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Mais punch, menos firula e carisma na medida

Michael Oliveira acabou de derrotar Abel Adriel pelo cinturão latino-americano do Conselho Mundial de Boxe, deixando no ringue espontâneas demonstrações de felicidade tão comoventes quanto ingênuas após 10 rounds de luta franca contra o adversário argentino.

Se por um lado os fãs da nobre arte curtiram ligar a TV numa noite de sexta para acompanhar uma luta, por outro devem ter se decepcionado com a atuação do nosso mais recente expoente no esporte. Apesar de certo talento nato pra coisa e uma infraestrutura acima da média dentre os demais praticantes da arte no país, Michael despejou firula no quadrilátero e esqueceu que tinha um oponente para derrubar. Apanhou mais do que bateu e mostrou não se importar com isso — aos olhos dos desavisados, demonstrou estar mais preocupado em parecer mais forte e mais capaz que o oponente do que de fato sobrepujá-lo dentro das regras da luta.

Levando um atraso na proporção de golpes encaixados, deixou chegar às mãos dos juízes uma luta à feição para pelo menos um nocaute pro público brasileiro no Ibirapuera. Não fosse a “mão de espanador” do oponente, nosso projeto de Chester de Ouro teria beijado a lona.

Um outro ponto diz respeito ao condicionamento físico do garoto de 20 anos. Os pneuzinhos e os manboobs (ainda?) podem até ser aceitáveis (a lenda do MMA Fedor Emelianenko fez história ostentando os dois), mas abrir o bico no sexto round em uma luta de dez é algo pra ser melhor observado. Não fosse a mesma coisa acontecer com o argentino, o brasileiro poderia ter problemas pra correr atrás nos últimos rounds e impressionar os juízes.

Apesar da pífia apresentação, Michael tem além da mão pesada aquela cara de garoto legal do condomínio. Num período onde os esportes de combate voltam pros holofotes pelos meios corretos, pode-se dizer que o rapaz tem uma cara boa. Só precisa treinar mais e levar suas lutas mais a sério, pois quem quer falar de título mundial tem que estar preparado pra encontrar um Kessler, Bute ou Froch doido pra estragar o rostinho bonito de mamãe.

Ali Shuffle sem soco na cara não serve de nada.

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Jon Jones não é o próximo Ali

A incógnita que surgiu ao final dos primeiros cinco minutos de última decisão dos meio-pesados do UFC é a mesma que surgiu a 31 anos atrás quando um jovem negro americano de olhar doce, voz mansa, braços longos e pernas finas demoliu o reinado de quatro anos de um campeão bem mais experiente. Na época ainda conhecido como pela alcunha de Motor City Cobra, Thomas Hearns chegou para mudar as regras do jogo. Era um sujeito com altura e punch de peso pesado lutando numa categoria muito mais leve.

Sua capacidade de golpear sem ser atingido devido à enorme envergadura, e a habilidade de boxear forjada no monolito de tijolo vermelho chamado Kronk Gym, rendiam a Hearns comentários que iam do enfadonho ao mais precipitado. O ex-comissário de boxe do estado de Michigan, doutor Stuart Kirschenbaum, classificou Hearns como aberração, enquanto o já famoso promotor Bob Arum (atual promotor de Manny Pacquiao) não se fez de rogado em taxar o jovem campeão de invencível.

Tendo lutado até 2006, com 48 nocautes no cartel, Tommy Hearns entrou para a história do boxe não só como um dos maiores nocauteadores de todos os tempos mas também como o primeiro homem a ganhar quatro títulos mundiais em quatro categorias diferentes (entre outros recordes), mas nunca foi um Muhammad Ali.

Aos, assim como eu, chocados pela forma como outro jovem negro e esguio destronou outra lenda mais experiente do esporte, aos que já consideram Jon Jones o Anderson Silva da nova geração ou os que “simplesmente” o maior lutador de todos os tempos, sugiro que respirem fundo, assistam à sua última luta novamente e aguardem ansiosamente pela próxima.

