A BRIGA PEGOU FOGO (Coluna publicada no Jornal Marca BR de 14/04)

Pelo título inglês, nem tanto, mas outras disputas promete esquentar a reta final do Campeonato Inglês. Com a arrancada do Arsenal, a terceira posição parece garantida, embora a temporada atual mostre que nem tudo é o que parece. Vide a liderança do Man City e o apagão do Tottenham.

Dos três que brigam pela última vaga para a Liga dos Campeões, a grande novidade é o Newcastle. Contratações cirúrgicas como Cabaye, Demba Ba e, mais recentemente, Demba Cissé colocaram o time entre os seis melhores da Inglaterra, dois anos após disputar a segunda divisão. Para chegar ao tão sonhado quarto lugar, será preciso superar uma difícil tabela. O atenuante é não disputar outras competições, ao contrário dos adversários diretos.

Chelsea e Tottenham se enfrentam na Copa da Inglaterra. Os Blues ainda precisam pensar no Barcelona, enquanto o Tottenham despenca na tabela desde fevereiro, com apenas 10 dos últimos 30 pontos disputados.

A parte inferior também promete. Apenas o Wolves é virtual rebaixado. Blackburn, Bolton, Wigan e QPR tentam fugir das outras duas vagas na zona de rebaixamento. E o interessante é a evolução dos times ameaçados. O Wigan, por exemplo, venceu três dos últimos quatro jogos, incluindo Man Utd e Liverpool. Só perdeu para o Chelsea porque foi muito prejudicado pela arbitragem. Faltando cinco rodadas para o fim, o equilíbrio das últimas semanas complica qualquer projeção. Certeza de uma grande reta final, mesmo se não tiver briga pelo título.

Rafael Oliveira

QUEM SUPERA ALEX FERGUSON NOS PONTOS CORRIDOS?

QUEM SUPERA FERGUSON? (Coluna publicada no Jornal Marca BR de 07/04)

Na virada de ano, muito se falou sobre a capacidade do Manchester United em crescer na hora certa. A história se repete. A vantagem do City foi de cinco pontos no início de dezembro. Hoje, é de cinco para o United, que conquistou 31 dos últimos 33 pontos disputados.

Não é fácil vencer Alex Ferguson nos pontos corridos. E tudo indica que o escocês vai faturar o Campeonato Inglês pela 13ª vez. O United superou o mau momento de Ferdinand, a insegurança de De Gea, a lesão de Vidic e a desastrosa eliminação na Liga dos Campeões. Como de costume, algumas vitórias magras, gols nos minutos finais, os famosos “jogos mentais”, e claro: as arrancadas. Características típicas da era Ferguson. Em 96, o United tirou 12 pontos do Newcastle. Em 2002/03, o primeiro contato com a liderança foi em abril, ganhando 48 dos últimos 54 pontos possíveis e desbancando o Arsenal.

É impressionante perceber que, mesmo após tantos altos e baixos, o United tem 81% de aproveitamento, índice superior, por exemplo, ao do título invicto do Arsenal em 2003/04. Aliás, neste século, apenas o Chelsea de Mourinho em 2004/05 teve campanha melhor.

Jogadores crescem e opções são encontradas mesmo em um elenco tido como limitado. O maior exemplo é o equatoriano Valencia, o melhor do time desde dezembro. De Gea, Evans e Scholes são outros que espantaram a desconfiança e se tornaram importantes. Ainda resta um mês de campeonato, mas tudo indica que será mais um com a cara de Ferguson.

Rafael Oliveira

O QUE MUDOU NO CHELSEA?

O QUE MUDOU? (Coluna publicada no Jornal Marca BR de 31/03)

De uma temporada acabada para provável semifinalista da Liga dos Campeões. É a mudança de cenário do Chelsea em menos de um mês. Sob um olhar otimista, a troca de treinador transformou tudo. Ainda é pouco tempo para tratar como algo definitivo, mas já dá para apontar diferenças de André Villas-Boas para Roberto Di Matteo.

