Rafael Oliveira

O VULNERÁVEL CHELSEA DE VILLAS-BOAS

A derrota para o Arsenal ligou o sinal de alerta para a defesa do Chelsea. Não só por perder dentro de casa, mas por sofrer cinco gols. E é importante lembrar: mesmo antes do clássico, os 10 gols sofridos em 9 jogos já representavam a pior média da era Abramovich.

2011/12 – 15 gols em 10 jogos = 1,5
2010/11 - 33 gols em 38 jogos = 0,86
2009/10 - 32 gols em 38 jogos = 0,84
2008/09 - 24 gols em 38 jogos = 0,63
2007/08 - 26 gols em 38 jogos = 0,68
2006/07 - 24 gols em 38 jogos = 0,63
2005/06 - 22 gols em 38 jogos = 0,57
2004/05 - 15 gols em 38 jogos = 0,39 (Melhor defesa da história da Premier League – Tec: José Mourinho)
2003/04 – 30 gols em 38 jogos = 0,78


O Chelsea de André Villas-Boas tem duas características importantes:
- A proposta do português é tomar a iniciativa e dominar a posse de bola no campo ofensivo.
- Para manter a intensidade, o time joga compacto e pressiona no ataque

O resultado é um Chelsea mais interessante do ponto de vista ofensivo. A chegada de Mata ajudou a solucionar o problema da previsibilidade de temporadas anteriores. Apesar de ser o winger pela esquerda, o espanhol centraliza e ajuda na criação das jogadas, com ótimo passe e visão de jogo. Com essa movimentação, quem explora a ponta esquerda é Ashley Cole, com mais liberdade para subir. O ressurgimento de Frank Lampard não foi coincidência. Aconteceu exatamente quando o time passou a ter outro jogador criativo, agora com um ataque que se movimenta mais e abre espaços pelas pontas.

Mas a intensidade para pressionar no ataque “pede” uma linha de defesa alta, sempre próxima do meio-campo. E aí entra a fragilidade defensiva que Villas-Boas precisa solucionar urgentemente. Jogar com a defesa adiantada é uma estratégia sempre perigosa e que precisa de ótimo posicionamento coletivo. Caso contrário, o time ficará sempre exposto. E é exatamente o que acontece com os Blues.

Invariavelmente, o Chelsea sofre com as jogadas em velocidade dos adversários. Bosingwa é um lateral ofensivo, com dificuldades de marcação. Terry não é um zagueiro rápido, por melhor que seja. E quem faz a cobertura? No momento, ninguém. O parceiro de zaga não está definido. David Luiz chegou deixando boa impressão, mas tem vacilado bastante. Por enquanto, é melhor atacando do que defendendo. Avança bem com a bola e é bom elemento surpresa, mas tem sido no mínimo desastrado quando precisa recuar em velocidade. Ivanovic demonstrou na última temporada que é bom lateral, com qualidade no apoio e sem comprometer no posicionamento defensivo, mas Villas-Boas prefere seu compatriota Bosingwa por ser mais ofensivo e ajudar na pressão em busca da bola.

O problema é que a defesa fica sempre exposta e precisa correr atrás dos atacantes quando a linha de impedimento não funciona. Qualquer adversário consegue explorar a velocidade dos pontas e achar um abismo na defesa do Chelsea. Parece que o time sempre é pego no contra-ataque. Um exemplo? Na imagem ao lado, vemos o momento do 1º gol do Arsenal. A bola rodou bastante no meio-campo do Arsenal antes de Ramsey fazer o passe para Gervinho. Mesmo assim, a defesa não recuou. Marcou adiantada e facilitou a vida do ataque dos Gunners.

É uma formação e um estilo de jogo parecido com o que deu certo no Porto 2010/11. Mas uma diferença é fundamental: o nível dos adversários. Não dá para comparar os adversários do Porto no Português com os times que o Chelsea encara no Inglês (até pela dinâmica de transição rápida entre defesa e ataque na Premier League).