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Tenho lido em alguns blogs e fóruns de MMA diversos questionamentos e acusações, que vão desde a preparação de Shogun para sua primeira defesa de cinturão no maior evento de MMA do mundo até uma suposta “trapaça” de Jon Jones (dedo no nariz, mão na boca, na garganta, vaselina no corpo…). Sobre o primeiro fato, acho um pronunciamento do ex-campeão vale mais do que qualquer conjectura. A única coisa que consigo questionar nesse instante é o fato de ter aceito a luta corpo-a-corpo — o primeiro elemento de Jones. Já sobre as acusações de trapaça da parte de Jones, me reservo ao direito de só fazer lembrar das viúvas de BJ Penn e o mesmo papo furado em sua segunda derrota para GSP.

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Pra quem acha que boxe é só ataque

Dizem que ele é problemático, que nunca enfrentou ninguém de peso no auge, que foge do Pacquiao, enfim, um monte de coisas. Eu mesmo, em conversa pós-treino com o Gabriel Ribeiro da Delfim falei que Mayweather era marrento.

Citando o lendário Cláudio Coelho, ele retrucou: “O cara é bom de porrada e não apanha. Vai fazer o que?”

A parceria entre Miguel Cotto e o treinador Emanuel Steward se ainda não foi devidamente testada ao menos começa a dar demonstrações de que o lutador porto-riquenho está disposto a evoluir seu jogo. O Miguel Cotto pré-Margarito talvez tomasse mais riscos na tentativa de nocautear logo um adversário completamente dominado tecnicamente como se apresentou Ricardo Mayorga no último sábado. O mesmo Miguel Cotto que, encurralado ou em posição desfavorável na troca de golpes, que se limitava a pendular, bloquear ou contra-atacar de forma a se expor mais ainda, agora utiliza o clinch com mais freqüência e até se vira bem lutando in the pocket, e por ali na luta por dentro que Cotto conseguia atrair Mayorga pra trocação para então utilizar sua melhor técnica para explodir e acertar na saída um de seus cruzados de esquerda — na cabeça ou no fígado. Numa dessas trocas, já no último round, acertou El Matador em cheio e conseguiu um knockdown. No momento gerou-se uma dúvida, pois Mayorga sinalizou como se tivesse machucado a mão, tanto que ainda tentou voltar para luta mas alegou a contusão, mas ficou claro o acúmulo daquele mesmo golpe durante a luta inteira pagou seu preço.

Claramente o maior ganho de Cotto nesta parceria não é a estratégia, o jab mais longo, esquiva ou o caminhar no ringue, mas o controle dos nervos. É bem verdade que Mayorga não colocou tanta pressão assim durante a luta, mas é bem verdade também que Cotto manteve o foco em boxear para minar o adversário, e não golpear freneticamente até acabar o gás como o fez contra Margarito por seis rounds. Os fãs mais ardorosos do Miguel Cotto que surgiu derrubando quem encontrava pela frente dirão que o lutador não é mais o mesmo após as derrotas para Margarito e Pacquiao, e que atualmente não passa de um moneymaker, mas acredito que sua carreira caminha para uma possível revanche não só contra o mexicano mas também (levando em consideração essa novela toda que tem sido a negociação com Mayweather) contra Manny Pacquiao.

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Confesso que ainda não assisti à luta completa de Sergio Martínez, mas tive sorte de os únicos rounds completos que assisti serem justamente os dois últimos, onde o argentino com seu estilo aparentemente arriscado fez o ucraniano lutar a luta que ele, Martínez, quis. Sempre que Dzinziruk fazia menção de tomar a iniciativa do combate, era surpreendido pela maior velocidade do oponente com combinações de 2, 3 golpes.

Sergio Martínez, agora cotado para enfrentar o próprio Miguel Cotto (apesar dele pedir Pacquiao ou Mayweather), obteve muito sucesso em fazer o adversário acreditar que o acertaria de jeito a qualquer momento enquanto impunha o castigo que enfim o fez conseguir um nocaute técnico no oitavo round.