São sete jogos, com cinco vitórias e apenas a derrota para o Man City. Mais importante: quatro jogos sem sofrer gols, algo raro durante a era Villas-Boas. E aí sim é possível notar uma clara mudança.

O Chelsea abriu mão da linha de defesa tão adiantada, que causava tantos problemas com Villas-Boas. Como conseqüência, o nível das exibições dos zagueiros subiu bastante. Especialmente David Luiz, que volta a merecer elogios depois de um semestre bem abaixo do esperado. Outro brasileiro também é destaque: Ramires se firmou como meia aberto, ajudando a marcar pelo lado do campo e usando sua velocidade nas arrancadas.

É um 4-2-3-1 um pouco “torto”, pois tem um atacante na outra ponta. Geralmente Sturridge. Contra o Benfica, foi Kalou. E aí entra o setor que Di Matteo ainda não resolveu. Mata e Sturridge caíram de produção e o Chelsea tem sido um time pobre ofensivamente. Vence sem convencer.

A vitória no Estádio da Luz foi um grande resultado, mas ainda não define o confronto. Como o próprio Lampard disse, Stamford Bridge já não é aquela fortaleza de anos atrás. Mas a evolução defensiva ajuda a dar uma eficiência inexistente com Villas-Boas.

* Apesar da vitória por 4×2 sobre o Aston Villa no sábado, o resultado foi enganador. Não pelo vencedor, mas porque novamente foi um time sem grandes opções no ataque e com uma defesa bem menos problemática que na “era AVB”, embora tenha sofrido dois gols em três minutos no 2º tempo. A bola parada salvou e o dia de artilheiro do Ivanovic não pode esconder o mau momento do ataque dos Blues.

Rafael Oliveira

MAIS QUE UM SUSTO – A LIÇÃO DO CASO MUAMBA

MAIS QUE UM SUSTO (Coluna publicada em 24/03 no Jornal Marca Brasil)

O incidente da partida entre Tottenham e Bolton abalou o futebol inglês no último sábado. A parada cardíaca deixou Fabrice Muamba “morto por 78 minutos”, palavras dos próprios médicos. Em recuperação, o volante do Bolton tem evoluído consideravelmente e já é tratado como milagre, além, óbvio, do ótimo trabalho realizado pela equipe médica em White Hart Lane, estádio do Tottenham.

Mas só uma tragédia (ou algo que se aproxime disso) é capaz de mobilizar um país e gerar uma reflexão mais ampla sobre a situação. Roberto Mancini, técnico do Man City, disse que “a Inglaterra tem o melhor campeonato do mundo, mas não cuida de forma apropriada dos jogadores”. Não foi o único a falar que os exames precisam ser feitos com maior regularidade, algo que não acontece atualmente.

No Brasil, o “caso Serginho” transformou a maneira de encarar a organização dos jogos, com a necessidade de ambulâncias e desfibriladores. Na Inglaterra, o atendimento não parece ser o problema. Pelo menos desde 2006, quando Petr Cech sofreu uma fratura no crânio e a demora no socorro gerou duras críticas de Mourinho. Como sempre, só o susto muda as coisas. O alerta de Mourinho adiantou e foi fundamental para Muamba.

A questão agora parece ser mais simples e, até por isso, mais grave. É prevenir. Na Inglaterra, são feitos exames médicos como etapa final de contratações, mas testes cardíacos mais precisos não eram tão requisitados. Não eram, pois isso certamente mudará após o “caso Muamba”.

Rafael Oliveira

A “PANELINHA” DO CHELSEA

A “PANELA” DO CHELSEA (Coluna publicada em 17/03 no jornal Marca BR)

A classificação do Chelsea levanta uma onda de comentários sobre o possível corpo mole durante a curta “era Andre Villas-Boas”. A heroica virada sobre o Napoli teve gols de Lampard, Terry e Drogba. Mais simbólico, impossível.

