Rys/Getty Images)

Parecia que Vettel teria vida dura, mas a liderança dele na Bélgica se estabilizou na metade da corrida e ele pôde controlar a prova com tranquilidade. Antes disso, o alemão foi obrigado a realizar duas belíssimas ultrapassagens por fora na subida para Les Combes – uma sobre Nico Rosberg e outra, mais espetacular ainda, sobre Fernando Alonso. Vettel provou que sabe vencer vindo de trás, embora ele nunca tenha estado tão distante assim da primeira posição. Vencido mais uma vez na disputa interna da Red Bull, Mark Webber precisou superar mais uma péssima largada para fazer a dobradinha da equipe. Se não fosse sua desastrosa primeira volta – quando caiu de terceiro para oitavo – o australiano poderia ter desafiado Vettel. No fim da corrida, Webber era nitidamente mais rápido, mas não teve tempo de ameaçar o companheiro. Ainda assim, somou mais um bom resultado e retomou a vice-liderança na classificação geral, com direito a uma ultrapassagem absolutamente arrepiante sobre Fernando Alonso na Eau Rouger. Embora não tenha vencido ainda em 2011, Webber faz uma temporada bastante respeitável. A diferença dele para Vettel é bem menor do que a de Felipe Massa para Alonso, por exemplo.

Largando de 13º, Jenson Button precisou fazer uma parada extra no início e, mesmo assim, ainda concluiu na terceira posição. Foi mais uma brilhante prova do inglês, que mostrou todo o seu repertório de ultrapassagem e, mais uma vez, usou sua excepcional virtude de economizar pneus para ganhar muito terreno. Button ganhou o terceiro posto com uma manobra sobre Fernando Alonso a poucas voltas do fim. O espanhol fez uma excelente corrida de recuperação na fase inicial da prova, compensando sua má posição de grid com uma série de ultrapassagens agressivas – incluindo uma manobra ousada sobre Felipe Massa num ponto pouco convencional do circuito. Alonso deu a impressão de que poderia desafiar a Red Bull, mas começou a sofrer do mesmo problema de bolhas no pneus e foi ficando para trás. O quarto lugar foi até um resultado frustrante diante do potencial que o espanhol mostrou nas primeiras voltas da corrida.

Se foi frustrante para Alonso, foi pior ainda para Lewis Hamilton. O campeão de 2008 parecia bem encaminhado para terminar no pódio, mas um choque violento com Kamui Kobayashi encerrou seu dia de maneira abrupta. Foi um toque de corrida e que, felizmente, não teve consequências mais graves. Hamilton deixou de terminar uma prova pela segunda vez na temporada (a outra foi no Canadá, onde também bateu) e despencou para quinto no campeonato. Esse é o ponto mais baixo que ele pode chegar na tabela geral, já que o sexto colocado, Felipe Massa, tem pouco mais da metade de seus pontos. Em Spa-Francorchamps, o brasileiro teve mais um dia de decepção. Largando cinco posições à frente de Alonso, Massa viu toda essa vantagem desaparecer em duas voltas e ainda levou uma linda ultrapassagem do companheiro. Uma vez mais, faltou um pouco de combatividade para o brasileiro, que demorou muito para superar Nico Rosberg e depois ainda sofreu com um furo de pneu. O oitavo lugar foi um resultado fraco, embora pudesse ter sido ainda pior.

Senna, com o bico avariado, tenta voltar aos boxes (Foto: Lorenzo Bellanca/LAT Photographic)

Senna, com o bico avariado, tenta voltar aos boxes (Foto: Lorenzo Bellanca/LAT Photographic)

A equipe Mercedes comemorou seu melhor fim de semana no ano e Michael Schumacher, no aniversário de 20 anos de sua estreia na Fórmula 1, fez uma corrida espetacular saindo da última posição no grid. O heptacampeão parecia inspirado e, com várias ultrapassagens e uma estratégia inteligente, foi premiado com um ótimo quinto lugar. Seu companheiro, Nico Rosberg, brilhou no início com uma largada arrebatadora e chegou a liderar as primeiras voltas, mas não demorou a perder terreno. Nas últimas voltas, com os pneus duros, não teve como resistir aos ataques de Schumacher, que tinha compostos macios. Logo atrás da dupla da Mercedes chegou outro alemão, Adrian Sutil, que fez uma corrida discreta e eficiente. O sétimo lugar confirmou a evolução da Force India e foi mais um resultado importante para Sutil, cujo lugar em 2012 ainda não está garantido. Além de Massa, o oitavo, também pontuaram Vitaly Petrov (um nono lugar bem razoável) e Pastor Maldonado. O venezuelano da Williams largou de 21º e também fez uma ótima corrida, deixando para trás seu companheiro Rubens Barrichello.

Num dia ruim para os pilotos brasileiros, Rubinho perdeu a disputa para Maldonado e amargou um péssimo 16º, atrás até dos pilotos da Lotus. Mas ainda mais decepcionante foi o resultado de Bruno Senna, principalmente por toda a expectativa que se criou após o promissor sétimo lugar no treino classificatório. Bruno jogou tudo fora ao errar feio na primeira curva, perdendo o ponto de freada e abalrroando o inocente Jaime Alguersuari. O espanhol abandonou na hora, mas Bruno ainda conseguiu seguir após trocar o bico do carro. Sem conseguir manter um ritmo constante, chegou a ser ultrapassado por Jarno Trulli e depois finalizou em 13º, bem abaixo do que poderia. Bruno admitiu o erro sem rodeios, pediu desculpas a Alguersuari e merece elogios por não ter tentado inventar desculpas. Mas, tendo um prazo tão curto para mostrar serviço, ele não pode deixar que uma situação como essa se repita.