Outro fator é o posicionamento do único volante do time. O 4-3-3 do Chelsea tem Mikel, Lampard e Ramires. Lampard é o passador, Ramires é quem pressiona no combate e dá opção de velocidade para carregar a bola e romper a defesa adversária. Mikel deveria ser o volante mais fixo, como fazia o brasileiro Fernando no Porto. Mas nem sempre é. Até pela defesa jogar tão próxima do meio-campo, Mikel atua no campo de ataque, participando das jogadas ofensivas e muitas vezes se descuidando da proteção. A prova de que Mikel tem jogado adiantado é a opção, em alguns jogos, pelo português Raúl Meireles em seu lugar. Oriol Romeu seria a outra opção para ficar mais preso e ganhou duas oportunidades na Liga dos Campeões, mas não na Premier League por enquanto.

Sem ninguém na frente de uma defesa sempre adiantada, o sistema defensivo vira um caos. E não é exagero. Além do número de gols sofridos, outra estatística que evidencia os problemas é o fato do Chelsea ser o time mais indisciplinado da Premier League até aqui, com 3 vermelhos e 26 amarelos em 10 jogos.

Você até pode questionar alguns dos cartões, como na derrota para o QPR, em que Bosingwa e Drogba foram expulsos. Mas o que importa aqui é a origem do problema. A imagem ao lado mostra como surgiu a jogada que terminou com a expulsão de Bosingwa. O português voltou para fazer a cobertura nas costas de David Luiz, que havia errado um passe no meio-campo. Fez a falta e recebeu o vermelho direto. Esse tipo de falta tem sido muito comum, provando a frequência com que a defesa é batida e explicando o elevado número de cartões.

A derrota para o Arsenal liga o sinal de alerta para a defesa do Chelsea. Não só por perder

dentro de casa, mas por sofrer cinco gols. E é importante lembrar: mesmo antes do clássico, os 10

gols sofridos em 9 jogos já representavam a pior média da era Abramovich.

2011/12 – 15 gols em 10 jogos = 1,5
2010/11 – 33 gols em 38 jogos = 0,86
2009/10 – 32 gols em 38 jogos = 0,84
2008/09 – 24 gols em 38 jogos = 0,63
2007/08 – 26 gols em 38 jogos = 0,68
2006/07 – 24 gols em 38 jogos = 0,63
2005/06 – 22 gols em 38 jogos = 0,57
2004/05 – 15 gols em 38 jogos = 0,39 – Melhor defesa da história da Premier League
2003/04 – 30 gols em 38 jogos = 0,78

Em 9 temporadas de “era Abramovich”, Villas-Boas é o oitavo técnico a comandar o Chelsea. Claudio

Ranieri, José Mourinho, Avram Grant, Felipão, Ray Wilkins, Guus Hiddink e Carlo Ancelotti

passaram por lá. O mais vitorioso certamente foi Mourinho, dono da histórica marca de 15 gols

sofridos em 2004/05.

O Chelsea de André Villas-Boas tem duas características importantes:
- A proposta do português é tomar a iniciativa e dominar a posse de bola no campo ofensivo.
- Para manter a intensidade, o time joga compacto e pressiona no ataque

O resultado é um Chelsea mais interessante do ponto de vista ofensivo. A chegada de Mata ajudou a

solucionar o problema da previsibilidade de temporadas anteriores. Apesar de ser o winger pela

esquerda, o espanhol centraliza e ajuda na criação das jogadas, com ótimo passe e visão de jogo.

Com essa movimentação, quem explora a ponta esquerda é Ashley Cole, com mais liberdade para

subir. O ressurgimento de Frank Lampard não foi coincidência. Aconteceu exatamente quando o time

passou a ter outro jogador criativo, agora com um ataque que se movimenta mais e abre espaço

pelas pontas.

Outro avanço foi a entrada de Sturridge no ataque. O jovem inglês ainda oscila, mas já dá a

velocidade que o time precisava pelas pontas.

Mas a intensidade para pressionar no ataque exige uma linha de defesa alta, sempre próxima do

meio-campo. E aí entra a fragilidade defensiva do Chelsea versão 2011/12. Jogar com a defesa

adiantada é uma estratégia sempre perigosa e que precisa de ótimo posicionamento. Caso contrário,

o time ficará sempre exposto. E é exatamente o que acontece com os Blues.