Mas não prova nada. É fácil entrar no discurso de boicote, como se os três tivessem começado a jogar muito após a “desejada demissão”. Não coloco a mão no fogo pelo trio, mas tratar isso como verdade absoluta é fechar os olhos para a realidade.

O Chelsea não fez uma partida primorosa diante do Napoli. O trio não jogou isso tudo e os melhores em campo foram David Luiz e Ramires. Foi na base da vontade, no abafa. Com Roberto Di Matteo, são três vitórias em três jogos, é verdade. Mas as vitórias magras e pouco convincentes sobre Birmingham e Stoke mostram que o nível das atuações não mudou.

Se algo evoluiu, foi a defesa, problema claro com Villas-Boas. Drogba, Terry e Lampard continuam sem render como antigamente e o poder decisivo de Drogba não apareceu somente após a saída do técnico. No decisivo jogo contra o Valencia, pela fase de grupos, o marfinense brilhou na vitória por 3 a 0. O técnico era AVB…

Parte da função de treinador é administrar os egos. Villas-Boas não conseguiu. Lideranças existem em qualquer grupo. No Chelsea, o poder da “panelinha” é acentuado e compreensível. O trio conduziu o clube ao status de potência europeia. Por isso, são ídolos da torcida e têm o respeito de Abramovich. É preciso haver um limite, claro. Mas é muito fácil reduzir qualquer sucesso ou fracasso ao comportamento do trio.

A IMAGEM

Foi marcante ver John Terry orientando o time do banco de reservas quando D.Luiz sentiu uma lesão na prorrogação e as substituições já tinham sido feitas. Não tem como negar que manda no time.

ABRAÇO

Importante também foi o significado do abraço empolgado de Roberto Di Matteo em Terry e Drogba quando o jogo acabou. O bom relacionamento com os líderes é fundamental para sua sequência.

TÉCNICO?

Terry já declarou que, em breve, pretende ser técnico. Di Matteo rebateu dizendo que ainda é cedo para o capitão pensar nisso, mas que o ajudará no processo. O desafio é evitar o desgaste.

Rafael Oliveira

MAIS DO MESMO… CHELSEA PROCURA TREINADOR (DE NOVO)

MAIS DO MESMO (Coluna publicada no Jornal Marca BR de 10/03)

A demissão de André Villas-Boas não chega a ser uma grande surpresa. Uma temporada brilhante no Porto e as comparações com Mourinho ajudaram a criar expectativa no Chelsea. Abramovich prometeu tempo, mas ele não durou nem 10 meses.

Em nove anos de Era Abramovich, o Chelsea chega ao seu nono treinador (antes de 2003, o clube teve 24 técnicos em 98 anos). O russo transformou o Chelsea em potência, mas criou também um ciclo de demissões e desperdício por causa da obsessão por resultados imediatos, especialmente na Liga dos Campeões. O maior sintoma foi Brendon Rogers, bom técnico do modesto Swansea, que declarou não ter vontade de ir para o Chelsea porque não quer destruir sua carreira.

Abramovich gastou 13 milhões de libras (£) só para tirar Villas-Boas do Porto, fora os £10 milhões que pagou ao rescindir com Carlo Ancelotti. Agora, mais £11 milhões de multa por desistir do português.

Apesar das recentes contratações, o Chelsea tem um elenco envelhecido. Os principais líderes já não rendem o mesmo de cinco anos atrás (Lampard, Terry, Drogba…). Fora os maus resultados, a questão de relacionamento tornou a situação de Villas-Boas aparentemente insustentável. Mas já é hora de olhar para o elenco como urgência e apostar de verdade em alguém para conduzir a transição. Caso contrário, a possível não classificação para a próxima Liga dos Campeões pode confirmar a queda de uma força. E o pior: não será por falta de dinheiro. Será por total falta de planejamento.

DI MATTEO

O ex-volante do Chelsea assume interinamente o comando. Não se sabe até quando, mas já terá o desafio da Liga dos Campeões na próxima semana. Como bagagem, um bom trabalho no WBA.