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Cotto x Mayorga — Martinez x Dzinziruk

No próximo sábado, dia 12 de Março, Miguel Cotto e Sergio Martínez colocam a reputação na linha. O porto-riquenho em defesa do cinturão dos médios-ligeiros da Associação Mundial de Boxe, enquanto o argentino (que vagou seu Cinturão dos médios do Conselho Mundial de Boxe) disputa o Cinturão de Diamantes pelo mesmo órgão.

Apesar de um tanto desconhecido, o ucraniano adversário de Martínez possui um cartel invicto, com 6 defesas de cinturão e 23 nocautes, além de ser canhoto e mais alto que o argentino. No entanto, quem viu a última luta de Martínez contra Paul Williams (reparem como Paul cai feito uma árvore) sabe tamanho não significa problema. O boxer argentino, eleito o lutador de 2010 pela Ring Magazine, se apresenta sempre muito confiante, trazendo para o ringue a catimba e a milonga portenha, batendo sempre por dentro mas se utilizando muito bem das pernas quando encurralado.

Ricardo Mayorga, por sua vez, saiu da aposentadoria para bater numa galinha morta antes de encarar um dos lutadores mais duros dos últimos anos. Por mais que as surras contra Margarito (independente das circunstâncias) e Pacquiao tenham deixado cicatrizes em sua brilhante carreira até então, Miguel Cotto seria capaz de atropelar “El Matador” Mayorga mesmo em sua melhor época — o que dizer de agora, com 38 anos e alguns maços de cigarro no pulmão? –, isso tudo sem contar a presença lendário Emanuel Steward e toda sapiência do fundador da fábrica de campeões chamada Kronk Gym em seu córner.

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Quem leu a seção de Sobre e vem acompanhando o blog sabe que imparcialidade não é o meu forte. Então desde já deixo clara a minha torcida pelo porto-riquenho, que além de mais capacidade técnica tem um estilo de luta muito bonito de se assistir.

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Hendo – O exterminador de brasileiros

Me valerei da estatística e da pecha que nosso país tem para cometer a frivolidade de citar futebol num texto onde o objeto é um atleta de outro esporte. Mas o fato é que, para mim, Dan Henderson é a encarnação de Zinedine Zidane nas arenas de luta (ou se preferirem, Zidane é o Dan Henderson dos gramados, visto que Hendo já nocauteava brasileiros antes de Zidane nos roubar a primeira Copa do Mundo).

Um total de 11 filhos deste solo sucumbiram à H-Bomb — como é conhecida a direita do sujeito. Dentre eles, alguns verdadeiros estandartes do esporte: Minotauro, Babalu, Renzo Gracie, Murilo Ninja, Murilo Bustamante, Vitor Belfort e Wanderlei Silva.

Sua última vítima foi Rafael “Feijão” Cavalcante. O veterinário de Cuiabá certamente jamais trombou com animal tão feroz, mantendo-se nos primeiros momentos da luta a uma distância segura das investidas do bicho, deixando-o quieto lá no centro da arena. Optando por investir com cautela até perder o medo e amansar o susto inicial com uma direita brutal que arremessou Hendo para a outra extremidade da arena. Quando o abate parecia evidente, com Feijão disparando duas bombas no adversário caído, eis que o monstro ressuscita e põe o brasileiro de costas no chão.

O embate dava sinais de que se desenvolveria no solo, com os dois medindo força na luta por posições, mas no entanto as melhores ações ocorriam com os dois em pé, com Hendo levando franca vantagem na luta agarrada.

Feijão parecia ter uma armadilha pronta pra principal investida de Hendo. Quando o monstro atacava com sua habitual combinação chute-baixo/bomba de direita, o brasileiro atirava os joelhos na tentativa de pegar a cabeça do adversário no meio do golpe (movimento eternizado por José Aldo no WEC), contudo não conseguia achar o timing exato.

