23 de maio de 2011
OS JOGOS SÃO APENAS UM DETALHE
Por Thayssa Bravo
Embora os Jogos sejam o ápice das Olimpíadas, cidades que já sediaram o evento garantem: a competição esportiva é apenas um detalhe. O grande potencial do maior evento esportivo do planeta (que a Fifa não nos leia) é a transformação que pode causar num ciclo de 27 anos. O Comitê Olímpico Internacional (COI) lembrou nesta semana em Lausanne, na Suíça, durante o seminário em Planejamento de Legado promovido pela União Internacional de Cidades Olímpicas, que o impacto dos Jogos deve ser planejado a partir do momento em que a cidade recebe o direito de sediar o evento – ou seja, 7 anos antes – para que os seus efeitos sejam sentidos até 20 anos depois. O que o diretor-executivo dos Jogos Olímpicos, Gilbert Felli, quis dizer é que se o Rio fizer o dever de casa, em 2036 ainda estará sob efeito de uma completa transformação: “Pra sempre, uma Cidade Olímpica”.
Representantes brasileiros dos governos municipal, estadual e federal participaram do seminário. Segundo o prefeito Eduardo Paes, o legado que os Jogos deixarão no Rio vão muito além do de Londres 2012 ou Pequim 2008. “Enquanto nas outras cidades apenas uma área é impactada, no Rio a transformação será completa. Vamos mudar toda a lógica de transporte e mobiliário urbano, abrangendo várias regiões da cidade. O legado é total, geral e irrestrito”, disse. Representantes do Rio 2016 e das Olímpiadas de Inverno de Sochi 2014 participaram de debates, e tiveram a oportunidade de fazer perguntas para profissionais que estiveram em Pequim e nas Olímpiadas de Inverno de 2010, em Vancouver, no Canadá. Chocou a plateia o fato de que exemplos do legado de sustentabilidade no caso do Brasil sejam decisões simples para países desenvolvidos da Europa, como plantação de árvores, limpeza das lagoas da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, e Rodrigo de Freitas, na Zona Sul, e saneamento básico nas comunidades pobres próximas a essas áreas.
O principal alerta feito pelo Comitê Olímpico Internacional foi quanto à gestão do legado dos Jogos Olímpicos. Segundo Gilbert Felli, é importante que seja firmado um acordo estabelecendo as responsabilidades da prefeitura, do governo do estado e do Comitê Olímpico nacional (COB, no caso brasleiro). A recomendação de incluir o impacto social durante todas as fases do processo foi seguida pelo Comitê Organizador dos Jogos de Vancouver. “As flores entregues nos pódios foram confeccionadas por mulheres vítimas de violência. E também buscamos engajar nossos patrocinadores no processo. A Coca-Cola, por exemplo, se envolveu com o tratamento do lixo e a redução de emissão de carbono”, contou Ann Duffy, chefe de Sustentabilidade Coorporativa em Vancouver.
Os canadenses lembraram que embora as flores do pódio sejam concretas, o sentimento que tomou conta daquelas mulheres foi intangível. “Os Jogos mudaram o Canadá e inspiram as próximas gerações. É um prazer passar a chama para vocês”, disse Bruce Dewar, diretor-executivo da LIFT, organização-legado dos Jogos de Vancouver que apóia empresas interessadas em investir nas áreas de esporte e saúde.