PARECE PIADA

A Federação Inglesa mandou uma carta aos técnicos pedindo que eles não comentem sobre o futuro treinador da seleção. Óbvio que a “grande” idéia teve o efeito completamente oposto.

Rafael Oliveira

SEM PRESSA PARA ANUNCIAR O NOVO TREINADOR DA SELEÇÃO

SEM PRESSA (Coluna publicada no jornal Marca BR de 03/03)

A Federação Inglesa anunciou que vai esperar até o fim da temporada para apontar o novo treinador da seleção. Harry Redknapp segue como o favorito, mas a indefinição alimenta especulações. A imprensa inglesa já fala em Mourinho, Guardiola e etc. Pouco provável, claro. Mas é o preço que se paga por não tomar uma decisão.

Outra conseqüência é abrir mão de qualquer ambição para a Eurocopa. Até lá, Stuart Pearce segue como interino e fazendo campanha para se promover, embora já tenha admitido que não tem currículo para a função. Na derrota por 3×2 para a Holanda, a Inglaterra apresentou o mesmo futebol inconsistente de sempre. Teste válido, com chances para Welbeck, Sturridge, Adam Johnson, Micah Richards, Smalling e Phil Jones. A garotada que até outro dia estava com Pearce na seleção sub-21 – e nunca conseguiu bons resultados (fora o vice europeu em 2009) – ganhou espaço e deixou boa impressão. Só não soluciona certas lacunas, como a ausência de Rooney, suspenso até a terceira partida da Euro.

Não é uma seleção tão forte e está muito abaixo de Espanha, Alemanha e Holanda, as três mais fortes do mundo há quatro anos. Mas talvez seja a primeira vez em 10 anos que a Inglaterra vai para uma competição com a consciência disso. Sendo assim, é menor a expectativa. Logo, menor o provável tombo. Se a ideia é esperar tanto, que seja para pensar muito bem no novo nome. E que ele não seja cobrado por resultados em 2012. As coisas não vão mudar da noite para o dia.

NOVO CAPITÃO

O perfil de Scott Parker dentro de campo diz muito sobre a nova fase da seleção inglesa. Um jogador de muita determinação, mas sem o nome ou a capacidade de decisão de estrelas como Gerrard.

NA ESTREIA…

O primeiro adversário na Eurocopa será a seleção que mais evoluiu desde a Copa de 2010. Laurent Blanc pegou a França completamente destruída e já formou uma base bem interessante.

OLIMPÍADA

Com a pressão de assumir a seleção principal a poucos meses da Euro, Stuart Pearce terá a complicada tarefa de conciliar o cargo com o desafio de montar uma seleção britânica de futebol.

Rafael Oliveira

O CLÁSSICO DA VIRADA?

O CLÁSSICO DA VIRADA? (Coluna publicada no dia 25/02 no Jornal Marca BR)

O domingo até terá troféu em jogo, mas a grande partida na Inglaterra não será a final da Copa da Liga Inglesa. O clássico entre Arsenal e Tottenham tem, além da rivalidade, um elemento a mais: a possibilidade de afirmação do Tottenham como o principal time de Londres.

Sem esquecer o Chelsea, é claro, mas Spurs e Gunners fazem, historicamente, o principal clássico da capital inglesa. E a temporada 2011/12 marca uma novidade na disputa dos rivais do norte de Londres. O Tottenham deve terminar o campeonato na frente pela primeira vez desde 1994/95 e uma vitória aumentaria a diferença na tabela para 13 pontos.

Tudo isso exatamente quando Wenger mais é cobrado. Desde que chegou ao clube em 96, o técnico francês disputou 32 dérbis e chegou para os jogos, em média, com 10 pontos de vantagem sobre o rival. Mas a realidade é outra. Nos últimos oito confrontos pela Premier League, o Arsenal venceu apenas um. E enquanto o Tottenham se consolida como terceira força do campeonato, os Gunners lutam para evitar a tragédia que seria não se classificar para a Liga dos Campeões pela primeira vez em 14 anos.