Até que numa das muitas investidas contra o Feijão de costas para grade, Hendo se aproveitou de mais uma joelhada errada e fez Feijão comer dois golpes curtos. O brasileiro, um tanto assustado, se postou no centro, aceitando a troca de golpes sem perceber que talvez o monstro à sua frente já farejasse sangue. Foi atingido pelo primeiro bote e literalmente capturado conforme seu corpo era envolvido por trás no trajeto de sua queda até a grade.

Montado sobre a presa, Hendo finalizou a luta com sua habitual demonstração de brutalidade, numa espécie de tourada às avessas de onde saiu mais uma lenda para o Panteão Mitológico do MMA onde estão o Minotauro e Minotouro, a Aranha, o Homem de Gelo e muitos outros…

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Strikeforce: Columbus

O evento principal foi aberto pela luta entre o invicto Billy Evangelista e o rodado Jorge Masvidal. A experiência do americano de ascendência cubana se mostrou logo no início conforme caminhava pelo hexágono explorando sua maior envergadura. Confiante de pé, manteve Evangelista longe utilizando um jab seco e longo. Billy se mostrava bastante tenaz, até controlando o centro do terreno, mas por conta do melhor boxe do adversário não conseguia levar vantagem na luta por dentro — inclusive nos clinches.

O californiano se mostrou frustrado em determinada parte do segundo round, porém Masvidal cometeu seu único erro grave na luta em não ter apertado o ritmo e tentado um castigo maior. Billy Evangelista ainda tentou correr atrás do prejuízo mas Jorge Masvidal administrou o resultado com um showboating no finalzinho para deixar um gosto ainda mais amargo na primeira derrota do adversário.

Masvidal utilizou com sucesso uma estratégia bastante perigosa se levado em consideração o critério aplicado pelos juízes recentemente, pois andou para trás boa parte da luta, dividindo com o adversário a iniciativa do combate e apostando na sua melhor precisão. Talvez o fato de ter levado também a melhor na luta agarrada não tenha deixado espaço na cabeça dos julgadores para uma (im)possível vantagem para Evangelista.

Tim Kennedy entrou como ex-desafiante número 1 mas saiu mostrando que ainda é pouca areia pro caminhão do Jacaré. Tomou duas lapadas na perna como todo cara que entra pra lutar contra o Melvin Manhoef, até que desistiu de querer tirar atestado de macho e botou o holandês de costas pro chão. Uma vez ali, o abismo entre os dois apareceu e Kennedy finalizou com um mata-leão sem maiores dificuldades, saindo para celebrar com a equipe e destilar o ufanismo característico dos eventos de MMA realizados nos EUA.

Pediu Robbie Lawler, agora resta saber se o Scott Coker vai atender.

O querido Melvin bem que melhorou alguma coisa na defesa de quedas, mas seu nível de chão é nulo para um atleta que pretende lutar MMA nos principais eventos do mundo. Fica a esperança que seja escalado para encarar algum outro striker puro como ele — alguém aí também pensando na possibilidade do Cyborg subir e pedir revanche?

A Golden Girl From Golden Glory Marloes Coenen teve sua noite de Anderson Silva (certamente foi pauta de conversa de corredor entre os dois), saindo de 2 rounds e meio de puro calor até conseguir segurar o cinturão das meio-médios pelo rabo. Liz Carmouche, a Gorilla ex-fuzileira, entrou de última hora para substituir Miesha Tate e, mesmo com a derrota, se firmou como uma das principais desafiantes da divisão.

Trocando de igual pra igual com a campeã, soube trabalhar bem a esquiva depois de ter começado entrando sempre na direção do timing perfeito da direita de Coenen. De envergadura muito menor, entrava pendulando para encurtar a distância e explodia para tentar colocar a campeã para baixo. É bem verdade que quase foi guilhotinada logo de início, mas sua força física não só a livrou de apuros como proporcionou vantagens na luta agarrada. Carmouche terminou dois rounds montada em Coenen, mas não conseguia posturar bem para finalizar a luta no ground’n'pound, mas ainda assim o castigo foi grande.