A próxima etapa da Fórmula 1 é o Grande Prêmio da Itália, no mitológico circuito de Monza, talvez a única corrida da temporada em que a Red Bull não entra como a equipe a ser batida. Nas longas retas e chicanes apertadas do traçado italiano, McLaren e Ferrari possuem chances razoáveis de sair com o triunfo. Mas, se Vettel vencer mais uma vez, será o caso de o grid todo jogar a toalha e pedir logo para entregar a taça ao campeão…

Logo abaixo, o resultado final do GP da Bélgica:

Para evitar que esse Blog fique parado ao longo da semana, o post com a Análise do Grande Prêmio será publicado apenas nessa segunda-feira, seguido por outros textos que já estão prontos e vão para o ar em breve. Até mais!

Gustavo Coelho

UM SÁBADO DE VETTEL E BRUNO SENNA

Na frente, Vettel foi o destaque... (Foto: Lars Baron/Getty Images)

Na frente, Vettel foi o destaque como sempre... (Foto: Lars Baron/Getty Images)

Chove-não-molha, um típico dia em Spa-Francorchamps. O resultado final foi o mesmo – Vettel na pole – mas o treino que definiu o grid para o Grande Prêmio da Bélgica pode ser classificado como um dos mais interessantes dos últimos tempos. Teve favorito se enrolando, gente saindo da pista e alguns desempenhos que merecem vários elogios. Vettel, o campeão mundial de 2011, manteve a hegemonia da Red Bull (a equipe 100% pole da temporada) e vai largar da frente pela nona vez em 12 corridas no ano. Ele vinha fazendo um treino razoavelmente apagado até pintar no “Q3″ com uma volta arrebatadora, bem à frente de seus principais adversários. O alemão é o pole de novo e, como sempre, vai tentar manter o controle da corrida desde o início.

Vettel teve mais uma performance de destaque, só que o dia contou com outras atuações acima da média. A começar por Hamilton, que tirou o máximo da McLaren para conquistar um promissor segundo posto no grid. Na hora de acelerar, o inglês foi rápido como costuma ser. Só a lamentar o desastrado toque com Maldonado no fim do “Q2″, quando os dois já estavam em velocidade lenta para retornar aos boxes. Irritado por ter sido ultrapassado por Hamilton durante sua volta rápida, o venezuelano pareceu fechar o inglês de propósito para mostrar sua revolta. Só que Maldonado calculou mal sua manobra e Hamilton, que também não se intimidou, não recolheu o carro. Os dois tiveram um toque sem maiores consequências, mas o piloto da Williams foi punido pelos comissários e perdeu cinco posições no grid.

Em terceiro, Webber poderia ter lutado pela pole se não tivesse sido prejudicado por Pérez em sua última volta lançada. O australiano não se saiu tão mal assim, mas certamente ficou frustrado. Por outro lado, Massa deixou Alonso bem para trás e vai largar à frente do companheiro pela segunda vez consecutiva. Agora, a distância entre os dois foi bem significativa: o brasileiro fez um bom treino e obteve o quarto lugar, enquanto Alonso não conseguiu se acertar nas situações adversas e teve de amargar um fraco oitavo. Entre os dois pilotos da Ferrari, ficaram três pilotos que brilharam com intensidade: Nico Rosberg, Jaime Alguersuari e Bruno Senna. Vale um parágrafo extra só para falar dos três.

... um pouco mais atrás, Senna também brilhou (Foto: Charles Coates/LAT Photographic)

... um pouco mais atrás, Senna também brilhou (Foto: Charles Coates/LAT Photographic)

Rosberg pilotou o único carro da Mercedes que não era um triciclo, e isso lhe deu uma baita vantagem sobre o pobre companheiro Schumacher. O heptacampeão, que perdeu uma roda no “Q1″, vai largar de último por não ter nem marcado tempo. Na outra ponta do grid, Rosberg será quinto e pode até sonhar com um pódio. Ele vai dividir a terceira fila com um inspirado Alguersuari, cujo sexto lugar foi o melhor desempenho da Toro Rosso em 2011. Logo atrás deles, vem aquele que talvez tenha sido o grande destaque do sábado: Bruno Senna. Em sua estreia pela Renault, o sobrinho do tricampeão Ayrton teve uma performance bem melhor do que a encomenda. Andou à frente de Petrov durante toda a classificação, não cometeu nenhum erro e soube usar as condições variáveis da pista para obter um excelente sétimo. Foi o melhor grid da Renault desde o GP da Espanha. O início de Bruno não poderia ter sido mais animador.

A Sauber teve um dia razoável, com Pérez em nono e Kobayashi em 12º (acertei a aposta do grid aleatório no palpitão), enquanto Petrov (10º) e Buemi (11º) até que não foram mal, mas foram ofuscados pelos companheiros. Button foi a grande decepção do treino e não passou de 13º (logo ele que costuma se dar bem nessas situações…). A Williams perdeu uma ótima oportunidade de conseguir um resultado acima de seu limite e ficou na segunda metade do grid, com Barrichello em 14º e Maldonado em 21º após sua punição. Já a Force India teve um dia para esquecer e seus pilotos só apareceram quando estiveram fora da pista. Por fim, vale destacar o esforçado 17º lugar de Kovalainen: um resultado que seria ruim para quase todo mundo, mas que para o finlandês e para a Lotus é um prêmio pela dedicação.

Logo abaixo, os tempos desse sábado:

A largada do GP da Bélgica acontece às 9h00 desse domingo, horário de Brasília.

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