Hoje, não há dúvidas de que o Tottenham é mais time, enquanto o rival anda mal das pernas e vem de um vexame diante do Milan. Uma vitória no domingo significaria o primeiro “double” do Tottenham sobre o Arsenal desde 1992/93. Ou seja, a questão passa a ser se o momento realmente representa uma virada na “hierarquia” dos rivais do norte de Londres.

“DOUBLE”

É a maneira como os ingleses chamam quando uma equipe vence determinado adversário nos dois duelos do Campeonato Inglês. No primeiro turno, deu Tottenham por 2×1.

VAI TARDE?

Em um ano bastante complicado para o Arsenal, o torcedor talvez tenha recebido a melhor notícia nesta sexta: Arshavin vai para o Zenit. O russo fazia péssima temporada e já estava sem clima.

VALE TÍTULO

Neste domingo, o Liverpool pode vencer seu primeiro título desde 2006. Os Reds são favoritos na final da Copa da Liga Inglesa diante do Cardiff. São as Copas “salvando” a temporada.

AGORA VAI?

Com o pedido de desculpas aos companheiros de clube, Tevez está liberado para fazer parte novamente do grupo de jogadores disponíveis no Man City. Resta saber quando Mancini vai utilizá-lo.

O CLÁSSICO DA VIRADA

O domingo até terá troféu em jogo, mas a grande partida na Inglaterra não será a final da Copa da Liga Inglesa. O clássico entre Arsenal e Tottenham tem, além da rivalidade, um elemento a mais: a possibilidade de afirmação do Tottenham como o principal time de Londres.

Sem esquecer o Chelsea, é claro, mas Spurs e Gunners fazem, historicamente, o principal clássico da capital inglesa. E a temporada 2011/12 marca uma novidade na disputa dos rivais do norte de Londres. O Tottenham deve terminar o campeonato na frente pela primeira vez desde 1994/95 e uma vitória aumentaria a diferença na tabela para 13 pontos.

Tudo isso exatamente quando Wenger mais é cobrado. Desde que chegou ao clube em 96, o técnico francês disputou 32 dérbis e chegou para os jogos, em média, com 10 pontos de vantagem sobre o rival. Mas a realidade é outra. Nos últimos oito confrontos pela Premier League, o Arsenal venceu apenas um. E enquanto o Tottenham se consolida como terceira força do campeonato, os Gunners lutam para evitar a tragédia que seria não se classificar para a Liga dos Campeões pela primeira vez em 14 anos.

Hoje, não há dúvidas de que o Tottenham é mais time, enquanto o rival anda mal das pernas e vem de um vexame diante do Milan. Uma vitória no domingo significaria o primeiro “double” do Tottenham sobre o Arsenal desde 1992/93. Ou seja, a questão passa a ser se o momento realmente representa uma virada na “hierarquia” dos rivais do norte de Londres.

“DOUBLE”

É a maneira como os ingleses chamam quando uma equipe vence determinado adversário nos dois duelos do Campeonato Inglês. No primeiro turno, deu Tottenham por 2×1.

VAI TARDE?

Em um ano bastante complicado para o Arsenal, o torcedor talvez tenha recebido a melhor notícia nesta sexta: Arshavin vai para o Zenit. O russo fazia péssima temporada e já estava sem clima.

VALE TÍTULO

Neste domingo, o Liverpool pode vencer seu primeiro título desde 2006. Os Reds são favoritos na final da Copa da Liga Inglesa diante do Cardiff. São as Copas “salvando” a temporada.

AGORA VAI?

Com o pedido de desculpas aos companheiros de clube, Tevez está liberado para fazer parte novamente do grupo de jogadores disponíveis no Man City. Resta saber quando Mancini vai utilizá-lo.

Rafael Oliveira

O TAMANHO DO BURACO DO ARSENAL… POR QUE FALTA DINHEIRO?