Coenen variou as investidas, chegando até a colocar Carmouche para baixo mas Liz se virou bem com uma rubber guard, não dando brechas à adversária até que a luta voltasse de pé. Com a desafiante tão determinada quanto afoita (e cansada?), Coenen caiu com ela na guarda pela enésima vez, porém assegurou uma posição que proporcionasse utilizar toda sua elasticidade para aplicar um triângulo e acabar a luta.

Exausta mas esbanjando uma doçura antagônica aos gestos anteriores à desistência da adversária, deu uma longa saudação à derrotada e saiu da arena justificando seu apelido.

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Feijão x Hendo no próximo post.

- “De novo não…” deve ter passado pela cabeça do Damacio Page quando sentiu que tinha entrado na guilhotina do Brian Bowles;

- Que começou tomando um calor de um oponente tão bem preparado quanto afoito, mas o americano (conterrâneo de um dos meus contistas favoritos Breece D’J Pancake) teve calma o suficiente pra se fugir das investidas furiosas do oponente e, com um timing perfeito, encontrou bons espaços para contra-atacar;

- E foi um contra-ataque, mais especificamente num upper, que Bowles mostrou estar em dia com todas as disciplinas do MMA: boxe inteligente, ground’n'pound e uma transição pra guilhotina que aconteceu mal o Page piscou;

- Alguém tem dúvidas de que, caso os 3 rounds se seguissem com Page atacando feito um louco e andando pra frente, os juízes dariam a luta para ele? Aliás, a melhor luta da noite pra mim;

- Chris Weidman e Alessio Sakara começaram uma luta interessante, de trocação aberta, mas o italiano não suportou o maior gás do oponente e foi se retraindo, sucumbindo à decisão unânime dos juízes;

- Mark Muñoz, ao contrário do que eu imaginava, entrou pra resolver a luta em pé e assim o fez. Mesmo tendo sido quedado por C.B. logo no início, soube se defender e levantar pra seguir na sua estratégia;

- Até que acertou o queixo do “Doberman” no meio da troca, quando o adversário entrava com um cruzado de esquerda bem desleixado. C.B. caiu apagado e ainda levou umas marretadas, mas o Mario Yamasaki tratou de interromper a luta;

- Alguém também acha que a segunda marretada que o filipino deu enquanto o C.B. estava caído acabou por acordá-lo?

- Todas as derrotas de C.B. ocorreram no primeiro round (não é à toa que a média do tempo de suas lutas no octagon é de cerca de 3 minutos);

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Menos de uma e meia pro Strikeforce “Feijão vs Henderson”. Espero conseguir escrever algo após o evento — e algumas Heinekens.

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Kampmann vs Sanchez – No calor

A luta entre os dois mal acabou e já corri para registrar minhas primeiras impressões. No início da transmissão registrei no twitter meu palpite em favor de Diego Sanchez por conta de sua condição física e agressividade sobretudo no final da luta. De todas as piruadas que dei para o evento de hoje, esta talvez tenha sido a que mais se pareceu com minha real impressão.

Kampmann achou que daria a Sanchez o mesmo tratamento que deu a Paulo Thiago. O que seria até aceitável, visto que o americano além de ter entrado bem gordinho (com direito a man boobs e pança de chopp) costuma ser um tanto imprudente na trocação. No entanto o maior golpe que o dinamarquês levou foi na luta inteira foi o da sua própria auto-suficiência. Enquanto tomava a iniciativa nos golpes e o fazia com calma, magoou o rosto de Sanchez, mas quando começou a inventar tentar contra-golpear o adversário no meio de uma seqüência não obteve o resultado esperado, deixando a impressão de perder o interesse na luta.