Invariavelmente, o Chelsea sofre com as jogadas em velocidade dos adversários. Bosingwa é um

lateral ofensivo, com dificuldades de marcação. Terry não é um zagueiro rápido, por mais que seja

excelente nos duelos contra os atacantes, mas próximo da área. E quem faz a cobertura? No

momento, ninguém. O parceiro de zaga não está bem definido. David Luiz chegou deixando boa

impressão, mas tem vacilado bastante. Por enquanto, é melhor atacando do que defendendo. Avança

bem com a bola e é bom elemento surpresa, mas tem sido no mínimo desastrado quando precisa recuar

em velocidade. Ivanovic demonstrou na última temporada que é bom lateral, com qualidade no apoio

e sem comprometer no posicionamento defensivo, mas Villas-Boas prefere seu compatriota Bosingwa

por ser mais ofensivo e ajudar na pressão em busca da bola.

O problema é que os laterais avançam para ajudar a pressionar e a dupla de zaga (que já não é das

mais rápidas), fica sempre exposta. Qualquer adversário consegue explorar a velocidade dos pontas

e achar um abismo na defesa do Chelsea.

É uma formação e um estilo de jogo muito parecido com o que deu certo no Porto 2010/11. Mas uma

diferença é importante: o nível dos adversários. Não dá para comparar os adversários do Porto no

Português com os times que o Chelsea encara no Inglês.

Outro fator é o posicionamento do único volante do time. O 4-3-3 do Chelsea tem Mikel (Meireles),

Lampard e Ramires. Lampard é o passador, Ramires é quem pressiona no combate e dá opção de

velocidade para carregar a bola e romper a defesa adversária. Mikel deveria ser o volante mais

fixo, como fazia o brasileiro Fernando no Porto. Mas nem sempre é. Até pela defesa jogar tão

próxima do meio-campo, Mikel atua no campo de ataque, participando das jogadas ofensivas e, às

vezes, se descuidando da proteção. A prova de que Mikel tem jogado no ataque é a opção, em alguns

jogos, pelo português Raúl Meireles em seu lugar. Ou seja: os três meias trabalham no ataque.

Sem ninguém na frente da dupla de zaga e com dois laterais que avançam, a defesa vira um caos. E

não é exagero. Além do número de gols sofridos, outra estatística que evidencia os problemas é o

fato do Chelsea ser o time mais indisciplinado da Premier League até aqui, com 3 vermelhos e 26

amarelos em 10 jogos.

Você até pode questionar alguns dos cartões, como na derrota para o Queens Park Rangers, em que

Bosingwa e Drogba foram expulsos. Mas o que importa aqui é a origem do problema. A imagem ao lado

mostra como surgiu a jogada que terminou com a expulsão de Bosingwa. O português voltou para

fazer a cobertura nas costas de David Luiz, que havia errado um passe no meio-campo. Fez a falta

e, por ser chance clara de gol (a história do último homem), recebeu o vermelho direto.

7 Comentários

  1. @RODRIGO_PAZ10 disse:

    Pq David Luiz bateu penalt?

  2. PROF CHICO MATCHUCA disse:

    CONFIRA TUDO SOBRE FUTEBOL NO MEU BLOG

    http://profchicomatchuca.blogspot.com/

    ABÇ.

  3. Marcelo Augusto disse:

    é, AVB… trata de arrumar isso aí, senão… ferra tudo!!! Engraçado é que na era Ancelotti acontecia o inverso, o time era muito forte na marcação e pouquíssimo criativo… agora o chelsea cria q é uma beleza (principalmente com o mata), mas na defesa… CREDO

  4. Luiz Matheus Santos disse:

    O esquema lembra muito o Manchester United quando tinha o Cristiano Ronaldo com Nani ou Giggs na esquerda como Winger, que sempre atacava e raramente a defesa era incomodada. Meio campo do Hargreaves, Carrick ou Fletcher, mais sempre tinha força de ataque e tanta na defesa. Jogos teoricamente faceis é bem percipítivel isso, mais também rooney voltava um pouco pra deixar ou fazer tabela com os Winger’s ou com o Tevez ou Berbatov.

  5. Carlos disse:

    Não sei por que Oriol Romeu ainda não foi testado como titular…

  6. Vagner Fonseca disse:

    é algo a ser modificado rápido, AVB tem que perceber que ele está no campeonato inglês e não mais no português onde ele fazia isto no porto. O campeonato inglês tem adversário mais fortes e competitivos.

    Arauá-Se

  7. [...] Villas-Boas tenta implementar uma estratégia baseada no trabalho bem sucedido no Porto. A idéia é… [...]

Comentar

Favor informar na mensagem seu estado e cidade.

* todos os campos são obrigatórios