Falar sobre a má fase do Arsenal é tema batido. Lembrar que o clube não ganha um título desde 2005 também não é novidade. Wenger vira o centro das atenções, seja pelos resultados ou pela sua filosofia. Com razão, mas… E financeiramente?

Segundo um estudo feito pela associação de torcedores do clube (AST), Wenger terá cerca de £50 milhões para gastar na próxima janela. Isso se o Arsenal não ficar fora da Liga dos Campeões pela primeira vez após 14 participações consecutivas, o que representaria um prejuízo de £45 milhões. Mais do que a análise do trabalho de campo de Wenger, uma pergunta deve ser feita:

FALTA DINHEIRO OU FALTA SABER INVESTIR?

Muita gente olha para a última janela de transferências e pensa: o Arsenal ganhou muito dinheiro com as vendas de Fabregas e Nasri. Em parte, é verdade. Foram £55 milhões só com os dois e cerca de £70 milhões se também considerarmos Clichy, Eboué, Traoré e etc. O problema é que pouco sobrou disso. O Arsenal não conseguiu reposição, mas gastou £53 milhões tentando. Apenas lembrando os principais nomes:
Gervinho – £10,6m
Oxlade-Chamberlain – £12m
André Santos – £6,2m
Arteta – £10m
Mertesacker – £10m

Não parece ser apenas questão de falta de dinheiro, mas sim de saber investir. O Tottenham pode terminar o Campeonato Inglês na frente do rival do norte de Londres pela primeira vez desde 94/95. E não por acaso. Não é segredo que os Spurs têm sido mais ativos que os Gunners no mercado. Somando todos os valores de transferências desde a temporada 2005/06, o Tottenham teve cerca de £90 milhões de “prejuízo” (ou investimento), enquanto o Arsenal tem um “lucro” de quase £50 milhões (vendeu mais do que comprou). Mas nem sempre é necessário gastar uma fortuna para conseguir bons nomes. E basta olhar para a base atual do Tottenham e ver quanto foi pago alguns jogadores importantes.

Friedel – Livre
Kyle Walker – £3m
Parker – £6m
Van der Vaart – £8m
Kaboul – £5m
Modric – £16m
Bale – £6m
Assou-Ekotto – £3,5m
Lennon – £1m

Claro que negócios bem discutíveis foram realizados ao longo do percurso (Pavlyuchenko, Bentley, Gomes, Hutton, Darren Bent, Zokora, etc) e que nem toda aposta vira realidade. Mas nos últimos anos, as apostas do Arsenal não parecem coerentes com a necessidade de manutenção entre as principais forças do futebol inglês. Ou basta ver que certas apostas não são tão baratas assim e que é possível gastar a mesma quantia em jogadores já mais experientes e que podem acrescentar mais.

É óbvio que o forte investimento aplicado em Chelsea e Man City muda o panorama e complica a vida de quem tem um dono (ou sócio majoritário) que não gosta de colocar o próprio dinheiro no negócio.

Até por isso, a comparação foi feita com o Tottenham. O curioso é que se pegarmos o balanço econômico dos clubes na temporada 2010/11, o Arsenal gastou £40 milhões a mais em salários do que o rival do norte de Londres (somando jogadores, staff e funcionários – é o 4º clube que mais gasta na Premier League).

E aí surgem outras questões. A primeira é sobre a qualidade do departamento médico, por exemplo. A segunda é em relação aos salários pagos a um elenco tão discutível. Elenco que contou com absurdos 71 jogadores na temporada 2010/11, considerando todos os jovens emprestados ou nos times inferiores (reservas e sub-18).

Basta dizer que Almunia, Fabianski, Squillaci, Djourou, Benayoun, Chamakh, Diaby, Arshavin e Rosicky estão na lista dos que ganham por volta de £50 mil por semana. Fazendo um simples cálculo, vemos que o Arsenal gasta mais de £25 milhões por ano só com os salários dos nove jogadores. É ou não é um absurdo? É dinheiro suficiente para uma grande contratação por ano ou para bancar salários de jogadores do nível que o clube precisa.