Sanchez conseguiu conectar alguns poucos golpes, mas que incomodaram bastante — chegando até a cortar o supercílio de Kampmann –, e muito por conta do dinamarquês se deixar encurralar e tentar um estilo de defesa e contra-ataque que até hoje só vi darem certo com James Toney e Floyd Mayweather Jr (assistam no YouTube à luta dele contra Philip N’Dou e entenderão o que estou dizendo). Com o cansaço batendo, Diego Sanchez conseguiu uma queda e após um segundo round tão movimentado quanto equilibrado, deixou uma impressão melhor e levou a decisão unânime.

A luta deixou um sentimento curioso, pois Sanchez parecia mais estragado do que quando foi nocauteado por BJ Penn, mas por conta de sua atitude durante a luta ter sido exatamente o oposto de sua aparência física foi que não surpreendeu o fato de ter literalmente tomado a vitória largada lá no meio do octagon deixada por Martin Kampmann.

Pro futuro, Sanchez se encontra no bolo daqueles que buscam uma vaga de top contender. Kampmann, por sua vez, perdeu a chance de estar no bolo dos que podem se beneficiar com a saída de GSP da divisão, então é capaz que fique de escada para prospects do calibre de um Rory MacDonald ou outros lutadores novos que estejam buscando seu lugar na divisão.

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Os últimos algozes do Caveira

As rotas de Martin Kampman e Diego Sanchez seguem bússolas completamente diferentes, de modo que os dois irão se encontrar dentro do octagon na próxima quinta-feira. No entanto, pode-se dizer que origem dos dois caminhos é a mesma: o nosso “Caveira”, Paulo Thiago.

Kampman foi o azarão no combate entre os dois, com um kickboxing que serviu pra manter o adversário sempre longe e uma consistência de chão que neutralizou as melhores investidas, se fez visível sua evolução após uma derrota feia para o atual desafiante número 1 do Strikeforce, Paul “Semtex” Daley. Não bastasse fazer bem o dever de casa em anular o jogo de Paulo Thiago, ainda conseguiu alguns bons contragolpes e quedas que frustaram nossa torcida e agradaram aos juízes.

Após a zebra, Kampman encarou um letárgico Jake Shields em estréia no UFC (após ter passado o carro em Dan Henderson no Strikeforce), mas sequer foi sombra do sujeito que encarou um adversário favorito sem medo para impôr sua estratégia. Shields sobrou na luta, e só não conseguiu uma finalização por cansaço.

É bem verdade que se trata de um adversário de outro nível, tanto que irá disputar o cinturão com GSP, mas Kampman desta vez não fez sequer o dever de casa.

Já Diego Sanchez entrou em condições de igualdade contra Paulo Thiago por conta de seu cartaz (apesar da derrota estranha para John Hathaway). Não fosse Sanchez um melhor atleta do ponto de vista do condicionamento físico, teria sucumbido no primeiro round após duas tentativas de estrangulamento justinhas que sofreu. Paulo, a exemplo da luta anterior, deixou tudo dentro do octagon nos rounds seguintes, mas foi batido por um adversário melhor preparado.

Kampman e Sanchez podem fazer uma luta deveras interessante para um evento considerado menor. Questões de estilo à parte, com GSP flertando com a categoria de cima, a talentosa divisão dos meio-médios se aquece com a possibilidade de briga por um cinturão vago.

Pessoalmente acredito que Sanchez virá com tudo em seu estilo habitual, enquanto Kampman tentará reproduzir a mesma estratégia que deu certo contra Paulo Thiago. A diferença no entanto é que Sanchez é um wrestler mais competente e apresentará muito mais riscos para a defesa de quedas do dinamarquês.

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Apesar das duas derrotas, Paulo Thiago mostrou que ainda é um nome forte na divisão. Seja com sua determinação cega para suplantar um adversário numa noite muito mais feliz, seja com a coragem digna de um Caveira, exausto frente um oponente sobrando fisicamente. A missão é luta boa e (pegando carona no já quase morto bordão do filme) missão dada é missão cumprida.

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