E FORA DO ELENCO?

Depois de olhar para dentro do elenco, também é importante analisar a situação comercial de que o Arsenal é “refém”. O arrecadamento do Arsenal estacionou em 2007 e não houve grande crescimento desde então. Dizer que a mudança para o Emirates é a principal justificativa não é totalmente verdade, pois foi a mudança que projetou o Arsenal para a segunda colocação no ranking de arrecadação do futebol inglês em 2007.

Seguindo números divulgados pela Deloitte, a arrecadação abrange três caminhos: o “matchday” (dinheiro dos dias de jogos com ingressos, produtos oficiais, vendas nas lojas do clube, etc), os acordos comerciais (patrocínios e parcerias) e os direitos de transmissão.

Na verdade, o grande problema do Arsenal está na estagnação dos valores arrecadados comercialmente, em que é apenas o 13º colocado no ranking dos clubes europeus, com £44 milhões, muito abaixo de gigantes como Bayern de Munique (£142m) e Real Madrid (£124m). O Manchester United foi o primeiro clube inglês a bater os £100 milhões de arrecadação comercial. Só a diferença de £57m para o Arsenal já representa o suficiente a bancar o salário de dez jogadores que recebam £100 mil por semana.

Isso explica bastante sobre a situação do Arsenal. Antes do início da temporada atual, Wenger chegou a comentar o aumento de 6,5% no preço dos ingressos do clube, dizendo que seria uma maneira de aumentar a chance de disputa com os gigantes. Mas por que isso precisa cair no preço dos ingressos?

Aí entra a parte em que o Emirates Stadium tem (indiretamente) sua parcela de culpa. Quando se fala em pagar “eternamente” o estádio, não é bem uma verdade absoluta. De acordo o “Swiss Ramble”, o financiamento prevê que o Arsenal pague £14 milhões por ano para quitar a dívida. Nada de outro planeta.

O grande problema está nos acordos comerciais firmados pelo Arsenal na época. A Emirates pagou £90 milhões (£42m + £48m) por 15 anos de “naming rights” (até 2020/21) e 8 anos de patrocínio estampado na camisa. No mesmo período, o clube fechou por 7 anos com a Nike recebendo £55 milhões.

Se fizermos uma simples comparação com outros clubes, vemos que os £5,5 milhões que o Arsenal fatura por temporada com patrocínio de camisa significam muito pouco. O Liverpool ganha £20 milhões só da Standard Chartered, enquanto Man Utd (Aon) e Man City (Etihad) faturam valores parecidos. Mais uma vez comparando com o Tottenham, os Spurs também saem na frente, com £12,5 milhões por ano, mais que o dobro dos Gunners. Nos contratos com as empresas de material esportivo, o drama é o mesmo: o Arsenal recebe £8 milhões por ano da Nike, mesma empresa que paga £25,4 milhões para o Man Utd. E o Liverpool acaba de fechar um acordo com a Warrior Sports para faturar £25 milhões por temporada. É uma fonte e tanto de dinheiro que o Arsenal simplesmente não recebe porque fechou longos contratos com valores bons para a época (hoje, totalmente ultrapassados).

ENTENDENDO A DIREÇÃO DO CLUBE

A administração do Arsenal é feita de uma maneira diferente da maioria dos clubes ingleses. O clube é uma empresa e não tem um dono como os “Glazers” ou Abramovich, mas sim um sócio majoritário. No caso, o americano Stan Kroenke tem 66% do clube, mas prefere não participar de forma intensa do comando. Além de não participar injetando seu próprio dinheiro, ele já deu polêmicas entrevistas defendendo a filosofia dos Glazers no Man Utd, alegando que não vê problemas no dono tirar dinheiro do clube.

Kroenke é dono do Denver Nuggets (NBA), do Colorado Rapids (MLS), St.Louis Rams (NFL) e do Colorado Avalanche (NHL). Somando tudo isso, a conclusão de boa parte da torcida é que ele simplesmente não liga para o resultado dentro de campo, desde que consiga obter algum retorno financeiro. Tanto que ele já disse que considera Wenger o homem certo para permanecer no cargo por vários anos, independente do que aconteça.

Hoje, a questão para o Arsenal é pensar no “Fair Play Econômico” como maneira de tentar levar vantagem sobre os demais, já que não teria grandes problemas para atender a todas as exigências da nova regra da Uefa. Mas quem garante que a ideia vai “pegar”?

Muito mais rico que Kroenke é Alisher Usmanov, dono de 29% do Arsenal. Difícil dizer se seria melhor ou pior, mas o uzbeque poderia transformar o cenário do clube londrino. Já demonstrou interesse pela fatia de Kroenke, que não pretende abrir mão de seu poder. Por enquanto, nada muda.

* Fontes (gráficos e informações): Swiss Ramble, Deloitte, Transfer League, Arsenal Brasil

**Dica: Para quem tem interesse em acompanhar (em português) o que acontece no clube, a galera do “Arsenal Brasil” faz um ótimo trabalho. Vale a pena conhecer o site e a ótima iniciativa da revista. Eles falam mais detalhadamente sobre o assunto nos links 1 2 e 3

http://www.arsenalbrasil.com.br/?p=3437

REALIDADE OU EXCEÇÃO? (Coluna publicada no dia 18/02 no Jornal Marca BR)

O assunto não é novo, mas o tema é inevitável. A goleada sofrida pelo Arsenal levanta todas as dúvidas possíveis sobre o momento do futebol inglês. E de nada adianta ter os dois de Manchester vencendo fora de casa na Liga Europa se a chance de ficar sem representantes na Liga dos Campeões é real.

Com o Arsenal eliminado, as esperanças são jogadas sobre o Chelsea, que vive seu pior momento nos últimos oito anos. Até pode passar pelo Napoli, mas entra sem qualquer favoritismo, o que só confirma o declínio.

A questão passa a ser: o futebol inglês, outrora o mais forte da Europa, caiu tanto? Ou a temporada é apenas uma exceção? Dizer que os times restantes na Liga não são as principais forças da Inglaterra é um fato, mas falta argumento quando lembramos que City e United caíram na fase de grupos. Talvez seja apenas um momento de transição, um período de adaptação de City e Tottenham ao patamar europeu que coincidiu com a campanha desastrosa do Man Utd.

Quando se discute a força de um campeonato, invariavelmente se fala na relação força/equilibro. Um campeonato equilibrado não necessariamente é bom. E um campeonato com um abismo entre os líderes e o resto também não é o ideal.

O fato é que a Premier League ficou mais equilibrada. Segue interessante, mas os líderes tropeçam mais. E se tropeçam mais nos médios e pequenos do país, naturalmente sofrem mais nas competições européias. Considerando 2011/12 como um ano perdido para os ingleses, a temporada 2012/13 ganha caráter decisivo para qualquer análise.

COINCIDÊNCIA

A Inglaterra pode ter sua pior temporada na Europa desde 1996, curiosamente o último ano em que o Man Utd disputou a Liga Europa (na época, “Copa da Uefa”). O Blackburn era o campeão inglês.

ÚLTIMA CHANCE

Com a goleada na Liga, a única esperança de título para o Arsenal passa a ser a Copa da Inglaterra. Neste sábado, a equipe enfrenta o Sunderland no confronto mais interessante das oitavas.

VÃO FAZER FALTA…

Chegou ao fim o período de empréstimo dos jogadores que atuam na MLS. Dos três, o destaque foi Donovan, que novamente mudou a cara do Everton. Henry e Robbie Keane também foram úteis.

CRISE SEM FIM

Com o anúncio de administração judicial pela segunda vez em três anos, o Portsmouth corre risco de fechar as portas. Como punição imediata, perdeu 10 pontos na 2ª divisão e luta contra o rebaixamento.

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